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sexta, 28 junho 2024 14:11

MÕES - GENTE DA TERRA «A NOBREZA)

Escrito por 

GENTE NOBRE

Na busca de anúncios publicitários que me informassem sobre os fotógrafos existentes em Castro Daire, feitos nos jornais antigos que engrossam o meu espólio, encontrei no jornal “O Paiva” n. 23, de 3 de abril de 1890, de que era editor João Pereira Batista de Almeida e proprietária a afirma “Lemos & Almeida”. Um texto deveras interessante.

 L.Cunha - Cópia

 Reporta-se à publicação de um “PRECIOSO MANUSCRITO de D. Luís da Cunha, chegado à redação do periódico pela mão de D. António de Faro Noronha, desta vila, feito pela própria letra do seu avô. Cidadãos de Mões a que já me reportei amplamente em crónica anterior ligada às CASAS BRAONADAS. Assim:

 “D. António de Faro Noronha, desta vila, feito pela própria letra do seu avô Exmo. Senhor José de Menezes Tovar, emigrado liberal em Brest, França, companheiro e amigo do insigne Passos Manuel, na emigração liberal, bem como do cabo de guerra João Carlos de Saldanha (duque de Saldanha), bem conhecido na história do nosso liberalismo.

 Julgamos prestar um bom serviço às mesmas letras, reproduzindo este valioso escrito, o que faremos com a máxima fidelidade, porque foi copiado por um homem verdadeiramente ilustre que, tendo nascido no berço branco e lavado deixou as tradições fidalgas da sua origem para seguir as ideias do povo e para procurar as agruras do exílio, abandonando a esposa querida e as estremecidas filhas que na terra da párria sofreram as impiedades da revolução fanática.

 Essas senhoras foram a extinta senhora D. Ana Margarida de Castro Almeida Novais, de grande ilustração e talento, as suas duas filhas, as Emas. Senhoras D. Margarida de Menezes Tovar e D. Júlia de Castro Tovar e Menezes, de Mões, deste concelho, mãe e tia do Exmo. Sr. D. António de Faro Noronha que teve a bondade de conceder-nos este manuscrito, cuja reprodução reservamos, a não ser com a expressa autorização do seu dono e nossa.

 Vai com a própria ortografia do século passado. Falta-lhes uma folha (p 525) o que não podemos suprir. 

 As obras de D. Luís da Cunha ficaram inéditas e só foram publicadas em 1821. 

Este célebre político e diplomático, desembargador do paço, sócio da academia real  da história, ministro do Estado, etc. faleceu em Paris no dia 7 de outubro de 1749”.

 

Que mais não fora, sem encontrar os anúncios procurava, reli transcrevi o texto que aqui deixo alusivo aos naturais de MÕES, dedicado  sobretudo àqueles que têm mostrado algum apreço pelas minhas demoradas e custosas deambulações pelos trilhos da HISTÓRIA.

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.