Trilhos Serranos

ARTES E LETRAS

Centenário (sei lá se milenar) ele, o velho castanheiro da LEVADA DE FAREJA, acusando as mazelas das muitas IDADES MÉDIAS que testemunhou no TRIBUNAL DO TEMPO, repelindo as mazelas da lepra tão frequentes nas épocas que atravessou, está a cair aos bocados, podre de velhice. Não tarda nada dele restarão somente as fotografias e os vídeos que eu pus no mundo.

DO ARADO DE PAU À CHARRUA

Quem tiver paciência e se der ao cuidado e ao trabalho de montar um cavalo, um burro ou outra besta semelhante (excluem-se os cavalos que se escondem sob o capô dos potentes automóveis de combustão e aconselha-se a bicicleta com os convenientes e inconvenientes inerentes e decorrentes) e se decidir percorrer os morosos caminhos, as tortuosas veredas e os íngremes trilhos que levam aos distantes TEMPOS NEOLÍTICOS, cerca de 9 mil anos a.C. tomará o bom caminho do conhecimento.

SEGUNDA FASE

Depois de muito trabalho, tanto  exercício físico como mental, o timão velho, apodrecido e partido pelo reumático sofrido da velha charrua, cá da casa, foi substituído por um novo, rijo como ferro, de castanho velho, obra tomada em mão por um velho artesão que não é, nem nunca foi, carpinteiro de profissão, apesar de se ter familiarizado com as ferramentas ligadas à carpintaria, à  agricultura, à pastorícia e à pecuária, desde que, em Cujó, então freguesia de São Joaninho, entrou no rol de ser gente.

PRIMEIRA FASE

Perteceu a esta casa e nela ficou quando por mim foi comprada e reconstruída. Em fim de vida, fora de uso, pelo trator substituída, em mau estado, o senhor Leonel, seu senhor, sabendo-me professor, no pátio a deixou ficar para museu. Mas eu, deixando-a exposta aos rigores do tempo - chuva, neve e vento, ao sol e ao luar -  todos juntos, vendo-me descuidado, pois outros cuidados tinha, encarregaram-se de pô-la no estado avançado de degradação, para vergonha minha.

OS MORTOS MANDAM  

"Nada demonstra melhor as dimensões coletivas do individuo do que o estudo das mentalidades; na verdade, analisar uma mentalidade é analisar um coletivo. Uma mentalidade não consiste apenas no facto de que vários indivíduos pensam a mesma coisa: esse pensamento em cada um deles, está, de diversas maneiras, marcado pelo facto de que os outros o pensam também”.

VEYNE (Paul) - Historia Conceptualizante" ín "Fazer Historia" (I) , Bertrand, 1977, pp. 97.