Trilhos Serranos

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PATRIMÓNIO HISTÓRICO

A História aponta exata e pertinentemente o que está oculto na série, aparentemente caótica, dos acontecimentos quotidianos. A história local narra factos circunscritos, mas seleciona-os e valoriza-os, na medida em que estes factos se projetam no campo nacional, consideravelmente mais vasto».(Separata do «Boletim Informativo» nº 8 «História»,  Fundação C. Gulbenkian, 1962, pp 295)

TRAMAGAL - O MELHOR MUSEU EM 2018

«A História aponta exata e pertinentemente o que está oculto na série, aparentemente caótica, dos acontecimentos quotidianos. A história local narra factos circunscritos, mas seleciona-os e valoriza-os, na medida em que estes factos se projetam no campo nacional, consideravelmente mais vasto».Separata do «Boletim Informativo» nº 8 «História»,  Fundação C. Gulbenkian, 1962, pp 295)

QUEM  ESTUDA...APRENDE...

Em Moçambique (há quantos anos, senhores?) antes de andar por aí espalhada, por tudo quanto é MÍDIA, a lamúria "ALÁ É GRANDE", já ela retumbava nos meus ouvidos proferida por negros quando se julgavam injustiçados por isto ou por aquilo. Apelavam à Justiça Divina já a Justiça Humana estava para eles desacreditada. E parece que não apenas pelos nativos. É isso que vejo no texto que transcrevo de "Ronda de África" de Henrique Galvão. Um belo texto, se calhar para surpresa de muitos que o conhecem apenas como protagonista do assalto ao Santa Maria. A esses remeto-os para o Google a fim de se certificarem das suas andanças pela Política, pela História e Cultura. 

CUJÓ - A FEIRA MENSAL

Como escrevi no meu livro «Cujó, Uma Terra de Riba-Paiva», editado pela Junta de Freguesia em 1993, decorria o ano de 1927 quando uma comissão constituída por Salvador de Carvalho, Samuel Paiva e Pedro Duarte, diligenciou e conseguiu criar uma feira em Cujó a realizar todos os meses no «Largo das Carvalhas» = «Largo das Marinheiras», vizinho da «Eira da Fraga», no fundo do lugar.

UM NACO DE HISTÓRIA CONCELHIA

Quem tem tido a paciência de me acompanhar nestas minhas deambulações pelo nosso passado histórico, terá reparado que, apesar das múltiplas fontes, leituras e estudos citados em que fundamento as minhas dissertações, é recorrente eu citar as «Inquirições de 1258» e as «Memórias Paroquiais de 1758», isto por nesses documentos encontrar, não apenas alguns dos factos históricos que procuro, mas também preciosa informação toponímica e onomástica relativa à região que estudo.

INDÚSTRIA DE AZEITE - O LAGAR 

Segundo J. L. T. de Menêres Pimentel, em artigo, com o título «Technologia Rural», publicado na «Gazeta das Aldeias» no princípio deste século, o moinho de azeite terá derivado do «trapêto» romano, tipo de moinho caseiro movido por mão-de-obra escrava.

 HISTÓRIA VIVA

SEGUNDA PARTE

Mesmo assim, nesta SEGUNDA PARTE das minhas reflexões sobre as obras feitas no escadório, prossigo na minha lengalenga, repescando para aqui um texto que publiquei a propósito do «repuxo» que foi colocado no meio do Largo das Carrancas e julgo ser oportuno relembrar, pois,  como disse então e repito agora, aquela fonte só pode voltar a ter vida e a ser admirada, nestes tempos em que tanta gente sábia e empenhada no desenvolvimento do concelho, enche a boca PATRIMÓNIO, de TURISMO e de TURISTAS. Assim:

HISTÓRIA VIVA

PRIMEIRA PARTE

Fixar os olhos numa construção pública ou privada feita com material lítico (ponte, palacete, corrimão e balaustrada de varanda ou escadório de imponente solar vilão, de majestoso templo citadino, ou de simples escaleiras e varandas de modesta habitação rural campesina) não implica que o  observador   saiba o que é "partir pedra" durante a vida.

CASTRO DAIRE - PASSAGEM DOS FRANCESES EM 1808

09-04-2013 16:03:47

Sobre a hipotética passagem dos franceses por Castro Daire, em 1808, comandados por Loison, quero destacar dois textos não coincidentes nos factos que relatam e as incongruências históricas que os seus autores deixaram, sem se darem conta disso, seguramente. A. P. Marcelino diz que «Junot pernoitou na casa do Barão de Castro Daire» e Carlos Azeredo diz que «Loison jantou e pernoitou no Palácio das Carrancas da família Pinto Basto».

 

               A ALEGADA PASSAGEM DOS FRANCESES EM CASTRO DAIRE

 

Ora, como não tenho feito outra coisa senão investigar a História Local desde que retornei a Castro Daire e como «quem porfia sempre alcança» a questão do «barão» e sua família veio-me à mão, há muito tempo, e consta levemente do meu livro «Misericórdia  de Castro Daire» editado em 1990, e mais aprofundadamente no meu livro inédito «CASTRO DAIRE, CLERO, NOBREZA E POVO» do qual extraio os elementos que hoje uso para esclarecimento, não só do que disse A.P. Marcelino,  mas também Carlos Azeredo, no seu livro «As populações a norte do Douro e os Franceses. 1808-1809», editado em 1983) Ora vejamos:

              

     

1 - A.P. MARCELINO
 

«Tem Castro Daire um facto histórico notável que não podemos deixar ficar esquecido, pois é muito digno de ser arquivado (?) refere-se à passagem por Castro Daire de uma divisão francesa comandada pelo célebre general Loison que próximo desta vila pernoitou de 23 para 24 de Julho de 1808.

(...)
No sítio da «Feira das Vacas» e nos Campos de Santo António, foi tão encarniçada a luta que os franceses chegaram a desanimar e Azeredo [tenente João Paula de Azeredo] à frente dos conterrâneos, dando ordens e animando-os a prosseguir a luta, faz proezas brilhantes. Calcula-se que o exército francês tivesse cerca de 400 baixas, perdendo muitas bagagens, armamentos e munições e sobretudo várias preciosidades de ouro e prata que, sem dúvida haviam roubado nas terras por onde passavam e que aqui ficaram em poder de algumas famílias. O mesmo Loison foi ferido e bem assim o seu ajudante. Os próprios franceses admiraram a coragem do nosso povo.
No dia 25 de manhã saíram daqui 20 carros com feridos incluindo o próprio general. Dos castrenses também ficaram muitos feridos, mas não consta que nenhum morresse.
Também o general Junot havia passado nesta vila com um numeroso exército, fazendo muitas tropelias e vários roubos, sendo a sua gente quem roubou as lâmpadas de prata que havia em cada um dos arcos da igreja matriz e outros mais objectos, roubos e tropelias estas que muito contribuíram para excitar o povo e proceder como procedeu com o exército do general Loison, obrigando-o a pagar caro o mal que o seu antecessor tinha praticado. Junot esteve hospedado em casa do Barão de Castro Daire
. «O Castrense», Julho de 1916»

 2 - CARLOS AZEREDO

 «(..) O Boletim IV do comando de Junot, publicado na «Gazeta de Lisboa» de 14  de Julho de 1808, relata que Loison já perto da Castro D'Aire, fez frente a uma coluna de «insurrectos» que pôs em debandada, deixando 400 mortos no terreno.

(...)
De concreto sabe-se que a partir das proximidades da Póvoa de Juvantes, ou por desistência dos populares, ou pela reacção de Loison, este foi deixado em paz. O esgotamento das munições, o cansaço e o fim das provisões, todos estes factores devem ter pesado para pôr fim à marcha dos populares e, livre da sua incómoda escolta Loison pernoitou de 23 para 24 no campo, sobre umas alturas, junto ao caminho, com guardas forçadas.
A 24 atingiu sem novidade Castro D'Aire, onde pernoitou. A população de Castro Daire amotinou-se à aproximação dos franceses, tendo-lhes resistido no sítio da Feira das Vacas e nos campos de Santo António. Loison jantou e pernoitou no Palácio das Carrancas  da família Pinto Basto e as tropas acamparam na cerca - Outeiro da Forca
».(Carta da Câmara Municipal, Junho de 1983)

 Não cabe aqui dissecar todas as divergências dos textos deixados  por cada  um destes autores, ambos bebendo certamente na mesma fonte ou fonte próxima e diversa, como diversos eram os relatórios que sobre o mesmo acontecimentos ficaram, alguns deles denunciadamente eivados dos interesses promocionais dos seus relatores do que da objectividade dos factos relatados.  Mas destaquemos alguns desses aspectos:

 a) O primeiro, na ânsia de valorizar a nossa terra fez dela o palco de tão valoroso acontecimento, situando a  refrega na Feira das Vacas, exaltando a valentia dos castrenses que mataram 400 homens das hostes de Loison, com isso se vingando das tropelias e saques que Junot tinha feito pouco tempo antes na sua passagem por Castro Daire, «hospedado na casa do Barão de Castro Daire».

 E nesta  sua ânsia de pôr Castro Daire nas gloriosas páginas da Guerra Peninsular, o autor não se deu conta dos erros crassos em que incorria: em 1808 não existia nenhum «Barão de Castro Daire», e, até provaem contrário, Junot jamais terá passado por esta vila.

b) Das palavras do segundo se infere, claramente, que o recontro onde ficaram 400 mortos não foi em Castro Daire, embora dizendo que à aproximação dos franceses a população desta vila lhes tenha resistido no «sitio da Feira das Vacas e nos Campos de Santo António». E com as tropas acampadas «na cerca - Outeiro da Forca», Loison, vencedor, acomodou-se e jantou e pernoitou no «Palácio das Carrancas  da família Pinto Basto».

  Ora, deixando as não coincidências dos textos com os factos que relatam, se, relativamente ao primeiro sublinhei que, em 1808, não havia nenhum «barão em Castro Daire» para na sua casa pernoitar Junot, no segundo sublinho que, em 1808, o palacete das Carrancas não pertencia à «família Pinto Basto», para nele jantar e pernoitar Loison. Pertencia sim à família no seio da qual havia de nascer, em 1811, aquele que, em 1840, receberia o título de «Barão», Luís Malheiro Lemos e Vasconcelos.

E até prova documental em contrário, presumo que só depois da morte do Barão de Castro Daire, em 1878, o Palacete das Carrancas, passou para a família Pinto Basto, em cujas mãos se manteve até ser vendido a Bernardino Teixeira de Lacerda Pinto, depois da implantação da República, como amplamente documentei no meu livro «A Implantação da República em Castro Daire- I», editado em 2010.

 Abílio Pereira de Carvalho

AIVADOS - CASTRO VERDE (1562-1655)

Assisti, via TV, à cerimónia solene da "Abertura do Novo Ano Judicial".  Apreciei, sobremaneira, o introito que cada interveniente fez ao discurso que preparou antecipadamente,uma lista infindável de personalidades, todas muito dignas de referência e chamadas àquele ritual monocórdico que, só por si, é a prova provada de que a Justiça exige urgentemente uma reforma.

SEGUNDA PARTE - O ACESSO

Havia, como disse, um único acesso à fonte. Era (e é) o estreito caminho que os poderes públicos licenciaram e reservaram ao lado dos prédios que se levantaram ao longo dele, caminho com um troço ladrilhado e ornamentado com vasos, como se particular fosse. (Ver fotos). Ali não se distingue um «caminho público» de um piso de «varandim privado» e isso só pode dever-se ao zelo, licença e visão da engenharia municipal e zeladores da «res publica». Ou, então, de obras feitas sem licenciamento. Adiante.

PRIMEIRA PARTE - A RECUPERAÇÃO

Agora que as obras de recuperação da FONTE DA LAVANDEIRA (fonte pública que permaneceu esquecida durante anos consecutivos, quase subterrada com silvedos e lixo de toda a ordem) parecem ter chegado ao fim, devidamente sinalizada e limpa, mostrada que foi ao mundo por vídeos e textos que sobre ela fiz, em defesa de um BEM PÚBLICO, convém voltar ao ano de 2010 e deixar em, letra redonda, a saga que empreendi nesse ano. Primeiro, os documentos e depois o Mestre Zé Ferreiro que a ela me conduziram, para vermos o estado de  abandono a que foi votada pelos poderes públicos. É só esmiuçar as fotos que publiquei no meu livro "Implantação da República em Castro Daire-I", editado em 2010, e os vídeos que comecei a alojar no Youtube a partir de 2012.

HISTÓRIA VIVA

Em 1984 (MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO), aquando dos festejos do primeiro centenário dos BOMBEIROS DE CASTRO DAIRE, rematei o «OPÚSCULO» que então escrevi, a preceito, da seguinte forma:

HISTÓRIA VIVA

Era o que faltava. Eu, que me prezo de escrever «história com gente dentro», que me prezo de ter escrito, em  2007, o «historial de Fareja» no meu site «trilhos-serranos.com» (texto que abaixo transcrevo), silenciar-me perante a vitória que, AUGUSTO MARCELINO, natural desta aldeia, obteve nas recentes eleições autárquicas para PRESIDENTE DA JUNDA DA FREGUESIA DE CASTRO DAIRE. Ora leiam:

HISTÓRIA VIVA

 Com a presente crónica se põe fim à saga do desaparecido PELOURINHO DE ALVA. Ele voltou ao espaço público no dia 11 de Julho de 2017. Mas veja-se a sua longa caminhada.

HISTÓRIA VIVA

 PRIMEIRA PARTE

Quando, no dia 11-07-2017, fiz a entrevista à Senhora Dona Maria da Cruz, do Souto de Alva, sobre o "desaparecido" e ressuscitado PELOURINHO, disse-lhe, olhos nos olhos, que, «não sendo ela professora, acabava de me dar a mim, professor, uma lição» de história. E se alguém pensou que essas minhas palavras eram de circunstâncias ou de pura gentileza, enganou-se.

HISTÓRIA VIVA

INTRODUÇÃO

Numa atitude clara de divulgar e dar a conhecer (a quem ignora) a vida rural de outros tempos (por oposição à vida urbana dos tempos de agora) neste meu andarilhar, de podão em punho, pelo CAMPO DAS LETRAS por forma a nele abrir clareiras onde confluam conhecimentos, ideias, emoções e memórias humanas de quem tal viveu ou estudou,  no dia 07-07-2016 coloquei no meu mural do Facebook o seguinte desafio:

HISTÓRIA VIVA

É o quarto texto que escrevo sob o título em epígrafe para falar dos painéis de azulejos que, neste ano de 2017, foram descobertos atrás do CADEIRAL existente na Capela-mor da Igreja Matriz de Castro Daire.

HISTÓRIA VIVA

TERCEIRA PARTE

PAINEL DA DIREITA

Já vimos de que alegoria se trata, nada mais do que o salvamento de Pedro por Jesus de afogamento. Já vimos o enquadramento do painel e os elementos constitutivos.

HISTÓRIA VIVA

SEGUNDA PARTE

PAINEL DA ESQUERDA

Na I PARTE deste trabalho vimos o painel esquerdo no seu todo, bem como  o enquadramento e distribuição dos elementos nele inclusos. Façamos agora um pequeno esforço no sentido de percebermos essa distribuição e a postura de cada uma das figuras em relação ao motivo principal e central que ali os reuniu: «a entrega das chaves do reino dos céus" a Pedro(Mateus, 16:15-20).

HISTÓRIA VIVA

 PRIMEIRA PARTE

 Na capela-mor da Igreja Matriz de Castro Daire foram postos a descoberto (temporariamente e por razões de obras de restauro e conservação do cadeiral do coro baixo) dois painéis de azulejo pombalino, escondidos que estavam atrás daquela obra de talha barroca,  que integra, ao todo, trinta cadeiras distribuídas, simetricamente, por duas fileiras de assentos, nove na fila de trás e seis na fila da frente, bem como as respetivas misericórdias. 

REQUALIFICAÇÃO URBANA 

Castro Daire teve ou não Castelo (3)

Regressando a alguns números atrás deste jornal voltemos ao Inquérito mandado fazer por D. José I aos responsáveis por todas as Paróquias do Reino e às respostas dadas pelo Reverendo de Castro Daire.

 

REQUALIFICAÇÃO URBANA

Em 2005, depois de aturada e morosa investigação,  publiquei no «Notícias de Castro Daire» e também no meu velho site «trilhos serranos», alguns textos sobre o problema candente que há muito carecia de resposta.  Nessa altura onde é que andavam os pré-claros membros do atual EXECUTIVO MUNICIPAL, o que sabiam eles sobre o assunto, o que aprenderam eles (se é que aprenderam) e de que lhes valeu terem aprendido? 

Vou repor aqui alguns destes textos, pois isso me parece oportuno no momento em que, repito, o pré-claro EXECUTIVO MUNICIPAL dispõe de verbas no ORÇAMENTO destinadas à REQUALIFICACÃO /REABILITAÇÃO URBANA daquele núcleo histórico. A mim, que investiguei e publiquei o trabalho «pro bono» (a par de tantos outros) dá-me GOZO repescá-lo dos meus ARQUIVOS e trazê-lo novamente ao conhecimento do público, ciente de que esse meu GOZO será proporcional à URTICÁRIA de que sofrerão todos aqueles que bem gostariam de me ver calado. Aí vai, tal qual, a não ser a ilustrações:

HISTÓRIA VIVA

Em 2007, vejam lá há quantos anos (?) escrevi uma série de crónicas relativas à nossa INDÚSTRIA VILÃ  e nela entrava o fabrico do PAÕ. Ora, parecendo-me que o atual EXECUTIVO MUNICIPAL, no momento em que pensa «REQUALIFICAR/REABILITAR o BAIRRO DO CASTELO, precisa que lhe lembrem quais os «produtos culturais turísticos, ligados ao nosso PATRIMÓNIO HISTÓRICO EDIFICADO» aqueles que não podem ser delapidados, tal como se pensava fazer na ESCOLA CONDE FERREIRA, e bem assim os acessos pedonais que deixei em vídeos alojados no YOUTUBE  no ano 2012 (CANDEIA QUE VAI À FRENTE ALUMIA DUAS VEZES) aqui deixo, PRO BONO, o texto que publiquei no meu velho site, nesse mesmo ano. Esta foi, como se  vê, a crónica nº DOIS.

CASTRO DAIRE - O PÃO - 2

Na vila de Castro Daire, perto da igreja Matriz, na Travessa do Forno, fica exactamente o mais conhecido forno da vila: «o forno da Dona Maria do Céu». Construído em 1933, data desse ano o alvará passado em nome de João Frias Oliva, com a designação de «forno de padaria, só cozedura».

 

ESCOLA PRIMÁRIA «CONDE FERREIRA-1866» VIRA SALA DE VELÓRIO

Em 04 de dezembro de 2015 publiquei no meu site «www.trilhos-serranos.pt  (onde ainda se encontra alojada, é só investigar na página) uma crónica devidamente ilustrada sobre a PRIMEIRA ESCOLA PRIMÁRIA oficial que existiu em Castro Daire: a «ESCOLA CONDE FERREIRA, 1866», sita no Bairro do Castelo.

Mão amiga sabedora da minha postura pública perante a defesa e preservação do nosso património histórico material e imaterial, natural ou edificado, fez-me chegar o «PrtScn» de um texto retirado da Internet onde o meu nome é referido, numa espécie de apelo à minha intervenção sobre as obras que estão a realizar-se exatamente na ESCOLA CONDE FERREIRA, com vista a transformá-la numa «SALA DE VELÓRIO».

 

HISTÓRIA VIVA

 NO DEGREDO EM MOÇAMBIQUE

E Joaquim José Álvares, militar de carreira, pele curtida na Guerra Peninsular, não dorme em serviço. A maré política estava a seu favor e logo em 4 de Agosto desse ano, apresentou um requerimento aos «Senhores do Governo Provisório» a quem se queixa dos prejuízos causados pelo «degredo» em Quelimane, para onde  «despoticamente» o governo o havia transferido. Vê-se que queria ajustar contas com o ilustre Presidente «deste» Governo, por ele ter feito parte do «anterior» e, por conseguinte, dever ser ele a explicar as razões de tal procedimento. Ora veja-se:

 

 HISTÓRIA VIVA

 NO DEGREDO EM MOÇAMBIQUE

 

De facto, em princípios de 1834, foi nomeado para governador da colónia o capitão-de-mar-e-guerra, José Gregório Pegado, que só chegou a Moçambique em Outubro «encontrando a colónia a debater-se numa pavorosa anarquia governamental e administrativa».


HISTÓRIA VIVA

 NO DEGREDO EM MOÇAMBIQUE

E que tipo de administração tinha Moçambique à chegada de JOAQUIM JOSÉ ÁLVARES? Que «LEI E ORDEM» imperavam em tão afastadas  terras (com capital na Ilha de Moçambique) sorvedouro de uns tantos aventureiros esperançados em subir na vida, de outros tantos dispostos a prestarem serviço a Sua Majestade e outros mais criminosos e degredados que ali espiavam as suas penas?

HISTÓRIA VIVA

 DEGREDADO PARA MOÇAMBIQUE

Ainda que promovido ao posto de tenente por D. Miguel, como vimos no capítulo anterior, ele, recusando-se a aclamar este monarca como «rei absoluto» e, face a essa sua opção política, de pouco lhe valeu a sua brilhante e condecorada carreira militar conseguida até aí, como elemento ativo na Guerra Peninsular.

 

 HISTÓRIA VIVA

ADESÃO AO LIBERALISMO

Do espólio que recebi do bisneto, Fausto Figueiredo Feio Cardoso Girão, a residir em Castro Daire, herdeiro que foi da Quinta do Paço, em S. Martinho de Mouros e dos bens  pertencentes à sua avó, filha do General, fazia parte um livrinho de bolso (14x10cm), editado em 1797, com o título «Regimentos Militares», um autêntico «Vade Mecum) usado, seguramente, pelo militar, cujos traços biográficos estou traçando.

HISTÓRIA VIVA

Eis as últimas batalhas de um General que, depois de ter o peito cheio de medalhas pelos bons serviços prestados à Rainha e ao Reino, acabou a sua carreira militar acusado de nepotismo e coisas mais. Seria verdade? Ou ontem, como hoje, quando as pessoas se tornam incómodas, se lança sobre elas o labéu condenatório conveniente a quem acusa? No rascunho de uma carta manuscrita dirigida ao seu sobrinho «Francisquinho» a trabalhar, então, no Ministério da Guerra, ele deixa ver claramente que as acusações de que está a ser vítima, não só são falsas como injustas. 

HISTÓRIA VIVA

Quem tem acompanhado estas minhas reflexões e transcrições de  textos sobre os REGIMENTOS MILITARES (chegamos ao número NOVE, o número do meu alistamento como soldado) já percebeu que a organização das TROPAS no tempo de D. Sebastião e D. João IV sobre o  RECRUTAMENTO à força ou voluntário por este Portugal fora se foi alterando e adequando aos tempos. Não podia ser diferente no tempo do Príncipe D. João (futuro d. João v) que assumira a REGÊNCIA DO REINO, quando a sua mãe, a Rainha D. Maria I, enlouqueceu em 1792.

Já vimos, a propósito dos jovens de Cujó, (um aprendiz de ferreiro e outro pastor) que conseguiram escapar às mãos dos imprevistos recrutadores e, consequentemente, furtarem-se às  «vexações e violências que em casos de recrutamento violento se tem algumas vezes praticado», como reza o ALVARÁ, com força de Lei, assinado em 1797, diploma que empresta autenticidade aos dois episódios mantidos na MEMÓRIA ORAL.

BOMBEIROS DE CASTRO DAIRE





HISTÓRIA VIVA

HISTÓRIA VIVA

Decorria o ano de 1645. D. João IV estava sentado no trono, a cinco anos da RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. Havia que proceder à organização militar e reforçar a defesa nas fronteiras. 

Não vou falar das fortalezas que se construíram no seu reinado, mas omitir nesta série de crónicas que me dispus a escrever sobre a forma como se procedia ao recrutamento para a tropa, tomando por exemplo aqueles os dois mancebos que, em CUJÓ se não deixaram arrebanhar pelos recrutadores aparecidos de imprevisto, era um lapso meu de lesa coerência na linha do conhecimento e esclarecimento que resultam da investigação e das leituras afins à temática visada. Assim, aqui deixo:

HISTÓRIA VIVA

Retornamos aos Regimentos de D. Sebastião para melhor entendermos o avanço  introduzido posteriormente na organização militar e alertar para a importância do PODER LOCAL, quase sempre designado pela expressão OFICIAIS DA CÂMARA ou somente OFICIAIS, sendo, afinal, o que hoje chamamos o EXECUTIVO MUNICIPAL, também designado em alguns documentos por JUSTIÇAS DA TERRA. Num trabalho de investigação que levei a cabo em Castro Verde, que resultou no livro «História de uma Confraria, 1677-1855»  editado pela Câmara Municipal daquele concelho, em 1989, era essa a designação mais frequente atribuída ao Executivo Municipal e à sua nomeação pelo Rei, no qual o presidente assumia a função de Juiz. Para ilustração transcrevo o excerto seguinte:

HISTÓRIA VIVA

 

Nos TRILHOS SERRANOS que tenho percorrido em busca de conhecimento, durante anos, dias e meses, visando,  encontrar e divulgar saberes, odores e sabores camponeses, não raro tenho encontrado no terreno versões do mesmo assunto com ligeiras alterações nas narrativas. Por método, ouço, registo e não digo o que já sei sobre a matéria que investigo, por forma a não influenciar o informante. E esse procedimento conduz-me, por regra, a várias versões, permitindo-me, seguidamente, o cotejo delas e, desse modo, chegar ao que julgo ser o «essencial» de uma narrativa sobre algo que efetivamente aconteceu no passado e que permaneceu na literatura oral, durante séculos.

HISTÓRIA VIVA

Como disse no apontamento precedente, vários cidadãos da Freguesia de Mões, apresentaram-se na sala de reunião da Junta, no dia vinte e nove de setembro de 1940, para ali dizerem da sua justiça.

Era seu propósito contestarem a informação que a Junta havia prestado ao Senhor Presidente da Câmara de Castro Daire, Dr. Abel Poças Figueiredo, sobre o baldio da Reboleira, ilibando o antigo Regedor e Presidente da Junta de se ter aproveitado dele, em prejuízo dos mais moradores.

HISTÓRIA VIVA

Na crónica anterior "REGIMENTOS MILITARES, 6" falei na delação premiada, v.g. parte do dinheiro da pena aplicada aos revéis reverter para o ACUSADOR, ou seja, o produto em numerário da pena a que estava sujeito todo o "vassalo" d'El-Rei D. Sebastião que se furtasse a integrar a ORDENANÇA, a tropa dispersa pelo Reino, com Rei, mas sem Roque, nem quartel.

HISTÓRIA VIVA

Estamos no ANNO DOMINI 1570. E D. Sebastião, recorrendo aos eficientes meios de comunicação coletiva da época (à Internet do seu tempo, os sinos das igrejas) a fim de, pela melhor forma, se processar o "ajuntamento" das tropas integradas nas ORDENANÇAS dispersas pelas cidades, vilas e aldeias de Portugal, tropas sem quartel, com Rei, mas sem Roque, com muitas rocas a fiarem o linho e a lã com que vestia o Reino camponês que ele governava e com quem contava para icombater os Mouros em Marrocos. Não era ainda o tempo dos quarteis, das casernas, das camaratas, tempo do clarim  a tocar a "alvorada" e a "silêncio". E quantos militares fizeram a tropa, a guerra, com galões, divisas ou sem coisa nenhuma, sem saberem nada disto? Enfim, D. Sebastião  determina:

TROPA, 6 - PRAGMÁTICA DE D. JOÃO V, 1735

O FILÃO

Já, há tempos, deixei neste meu  espaço um texto em que falei de filões, de minas e poços abertos nos montes em redor da minha aldeia. Falei de camponeses que, no pós guerra, gasómetro numa mão, ferramentas na outra, ainda perseguiam o veio subterrâneo de volfrâmio até ao seu esgotamento. O minério comprado por ingleses e alemães para fabrico das armas manejadas pelos militares na Guerra.

TROPA, 5

Retomo aos "REGIMENTOS" de D. Sebastião para acrescentar uma informação absolutamente indispensável à compreensão da forma de "recrutamento militar" neles previsto. Diz respeito às NOTIFICAÇÕES dos "vassalos" que, habitando no Reino, não importa em que cidade, vila ou aldeia, se recusavam  a incorporar a ORDENANÇA e fugir aos recrutadores.

TROPA, 4

E creio ter chegado ao ponto que me levou a reler os REGIMENTOS  de D. Sebastião, para refletir sobre a expressão "tropa-fandanga". Necessário é, todavia, darmos um salto do século XVI para o século XVIII e, já agora, até aos nossos dias. 

Vimos no juramento do capitão-mor que ele assinou "por sua mão". Está-se mesmo a ver que, por este Reino afora, seriam muito poucos os que tinham privilégio de saber ler e escrever. É tema que para a maioria de nós não precisa demonstração. É só lembrar o grau de analfabetismo que existia nos meados do século XX.

A TROPA, 3

No meu livro "Cujó, uma terra de Riba-Paiva" editado em 1993, deixei dois episódios registados na tradição oral relacionados com fuga ardilosa de dois mancebos ao recrutamento militar em tempos distantes, quando foram surpreendidos pelos recrutadores aparecidos de imprevisto. E, face à forma como tal se fazia, não custa nada emprestar-lhe autenticidade. Vejamos mais um trecho do REGIMENTO:

TROPA, 2

JURAMENTO. Repare-se como ele começa. "Eu foão" (não é gralha, nem engano) é tão só o "F..." que chegou às minutas das nossas repartições, a iniciar qualquer documento. Lembram-se? Aí vai:

A TROPA, 1

Nesta página de militares para militares, com a aceitação civilizada de nela colaborarem alguns civis, entre os quais me conto, na sequência de uma extensa crónica que publiquei no meu site sobre a NOBREZA DE MÕES (Castro Daire)  na qual menciono o CAPITÃO-MOR daquela vila, não pude deixar de reler os "Regimentos Militares" Tomo II, Lisboa, 1797, nos quais me veio à lembrança expressão "topa-fandanga"  que, de quando em vez, o meu pai, lá na aldeia, usava para caracterizar algo desorganizado. O que não acontecia, seguramente, com as tropas que gastaram as solas na região de Tete e noutras terras de Moçambique.

HISTÓRIA VIVA

Na crónica anterior aludi ao estatuto social e funções desempenhadas por D. Henrique de Azevedo Faro Noronha e Menezes: «moço fidalgo», «fidalgo da Casa Real», «juiz de fora em Mirandela», «Governador Geral em Beja» durante o «Governo Liberal», deixando em aberto e ao raciocínio do leitor que a vida não era fácil até para a «nobreza» do Reino. Basta só ter em atenção as distâncias e os meios de transporte.

HISTÓRIA VIVA

 Falar das casas brasonadas de Mões, concelho de Castro Daire, leva-nos a viajar não só no tempo, mas também no espaço. Leva-nos ao século XVIII e ao concelho de Resende, a S. Martinho de Mouros e entrar no solar da Soenga para conhecermos um dos seus proprietários: D. Joaquim de Carvalho Cabral de Azevedo Menezes, nascido a 30-01-1758, ano em que o Marquês de Pombal mandou circular pelas paróquias do Reino um inquérito, visando saber aspetos de carácter geográfico, demográfico, hidrográfico, religioso e, eventualmente, estragos resultantes do terramoto de 1755.

HISTÓRIA VIVA

 No monte mais elevado ao lado da vila de MÕES (cota 709 metros de altitude), digamos que símile do GÓLGOTA bíblico (1), levanta-se o fragmento de um monumento, à primeira vista, enigmático. Trata-se de um fuste octogonal amputado com sinais evidentes de sobre ele ter assentado a parte que falta, também octogonal. Tem por base três degraus do mesmo formato, assentes num penedo de raiz a sair do solo, semelhante à calote superior de uma caveira. (ver foto mais abaixo). 

MEMÓRIAS VIVAS

Nas duas crónicas anteriores sob o título em epígrafe, em torno do CRUZEIRO comemorativo dos CENTENÁRIOS DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL (1139) e da sua RESTAURAÇÃO (1640) levantado no MONTE DA CABEÇA, em 1940, falei de HISTÓRIA autêntica com gente dentro. Falei do usufruto comunitário desse monte pelas populações circunvizinhas e disse que Santa Margarida era COVELINHAS no século XIII e que VILA POUCA, em 1758, era SÃO PAIO, tal como escreveu o Padre Encomendado Patrício Costa Peixoto, ao identificar e descriminar os templos e oragos que existiam na Paróquia de Castro Daire, dentro da vila e fora dela.

MEMÓRIAS  VIVAS

Na crónica anterior, com o título em epígrafe, reportei-me ao imponente CRUZEIRO granítico levantado no MONTE DA CABEÇA (ALTO DA CABEÇA) em satisfação do ensejo patriótico do ESTADO NOVO que, em 1940, mandou erigir em tudo o que era território nacional, aldeias, vilas e cidades, freguesias e paróquias monumentos alusivos à INDEPENDÊNCIA de PORTUGAL (1139), à RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA (1640) e, naturalmente, glorificação ao regime vigente (1940), saído da Revolução de 28 de Maio de 1926.

MEMÓRIAS VIVAS

Neste ano de 2016, ano em que por um GOVERNO DAS ESQUERDAS, foi reposto o FERIADO NACIONAL DO PRIMEIRO DE DEZEMBRO, extinto por um GOVERNO DAS DIREITAS, mostrando os respeito que os membros de tais Governos têm pela HISTÓRIA e valores pátrios, apetece-me trazer aqui, mesmo ao findar o ano, umas das medidas emblemáticas do ESTADO NOVO, relacionada com  INDEPENDÊNCIA E RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL.

MESINHA DE CENTRO

Era uma peça de arte feita em pau preto, estilo indo-português. Tampo inteiriço, oitavado, na parte superior tinha desenhos em alto relevo lavrados por anónimo mas exímio artista no manejo da goiva, do formão e das ferramentas cortantes afins. 

Na parte inferior tinha um rebordo saliente para encaixar e para manter firmes as oito faces laterais rendilhadas. Cada uma tinha cerca de 50 centímetros de altura e 20 de largura. Eram faces articuladas e, retirado que fosse o tampo, elas dobravam-se sobre si próprias, assumindo uma forma plana de fácil acomodação e transporte.

MEMÓRIAS E DOCUMENTOS

É óbvio que os meus amigos (pouco atreitos às futilidades facebookianas diárias) sabedores e atentos «ao dito» e «não dito», repararam que ao título destas duas crónicas  «QUARENTA ANOS DE PODER LOCAL» falta o apêndice «DEMOCRÁTICO». Não se tratou de um lapso meu. A questão é que, por força dos preceitos constitucionais e leis deles decorrentes, ainda que o «PODER» tenha sido devolvido ao «POVO» através das eleições, «PODERES LOCAIS» houve (e há) que de «DEMOCRÁTICO» têm apenas a forma como foram atingidos. E claro está que não me refiro exclusivamente às «AUTARQUIAS». A «DEMOCRACIA» e a forma de chegar ao PODER alargou-se a muitas outras instituições nacionais. E creio todos hoje saberem quanto «compadrio», «clientelismo», «nepotismo»  e outros «ismos» enxameiam o país inteiro a coberto de eleições,  passados que são QUARENTA ANOS de «DEMOCRACIA REPRESENTATIVA». E ninguém ignora também  o grau de «CIDADANIA» refletido na «abstenção» verificada em cada ato eleitoral, v.g. eleições europeias, legislativas, autárquicas e demais instituições existentes.

MEMÓRIAS E DOCUMENTOS

Há dias, proveniente da ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CASTRO VERDE, assinado pela sua digníssima  "Presidenta", Maria Fernanda Coelho do Espírito Santo,  recebi um CONVITE para estar presente na «SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL EVOCATIVA DOS 40 ANOS DO PODER LOCAL DEMOCRÁTICO», a realizar-se no dia 12 p.f., CONVITE esse que se deveu, não só ao facto de eu ter integrado aquele órgão autárquico como membro eleito nas lista do PARTIDO SOCIALISTA, mas também e certamente, porque, durante alguns anos, exerci a profissão de professor naquele concelho, onde deixei familiares e amigos.

O NOSSO PATRIMÓNIO E OS SEUS TRATOS

Classificado «monumento nacional» por decreto nº 23.122 de 11-10-1933, (Alberto Correia, in «Castro Daire, Roteiro Turístico»,1987), o Pelourinho de Alva, vá lá saber-se quando, por quê e por quem, foi retirado do lugar público arejado onde se encontrava,  deixando de ser o símbolo da JUSTIÇA e da MUNICIPALIDADE, para ser metido num  curral a servir de suporte a uma trave de sobrado, numa casa em Souto de Alva. Prisioneiro e condenado a viver no escuro (nos pelourinhos, antes deles passaram à fase simbólica da Justiça, eram presos e expostos os delinquentes sociais,ao ar livre, em plena luz do dia) ali permaneceu durante décadas no escuro até ao momento em que foi resgatado v.g. no p.p. dia 22-11-2016.

OPOSIÇÃO À DITADURA

No texto que escrevi com o título «AMOR EM TEMPO DE GUERRA» cujo protagonista foi Aurélio Alexandre Pinto, um militar integrado no «CORPO EXPEDICIONÁRIO DE MOÇAMBIQUE» na última «GRANDE GUERRA» disse que ele pertencia a uma família grada de Castro Daire. Grada e politicamente envolvida na vida pública, antes e depois do 25 de Abril de 1974. 

OS ARES DO ÍNDICO

Natural de Castro Daire, Aurélio Alexandre Pinto integrou o «CORPO EXPEDICIONÁRIO» que, na "«SEGUNDA GRANDE GUERRA" embarcou para Moçambique. Esteve em Lourenço Marques e dali navegou para  «NOVA GOA, ÍNDIA PORTUGUESA»,  terras donde escreveu assiduamente para a família. São cartas dirigidas  à sua  MADRINHA e também sua MÃE, com a datas de  1940 a 1946

HOMENAGEM AOS MESTRES DA FORJA, DO MALHO E DA BIGORNA

Em cada uma das grades, o gosto do primeiro proprietário do prédio, o sentido estético do mestre ferreiro para quem o ferro não tinha segredos. Constato que alguns desses mestres, além de manejarem o malho e a bigorna melhor do que eu algum dia manejei a caneta e o teclado do computador, mesmo sem nome, deixaram-nos provas evidentes de serem artistas de renome. 

HOMENAGEM AOS MESTRES DA FORJA, DO MALHO E DA BIGORNA

Virando costas às "QUATRO ESQUINAS" e seguindo  ESTRADA NACIONAL N. 2 abaixo, em direção ao Coreto, deparamos com a casa de pedra que é propriedade atual do Dr. Jorge de Melo Ferreira Pinto. 

HOMENAGEM AOS MESTRES DA FORJA, DO MALHO E DA BIGORNA

Mas retornando ao Largo Espírito Santo (Feira das Galinhas) e subindo  Rua Direita acima, desembocamos na Praça Aguilar, a Praça, onde, em 1844, foi levantada a forca para dar fim a um dos assasinos do Padre  Bizarro (liberal), um dos três miguelistas de Farejinhas que, nos arredores de Folgosa, em 1840, lhe fizeram uma espera e resolveram, ali mesmo, secar-lhe o céu da boca, de modo a que ele nunca mais fizesse um sermão,  tal como  já espliquei, pormenorizadamente,  em textos anteriores. 

HOMENAGEM AOS MESTRES DA FORJA, DO MALHO E DA BIGORNA

Dito isto, ao lado da Igreja Matriz, e também à sua frente, temos dois magníficos exemplares de arte forjada. 

HOMENAGEM AOS MESTRES DA FORJA, DO MALHO E DA BIGORNA

Quando, em 12 de setembro de 2011, alojei no Youtube o vídeo com a entrevista que fiz ao senhor António Viriato, um dos últimos "artistas do ferro" de Castro Daire, com oficina montada nas traseiras da Igreja Matriz, vídeo que, em 07-11-2016, somou 11.792 visitas (ainda disponível naquele site com o título "CASTRO DAIRE - O FERREIRO") era meu propósito fazer um REGISTO FOTOGRÁFICO das muitas obras de "ferro forjado" que, pintadas ou enferrujadas, com as marcas próprias do tempo, persistem em manter-se firmes e hirtas, assentes nas portas e nas varandas das habitações da nossa vila. 

A PETISCADA - 2 

Gosto de carneiro assado

Gosto de couve flor

Gosto de queijo e pão

Gosto de vinho e licor

ANTÓNIO JOSÉ LOUREIRO DE ALMEIDA

Na crónica anterior sobre o "PELOURINHO DE CASTRO DAIRE" aludi ao tabelião Inocêncio Teixeira do Amaral, em cujo escritório, em 1863, foi feita a escritura de compra das três casas contíguas ao adro da Igreja pertencentes a António José Monteiro Lemos,  José o Ferreira Simões e João da Cunha,  para se arranjar espaço suficiente com vista à construção do Hospital da Misericórdia. O negócio, devidamente autorizado pelo Rei, foi feito tendo  o primeiro morador recebido 72$00, o segundo 60$000 e o terceiro 55$000. Refiro isto tudo, circunstanciadamente, no meu livro «Misericórdia de Castro Daire» , editado em 2000, nas páginas 38-39.


PRIMEIRO

Tal como se vê em livros, roteiros e folhetos turísticos sobre a história de Castro Daire tem-se considerado pelourinho municipal  o  cruzeiro de calvário que se encontra no Bairro do Castelo, aquele que, em data não apurada rigorosamente por mim (mas que presumo ter sido na década 50 do século XX, baseado em informações idóneas e na minha própria memória que me lembro tê-lo visto lá, numa das minhas deslocações à vila, com os meus 12 ou 13 anos de idade) foi deslocado para ali do sítio onde originariamente se encontrava, que era no «cimo de vila» entre as capelas de São Sebastião e da Senhora da Lapa, ambas vizinhas do solar brasonado dos Mendonças. 

CUJÓ E AFONSO HENRIQUES

Nós, nascidos e criados em Cujó, desde cedo aprendemos que o MANCÃO fica lá em cima, no alto, naquele outeiro, onde se cruzam o caminho que de Cujó leva às Monteiras (atualmente uma estrada asfaltada) e o velho caminho de terra batida que, de Farejinhas, passando pelo Chão do Irão acima, leva a Várzea da Serra e a Lamego.


QUANDO A GRATIDÃO TEM CONTEÚDO

Lourenço Marques. Era Dezembro de 1973. Eu tinha ido ao cinema com a minha mulher, Mafalda, e ao regressarmos a casa tropeçamos num embrulho colocado na soleira da porta. Estranhámos o facto, mas vimos imediatamente que entre os liços que apertavam o volume estava um «cartão de visita» de pessoa amiga. Lemos o «cartão», cujo «fac-simile» e conteúdo aqui reproduzo:

FONTE DOS PEIXES - MONOGRAMA

Pare, olhe e veja.


Neste minha saga de «mostrar» Castro Daire ao mundo, na  condição de munícipe assumido que se preza da sua terra,  seja através do meu site «trilhos-serranos», seja no Youtube e aqui mesmo no Facebook,  sem subsídios nem avenças municipais, nem ensejos de pendurar uma medalha de mérito  ao peito, cerimónia tão vulgar e corriqueira hoje em dia, por estas bandas (o que, aliás só reforça a minha independência face aos poderes instituídos, a quem jamais verguei a cerviz) prossigo hoje com alguns conjuntos de fotos relativas ao passado histórico da nossa vila, certo de que a generalidade dos castrenses jamais parou, olhou e viu o que está à frente dos olhos de toda a gente.

PEDRAS QUE FALAM

Nas minhas deambulações feitas, durante anos, pelas ruas, ruelas, quelhos e becos da vila de Castro Daire, mirando, fotografando e filmando janelas, portas e paredes (incluindo muros de socalco), dialogando com as pedras que me falam do nosso passado histórico (mais do que muitas pessoas que se julgam muito sabedoras) aquelas pedras que, depois de eu muito insistir, me confirmaram ser verosímil a tradição registada em 1666 no Hagiológio Lusitano, de António Cardoso, a tradição que dizia ter D. Dinis autorizado a construção da igreja com as pedras do velho "crasto", (não confundir aqui "crasto" com "castelo"), assunto que já tratei amplamente no "Notícias de Castro Daire" e no meu site "trilhos-serranos" versão ".com", em crónicas com o título "Castro Daire, teve ou não teve castelo?", trago hoje, à vista do leitor amigo que se interessa pela HISTÓRIA LOCAL, algumas DATAS que fui encontrando dispersas por torças de portas, janelas e muros de socalco.


NA CORDA BAMBA

1 - A SENTENÇA 

 Com a expressão palavra lavrada na escritura notarial que fui desenterrar dos meus arquivos, físicos e mentais, terminei a crónica anterior. Vamos, pois, continuar a lavrar o passado,  lembrando que, muito antes de digitalizar e comentar esse documento, já eu tinha deixado nesta minha página (trilhos-serranos) vários aspetos do processo histórico «COLONIZAÇÃO/DESCOLONIZAÇÃO»,  essa CORDA BAMBA onde tanta gente esperançosa de melhor vida se viu a balouçar, seja nos tempos da formação do Império, seja nos tempos da sua queda. Nos tempos da conquista do território e no tempo da sua perda. E mal me ficaria omitir nesta minha lavra, os registos que a mim dizem respeito, uma página de vida pessoal, de sonho, de realização e de desgosto, na sequência da escritura manuscrita em que fui interveniente voluntário. Em que eu e a minha mulher, portanto, sujeitos e objectos, nos confessamos:


NA CORDA  BAMBA 

Volvidos que somos à cerimónia a decorrer na sede do Montepio, em Lourenço Marques, no longínquo ano de 1975, vemos e ouvimos que o notário, sempre na mesma toada,  circunspecto e solene, mostrava quanto valia como peça que era indispensável à máquina político-administrativa e judicial num Estado que tinha a sua segurança no pilar da burocracia e os seus agentes, com porta aberta nas Repartições de Finanças, Bairros Fiscais, Esquadras de Polícia,  Tribunais, Cadeias, Julgados de Comarca etc. etc. Num Estado que usava todos os Códigos do Direito Civil, Penal, Administrativo, todos os artigos, parágrafos únicos e vírgulas que lhe davam corpo para defesa e salvaguarda dos seus interesses institucionais, mas, como se verá, omissos ficaram na escritura manuscrita em defesa dos interesses dos cidadãos que a esse Direito se submetiam, cidadãos que, de um dia para o outro, contrariamente à sua vontade, se poderiam ver, como viram, a balouçar na corda bamba das políticas e decisões desse mesmo Estado pela voz dos seus representantes maiores. Foi o caso da DESCOLONIZAÇÃO, processo a que não puderam escapar milhares de cidadãos que, sem serem ouvidos nem achados, foram impelidos a embarcar nela, a aceitá-la, sem apelo nem agravo. Continuemos, pois, a ouvir o notário:


NA CORDA BAMBA 

Costa oriental de África. Janeiro de 1975. Era um daqueles dias abafadiços e quentes que caíam naturalmente sobre a cidade de Lourenço Marques, cidade que pouca gente sonharia vê-la batizada em breve com nome de Maputo. 



MORGADO DE SANTO ANTÓNIO

Já vimos na «Escriptura de Esponsais e Dote para Casamento» de  D. Maria Amália Benedita das Neves, concelho de Sanfins, com António de Freitas Pinto e Sousa que este noivo, da sua parte, entrou no dote com o «vínculo e morgado de Santo Antonio, instituído na villa de Crasto de Ayre de que elle he administrador».

Já historiei, em livro próprio,  o «VÍNCULO E MORGADO SANTO ANTÓNIO» cuja posse e administração não foram pacíficas no seu percurso histórico, apesar do seu instituidor ter deixado bem clara a «ordem sucessória» do legítimo administrador e herdeiro.

Todavia os meus amigos, amantes da HISTÓRIA, não ficarão a perder nada se eu aqui repuser o essencial dessa instituição, essa e todas as que viriam a cair na alçada das leis reformadoras do liberalismo pela pena de Mouzinho da Silveira. Ele, Mouzinho, saberia bem porquê. Vamos a isso.

 

ESCRIPTURA DE ESPONSAIS DE DOTE PARA CASAMENTO

Ela, de Iphone na mão, último modelo tecnológico de comunicação à distância sem fios, olhos fixos nos algarismos digitais visíveis no écran, polegar delicadamente curvado em V, «plen...plen...plen...» dedilha o número que pretende contactar. Os telefones de manivela e de disco com números rodados à força do dedo, são peças de museu.

Um velho amigo do meu pai, JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FREITAS, natural de Vila Seca, antigo funcionário na Câmara Municipal de Castro Daire, meu amigo se tornou quando associou o nome do autor das crónicas publicadas no "NOTÍCIAS DE CASTRO DAIRE" àquele seu amigo de Cujó, SALVADOR DE CARVALHO.

Residindo em Coimbra, todas as vezes que, em férias ou afazeres vários, vinha à sua terra natal, tinha a gentileza de me procurar a fim trocarmos conhecimentos sobre a HISTÓRIA LOCAL. 

 Não nos vendo há bastante tempo, no pretérito dia 05 telefonei-lhe para Coimbra, a saber dele. Foi a primeira vez que nos ouvimos pelo telefone. Atendeu-me um ancião de 91 anos de idade e, dadas as boas noites, fiquei surpreendido pelo facto de ele, em menos de nada, identificar a minha pessoa. Face ao espanto que revelei, ele retorquiu: «então não sabe que eu tenho ouvido de músico? Assim tivesse ainda a vista que, infelizmente, já não tenho». Lamentei.

 

Aos 77 anos de vida sei haver muitas pessoas que nunca se interrogaram a si próprias sobre a sua forma  de pensar e a agir, o porquê de serem como são e se podiam ser pessoas diferentes. Nunca é, pois, demais tomar o lugar do arqueólogo, reticular o campo arqueológico das mentalidades, descobrir e refletir sobre os moldes encontrados que resistiram à erosão do tempo e trazer à superfície do quotidiano por nós vivido, os artefactos que nos informam do passado e nos ajudam a entender quem somos e de onde viemos. Quem foram os oleiros que aqueceram o formo, quais os que moldavam o barro e que beneficiavam com a obra produzida.  Alguns dos artefactos encontrados, nesse  campo arqueológico; são bem os escopros que ainda hoje, tempo da Internet, twiter e Facebook, riscam o pensar e agir de tanta gente adulta, culta e inculta. Não é, pois, demais insistir nesta matéria, acompanhados pela pena tabeliónica de profissionais encartados, com formação universitária e ao serviço de El' Rei.

TESTAMENTO DE JOÃO PEREIRA DE MORAIS 

Deixemos as terras quentes do Alentejo, onde andámos na companhia do tabelião JOÃO ANTÓNIO FIGUEIRA,  concelho de CASTRO VERDE e subimos às terras frias do norte, concelho de CASTRO DAIRE, mais propriamente à aldeia de CUJÓ a fim de revermos o testamento de JOÃO PEREIRA DE MORAIS, que já publiquei, há anos, no meu site trilhos serranos,  mas que vem a talhe de foice repescá-lo para aqui na sequência dos registos que tenho vindo a fazer, visando fazer luz sobre assuntos que sei, sem dúvida alguma, serem, para muita gente, matéria tão escura quanto eram as noites nas aldeias portuguesas na época em que foram lavrados. Assim:

SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL

Hoje tão falada e analisada por intelectuais, políticos, sociólogos e tantos mais, não resisto a transcrever para aqui em texto plantado no jornal "A União" que se publicava em Castro Daire, em 1912. Isto a propósito de um empreendimento que o autor propunha para as Termas do Carvalhal. Assinando somente com as iniciais "J.S." eis o seu ponto de vista, mais amplamente desenvolvido no meu site actual. Ora vejam:

 

Mas José Francisco Lampreia não legou aos seus familiares apenas este documento. A República tinha 4 anos de idade e o lavrador, solteiro, presumo que jovem, precavia-se com documentos em defesa dos teres e haveres herdados. Ele sabia que, na Revolução de 1820, os ventos da História tinham desapossado os donos de muitas das suas propriedades e foros, alguns dos quais lhe vieram à herança graças a Cesário Francisco Lampreia de Brito que alguns adquiriu em «hasta pública», na qualidade de  «BENS NACIONAIS» postos à venda nas listas para o efeito elaboradas e publicadas nos termos da lei. Assim o dizem as três «cartas régias» assinadas por D. Carlos.

 O companhêro e companhêra ainda tém fôlego para prosseguirmos, ou já sufocaram? Respirem fundo. Nã há pressa nenhuma. Lembrem-se que estamos no Alentejo, em São Marcos de Ataboêra, concelho de Castro Verde e decorre o ano de 1867. E, por aqui, nã ter pressa é uma atitude inteligente e nã um sintoma de preguiça. Lêmbrem-se que, nos meados do século XIX,  nã há telenovelas, Internet, Facebook, telemóveis e e toda a «manicaria»  diabólica que conhecemos em 2016. Lêmbrem-se de que estamos na companhia do tabelião João António Figuêra, bota canelêra,  pêna de pato na mão, e da menina Perpetua Joaquina Carlado, grande saia rodada, apertada na cintura,  com o testamento quase lavrado.


Uma brisa daquelas que tão meigamente acaricia o rosto de quem atravessa searas e montados alentejanos (oh! como me lembro disso, quando por ali andava à caça ou em passeio com a família!) trouxe até às narinas do tabelião o cheiro identificador de uma numerosa vara de «patas pretas» «ron...ron...ron...» cada porco, de per si,  a encher a morca de bolotas que, prodigamente, sobreiros e azinheiras atiravam à terra  impelidos por aquela ciência natural e oculta de se verem reproduzidos em redor, ao mesmo tempo que aliviavam o peso da frondosa copa.

 

Decorre o mês de março de 1867. É o dia oito. Ele amanheceu limpo e luminoso, permitindo à vista humana, num raio de 50 quilómetros, lobrigar, a olho nu, todos os povos e montes que pintalgam de branco a paisagem alentejana. É só subir ao outeiro mais alto.

Montado no seu cavalo, um árabe de pura raça, ajaezado de acordo com o estatuto social e profissional que possuía, o Escrivão do Juízo Ordinário e Tabelião de Notas no Julgado de Castro Verde, João António Figueira, saiu cedo de casa e dirige-se à aldeia de São Marcos de Ataboeira, respondendo ao chamado de Perpetua Joaquina Carlado, a fim de escrever o seu testamento. Avisado de véspera o criado preparou a montada a tempo e mal o dono meteu a biqueira da bota caneleira no estribo, foi num ai que se viu sentado sobre a sela, mãos firmes a segurar a rédea e..."vamos lá, ó compadre, que se faz tarde!"

QUIJÓ - 1946

Há dias, através de um manuscrito relacionado com foros,  fiz eco público do modo como se escrevia e dizia na minha juventude o nome da minha terra natal: QUIJÓ=CUJÓ.

CENSURA

A Revolução Republicana ocorrida na Porto em  3 de Fevereiro de 1927, não se ficou pelas prisões e deportações dos insurretos. Ela deixou marcas na imprensa do país e em Castro Daire vemos isso no jornal «O Castrense» nº 565, de 27 de Fevereiro desse mesmo ano.

O Diretor e editor do Jornal, António Ribeiro Seixas,  fez chegar à Comissão de Censura  a «prova» do jornal com um texto alusivo ao assunto. Ficaram três exemplares como prova irrefutável das mãos censórias. Um exemplar com o texto na integra. Outro exemplar com o texto rasurado de cima abaixo e o terceiro e último exemplar com a solução encontrada pelos responsáveis, a preencher o espaço do texto censurado com VIVAS À REPÚBLICA. Aquilo é que eram HOMENS. Ora vejam o texto e as fotografias correspondentes que a ele se seguem:



ERÓTICO ROMÂNICO

Como já deixei anunciado nesta página, na crónica anterior  (ERMIDA DO PAIVA VIII), fui convidado pela Divisão do Turismo do Município de Castro Daire  para ir dizer umas palavrinhas sobre a ERMIDA DO PAIVA relacionadas com a comemoração do dia  «Internacional de Monumentos e Sítios».

 

SÍMBOLOS DE JUSTIÇA E MUNICIPALIDADE

Estes dois pelourinhos aparecem referidos por aí em tudo quanto é livro, folheto ou roteiro turístico ligados ao concelho de Castro Daire. Ambos classificados como «monumentos nacionais» por decreto nº 23.122 de 11-10-1933, o de Castro Daire é localizado «no Bairro do Castelo» e o segundo, em «fragmentos» localizado em Alva.

Há muito que, sem avença ou remunerações municipais,  ando na pista destes «monumentos nacionais», suspeitando das afirmações feitas e divulgadas por pessoas de respeito e por mim são consideradas sérias. O monumento situado no «Bairro do Castelo» não apresenta configuração e estrutura de «pelourinho», mas, tão só, de um simples cruzeiro que, «erradamente», alguém de boa fé e pouco prevenido, promoveu ao símbolo da justiça e municipalidade. Se todos os concelhos tinham um, Castro Daire, também deveria ter. Eu próprio, mal chegado a Castro Daire, fazendo fé nos investigadores que me precederam, cheguei a fazer eco dessa «classificação» numa crónica que escrevi no Boletim Municipal.

As leituras, pesquisas e investigações posteriores, porém, não tardaram a levantar as suspeitas de que algo estava errado, tanto no que dizia respeito ao «pelourinho de Castro Daire», como ao «pelourinho de Alva». 

«ERMIDA E BUGALHÃO - UM PATRIMÓNIO A EXPLORAR»

1 - Recentemente fui contactado pessoalmente  pela Drª Cristina Gomes e pelo  Dr. Daniel Albuquerque, ambos a trabalharem no sector do Turismo, na Câmara Municipal de Castro Daire,  no sentido de eu dar a minha colaboração  na tarefa que agendaram para o dia 18 do corrente mês,  relacionada com o âmbito das «Comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios».

 RABAÇOSA, TURISMO RURAL

RABAÇOSA. Rio Paiva. Mões. Castro Daire. É isso mesmo. Ali, na antiga quinta da Rabaçosa, que dorme aconchegada ao rio Paiva, está prestes a abrir portas um empreendimento virado para o turismo rural, o turismo ecológico, o turismo histórico e cultural.

 

 

ERÓTICO NA ARTE ROMÂNICA

Quando, em 24 de Abril último, publiquei a crónica sobre a ERMIDA DO PAIVA VI,  ilustrada com uma fotografia mostrando o seu enquadramento paisagístico, aludindo a Pinheiro e Vila Seca lá ao fundo, dado tratar-se de uma vista EXTERIOR, um "amigo", à laia de "comentário", adicionou-lhe uma foto com uma vista do INTERIOR, mas sem qualquer legenda que elucidasse de que imagem se tratava e de quando era datada, mesmo que se inferisse, facilmente, tratar-se do mesmo tempo visto por dentro.



O censor do Santo Ofício que deu parecer favorável à impressão da «Nova Floresta ou Silva», como já vimos em crónica anterior, disse que não se tratava apenas de «um livro», mas de uma «livraria».

 
 

Quando saí da Escola Primária matriculei-me logo, sem qualquer exame de admissão, nas cadeiras de Agricultura e Pecuária na Universidade da vida.

 


Ainda embrenhado na «Floresta ou Sylva», do Padre Manuel Bernardes, livro que morou, desde não se sabe quando, na minha terra natal, direi que gado, matagais, silvas, silvados, lameiros, campos lavrados e semeados não faltavam nas redondezas. A agricultura e a pastorícia eram as actividades predominantes.

 

 

 

E o entusiasmo do censor do Santo Ofício dizendo que «neste livro terão os doutos copiosamente, não só livro, mas livraria», prolongou-se por séculos entre os estudiosos e curiosos e, ainda que tardiamente, também chegou a mim. Atentemos, pois, nas suas palavras:

 

 

No parecer favorável à impressão do livro «Nova Floresta, ou Sylva de vários apophthegmas» elaborado, em 1702, pelo o censor da Mesa do Santo Ofício, este, a linhas tantas, sublinha o supremo valor da obra. Vejamos em ortografia actual as suas palavras:

 

 

 

Na crónica anterior coloquei a hipótese de o livro «Nova Floresta, ou Sylva de vários apophthegmas» da autoria do Padre Manuel Bernardes da Congregação do Oratório, autorizado a ser impresso pela Mesa Censória do Santo Oficio, em 20 de Julho de 1706, ter sido pertença do Padre João Duarte, natural de Cujó, Reitor do Touro, em 1817. Referi que na margem de uma das suas folhas se encontrava uma anotação manuscrita a lápis a dizer que o livro pertencia «aos herdeiros de João Duarte» e refiro agora que noutra página, em rodapé, aparece também manuscrito o nome de «José Morais».

 

 

Creio que foi o meu irmão António, capitão do exército na reserva, e a sua esposa, Isabel Pereirinha, que me ofereceram um livro, velhinho de muitos anos, quase a desfazer-se, sem a página de rosto onde eu pudesse identificar o autor, a oficina de impressão e o ano de edição.

 

 

DA FÁBULA À HISTÓRIA


Há embustes, alguns dos quais com eco na RTP, que me causam uma incomodativa urticária. Sobre um deles já escrevi extenso texto publicado, há uns anos, no meu velho site «www.trilhos-serranos.com» e refere-se ao Programa da RTP2, feito em Castro Daire por José Hermano Saraiva. É só ir ler. Mas recordo aqui e agora que, estando ele junto a uma árvore - a Carvalha do Presépio - que não tinha mais de 10 anos de vida, dirigiu-se ao telespectador e disse: «estou aqui, junto de um monumento que tem cerca de mil anos de idade». Ignorava que árvore a que aludia tinha caído com um vendaval em 1987 e no seu lugar tinha-se plantado outra, que era aquela a televisão mostrava.

PARA CÁ DO MARÃO...MANDAM OS QUE CÁ ESTÃO »

Independentemente das reflexões que outros autores tenham feito sobre tão carismática e badalada expressão - «para cá do Marão, mandam os que cá estão» -  entendemos ser oportuno discorrer sobre ela no livro cujo protagonista nasceu no concelho de Santa Marta de Penaguião. E não cometeremos nenhum erro de lesa-pátria, se dissermos que foi nesse reduto geográfico, como vermos já a seguir,  que ela teve a sua origem.

CUJÓ - A ORIGEM DOS «FRANCESES» - 2

No artigo anterior, no sentido de lançar alguma luz histórica (não estórica) sobre a provável ascendências dos moradores de Cujó conhecidos pela alcunha de «franceses», citando G. da Costa, disse que, no último quartel do século XVIII, mais precisamente em Abril de 1774, «faleceu em Cujó Manuel Monteiro de Carvalho, sepultado na capela local e que seu contemopâneo, na paróquia,  era o «cirurgião licenciado António Pereira de Morais, casado com Ana Morais, de Cujó, que ainda vivia em 1785 e baptizou um neto em 1789».

 
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