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terça, 23 janeiro 2024 15:32

CASTRO VERDE - 1680

Escrito por 

MEMÓRIAS VIVAS DA TERRA E DAS GENTES


 Nestes meus quase OITENTA E CINCO ANOS de idade, os olhos cansados, botados foram eles ao ficheiro que organizei em Castro Verde, queimando as pestanos a ler tudo o que era manuscrito que ia descobrindo nas minhas pesquisas - História vivida, mas não escrita, que paciência a minha, amigos meus  - e, tantos anos depois, saíram-me as fichas cujo conteúdo foi extraído do LIVRO DAS VEREAÇÕES DA CÂMARA - 1680, versando as PREOCUPAÇÕES do EXECUTIVO MUNICIPAL, dito, então, JUSTIÇAS DA TERRA” ligadas à SAÚDE. Assim:

PRIMEIRA PARTE



1-montes2-montesEm 24.07.1680,
em vereação, determinava-se que para proteção dos moradores da vila e termodos males do contágio por haver notícias certas de que na cidade de Cádis e por toda Santa Maria e outros mais lugares  do Reino de Castela, continuam os ditos males que Deus Nosso Senhor nos queira livrar a todos os cristãos (…)  e porquanto esta vila tem poucos moradores e o trabalho dos guardas ser muito grande [era preciso vigiar os transeuntes], mandavam (os oficiais) que viessem  a guardar todos os moradores das Piçarras, Monte da Ameixa, Furamatos, Horta do Bom Nome,  Filipeja, Ferragudo, Cachamorrinha, Monte de José Pires, que chamam Monte Novo, Cabeças de Cima, o Montinho Bernardo, Rouseira, Vale do Gonçalo, Perdigoa, Monte da Xaminé, Cabeceiras, Álimo, Longos, Monte da Xaminé de Domingos Mestre, Lagoa do Sarilho, Almoleias de Baixo, Caldeireira, Carrascal, Serro do Lírio e daí todas as mais pessoas que estivessem moradores das confrontações para dentro. Do que os ditos oficiais, mandaram fazer este termo (…)”.



SEGUNDA PARTE



Cuidadosos e atentos ao mal que grassava, qual COVID dos nossos tempos que paralisou  companhias aéreas, fábricas e tudo o que publicamente mexia, mal passaram dois meses e novas medidas foram adotadas a bem da SAÚDE PÚBLICA. Assim:

4-guarda mor3-guarda morEm 12.10.1680,
em vereação António Barradas de Bairros dava conhecimento aos oficiais da Câmara que o senado da Câmara o havia “eleito por guarda-mor da saúde e que nesta vila se faz uma feira franca no terceiro domingo deste mês de outubro donde se ajunta de várias partes deste reino mais de oito mil pessoas e que é impossível a ele dito guarda-mor defendê-las e que não venham à dita feira e que de cirem pode prejudicar a saúde e também, não havendo feira,, os terrádegos da feira aplicados à Igreja das Chagas pelo que representava a eles, ditos oficiais da Câmara que dispusessem e ordenassem o que fosse mais justo para o serviço de Deus e logo pelos ditos oficiais foi dito que se lhe tomasse o seu requerimento e que eles defeririam como lhes parecesse justiça e razão e se informariam das mais partes desta Comarca se seguardavame consultariam com o Provedor conforme a ordem que veio sobre se guardar e de tudo mandaram fazer este termo (…)”

NOTA: “guardar” = trata-se de vigiar as pessoas sobre a doença que teria surgido em Cádis que referi na PRIMEIRA PARTE.  De notar é a existência dos «topónimos» e designação dos MONTES espalhados pelo «term da vila». Defender os «toponimos» é defender o património histórico, aqui, everwere, partout, por toda a parte.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.