Trilhos Serranos

HISTÓRIA VIVA

 Com a presente crónica se põe fim à saga do desaparecido PELOURINHO DE ALVA. Ele voltou ao espaço público no dia 11 de Julho de 2017. Mas veja-se a sua longa caminhada.

HISTÓRIA VIVA

GRANDEZA E DECADÊNCIA DE ROMA» mutatis mutandis «GRANDEZA E DECADÊNCIA DO IMPÉRIO PORTUGUÊS».  Foi o perder de teres e haveres, foi o desfazer de lares e a dispersão de familiares e amigos, companheiros de profissão ou de estudo, alguns dos quais nunca mais se viram, nem souberam do paradeiro uns dos outros. De um dia para o outro, campos abandonados, cidades e habitações desertas, medo, fuga, mobílias metidas em contentores, «Cais Gorjão» abarrotado de vidas desfeitas, à espera de embarque. E muitas dessas vidas crentes na propaganda política e na operação «NÓ GÓRDIO»,  elas que ignoravam, em absoluto, o que isso era e desconheciam a existência de ALEXANDRE MAGNO. Ali, em Moçambique,  não lutavam GREGOS e PERSAS, ali lutavam PORTUGUESES e MOÇAMBICANOS.

HISTÓRIA VIVA

 Já lá vão muitos anos. Mas, este meu apontamento, passado que foi tanto tempo, o tempo terapêutico do esquecimento  necessário a uma mente sã,  o tempo que esvaneceu o sofrimento de recomeçar do nada a vida no meio da vida, agora que esse tempo passou (o tempo tudo cura!) tinha de ser escrito, agora, que as «amizades interesseiras e descartáveis» proliferam por aí  como cogumelos, quer vividas e sentidas, quer vistas e presumidas no Facebook, tu cá, tu lá! 

É um «apontamento-testemunho» que se reporta a outros tempos, preservado não só na minha MEMÓRIA encarquilhada, mas também registado no texto de um «cartão de visita», sem rugasmanuscrito por um amigo e colega na Faculdade, em Lourenço Marques, hoje Maputo, guardado no lado interior da capa de um livro de História.

DINHEIRO VIVO

No meu livro «Castro Daire, Indústria, Técnica e Cultura», editado pela Câmara Municipal, em 1995, abordei a questão das «cédulas» que, em todo o país, foram usadas como moeda corrente, com acentuado vigor após a PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL. Na página 14 e 15 desse livro deixei o seguinte texto ilustrado com as respetivas «cédulas».. Assim:

HISTÓRIA VIVA

Como sabem, não fui ouvido nem achado (nem tinha que ser) acerca do projeto de requalificação executado na EIRA DA FRAGA, levado a cabo, em parceria, pela Junta de Freguesia e Câmara Municipal. Mas dado que foi requalificada assim, fazendo dela um espaço multiusos com bancada e tudo, por forma a ser palco de eventos culturais, como foi a recente representação do «JULGAMENTO DA ENTRADA AOS SERÕES», entendo que esse espaço poderá ser melhorado e enriquecido, tornando-o, semanticamente, representativo das mais EIRAS que, certamente, não serão requalificadas.

HISTÓRIA VIVA

Póvoa do Montemuro é uma aldeia aninhada na encosta sul da serra de que tomou o nome, lá quase no topo, não longe das Portas.

ENSINO À DISTÂNCIA

Passou-se algum tempo sem eu ter "novas" do meu ex-professor e saudoso MESTRE DR. Francisco Cristóvão Ricardo. Foi, portanto, com grande alegria e proveito que recebi na minha caixa do correio, um "Olá, Abílio, há muito que não nos "vemos", para me penitenciar deste silêncio, envio-lhe o meu último "passatempo", em anexo, um abraço". 

E sabem qual era o anexo? Qual era o passatempo a que ele alude? Tirando as figuras que o ilustram (que fui buscar ao GOOGE) e os sublinhados a negrito que são da minha lavra, para melhor destaque, era a lição que vos deixo, aqui, tal qual, para cada um de vós ajuizar por si, se é exagero meu, tratá-lo por MESTRE. É-o e, seguramente, assim será até ao fim dos meus dias. Já tenho 78 anos de idade. Olhem só para isto!

HISTÓRIA VIVA

Eis o último lanço da jornada. O sétimo, simbólico e sacramental número este. Nele cabe dizer que do matrimónio de António Pereira Amador com Líbia Cândida de Jesus (no casamento:, dita Silva) realizado em 1879, 4 anos depois do nascimento de  Florinda Correia, filha de Felismina de Jesus, nasceu a seguinte prole:

HISTÓRIA VIVA

Sabido isto, cientes de que António Pereira Amador era uma pessoa estimada na vila de Castro Daire ao ponto de, em 1908, ser acompanhado à sepultura pela gente grada do burgo e a sua urna ser acompanhada e coberta com as mais diversas coroas de flores (nativas e exóticas) e, bem assim, digno de tão laudatório elogio fúnebre publicado no jornal local «A Voz do Paiva"» difícil é compreender que ele não tenha perfilhado a filha Florinda, concebida com Felismina de Jesus antes do seu casamento com Líbia Cândida de Jesus, já que, a fazer fé na  narrativa oral e nas relações amistosas entre todos os membros da família Amador, nomeadamente as filhas legítimas, Ema e Dulce que sempre consideraram Florinda sua irmã e, ainda, dois filhos da Ema, como já referi antes, seus netos,  terem aceitado ser padrinhos de batismo de dois bisnetos de Cujó, assumidamente primos, sabido tudo isto, dizia,  não era de esperar que, nesta narrativa oral autêntica, eu não visse em António Pereira Amador,  o  «cavaleiro de bela figura"»  o meu bisavô paterno, omisso, como tal, e pelas razões que apontei no princípio deste retorno ao passado, nos cartórios tabeliónicos da época.

HISTORIA VIVA

Neste meu incansável calcorrear os trilhos serranos investigando a História Local (factos políticos, cultura, usos, costumes e gentes) tropecei numa notícia publicada no jornal «A Voz do Paiva» nº de 22 de novembro de 1908, anunciando o falecimento de ANTÓNIO PEREIRA AMADOR, seguida de um extenso elogio fúnebre assinado por Camilo José de Carvalho. Reproduzi-lo-ei mais adiante, mas, antes disso, direi que, sabendo-me eu ligado à FAMÍLIA AMADOR por parte da minha avó paterna, cujo nascimento e infância não estavam muitos bem esclarecidos na história familiar, li a notícia com avidez, sem contudo dela extrair algo que preenchesse os hiatos existentes. Retive a informação e, quando anos mais tarde, vim a saber que o meu primo Amadeu Duarte  Pereira  andava a tentar fazer a ÁRVORE GENEALÓGICA DA FAMÍLIA,  sugeri-lhe que investigasse as origens e vida desse cidadão por me parecer que ele teria algo a ver connosco, pois tratando-se de um marceneiro com excecionais «aptidões artísticas», o associei imediatamente ao nosso tio José Tereso, nascido no Brasil, que revelava iguais «aptidões» e bem podia transportar consigo os genes do falecido. Eu explico melhor.

HISTÓRIA VIVA

 Foi, pois,  lá no outro lado do Atlântico, em terras brasileiras, que, séculos depois de Pedro Álvares Cabral as ter «descoberto»,  desembarcou, um casal de castrenses acompanhado de uma menina que rondava os dez anos de idade.  E ali, no Rio de Janeiro, como tantos outros castrenses, fizeram pela vida. Mas nada se sabe desse casal, da vida que levaram, dos trabalhos que tiveram, dificuldades que venceram. Sabe-se é que a menina cresceu, arranjou namorado e, com a idade de 18 anos, ela, e ele de 31, puseram no mundo a filha Júlia e, dois anos depois,  o irmão José.

HISTÓRIA VIVA

Bem. Com o registo de batismo lavrado nos livros da Catedral de Viseu, chegada à comunidade cristã pela porta grande,  graças às mãos do padrinho e da madrinha indicados no bilhete anónimo que integrava o enxoval de criança exposta,  Florinda Correia estava pronta a fazer a trouxa e ir aconchegar-se no colo da «ama» que fosse encontrada pela «rodeira», ambas cientes, convém repeti-lo, que receberiam «boas alvíssaras» pelo indispensável zelo cristão.

HISTÓRIA VIVA

Prosseguindo a nossa viagem, neste baloiçar próprio das carruagens da vida e da história, seja por terra ou seja por mar (ao tempo desta «estória» ainda não se viajava por ar)  registemos, em primeiro lugar, que o BILHETE, deixado dentro dos pertences encontrados junto da menina exposta (não confundir com «enjeitada») foi escrito por uma pessoa de letras grossas, pois nele deixou erros ortográficos de palmatória, a saber: escreveu duas vezes «pedeçe» em vez de «pede-se» e «alviças» em vez de "alvíssaras". Registemos também os nomes indicados para padrinho e para madrinha, pois eles nos ajudarão, mais tarde, a buscar entendimento no uso, alternado, dos apelidos escritos nos documentos de identificação da menina Florinda:  ora Correia, ora Amélia de Carvalho.

HISTÓRIA VIVA

Como deixei escrito há anos, no meu site «trilhos serranos»  e no «Notícias de Castro Daire» a primeira «caixa do correio» chegou a Cujó, no ano de 1911. O depositário dela foi João Duarte Pereira, um cujoense cujo nome e exercício de cidadania, em toda cabeça esclarecida e conhecedora da HISTÓRIA LOCAL, em todo o tempo e lugar, dignificam o nome da terra onde foi nado e criado. Eu colhi essa a notícia no jornal «O Castrense», nº 16 (I Série), de 28 de Maio de 1911, aquele que levou a novidade até todos os seus leitores.

HISTÓRIA VIVA

No último parágrafo da minha crónica anterior, relativa ao medalhão com a efígie do Padre Jesuíta Sebastião Vieira, da autoria do professor José Luís Fernandes Loureiro, de Castro Daire, informei que a ave a esvoaçar sobre a figura era um grou, «ave que, nos países orientais,  carrega em si algo de mágico e místico, de esperança e de fidelidade, de especial beleza a inundar todo o meio envolvente. Andou bem, pois, o artista na escolha que fez, materializando em bronze, o voo de todos estes conceitos».

HISTÓRIA VIVA

Em 1986 dei à estampa o meu primeiro livro, em Castro Daire, envolvendo a biografia do Padre  Jesuíta Sebastião  Vieira, natural desta terra. Morreu no Japão ao serviço da fé, como bem podia ter sucedido ao serviço da política ou da cultura. Título: «O Vinculo de Sebastião Vieira», tal qual se vê na foto mais abaixo.

Abílio Pereira de Carvalho 4 de Agosto de 2015 


O "SIM,SIM,SIM" DO SANTO HILÁRIO

Posso dizer que fui amigo do senhor Manuel Araújo e Gama (falecido há poucos anos) que se aposentou como Chefe da Repartição de Finanças de Castro Daire, depois de ter feito um longo tirocínio pelo país, incluindo a vila se Serpa, no Alentejo. E do Alentejo falámos ambos muitas e muitas vezes. Os dois tínhamos gostado daquelas terras e das suas gentes.
Aquando do 25 de Abril, magoado por ver o seu nome numa lista que o MFA afixou em lugar público, identificando os funcionários que deviam ser SANEADOS, resolveu enfrentar o Capitão Fernandes, o oficial mais graduado que comandava o destacamento militar, mandado para Castro Daire, destinado a POLITIZAR as gentes do concelho.

HISTÓRIA VIVA

Em 2011, com o título em epígrafe, referindo-me ao sítio da Sobreira, arredores de Castro daire, escrevi no meu velho site «.com» um texto que transpus para o novo site «.pt» em 2013, melhorado e ampliado. Hoje repesco parte dele para inserir a foto  de um cruzeiro que, nas minhas pesquisas pelos montes, surpreendentemente, encontrei, neste ano de 2017, perdido e solitário na serra do Montemuro, mesmo ao lado do caminho rural que antigamente ligava Mós a Faifa. Um «cruzeiro» simbolicamente «judaico-cristão», como bem demonstra a «estrela de cinco pontas» ali colocada e invertida.  E sabido é que o pentegrama era um símbolo cristão antes da Inquisição o associar à bruxaria e, por isso, o expurgar da simbólica cristã. Ora façam o favor de ler o que então escrevi. Já lá vão uns anitos:

HISTÓRIA VIVA

 PRIMEIRA PARTE

Quando, no dia 11-07-2017, fiz a entrevista à Senhora Dona Maria da Cruz, do Souto de Alva, sobre o "desaparecido" e ressuscitado PELOURINHO, disse-lhe, olhos nos olhos, que, «não sendo ela professora, acabava de me dar a mim, professor, uma lição» de história. E se alguém pensou que essas minhas palavras eram de circunstâncias ou de pura gentileza, enganou-se.

HISTÓRIA VIVA

Com a presente crónica se põe fim à saga do desaparecido PELOURINHO DE ALVA. Ele voltou ao espaço público no dia 11 de Julho de 2017. Mas veja-se a sua longa caminhada.

HISTÓRIA VIVA

INTRODUÇÃO

Numa atitude clara de divulgar e dar a conhecer (a quem ignora) a vida rural de outros tempos (por oposição à vida urbana dos tempos de agora) neste meu andarilhar, de podão em punho, pelo CAMPO DAS LETRAS por forma a nele abrir clareiras onde confluam conhecimentos, ideias, emoções e memórias humanas de quem tal viveu ou estudou,  no dia 07-07-2016 coloquei no meu mural do Facebook o seguinte desafio:

HISTÓRIA VIVA

É o quarto texto que escrevo sob o título em epígrafe para falar dos painéis de azulejos que, neste ano de 2017, foram descobertos atrás do CADEIRAL existente na Capela-mor da Igreja Matriz de Castro Daire.

OS MEUS VOOS SEM DRONES

As casas dos meus pais, em Cujó, hoje a caminho de ruínas, eram constituídas por um conglomerado de pequenos espaços contíguos, de paredes meeiras, sem comunicação entre si.

QUARTA PARTE

Profissionais da educação, obrigados a cumprir horários, a prepararmos as aulas, darmos as aulas, a  fazermos pontos e corrigir pontos, assistir às reuniões e tudo o mais que se exige dos docentes, logo pela manhã, antes de ir ter com os alunos, ali estava eu a acompanhar os trabalhos e a dar sugestões ao empreiteiro que comigo ajustou, de seu nome João Lopes Vicente, de Vila Cova-a-Coelheira, que, em verdade se diga pela vez primeira, agora, e para a posteridade, que levou a cabo o trabalho ajustado com prontidão e seriedade. Obra ajustada, obra acabada, obra paga. 

TERCEIRA PARTE

Estávamos no ano de 1986 e, ao tempo, se não sabeis, digo-vos agora mesmo, não havia ainda saneamento básico na aldeia, nem abastecimento de água ao domicílio. Não fazia mal, cá o Abílio viu o fontanário público por perto, pelo que com água próxima e uma fossa séptica resolvia a situação até que essas marcas da civilização chegassem à povoação sita a dois quilómetros da sede do concelho. Ela que, por sinal, sofria de igual carência.

SEGUNDA PARTE

Casa com telhado de duas águas, ditas de risco ao meio, tão características da nossa arquitetura rural, uma trave-mestra assente em tesouras de madeira, nos extremos, tipo Cruz de Santo André,  fruto da ciência e da técnica da carpintaria empírica,  coberta de telha vã, telha mourisca de meia cana acasalada, ora virada ao céu ora ao contrário acamada,  assente na armação de caibros e ripas de madeira,  levantada em pedras de porpianho e pedras que não viram régua nem esquadro de pedreiro, tão somente ferroada grossa de pico e de ponteiro.

PRIMEIRA PARTE

É instintivo. É natural. Tal como a carriça, ave pequenina, a mais pequenina que conheço de carne e pena (ao vivo), ela, que o ninho faz na mina, lá bem no fundo, no escuro, ou logo no começo dela, ninho revestido com musgo para proteger os ovos e criar a ninhada, todo o ser humano normal que, na natural caminhada da vida, se vê rodeado da prole que pôs no mundo, tem como preocupação principal arranjar um lar, uma casa, onde se possam todos abrigar e sentirem algo de seu, ter nela raízes como as árvores têm na terra. E, para não falar nas perdizes, que vestem penas de gala, mas esgravatam somente uma cova no chão e dizem ala à criação, mal ela sai da casca, olhem que nenhum de nós faz mais do que qualquer animal, manso ou feroz, grande ou pequeno, de pena ou de pelo, pois ter ninho ou abrigo permanente, proteger e criar os filhos, na cidade ou campo, com amor e carinho, é mesmo de gente, inda que não é exclusivo do ser humano.

MEMÓRIAS VIVAS

No meu trabalho sobre os painéis de azulejos recentemente descobertos atrás do cadeiral do coro da Igreja Matriz de Castro Daire (até prova em contrário creio ter sido o primeiro historiador a escrever sobre eles e a colocá-los em fotografia e vídeo no mundo estelar da Internet) lembrei o nome do meu ex-Professor da HISTÓRIA DA ARTE,  Mendes  Atanásio,  formado pela Universidade Católica de Lovaina.

SOBRE AQUILINO RIBEIRO

No dia 13 do corrente mês,  mal abri a tradicional caixa de correio, aquela que obriga o gentil e apressado carteiro a levantar a tampinha metálica para se desfazer do peso que carrega, seja a correspondência por nós desejada, seja aquela que abominamos, v.g. a publicidade aos montes e montes de faturas a pagar,  logo me dei conta que havia ali algo que me ia agradar. Retirei o embrulho e, num envelope almofadado, li o endereço do destinatário e do remetente. Era mesmo para mim, o que nem sempre acontece.

CUJÓ, RETALHOS DE HISTÓRIA - VII

Eis como o livro «Nova Floresta ou Silva de vários apotegmas» (I Tomo), do Padre Manuel Bernardes, se torna um filão perseguido por mim em busca de enriquecimento cultural, à semelhança do filão de volfrâmio perseguido, durante e o pós guerra, por mulheres e homens da minha terra natal, em busca de melhor vida material.

 

HISTÓRIA VIVA

TERCEIRA PARTE

PAINEL DA DIREITA

Já vimos de que alegoria se trata, nada mais do que o salvamento de Pedro por Jesus de afogamento. Já vimos o enquadramento do painel e os elementos constitutivos.

HISTÓRIA VIVA

SEGUNDA PARTE

PAINEL DA ESQUERDA

Na I PARTE deste trabalho vimos o painel esquerdo no seu todo, bem como  o enquadramento e distribuição dos elementos nele inclusos. Façamos agora um pequeno esforço no sentido de percebermos essa distribuição e a postura de cada uma das figuras em relação ao motivo principal e central que ali os reuniu: «a entrega das chaves do reino dos céus" a Pedro(Mateus, 16:15-20).

HISTÓRIA VIVA

 PRIMEIRA PARTE

 Na capela-mor da Igreja Matriz de Castro Daire foram postos a descoberto (temporariamente e por razões de obras de restauro e conservação do cadeiral do coro baixo) dois painéis de azulejo pombalino, escondidos que estavam atrás daquela obra de talha barroca,  que integra, ao todo, trinta cadeiras distribuídas, simetricamente, por duas fileiras de assentos, nove na fila de trás e seis na fila da frente, bem como as respetivas misericórdias. 

HISTÓRIA VIVA

Só mesmo de artista. Só mesmo de mestre ou de ambos num só. Suspendem-se umas latas num fio ou colam-se numa superfície plana, junta-se um monte de areia e pranta-se no meio dele uma telefonia, expõem-se num museu de renome e temos ali as obras de escultores de arte moderna. Temos um cesto de cenouras, batatas e outros produtos agrícolas numa despensa, temos um Chefe de culinária a conceber um prato «grumet»  e a receber uma estrela Michelin. Temos alicates, turqueses, tenazes, martelos, tornos,  malhos, bigornas dispersas num espaço designado antigamente entre nós por «tenda», nuns sítios e por «forja» noutros e com isso tudo, cada peça no seu sítio, na oficina L'Armessin moldaram-se figuras humanas, retratando profissões e os produtos artísticos, utilitários e funcionais que resultavam delas. Eis uma dessas gravuras pendurada na Oficina do Mestre Zé Ferreiro, de Castro Daire, devidamente legendada:  «HABIT DE SERRURIER».

HISTÓRIA VIVA

Em 26 de Março de 2012 publiquei na minha página do Facebook a foto eo texto que aqui se repõem hoje, tal como fiz em março de 2016. Ficam aqui também os «gostos» e os «comentários» que das duas vezes recebeu, para melhor se entender como me CONGRATULO com as palavras de todos os amigos e também as palavras extraídas da «entrevista» feita a JOSÉ SARMENTO DE MATOS, pelos jornalistas Ana Soromenho (texto) e António Pedro Ferreira (fotos) publicada na Revista «+E» de 06 de maio de 2017, isto é, cinco anos a separar a minha postura face à HISTÓRIA e seus monumentos, tal como a deste entrevistado. Ele um cidadão alfacinha, rodeado de gente "culta" e eu um rústico camponês que por estas serras ainda se dá ao cuidado de ler e escrever o que vai investigando, lendo e ouvindo. Ora vejam:

DO CÉU...
P'PA TERRA

Fujam do CLERICALISMO, diz o Papa do Céu p'ra Terra. O CLERICALISMO é uma peste na Igreja. Palavras ditas nas alturas, dentro de um avião, elas são como relâmpago luminoso a rasgar a noite escura dirigido ao chão. Um imperativo categórico. Cuidem-se, ó sacerdotes de sotaina e de cabeção, ó sacristas, beatos e beatas mais papistas que os Papas.

CARTA ABERTA AO DR. LUÍS BOTELHO, DIRETOR EXECUTIVO DA ARS DO CENTRO, I.P., DÃO LAFÕES, VISEU

1 - Na semana em que, diariamente, me entrou pela casa dentro a santidade e a humanidade do Papa Francisco, entrou-me também, caixa de correio dentro (hoje mesmo,  dia 12) uma carta timbrada da ADMINISTRAÇÃO REGIONAL DE SAÚDE DO CENTRO, I.P. DÃO LAFÕES, Av. António José de Almeida, 3514-511 VISEU, a esvaziar de SENTIDO HUMANO tudo quanto relaciona o binómio médico/doente, esse ato  tão apregoado aos quatro ventos por todos os profissionais ligados ao ramo da saúde. Explico melhor:


HISTÓRIA VIVA

Na última semana do mês de abril vivi um acontecimento digno de registo ligado à EDUCAÇÃO revelada por um jovem que eu desconhecia pessoalmente. 

Deu-se o caso de, involuntariamente, ele ser o responsável pelo choque dos nossos automóveis, no qual se  revelou de uma EDUCAÇÃO tal que, trocadas as primeiras palavras e dada a minha irritação momentânea,  eu me senti na obrigação de pedir desculpa ao jovem culpado. 

HISTÓRIA VIVA

Há dias telefonou-me uma colega no ativo, pertencente ao «AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE CASTRO DAIRE» a convidar-me para participar numa tertúlia, subordinada ao tema, segundo percebi, «CENTENÁRIO DAS APARIÇÕES DE FÁTIMA» a ter lugar no salão nobre dos Paços do Concelho, no dia 5 de maio do corrente ano. Nessa tertúlia tomariam parte alguns educadores, clérigos e peregrinos convidados, bem como um historiador de Coimbra que, na oportunidade, apresentaria um livro da sua autoria, editado recentemente sobre tão momentoso evento.

AQUILINO - O HOMEM DA NAVE

Ano 2007. Abriu mais uma época de caça. E, nós, sócios da «Associação Nossa Senhora dos Aflitos», aí vamos palmilhar a serra da Nave, desde Carapito ao planalto Orcas, a descambar para os lados de Alvite.

 

HISTÓRIA VIVA

1 - A base é uma manilha de cimento colocada na vertical, igual a tantas outras que substituíram a velha cale granítica inclinada dos moinhos hidráulicos, aqueles que (e eram tantos!) laboraram ao longo dos nossos rios principais e secundários. Moinhos de maquia ou de herdeiros, em tempos que lá vão. Mais rigorosamente, no meu tempo de infância e juventude.

HISTÓRIA VIVA

Uma das minhas preocupações pedagógicas, enquanto professor que fui, era espevitar nos meus alunos a imaginação e a criatividade, levando-os a aplicar os conhecimentos adquiridos a situações novas com que tivessem de enfrentar-se no decurso da vida.

 

 28 de Abril de 2015 às 18:44 · 

O FACEBOOK  É  UMA  LIÇÃO

No dia 17 de ABRIL (2015) postei nesta página (Facebook)  um texto sobre o «25 DE ABRIL», cantando loas à DEMOCRACIA e criticando o CLIENTELISMO, o AMIGUISMO e o  NEPOTISMO. Esse TEXTO mereceu 8 likes e 3 comentários. No dia «25 DE ABRIL» postei o poema «25 DE ABRIL» que mereceu 21 likes e UMA PARTILHA. No mesmo dia postei a capa do livro com o rótulo «VISADO PELA COMISSÃO DE CENSURA», aludindo ao antes do «25 de ABRIL». mereceu 9 likes. Ainda no dia «25 DE ABRIL» postei novo poema, alusivo ao dia, mereceu 15 likes e um COMENTÁRIO. No dia «27 DE ABRIL» partilhei o vídeo que alojei no Youtube (UM PROTESTO DAS ÁGUAS DO PAIVA) e mereceu, até agora, 13 likes e CINCO PARTILHAS.

REGRESSÃO

Depois de abrir o link que me chegou à caixa do correio eletrónico enviado por um amigo da minha geração, o Dr. Manuel Lima Bastos, que, depois de queimar os neurónios na Universidade de Coimbra, passou a vida nas barras dos tribunais e a ler, tresler e a escrever sobre Aquilino Ribeiro, com o introito interrogativo «JULGAVAM QUE JÁ TINHAM VISTO TUDO?», reenviei-o para uma sobrinha minha, médica de profissão, que, me respondeu com a seguinte apreciação:

TAMANCOS

Sentado

Na escada 

Da minha casa

Montado na asa

Do tempo 

O pensamento

Leva-me ao passado

Distante

Da minha mocidade.

PROLONGAMENTO DO DIA DE TRABALHO

 1 – OS SERÕES

 No meu tempo de juventude e puberdade, na minha aldeia e suas circunvizinhas, em toda a serra onde a agricultura e a pastorícia eram as principais fontes de rendimento, o dia de trabalho prolongava-se noite afora. Eram os serões. E havia serões ao ar livre, geralmente feitos nas noites de verão ou tempo quente, destinados às desfolhadas do milho e maçadas do linho. E os serões em espaços cobertos e acolhedores, destinados às escarpiadas da lã e à fiação do linho, que tinham lugar nas noites frias e prolongadas do Inverno.

HISTÓRIA VIVA

É o mês de Maio, é o tempo da vessada. A charrua, relha afiada, aiveca oleada, vai ao fim da leira e retorna, virando leiva sobre leiva. Aquele pedaço de terra negra é a folha onde os camponeses, séculos, anos e meses, sem escolha, escrevem, mil vezes, a sua história em escrita bustrofedon. Ele é o lavrar, ele o cavar, ele é o gradear a terra chã de regadio. Saco de serapilheira ao tiracolo, o lavrador mete a mão dentro e, com gesto solto e longo, espalha pelo terreno lavrado o milho ensacado. Grade passada e repassada, está feita a vessada. Um espicho, em forma de bengala aguçada, acaba a missão e não há grão que se mostre à superfície da terra negra que não seja afundado, antes de ser levado no papo do melro, do gaio e outra passarada que, por sua vez, está tão treinada nestas tarefas como o camponês.


1 - A FONTE

Difícil  missão é explicar o ÓBVIO, seja quem for e a quem for. Perguntar a qualquer pessoa adulta para que serve uma FONTE é, naturalmente, um ATENTADO à sua inteligência, ao seu conhecimento e à sua experiência de vida. A não ser que essa pessoa adulta tenha passado a vida a beber água engarrafada, sem se interrogar sobre o valor de tão precioso líquido, do lugar donde vem e trabalhos e despesas que dá a sua descoberta e exploração.

HISTÓRIA COM GENTE DENTRO

Delfim era o seu nome. Em Castro Daire e arredores, gente de pé descalço ou de sapato, senhoras e senhores, todos o conheciam assim. Fotógrafo de profissão, morava no Largo do Espírito Santo, sítio também designado "Feira das Galinhas", por ser ali que, em dias de feira, eram vendidos esses animais de pena.

HISTÓRIA VIVA

O senhor ORLANDO MORAIS, cidadão castrense que teve loja de ferramentas e utensílios domésticos aberta defronte dos PAÇOS DO CONCELHO,  em Castro Daire, ofereceu-me, há anos, um RELÓGIO DE SOL moldado em marmorite, proveniente de uma fábrica sua fornecedora, sita lá para as bandas de Aveiro. Entregou-mo tal como saiu do MOLDE, sem cor, nem vida, ainda que estivesse pronto a receber e a mostrar uma e outra.

REQUALIFICAÇÃO URBANA 

Castro Daire teve ou não Castelo (3)

Regressando a alguns números atrás deste jornal voltemos ao Inquérito mandado fazer por D. José I aos responsáveis por todas as Paróquias do Reino e às respostas dadas pelo Reverendo de Castro Daire.

 

REQUALIFICAÇÃO URBANA

Em 2005, depois de aturada e morosa investigação,  publiquei no «Notícias de Castro Daire» e também no meu velho site «trilhos serranos», alguns textos sobre o problema candente que há muito carecia de resposta.  Nessa altura onde é que andavam os pré-claros membros do atual EXECUTIVO MUNICIPAL, o que sabiam eles sobre o assunto, o que aprenderam eles (se é que aprenderam) e de que lhes valeu terem aprendido? 

Vou repor aqui alguns destes textos, pois isso me parece oportuno no momento em que, repito, o pré-claro EXECUTIVO MUNICIPAL dispõe de verbas no ORÇAMENTO destinadas à REQUALIFICACÃO /REABILITAÇÃO URBANA daquele núcleo histórico. A mim, que investiguei e publiquei o trabalho «pro bono» (a par de tantos outros) dá-me GOZO repescá-lo dos meus ARQUIVOS e trazê-lo novamente ao conhecimento do público, ciente de que esse meu GOZO será proporcional à URTICÁRIA de que sofrerão todos aqueles que bem gostariam de me ver calado. Aí vai, tal qual, a não ser a ilustrações:

HISTÓRIA VIVA

Em 2007, vejam lá há quantos anos (?) escrevi uma série de crónicas relativas à nossa INDÚSTRIA VILÃ  e nela entrava o fabrico do PAÕ. Ora, parecendo-me que o atual EXECUTIVO MUNICIPAL, no momento em que pensa «REQUALIFICAR/REABILITAR o BAIRRO DO CASTELO, precisa que lhe lembrem quais os «produtos culturais turísticos, ligados ao nosso PATRIMÓNIO HISTÓRICO EDIFICADO» aqueles que não podem ser delapidados, tal como se pensava fazer na ESCOLA CONDE FERREIRA, e bem assim os acessos pedonais que deixei em vídeos alojados no YOUTUBE  no ano 2012 (CANDEIA QUE VAI À FRENTE ALUMIA DUAS VEZES) aqui deixo, PRO BONO, o texto que publiquei no meu velho site, nesse mesmo ano. Esta foi, como se  vê, a crónica nº DOIS.

CASTRO DAIRE - O PÃO - 2

Na vila de Castro Daire, perto da igreja Matriz, na Travessa do Forno, fica exactamente o mais conhecido forno da vila: «o forno da Dona Maria do Céu». Construído em 1933, data desse ano o alvará passado em nome de João Frias Oliva, com a designação de «forno de padaria, só cozedura».

 

DECISÃO MUNICIPAL REVERTIDA

No dia 13 de março do corrente ano, pelas 14.30 h, depois de saber que, por decisão do Executivo Municipal, sugerida pelo Padre Caria (com quem falei pessoalmente) que a escola "CONDE FERREIRA, 1866" (a primeira escola primária na sede do concelho) iria ser convertida em CASA VELÓRIO, publiquei no meu site (com porta aberta no Facebook) uma crónica que incluía dois vídeos sobre acessos pedonais àquele espaço histórico (alojados no Youtube em 2012, a expensas minhas, pois sendo munícipe, não tenho qualquer avença com o Município), mostrando e fundamentando a minha frontal oposição a tal medida.

LUSOFONIA - 1

No dia seguinte à atribuição do PRÉMIO PESSOA ao PROFESSOR FREDERICO LOURENÇO postei no meu mural do FACEBOOK o texto que se segue e a respetiva ilustração. A sua transladação para aqui dá-me a oportunidade prosseguir a reflexão que tenho vindo a fazer sobre o torneio que os defensores da LINGUA MATER (a minha ferramenta de trabalho) têm travado em torno do ACORDO ORTOGRÁFICO'90", ao qual tenho assistido de palanque, não em silêncio, mas, pelo contrário, com reparos esporádicos,  não digo estridentes, mas evidentes, dirigidos a uma das partes em contenda. Mas vamos primeiro ao texto que postei no FACEBOOK, acima referido:

Posto o que, sossegadinho no meu canto, na linha do meu pensamento e dos respigos que deixei em «LUSOFONIA - 1»  transcrevo o texto que, a propósito, publiquei no meu site, em janeiro do corrente ano, com o subtítulo «MÁ LINGUA»

MÉRITO RECONHECIDO

Depois dos «académicos» e demais personalidades terminarem a refeição que degustaram a mirar o Paiva, lá, daquela ampla varanda do Museu Maria  da Fontinha, no Gafanhão, deu-se início à cerimónia da entrega de troféus e diplomas.

A FORÇA DA AMIZADE

Como prometi no texto que ontem publiquei na minha página do Facebook, cá estou eu a dar o desenvolvimento e o tratamento merecido à sessão solene realizada no MUSEU MARIA DA FONTINHA, no Gafanhão, Reriz, Castro Daire, onde se encontraram  e foram agraciados vários académicos (muitos deles brasileiros) ligados à LUSOFONIA. Assim:

Em 17 de fevereiro do corrente ano, entrou-me na caixa do correio eletrónico uma mensagem remetida pelo Dr. Arménio de Vasconcelos, que conheço muito bem e de quem sou amigo desde o longínquo ano de 1985. Eis o seu conteúdo:

TRANSFORMA-SE O HERDADOR NA COUSA HERDADA -  VIII  (CONTINUADO) (cf. site antigo)

Mas acerca da legitimidade dos colonizadores fazerem guerra, ocuparem e colonizarem os índios da América, Frei Francisco de Vitória, em 1538 ou 1539, levanta a sua voz para dizer coisa bem diferente:

DECISÕES MUNICIPAIS IRREVERSÍVEIS

Não faltará por aí quem pense que as CIÊNCIAS SOCIAIS, entre as quais se encontra a HISTÓRIA, são ciências de escalão inferior,  face às ditas (e erradamente classificadas)  CIÊNCIAS EXATAS, essas que metem números, somas, multiplicações, divisões e o diabo a sete.  Que a HISTÓRIA e outras disciplinas afins estão a perder terreno nos programas educativos, pois em tempo de NOVAS TECNOLOGIAS, de computadores, telemóveis e quejandos de que serve ao estudante enfronhar-se no conhecimento do PASSADO, esse que só a HISTÓRIA pode trazer ao PRESENTE e mostrar ao HOMEM as suas GLÓRIAS e as suas MISÉRIAS,  por forma a orgulhar-se de umas e envergonhar-se das outras, desde que esteja disposto a acertar o passo na marcha dos tempos e atingir a performance de pessoa educada e civilizada no seio da comunidade em que vive e que herdou dos seus antepassados?  

REQUALIFICAÇÃO URBANA

Um amigo meu facebookiano -  o espanhol Juan José Garrido Adan -   que, há meia dúzia de meses, conheci ocasionalmente a visitar o Museu Municipal de Castro Daire, fez o seguinte comentário à última foto que postei, em 18 de março de 2012 (vinda agora à superfície das  MEMÓRIAS),  sobre o Jardim Público de CASTRO DAIRE, em dois tempos: o «passado» e o «presente». Escreveu ele:

HISTÓRIA VIVA -7

Se vai a caminho da igreja

Na Rua de S. Benedito

Antes de chegar ao fim

Olhe  e veja

O que ninguém viu

Nem foi dito

Antes de mim:

No muro da brasonada

Casa Aguilar

(É só olhar!)

Aparece a amuralhada

Sombra do crasto

Que em Castro  existiu

E, sem deixar rasto,

O tempo engoliu.

SAGRADA FAMÍLIA 

Em menino, não sei bem precisar a idade, fui atacado por uma espécie de eczema atrás de uma das orelhas que me incomodada sobremaneira. Um vermelhão com pontos brancos era a parte visível e os seus efeitos uma comichão dos diabos.

O meu pai era entendido em coisas de medicina e não atinava com os pós e as pomadas que, ao tempo, estariam disponíveis nas boticas, certamente. Não acreditando ele em rezas, benzeduras e mezinhas, caseiras, a minha mãe, à socapa, levou-me à tia Rosa Abadinha, especializada nesses saberes tradicionais e à minha tia Leonor (casada com o meu tio João Beioco) que, tanto quanto é da minha lembrança, fez uma cercadura em torno da zona afetada com tinta azul E disse as palavras mágicas do costume, certamente com padre-nossos e ave-marias, pelo meio. Mas o mal não passou e eu continuava com o meu sofrimento. Nem queiram saber o que uma criança sofre quando um mal desse o ataca e logo atrás de uma orelha

ESCOLA PRIMÁRIA «CONDE FERREIRA-1866» VIRA SALA DE VELÓRIO

Em 04 de dezembro de 2015 publiquei no meu site «www.trilhos-serranos.pt  (onde ainda se encontra alojada, é só investigar na página) uma crónica devidamente ilustrada sobre a PRIMEIRA ESCOLA PRIMÁRIA oficial que existiu em Castro Daire: a «ESCOLA CONDE FERREIRA, 1866», sita no Bairro do Castelo.

Mão amiga sabedora da minha postura pública perante a defesa e preservação do nosso património histórico material e imaterial, natural ou edificado, fez-me chegar o «PrtScn» de um texto retirado da Internet onde o meu nome é referido, numa espécie de apelo à minha intervenção sobre as obras que estão a realizar-se exatamente na ESCOLA CONDE FERREIRA, com vista a transformá-la numa «SALA DE VELÓRIO».

LIVRO DE REGISTO DA ENTRADA DE PRESOS  NA CADEIA DE CASTRO DAIRE

Uma atitude pedagógica exercida junto das crianças, no meu tempo de menino, era ameaçarem-nos com o MEDO. E o MEDO incluía a vinda inesperada da CÔCA (certamente coisa má, mas abstrata, que nunca vi), o BICHEIRO e o POBRE que cirandavam, vivinhos da silva,  de saco a tiracolo de terra em terra e nos levariam dentro dele se o nosso comportamento se afastasse dos «usos e costumes». Somava-se o INFERNO, aquela fogueira medonha de labaredas constantes a devorarem as almas pecadoras e também a CADEIA que nos privava da liberdade.

Lembro-me bem dessa ATITUDE PEDAGÓGICA e procurei não exercê-la com os meus filhos e alunos.  E mais! Já na condição de professor, cheguei a advertir certos pais que, passados tantos anos, ainda recorriam a esse tipo de PEDAGOGIA: o medo.

LIVRO DE REGISTO DA ENTRADA DE PRESOS  NA CADEIA DE CASTRO DAIRE

Prometi fazer uma grelha que resumisse os dados extraídos do livro da entrada dos presos na Cadeia Civil de Castro Daire, entre os anos de 1929 a 1937.

TRILHOS DA VIDA

Assim, bordado

Para mim

Num palmo de linho

Fino

Um lenço de namorado

Encerra o carinho

O afeto e o sentimento

Que o destino

Desviou do casamento.

LUCY

Neste meu afã de nos tempos livres (que são poucos) percorrer os programas disponíveis na TVCABO, deparei, um dia destes, com um nome no meio de écran: «LUCY», somente «LUCY», no canal «FOX-MOVIES».

Num ápice, tal  como um relâmpago a rasgar o céu em noite escura,  esse nome transportou-me para algo distante no espaço e no tempo, arquivado na minha memória. 

HISTÓRIA VIVA

Quem tem acompanhado estas minhas reflexões e transcrições de  textos sobre os REGIMENTOS MILITARES (chegamos ao número NOVE, o número do meu alistamento como soldado) já percebeu que a organização das TROPAS no tempo de D. Sebastião e D. João IV sobre o  RECRUTAMENTO à força ou voluntário por este Portugal fora se foi alterando e adequando aos tempos. Não podia ser diferente no tempo do Príncipe D. João (futuro d. João v) que assumira a REGÊNCIA DO REINO, quando a sua mãe, a Rainha D. Maria I, enlouqueceu em 1792.

Já vimos, a propósito dos jovens de Cujó, (um aprendiz de ferreiro e outro pastor) que conseguiram escapar às mãos dos imprevistos recrutadores e, consequentemente, furtarem-se às  «vexações e violências que em casos de recrutamento violento se tem algumas vezes praticado», como reza o ALVARÁ, com força de Lei, assinado em 1797, diploma que empresta autenticidade aos dois episódios mantidos na MEMÓRIA ORAL.

HISTÓRIA VIVA

Decorria o ano de 1645. D. João IV estava sentado no trono, a cinco anos da RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA. Havia que proceder à organização militar e reforçar a defesa nas fronteiras. 

Não vou falar das fortalezas que se construíram no seu reinado, mas omitir nesta série de crónicas que me dispus a escrever sobre a forma como se procedia ao recrutamento para a tropa, tomando por exemplo aqueles os dois mancebos que, em CUJÓ se não deixaram arrebanhar pelos recrutadores aparecidos de imprevisto, era um lapso meu de lesa coerência na linha do conhecimento e esclarecimento que resultam da investigação e das leituras afins à temática visada. Assim, aqui deixo:

HISTÓRIA VIVA

Retornamos aos Regimentos de D. Sebastião para melhor entendermos o avanço  introduzido posteriormente na organização militar e alertar para a importância do PODER LOCAL, quase sempre designado pela expressão OFICIAIS DA CÂMARA ou somente OFICIAIS, sendo, afinal, o que hoje chamamos o EXECUTIVO MUNICIPAL, também designado em alguns documentos por JUSTIÇAS DA TERRA. Num trabalho de investigação que levei a cabo em Castro Verde, que resultou no livro «História de uma Confraria, 1677-1855»  editado pela Câmara Municipal daquele concelho, em 1989, era essa a designação mais frequente atribuída ao Executivo Municipal e à sua nomeação pelo Rei, no qual o presidente assumia a função de Juiz. Para ilustração transcrevo o excerto seguinte:

ARREDORES DE LAMELAS, CASTRO DAIRE

Se recuarmos no tempo e tivermos em conta todos ingredientes históricos encontrados em manuscritos e textos impressos, poderemos até elaborar uma "estória" de fantasia para encanto de meninos e gente adulta crédula nas mais infantis patranhas. Digamos que, a partir de material histórico, temos pano sobejo para uma narrativa ao gosto popular e de encanto para criancinhas que, ávidas de aventuras fantasiosas e lendárias,  ficam, de boca aberta, encantadas com tudo o que lhes contam os adultos, quando os querem entreter e nelas despertar a criatividade, a imaginação e o gosto pelas narrativas que metam ação, heróis vitoriosos e vencidos. Bons e maus. É o que vou fazer a partir de agora, tal como fazia com os meus filhos pequeninos para eles adormecerem inventando "estórias" sem fim e só com eles a dormir o sono dos anjinhos,  eu poder prosseguir os meus trabalhos profissionais (corrigir os testes dos alunos) que dispensavam tais estorietas e exigiam o rigor pedagógico e científico na avaliação. Então era assim, escrito em itálico, não vá alguém tomar por verdadeira a "estória" cerzida assim com alguns fios e liços de história autêntica:

HISTÓRIA VIVA

 

Nos TRILHOS SERRANOS que tenho percorrido em busca de conhecimento, durante anos, dias e meses, visando,  encontrar e divulgar saberes, odores e sabores camponeses, não raro tenho encontrado no terreno versões do mesmo assunto com ligeiras alterações nas narrativas. Por método, ouço, registo e não digo o que já sei sobre a matéria que investigo, por forma a não influenciar o informante. E esse procedimento conduz-me, por regra, a várias versões, permitindo-me, seguidamente, o cotejo delas e, desse modo, chegar ao que julgo ser o «essencial» de uma narrativa sobre algo que efetivamente aconteceu no passado e que permaneceu na literatura oral, durante séculos.

A CAPUCHA

Quem vai ali
Agasalhada assim
Naquele manto de burel?

HISTÓRIA VIVA

Como disse no apontamento precedente, vários cidadãos da Freguesia de Mões, apresentaram-se na sala de reunião da Junta, no dia vinte e nove de setembro de 1940, para ali dizerem da sua justiça.

Era seu propósito contestarem a informação que a Junta havia prestado ao Senhor Presidente da Câmara de Castro Daire, Dr. Abel Poças Figueiredo, sobre o baldio da Reboleira, ilibando o antigo Regedor e Presidente da Junta de se ter aproveitado dele, em prejuízo dos mais moradores.

HISTÓRIA VIVA

Na crónica anterior "REGIMENTOS MILITARES, 6" falei na delação premiada, v.g. parte do dinheiro da pena aplicada aos revéis reverter para o ACUSADOR, ou seja, o produto em numerário da pena a que estava sujeito todo o "vassalo" d'El-Rei D. Sebastião que se furtasse a integrar a ORDENANÇA, a tropa dispersa pelo Reino, com Rei, mas sem Roque, nem quartel.

HISTÓRIA VIVA

Estamos no ANNO DOMINI 1570. E D. Sebastião, recorrendo aos eficientes meios de comunicação coletiva da época (à Internet do seu tempo, os sinos das igrejas) a fim de, pela melhor forma, se processar o "ajuntamento" das tropas integradas nas ORDENANÇAS dispersas pelas cidades, vilas e aldeias de Portugal, tropas sem quartel, com Rei, mas sem Roque, com muitas rocas a fiarem o linho e a lã com que vestia o Reino camponês que ele governava e com quem contava para icombater os Mouros em Marrocos. Não era ainda o tempo dos quarteis, das casernas, das camaratas, tempo do clarim  a tocar a "alvorada" e a "silêncio". E quantos militares fizeram a tropa, a guerra, com galões, divisas ou sem coisa nenhuma, sem saberem nada disto? Enfim, D. Sebastião  determina:

CASTANHEIROS CENTENÁRIOS

É sabido o papel que, na imprensa, nos livros e em vídeo, tenho assumido na defesa do nosso património histórico, cultural, material e imaterial, a par do património NATURAL. Basta ler, ver e ouvir.A foto que ilustra este "post" é de um castanheiro centenário, em fins de vida, um MONUMENTO NATURAL que, a par de mais dois, cujos vídeos alojei no Youtube no ano de 2013, bem podiam ser preservados, por mais alguns anos, se assim o quisessem os nossos autarcas responsáveis pelo PELOURO DA CULTURA, num tempo que tanto se fala do turismo histórico-cultural e pouco se faz para atrair os TURISTAS ao concelho, nomeadamente os amantes de NATUREZA, cada vez em maior número.

BUROCRACIA, 2 (*)

Depois do trabalho, o estudo.

Depois do estudo, o trabalho.

Num só dia eu faço de tudo

Num só dia apanho e malho.

Lutando para ser o que não sou, seguindo a natural tendência que só agora se concretizou, trabalho e estudo ao mesmo tempo. E, contra  a vontade dos chefes, misturo artigos, decretos-leis, despachos, expediente de secretaria com sonetos, redondilhas, poesia, batalhas, dinastias de reis, nobreza, clero, escravos, magarefes, literatura, história, filosofia, matemática, química, ciência e grandes correntes do pensamento.

BUROCRACIA, 1

O último programa da RTP1 "SEXTA ÀS 9", de Sandra Felgueiras e outros,  mostrando-nos o estado a que chegou o nosso PATRIMÓNIO HISTÓRICO e a culpa disso a MORRER SOLTEIRA, sugeriu-me a  repor aqui parte de um texto que escrevi, hã anos, relativo aos TRILHOS que tive de pisar para adquirir a foto do BÁCULO DA ERMIDA DO PAIVA, para ilustrar a CAPA do livro, cujo miolo versava a história do MOSTEIRO DA ERMIDA. Assim:

«FUNÇÃO PÚBLICA

 “(...) Hoje, infelizmente, as chefias desmultiplicam-se, aquilo que deveria ser feito por um é, normalmente, repartido por vários (...) Há em Portugal uma cultura de funcionalismo público no pior sentido do termo, ou seja, a função constitui mais uma oportunidade de emprego seguro do que de afirmação de carreira profissional (...)”

 Gomes Fernandes, “Função Pública in  JN de  01-06-20

TROPA, 6 - PRAGMÁTICA DE D. JOÃO V, 1735

O FILÃO

Já, há tempos, deixei neste meu  espaço um texto em que falei de filões, de minas e poços abertos nos montes em redor da minha aldeia. Falei de camponeses que, no pós guerra, gasómetro numa mão, ferramentas na outra, ainda perseguiam o veio subterrâneo de volfrâmio até ao seu esgotamento. O minério comprado por ingleses e alemães para fabrico das armas manejadas pelos militares na Guerra.

TROPA, 5

Retomo aos "REGIMENTOS" de D. Sebastião para acrescentar uma informação absolutamente indispensável à compreensão da forma de "recrutamento militar" neles previsto. Diz respeito às NOTIFICAÇÕES dos "vassalos" que, habitando no Reino, não importa em que cidade, vila ou aldeia, se recusavam  a incorporar a ORDENANÇA e fugir aos recrutadores.

TROPA, 4

E creio ter chegado ao ponto que me levou a reler os REGIMENTOS  de D. Sebastião, para refletir sobre a expressão "tropa-fandanga". Necessário é, todavia, darmos um salto do século XVI para o século XVIII e, já agora, até aos nossos dias. 

Vimos no juramento do capitão-mor que ele assinou "por sua mão". Está-se mesmo a ver que, por este Reino afora, seriam muito poucos os que tinham privilégio de saber ler e escrever. É tema que para a maioria de nós não precisa demonstração. É só lembrar o grau de analfabetismo que existia nos meados do século XX.

A TROPA, 3

No meu livro "Cujó, uma terra de Riba-Paiva" editado em 1993, deixei dois episódios registados na tradição oral relacionados com fuga ardilosa de dois mancebos ao recrutamento militar em tempos distantes, quando foram surpreendidos pelos recrutadores aparecidos de imprevisto. E, face à forma como tal se fazia, não custa nada emprestar-lhe autenticidade. Vejamos mais um trecho do REGIMENTO:

TROPA, 2

JURAMENTO. Repare-se como ele começa. "Eu foão" (não é gralha, nem engano) é tão só o "F..." que chegou às minutas das nossas repartições, a iniciar qualquer documento. Lembram-se? Aí vai:

A TROPA, 1

Nesta página de militares para militares, com a aceitação civilizada de nela colaborarem alguns civis, entre os quais me conto, na sequência de uma extensa crónica que publiquei no meu site sobre a NOBREZA DE MÕES (Castro Daire)  na qual menciono o CAPITÃO-MOR daquela vila, não pude deixar de reler os "Regimentos Militares" Tomo II, Lisboa, 1797, nos quais me veio à lembrança expressão "topa-fandanga"  que, de quando em vez, o meu pai, lá na aldeia, usava para caracterizar algo desorganizado. O que não acontecia, seguramente, com as tropas que gastaram as solas na região de Tete e noutras terras de Moçambique.

MÉDICO
1 - Desde que, em 2010, fiz o DVD com o título "Um testemunho de vida", com 50 minutos de duração, relativo ao médico, Dr. Jorge Ferreira Pinto, que a minha consciência me acusava de algo em falta.
Nesse DVD, com entrevista direta (tanto em imagem como em áudio) classifico o Dr. Jorge como sendo o último JOÃO SEMANA que, acabada a Universidade, nos meados do século XX, se veio fixar em Castro Daire e por cá ficou até hoje.

HISTÓRIA VIVA

Na crónica anterior aludi ao estatuto social e funções desempenhadas por D. Henrique de Azevedo Faro Noronha e Menezes: «moço fidalgo», «fidalgo da Casa Real», «juiz de fora em Mirandela», «Governador Geral em Beja» durante o «Governo Liberal», deixando em aberto e ao raciocínio do leitor que a vida não era fácil até para a «nobreza» do Reino. Basta só ter em atenção as distâncias e os meios de transporte.

MEMÓRIAS VIVAS

De currículo académico e profissional disponíveis na Internet, nele está omissa  (por desnecessária) uma das tarefas que mais gostei de fazer na vida e durante a qual, a bem dizer, me tornei conhecedor dos REALIZADORES e PROTAGONISTAS das "fitas" (uso de propósito a palavra) exibidas nas salas de cinema, nos anos 60 do século XX. Fossem elas importadas da América, de França, da Itália, da Austrália, da índia e por aí fora. Não vou dizer nomes, pois longa e fastidiosa seria a lista. Mas direi que a diversidade cinematográfica a que eu estava habituado em Moçambique (onde não havia televisão) desapareceu do meu campo de visão, apetência e gosto, com a  exclusividade dos filmes americanos corridos na nossa RTP, quando era única e mesmo depois de  haver já outros canais, aqui, em Portugal. Vá lá, ultimamente a RTP1, em alguns domingos consecutivos, lá me levou novamente à India, permitindo-me apreciar aquelas coleantes dançarinas, desde os pés às pontas dos dedos das mãos, acompanhadas daquelas lânguidas e intermináveis canções, tão grandes como o país que é quase um continente. Chegou até mim aquele inconfundível odor a sândalo a que me habituei durante anos. Hei de voltar a eles, quando falar na CASA DAS BEIRAS em Lourenço Marques, onde fui membro da Direção e, em mandato nosso,  acoplámos ao solar da sede, uma sala de cinema, construída de raiz.

HISTÓRIA VIVA

 Falar das casas brasonadas de Mões, concelho de Castro Daire, leva-nos a viajar não só no tempo, mas também no espaço. Leva-nos ao século XVIII e ao concelho de Resende, a S. Martinho de Mouros e entrar no solar da Soenga para conhecermos um dos seus proprietários: D. Joaquim de Carvalho Cabral de Azevedo Menezes, nascido a 30-01-1758, ano em que o Marquês de Pombal mandou circular pelas paróquias do Reino um inquérito, visando saber aspetos de carácter geográfico, demográfico, hidrográfico, religioso e, eventualmente, estragos resultantes do terramoto de 1755.

HISTÓRIA VIVA

 No monte mais elevado ao lado da vila de MÕES (cota 709 metros de altitude), digamos que símile do GÓLGOTA bíblico (1), levanta-se o fragmento de um monumento, à primeira vista, enigmático. Trata-se de um fuste octogonal amputado com sinais evidentes de sobre ele ter assentado a parte que falta, também octogonal. Tem por base três degraus do mesmo formato, assentes num penedo de raiz a sair do solo, semelhante à calote superior de uma caveira. (ver foto mais abaixo). 

MEMÓRIAS VIVAS

Nas duas crónicas anteriores sob o título em epígrafe, em torno do CRUZEIRO comemorativo dos CENTENÁRIOS DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL (1139) e da sua RESTAURAÇÃO (1640) levantado no MONTE DA CABEÇA, em 1940, falei de HISTÓRIA autêntica com gente dentro. Falei do usufruto comunitário desse monte pelas populações circunvizinhas e disse que Santa Margarida era COVELINHAS no século XIII e que VILA POUCA, em 1758, era SÃO PAIO, tal como escreveu o Padre Encomendado Patrício Costa Peixoto, ao identificar e descriminar os templos e oragos que existiam na Paróquia de Castro Daire, dentro da vila e fora dela.

MEMÓRIAS  VIVAS

Na crónica anterior, com o título em epígrafe, reportei-me ao imponente CRUZEIRO granítico levantado no MONTE DA CABEÇA (ALTO DA CABEÇA) em satisfação do ensejo patriótico do ESTADO NOVO que, em 1940, mandou erigir em tudo o que era território nacional, aldeias, vilas e cidades, freguesias e paróquias monumentos alusivos à INDEPENDÊNCIA de PORTUGAL (1139), à RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA (1640) e, naturalmente, glorificação ao regime vigente (1940), saído da Revolução de 28 de Maio de 1926.

MEMÓRIAS VIVAS

Neste ano de 2016, ano em que por um GOVERNO DAS ESQUERDAS, foi reposto o FERIADO NACIONAL DO PRIMEIRO DE DEZEMBRO, extinto por um GOVERNO DAS DIREITAS, mostrando os respeito que os membros de tais Governos têm pela HISTÓRIA e valores pátrios, apetece-me trazer aqui, mesmo ao findar o ano, umas das medidas emblemáticas do ESTADO NOVO, relacionada com  INDEPENDÊNCIA E RESTAURAÇÃO DE PORTUGAL.

NEMÓRIAS

 Ainda eu estava em Tete, quando, lá no topo da cidade, na última rua asfaltada, no lado oposto à Casa Comercial "SEREJO" (com "S"),  foi aberto um BAR destinado a divertimento noturno. Se a memória me não falha (ou o BAR não mudou de nome) era o MAXIME. Ficava convenientemente fora de portas, pois sabido era que, em tal espaço, como é próprio de sítios que atraem a juventude, se misturam baile, sexo, álcoolmúsica, dança e banzé. Explicando melhor a localização:  para o lado do Rio Zambeze, a descer a colina, ficava a cidade de cimento e das ruas asfaltadas. Para o lado oposto, ficava a cidade do "caniço" e das ruas de terra batida. 

BOLO (LIVRO) DE MIL FOLHAS

Quando cada um dos "retornados", civis ou militares, das ex-colónias se põem a folhear o livro das suas memórias encontram, seguramente, saborosas folhas de juventude, de alegria, de amizade,  de confiança, de camaradagem, de esperança num futuro ridente e de sorte, de mistura com folhas de sabor amargo, hesitação, solidão, morte, desengano, velhice e futuro incerto.

MESINHA DE CENTRO

Era uma peça de arte feita em pau preto, estilo indo-português. Tampo inteiriço, oitavado, na parte superior tinha desenhos em alto relevo lavrados por anónimo mas exímio artista no manejo da goiva, do formão e das ferramentas cortantes afins. 

Na parte inferior tinha um rebordo saliente para encaixar e para manter firmes as oito faces laterais rendilhadas. Cada uma tinha cerca de 50 centímetros de altura e 20 de largura. Eram faces articuladas e, retirado que fosse o tampo, elas dobravam-se sobre si próprias, assumindo uma forma plana de fácil acomodação e transporte.

MEMÓRIAS E DOCUMENTOS

É óbvio que os meus amigos (pouco atreitos às futilidades facebookianas diárias) sabedores e atentos «ao dito» e «não dito», repararam que ao título destas duas crónicas  «QUARENTA ANOS DE PODER LOCAL» falta o apêndice «DEMOCRÁTICO». Não se tratou de um lapso meu. A questão é que, por força dos preceitos constitucionais e leis deles decorrentes, ainda que o «PODER» tenha sido devolvido ao «POVO» através das eleições, «PODERES LOCAIS» houve (e há) que de «DEMOCRÁTICO» têm apenas a forma como foram atingidos. E claro está que não me refiro exclusivamente às «AUTARQUIAS». A «DEMOCRACIA» e a forma de chegar ao PODER alargou-se a muitas outras instituições nacionais. E creio todos hoje saberem quanto «compadrio», «clientelismo», «nepotismo»  e outros «ismos» enxameiam o país inteiro a coberto de eleições,  passados que são QUARENTA ANOS de «DEMOCRACIA REPRESENTATIVA». E ninguém ignora também  o grau de «CIDADANIA» refletido na «abstenção» verificada em cada ato eleitoral, v.g. eleições europeias, legislativas, autárquicas e demais instituições existentes.

MEMÓRIAS E DOCUMENTOS

Há dias, proveniente da ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CASTRO VERDE, assinado pela sua digníssima  "Presidenta", Maria Fernanda Coelho do Espírito Santo,  recebi um CONVITE para estar presente na «SESSÃO EXTRAORDINÁRIA DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL EVOCATIVA DOS 40 ANOS DO PODER LOCAL DEMOCRÁTICO», a realizar-se no dia 12 p.f., CONVITE esse que se deveu, não só ao facto de eu ter integrado aquele órgão autárquico como membro eleito nas lista do PARTIDO SOCIALISTA, mas também e certamente, porque, durante alguns anos, exerci a profissão de professor naquele concelho, onde deixei familiares e amigos.

A ECONOMIA, OS AFECTOS, AS PESSOAS E OS POVOS

Nesta saga que me propus a rodar no asfalto da ESTRADA NACIONAL N. 2, integro hoje a minha última viagem a Lisboa, em carro próprio.