Trilhos Serranos


Ai amigo,

Tenho andado perdido

Na poesia medieval

Nas cantigas de amigo

De escárnio e maldizer.


Pastorinho, monte acima, monte abaixo, nunca esqueci o passarinho empoleirado nos raminhos da urgueira: era o cartaxo. Equilibrado, a pouca altura do chão, naquela sua maneira, naquela sua postura, naquele seu trinado desconcertado natural «...chriu...chriu...chriu...» o cartaxo diferente era da cotovia.

Ai amigo

Tenho andado perdido

Nas poesias medievais.

E como nunca é demais

Beber as influências provençais

É por lá que tenho andado.

MÁ LÍNGUA

Era uma vez...
Foi há muito, muito tempo quando eu, um artolas da gramática sabedor ensinava Português nas escolas, tal qual mandava o programa, nos cursos diurnos e noturnos. Certo dia, o assunto da lição, tinha de ser, lá recaiu sobre os sinais de acentuação:  o "acento agudo", o "acento grave", o "til" e o "circunflexo". Quatro apenas, quatro somente. Como e onde cada um deles caía ou cobria a letra. Tão simples como complexo era para quem na Língua se inicia e a escrever aprende que escrever não é nenhuma treta..

MASSANGANO-MOÇAMBIQUE

Sobre este tema sigo a CRONOLOGIA de que disponho graças ao laborioso trabalho de M. Simões Alberto e Francisco A. Toscano, deixada no livro «O Oriente Africano Português", editado em 1942, em Beja, nas oficinas da Minerva Comercial de Carlos Marques & cª Ldª. É uma CRONOLOGIA dos acontecimentos históricos que tiveram lugar em Moçambique, com o rigor de quem manuseou os documentos citados.

 DEVOTO DE DIANA (5)

Ora, eu que, depois de Aquilino Ribeiro ter mandado CAIR O PANO em o "Tombo no Inferno", desafiei o leitor/espectador a acompanhar-me neste proscénio, nesta cavadela de enxada feita num cantinho de terra que escapou ao bico da relha do experimentado homem da rabiça, vejo chegada a hora de, por minha conta,  mandar CAIR O PANO, definitivamente. E cai. Mas não sem primeiro eu estar convencido de que, se essa peça, por ventura, um dia voltar a subir ao palco nacional, não dispensará esta minha ADENDA. Precisará mesmo dela.

 DEVOTO DE DIANA (4)

Na linha do que deixei escrito no primeiro texto, onde aludi a questão da REGIONALIZAÇÃO e ao pecado secular da CENTRALIZAÇÃO que despovoa grande parte do território português, na esperança de que os meus amigos facebokianos se interessem pelo assunto e pelo LIVRO aqui reitero que urge educar, descentralizar, regionalizar, defender a coesão territorial e social. É preciso que cada um de nós ajude a manter de pé este Portugal periférico. É tempo de esvaziar o sentido a expressão queirosiana: "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem". Eu faço a minha parte. 

 DEVOTO DE DIANA (3)

Já deixei claro que, neste meu livro, em muitos passos, fui acompanhado por Aquilino Ribeiro, o meu escritor de eleição.  Várias foram as suas obras que me fizeram passear por cidades, vilas, aldeias, montes e serras do Portugal bárbaro do seu e do meu tempo, cujos habitantes, analfabetos, o não liam, mas que lhe serviam de matéria plástica para a sua escrita e pensamento. É ele próprio que o diz. Com ele estive na imponente Catedral de Córdova, com ele estive noutros monumentos nacionais citadinos e, com ele, acabei por fixar-me numa aldeia sem localização geográfica, pois mais não é que a designação de uma terra que integra uma sua peça de teatro: "Tombo no Inferno".

 DEVOTO DE DIANA (2)

Disse na postagem anterior que a opção por um editor e por uma tipografia sediados em  CASTRO DAIRE/VISEU se deveu ao pensamento regionalista e descentralizador que há muito perfilho, em pensamento e obras. Isso poderá ver-se nos livros já editados e órgãos de comunicação em que tenho colaborado desde que ando por aqui, por estas terras de fraguedos, de matos e de semeadura,  a fazer da palavra relha e a lançar sementes, não  já no agro, mas nas mentes.

 DEVOTO DE DIANA (1)

O meu novo livro "O HOMEM DA NAVE, DEVOTO DE DIANA", editado pela PCPUBLIARTE, ( Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ) com sede em CASTRO DAIRE, empresa gerida por LINO MENEZES, homem ligado ao teatro (ator e encenador que foi das "GIESTAS DO MONTEMURO"), entrado na tipografia em novembro de 2015, acaba de sair do prelo. 

São 135 páginas de formato 15x21 e 63 fotografias (sépia) relativas aos assuntos tratados. Vai ser posto à venda na próxima segunda-feira, dia 4 do corrente, e um dos meios de aquisição pode ser pelo correio eletrónico acima referido. É só contactar a firma.

 

COMÉRCIO TRADICIONAL

Relacionadas com os «posts» que tenho vindo a publicar sobre o COMÉRCIO TRADICIONAL, para além dos «COMENTÁRIOS» e «GOSTOS» colocados neste meu «mural», subscritos pelos respectivos «amigos», chegaram-me algumas mensagens particulares a perguntar se eu estava envolvido nalguma campanha eleitoral para as próximas eleições autárquicas. Afirmo, categoricamente, aqui e agora, que não e acrescento: deixei, há muito tempo, as lides políticas locais por entender que era mais útil à minha terra fora do APARELHO PARTIDÁRIO, (PS) do que dentro dele, isto é, por entender que devia fazer o que nunca nenhum munícipe fizera anteriormente, ou seja, investigar, publicar e divulgar a história do concelho. Com essa atitude, exclui-me, antecipadamente, de poder vir a integrar a lista dos condecorados no «DIA DO AUTARCA» tão justamente instituído para homenagear alguns daqueles políticos que prestaram relevantes serviços à causa pública. 

CACIFO DE FURÃO

Os meus dois filhos cresceram rodeados do carinho e dos afetos que lhes eram devidos pelos pais. Mas também cresceram a ver os progenitores, ora agarrados aos livros, ora a corrigir os testes dos alunos, ora a restaurar velharias, quaisquer que elas fossem: desde uma seitoira (foice) que gastou os dentes a segar erva e centeio, ou um podão, cujo fio se tornou rombo a cortar silvados à beira de um caminho ou de leiras de semeadura.


Pessoa amiga, sabendo-me ligado uns anos a Moçambique, sempre interessado no tema COLONIZAÇÃO/GUERRA COLONIAL/DESCOLONIZACÃO e vendo o que eu escrevi sobre OS PRAZOS DA ZAMBÉZIA e suas DONAS (na página PICADAS DE TETE) e bem assim o que deixei escrito nesta minha página sobre o CONDE DE FERREIRA, referindo-me à primeira escola primária implantada na vila de Castro Daire, com o seu título e data da sua morte, 1866, teve a gentileza de comprar e oferecer-me o livro de José Capela, com o título «Conde de Ferreira & Cª, Traficantes de escravos», portanto,  ligado ao comércio negreiro, do qual ele foi um protagonista histórico. Tenho andado a lê-lo e a cotejar o seu conteúdo com matéria conexa que deu corpo à minha licenciatura em HISTÓRIA. Ontem à tarde não fiz outra coisa.


Nos fins de fevereiro, p.p. chegou-me à velha caixa do correio mais um livro de Manuel Lima Bastos. Mais um que ele  teve a gentileza de me oferecer e enviar com a costumada e amável dedicatória. Li-o com a avidez e o prazer com que li todos os anteriores. Desta vez tem o título «Mestre Aquilino, Caçador e a Gaitinha do Capador». 

Mais um, o oitavo, carpinteirado, apaixonada, paciente e sabiamente com a matéria-prima extraída dos soutos e carvalhedos plantados pelo Mestre Aquilino Ribeiro, o nosso (de ambos) escritor de eleição. E o que posso eu acrescentar mais ao que já disse sobre este louvável e incansável labor de Lima Bastos? O que me falta dizer para corroborar nesta sua tarefa de divulgação da obra e do nome deste escritor beirão que pôs em letra redonda a vida dos meus avós, dos meus pais e a minha própria vida?

 

Sem rádio, sem televisão, sem boletim meteorológico informativo, o serrano adulto dos anos 50 do século XX, servia-se do saber de experiência feito para adivinhar o tempo do dia seguinte. E se era um daqueles que tinha aprendido a ler fora da escola, a complementar essa sapiência, botava mão ao "Borda d'Água" ou ao "Seringador" para ver as mudanças de Lua e certificar-se  da melhor altura do ano para sementeiras, plantio ou enxerto de árvores.

O meu padrinho de batismo era agricultor e negociante da gado. Chamavam-no João Caixeiro, mesmo que de apelido registado fosse Camelo. Casado com uma irmã de minha mãe, Maria Leonor, era um santo homem, baixinho, de bigodinho, estou mesmo  a vê-lo. Comprava e vendia vitelos e, por obrigação da tradição, vá-se lá saber as razões da dita, cada compra obrigava  a "beber a cabrita", modo de fechar, sem mais regateio, o negócio entre as partes, com ou sem "rachador" pelo meio.

«NO MINÉRIO TRABALHAVA, TRABALHAVA...»

Nestas minhas andanças nos trilhos serranos, digo, nos trilhos da vida, dei por mim nas Minas da Queiriga, concelho de Vila Nova de paiva.

O meu primo Manuel Carvalho Soares, sabendo-me interessado em tudo o que respeita à História e à vida, levou-me até lá, até aquele outeiro esventrado, esburacado, de portas abertas, abandonado. Aquele outeiro que, em meados do século XX, foi um formigueiro humano de trabalho e de sonhos.


Letras? Que longo caminho, o delas. Ora galopando, ora trotando, ora a sós ou a granel, atravessaram espaço e tempo, até chegarem a nós, silenciosas ou em tropel.  Caminhada longa e séria. A arqueologia, que acorda o que enterrado dorme, trouxe-nos da Antiguidade a escrita cuneiforme da Suméria e territórios do Crescente, a deslocação de animais e gente, as Tábuas da Lei, a Pedra de Roseta, cunhadas ou manuscritas, visíveis ou apagadas, chegaram-nos em papiros, em pergaminho e papel, sempre cuspidas por cunhas, espátulas, estilos, bicos das penas de pato ou aparo de canetas, com recurso a tintas e a cera. Falo de história. As letras nunca foram tretas. Gravadas, desenhadas, hieroglíficas demóticas ou cursivas, a par de factos autênticos passados, carregados de glória, elas registaram vidas, sentimentos, afectos, amores, sofrimentos, paixões, declarações de guerra, tratados de paz, formação e queda de impérios, muitas fintas, muitas lendas e muitas petas, ditas e inauditas.

CASTRO DAIRE - RETALHOS DE HISTÓRIA -3

Decorria o ano de 1932 quando, através do Dr. Pio Cerdeira de Oliveira Figueiredo, que mantinha correspondência com uma senhora viúva (?) o nome é omitido, vá lá saber-se porquê - residente no Brasil, se soube em Castro Daire que essa senhora desejava construir uma Escola Primária, em Castro Daire, com o nome do seu falecido marido e para a qual «oferecia a importância de 100 contos».

IMG 1463Em face disso, são tomadas as primeiras diligências no sentido da aquisição do espaço para a sua construção. Previsto, inicialmente, expropriar-se um terreno no sítio dos Linhares, onde hoje se encontra a Escola Secundária, uma notícia publicada em «O Castrense», de 8 de Maio de 1932, diz que a «Câmara resolveu adquirir e oferecer para a construção um terreno junto ao depósito das águas, de harmonia com o parecer dos Técnicos do Ministério da Instrução que há semanas aqui estiveram abrindo as ruas de acesso à Escola que pelos mesmos técnicos foram indicadas. E foi já há dias anunciado ao Sr. Dr. Pio Cerdeira de Oliveira Figueiredo que se está à espera de autorização do Governo Brasileiro para lhe serem remetidos os 100 contos para a Escola».

TUDO É ÓBVIO E BÁSICO

Na década de setenta do século XX, eu e a minha mulher éramos professores de História e Geografia em Lourenço Marques (hoje Maputo). As turmas eram uma mistura de alunos brancos, negros, mulatos, indianos e alguns chineses, uma amálgama das etnias que, ao tempo, habitavam aquela cosmopolita cidade do Índico. Os compêndios eram iguais aos usados nas escolas de Portugal Continental, pois portuguesa era tida aquela cidade e portugueses quase todos os seus habitantes. De acordo com os programas oficiais de História e Geografia (unidas no mesmo compêndio) os professores debitavam para os alunos, em geral, as características do relevo de Portugal, altitude das serras, riquezas mineiras e vegetais, rios, clima, linhas férreas, demografia, desequilíbrio demográfico entre o LITORAL/INTERIOR, apesar de SER ÓBVIO E BÁSICO que isso dizia pouco ou nada aos alunos negros, mestiços e indianos.

 

O FACEBOOK É UMA LIÇÃO

ORA ENTÃO DIGA LÁ AO QUE VEM...

Calado, deitado no sofá, mãos cilhadas na nuca, cotovelos afastados à semelhança da proa e da ré de um barco rabelo atracado, desgrenhado o cabelo, queixo ferrado no peito, ao jeito de Trinitá, o cawboi insolente, perna cruzada, tornozelo com tornozelo, estendido na padiola puxada para cá e para lá pelo seu cavalo, um regalo, ouço a voz amiga do psiquiatra, aquele médico (um tanto ou quanto quadrado) que há anos me me trata das maleitas da mente, aquele que entra em nós e como nós sente, aquele que tudo faz para me tirar das nuvens, para me fazer descer do céu à terra e, na terra pensar e agir como toda a gente: diga!?

ESTÓRIA  POÉTICA - O BORDEL

Creio não haver homem no mundo, homem que se preze de sê-lo, que, gozando a mocidade, saboreando a vida, a saúde e a virilidade próprias de idade, não arrole no seu currículo a passagem por um bordel, a "casa das meninas" e nunca uma vez só. Creio não haver homem que tenha esquecido aquela imagem impressiva de entrada e de começo: uma grande sala, as meninas sentadas à roda, cada uma delas,  fazendo pela vida, a tentarem captar o cliente recém-chegado. De todas as raças e cores. Um arco Íris de corpos e de vestes, «partout, everywhere, por toda a parte». Sorrindo, o acabrunhado caloiro nessas lides, logo se tornava alvo de mil olhares, mil desejos e mil perguntas: «quem escolherás tu?»
Ao fundo, num canto, junto da janela, um papagaio atento à clientela, ensinado a bater as asas e a palrar como quem fala: "meninas, quarto ou rua,... vida..., vida,... aqui não se quer sala". Um pássaro avisa quem procura pássara que o espaço não é sala de estar mas somente sala de espera.

 

CEREJA EM CIMA DO BOLO

Passados dez anos, depois de eu ter sido tão enxovalhado no «Notícias de Castro Daire» (em 2006) com o aval do seu Director (ainda é o mesmo e está a tempo de dizer o que na altura calou) pelo, então, Presidente da Direcção dos Bombeiros (cujo nome omito para não sujar este meu espaço digital, já que ele anda por aí difundido em televisões e jornais de grande tiragem), passados dez anos, dizia, eu bem podia orgulhar-me com a cereja que faltava em cima do bolo. Mas não digo, nem orgulho tenho. Até lamento o que aconteceu e, se calhar, isso podia ter sido evitado se, nessa altura, os restantes membros da Direcção e o público, levasse em conta a chamada de atenção para a «gestão danosa» que se fazia notar claramente naquela casa.

 

EX-PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DE CASTRO DAIRE EM JULGAMENTO POR PECULATO.

Custa-me abrir as portas do armário e tirar de lá os esqueletos de defuntos que para mim morreram há muito. Mas, no momento em que  o ex-presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros de Castro Daire (cujo nome omito para não sujar este meu espaço digital. Ele anda divulgado nos jornais e na televisãol) está sentado no banco dos réus por ter desviado cerca de 80.000€ dos cofres da Associação para uso particular, dez anos depois da polémica pública travada no jornal «Notícias de Castro Daire» (2006), em crónicas sucessivas, por mim assinadas,  com o título «Prós & Contras» sobre o livro que então escrevi «Castro Daire, Os Nossos Bombeiros, A Nossa Música»,  oferecendo os meus direitos de autor (então avaliados em 8.000 contos), não ficaria de bem comigo mesmo, se o não fizesse. Não para «bater mais no ceguinho» (pois  esse vai pagar na Justiça, com língua de palmo, os erros que cometeu), mas sobretudo para lembrar A MINHA RAZÃO a todos os que COBARDEMENTE se acomodaram no silêncio, pactuando assim, com quem claramente procedia à «administração danosa» de da Associação Humanitária dos Bombeiros. A todos os que não tiveram o estofo moral de se rebelarem a favor da dignidade e probidade que me assistia. E assiste. Eles devem-me um pedido de desculpas. Felizmente nem todos optaram pelo silêncio pactuante. No mesmo jornal tomaram voz dois cidadãos de corpo inteiro, de cujas palavras deixo os seguintes excertos:

PRAXES ACADÉMICAS

A saga das "praxes" continua no carril do " soma e segue", expressão que um amigo meu (já falecido) traduzia, em linguagem popular, por "rompe e rasga, sempre em frente".
Ontem OUVI e VI nas televisões (situação que, contra a vontade dos gramáticos, pode legitimar o particípio OUVISTO, no caminho EVOLUTIVO da Língua), ouvi e vi, simultaneamente, dizia, uma senhora falar da morte do seu filho, convencida que ela ocorreu numa situação de PRAXE, essa coisa ESTÚPIDA que encontra defensores por esse país abaixo e arriba, quase todos fincando os seus argumentos nas TRADIÇÕES ACADÉMICAS.

 

Lino Menezes, um homem ligado ao teatro, actor e encenador que foi das «Giestas do Montemuro» tem vindo a publicar no seu mural do Facebook algumas fotos das peças que foram levadas a palco nos anos 90 do século XX.. Como eu assisti a algumas e escrevi sobre elas , aqui deixo cronica que publiquei, em 1993,  no «Notícias de Castro Daire».  As fotos que a ilustram foram extraídas do mural de Lino Menezes e creio não se relacionarem com o drama. Mas, «quem não tem cão, caça com gato». Nesse tempo não era qualquer bicho careta que andava por aí com câmara fotográfica integrada nos telemóveis a registar os eventos culturais da terra. A fotografia era feita com letras, em crónicas, como esta.


    Há dias uma pessoa amiga que, pelos vistos, se quer dedicar à investigação no concelho, atitude digna de louvar, veio ter comigo a perguntar-me se eu já tinha escrito algo sobre a «história» da «Radio Limite» de Castro Daire, uma vez que vira no meu "curriculum vitae" a minha colaboração naquela Rádio e Presidente que fui da Assembleia Geral. Que não. Não tinha historiado essa instituição. Remeti-a para o senhor António Gonçalves, um dos seus fundadores nos tempos das RÁDIOS PIRATAS,  seu locutor durante anos e eu iria ver o que tinha  escrito, publicado no «Notícias de Castro Daire» e guardado nos meus arquivos. O «disco rígido» do velho CP, talvez mantivesse algo em memória. E manteve mesmo. Aqui vai a crónica publicada em 1991.  



Lá longe...em Moçambique, na cidade de Lourenço Marques (hoje Maputo) numa das aulas de Literatura Portuguesa, analisando um poema de Reinaldo Ferreira (filho) guardei para toda a vida a opinião do meu professor, Dr. Francisco Cristóvão Ricardo: "só este poema faz de Reinaldo Ferreira um poeta". E acrescentava que, para se ter essa categoria, não era preciso escrever muito: "um simples poema valia por um livro inteiro".


Corre o mundo seu fadário
No fio do tempo rolando
A Língua foi-se mudando
Dicionário após dicionário.

No dia 15 de outubro do ano passado realizei e alojei no Youtube, com imagens minhas a voz de Almeida Santos, um vídeo com a balada "Lá longe, ao cair da tarde". O seu falecimento transportou-me, agora, a Moçambique e, por conseguinte, a Lourenço Marques, onde o conheci, ele já com carreira consolidada no foro e eu a começar a carreira de trabalhador-estudante. 


 Num diálogo que resolvi travar com uma divindade desconhecida sobre o vinho, ela, como que adivinhando o que eu lhe ia perguntar, antecipou-se:

- E antes que me perguntes algo sobre o lagar e lugar do vinho ao longo da história humana,  digo-te já que quem conhece a tosca e pesada prensa do azeite, conhece a tosca e pesada prensa antiga do vinho: uma vara de madeira com uma das extremidades metida numa abertura da parede com folga bastante para poder ter um movimento vertical e apertar, de cima para baixo o bagaço obrigada pelo fuso que nela entronca em cujo extremidade inferior se encontra um enorme peso de pedra.

Há pessoas que, às vezes, perdem boas oportunidades para ficarem caladas.  Sem terem a mínima ideia dos trambolhões que um livro dá até chegar à versão final, às mãos do leitor, ignorando quantas vezes ele é revisto por forma a evitar erros e gralhas,  sem terem ideia nenhuma da peregrinação que ele faz do autor para a tipografia e vice-versa, sem nunca terem posto os olhos nas provas tipográficas revistas de autores credenciados, sem nada disso saberem, se apanham um erro ou gralha num livro de 500 (quinhentas) páginas, aqui d'el Rei que «está aqui um erro».
Ora essas pessoas eu remeto-as, agora mesmo, para o texto que serviu de introdução ao meu livro «Lendas de Cá, Coisas do Além», publicado em 2004, ilustrado com uma página do meu livro «Castro Daire, os Nossos Bombeiros, a Nossa Música» em fase de revisão de provas, tal qual se segue:


PRIMEIRA PARTE

Ali, naquela praia da costa da Caparica, ele era sempre o primeiro a chegar. Nem um relógio suíço, da mais reconhecida marca, indicava, tão certo, as horas do dia.  Mal chegava, espetava uma vara no chão,  certificava-se da sua firmeza aprumada, punha-lhe no topo uma toalha, atirava os ténis, a roupa e outra toalha para a base dela e ei-lo a correr e a desaparecer no fundo do areal que se estendia por quilómetros de ambos os lados. Por algum tempo o centro do mundo era aquela vara ali espetada que nem estaca de feijoeiro em solo arável e produtivo.



Quem, como eu, tem queimado as pestanas na investigação e divulgação da HISTÓRIA LOCAL, só podia regozijar-se com a iniciativa que tiveram os atuais responsáveis pela Santa Casa da Misericórdia, no sentido de deixarem, em livro, a colaboração dada às FESTAS LOCAIS de S. Pedro, integrando as MARCHAS POPULARES.

Fiquei a saber pelo telefone (iniciativa sua) que o meu amigo algarvio, colega que foi de liceu em Lourenço Marques, de seu nome completo Bertino Sequeira Nunes, hoje professor de História aposentado,  vinha fazer a PASSAGEM DE ANO no HOTEL ASTÚRIAS, no Carvalhal, integrado num grupo de 50 pessoas. Andariam por Lamego, por Viseu e arredores de Castro Daire.

Aldeia  de Cujó. Ano de 1955. No chão uma tampa de chapa solta. Um rapaz de 16 anos de idade ao lado.. Uma ideia. Um caco de telha partida. Um desenho feito sobre a chapa. Uma ma safra. Uma maceta de pedreiro. Uma talhadeira afiada na «Tenda  dos Ramalhos» onde se faziam também enxadas, trilhos para carros de vacas, sovinas, pregos, cravos, brochas de cabeça piramidal, ferraduras para equinos, asininos e outras bestas, testeiras e chapas para tamancos.
Mãos calejadas, tenros músculos afeitos ao cabo da enxada, caneta com que se escreve, ainda hoje, a narrativa camponesa, cada vez com menos protagonistas disponíveis, sinal de que acabou, para muitos, a escravatura e o apego milenar à terra, à pastorícia e agricultura, escravatura que começava obrigatoriamente nos verdes anos de criança e se estendia à idade corcunda e enrugada da velhice. Gerações após gerações.

Há muitos anos, para não dizer desde que me lembra, a QUADRA NATALÍCIA, bem ao contrário da alegria que resulta das cores, das luzes e luzinhas, das prendas e prendinhas que parecem alegrar o mundo inteiro, me deixa algo depressivo e ansioso que acabe a festança. Sinto-me rigorosamente um marginal. Quando me pergunto porquê, não encontro resposta a contento, mas creio atribuir isso à contradição detectada, logo em criança, entre o que se dizia do MENINO JESUS, que nascera para salvar o mundo das injustiças e eu não considerar JUSTO andar, descalço, roto, esfarrapado, remendado e às vezes com fome.


PALAVRAS CRENTES COM SENTIDO

"Quantos anos são passados? 
«A vida é um ai que mal soa». Agora, quase no fim da jornada, os dois filhos em Lisboa, criados e educados com respeito pela sua personalidade, tolerância bastante com a rebeldia de jovens sempre a quererem mudar o mundo, cabelos compridos a seu jeito, brinco na orelha segundo o seu estético conceito (tão indiferentes, quanto eu, à matriz do diz-que-diz sobre o pentear, o vestir, o ser e o estar, peças que não encaixam no lego da cultura paroquial), jovens de um tempo que vê ruir e emergir códigos de condutas e de valores diferentes, tempo de globalização, de fácil comunicação à distância (...) quantos anos são passados, perguntava eu? 

O Conde Ferreira, de seu nome Joaquim Ferreira dos Santos, nasceu em Vila Meã, Campanhã, arredores do Porto, em 04 de outubro de 1786. Tendo ido para o Brasil em 1800 onde onseguiu assinalável fortuna no comércio negreiro entre Angola e Brasil, regressado que foi a Portugal dedicou-se à política  e à filantropia, virada para a EDUCAÇÃO e SAÚDE. 

COM NOME E ROSTO

Não. Não é Manuel Amorim o autor desta crónica. A "Voz de Faifa" há muito que se calou devido a perda de vista do seu autor, a residir em Lisboa.

 

COM NOME E ROSTO


Na crónica "A CEGARREGA (1)" mostrei o gozo que tive, o prazer que senti, assistir de bancada, via TV, à tomada de posse do XXI Governo Constitucional, LEGITIMADO pela MAIORIA DE ESQUERDA dos deputados eleitos pelo POVO com assento na ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, de acordo com a nossa Lei Fundamental, a Constituição abrilina



1 - Passando os olhos pela imprensa diária online, constata-se que a cerimónia de posse do XXI Governo Constitucional dá «pano para mangas». Do «Diário de Notícias», de hoje mesmo, transcrevo:

 

Se houve coisa que me deu gozo, neste ano de 2015, foi assistir, via TV, à cerimónia da tomada de posse do XXI Governo Constitucional, no dia 26 de novembro, Governo LEGITIMADO pela maioria de deputados eleitos, com assento na Assembleia da República.

Quase tão certo como um relógio suíço de marca,  "O CAMPANIÇO" entra-me número, após número, na caixa do correio.  Fundado em 1989, depois de eu ter saído de Castro Verde, não me lembro por que linhas me tornei colaborador dele e deixar nas suas páginas algumas crónicas. Lembro aquelas onde reportei as telas gigantes expostas na Igreja dos Remédios, pintadas, no século XVIII, por Diogo Magina (pintor algarvio) com motivos alusivos à Batalha de Ourique.

 

CORRELIGIONÁRIO


No artigo com o título "IRMÃOS ASSIMÉTRICOS" usei a palavra CORRELIGIONÁRIO no plural. Pessoa amiga, tendo-me por pessoa que escreve bem (e julgo ser sincero naquilo que me diz) apressou-se a telefonar-me, advertindo-me para um eventual erro ortográfico, pois entendia que a palavra se escrevia CORRELEGIONÁRIO, com "e" e não com "i", como eu escrevi. 

RICARDO COSTA

O texto que se segue foi escrito no dia 12-11-2015 e ficou em "stand by" até hoje propositadamente. Ei-lo, tal qual foi rabiscado:

"Num "EXPRESSO DA MEIA NOITE " Ricardo Costa, na sua jornalística sabedoria, disse TER A CERTEZA de que nunca se formaria um GOVERNO DE ESQUERDA. 
 

Já lá vai um bom par de anos que, baseado nos livros de «fiados» ditos «borrões» das casas de comércio, deixei no meu velho site «trilhos-serranos.com» o texto que se segue. Parece-me nunca ser demais difundir, por todos os meios, a história das nossas gentes, estas que, realmente, considero os genuínos «CONQUISTADORES e POVOADORES» deste Portugal que somos e estamos prestes a NÃO SER.


Os recentes acontecimentos perpetrados contra a HUMANIDADE, levados a efeito por um grupo de terroristas fundamentalistas, em nome de um deus e de uma religião (esquecido o que, há muitos anos, estudei sobre o Médio Oriente, entre Israelitas e Palestinianos)  fez-me estender o braço, retirar da estante o "Paradigma Perdido" de Edgar Morin, (Publicações Europa-América, segunda edição,1973) e retomar a caminhada da "NATUREZA HUMANA", no ponto onde ele estancou e disse:



Já lá vão muitos anos que vi um filme, a preto e branco, cujo protagonista era um médico de província. Aparecia sentado a matraquear numa máquina de escrever esquecido das horas das refeições. Ouvia-se uma voz feminina, vinda dos fundos: «vem, a comida está na mesa». Uma, duas, três vezes e eis a resposta: «já vou, estou a acabar um artigo para o jornal local e se eu não faço isto, quem o faz?». Mais palavra, menos palavra, nunca me esqueceu este exemplo e foi o que fiz a vida inteira: escrever para os jornais locais/regionais, esquecido das horas das refeições, tudo sem «carteira de jornalista». São anos e quilómetros de «notícias», de «comentários críticos», de «história» «usos, costumes» etc. etc. e tudo o mais que julguei de interesse informativo e cultural. Na imprensa, na Internet, no meu site e agora no facebook. 


A palavra FILÃO anda por aí de mão em mão, de mente em mente, na boca de muita gente, escrevente e não escrevente, todos cheios de sabedoria, sem todavia, estou seguro, quaisquer deles jamais ter entrado no escuro, mina adentro, gasómetro aceso, em direcção à veia negra do volfrâmio, do minério que fez da geração anterior à minha, e da minha própria geração, toupeiras humanas a esburacar montes, fosse na horizontal ou na vertical.

Anda o diabo à solta, mesmo à porta da igreja. Ele pertencia à escolta do Criador, mas, por inveja, querendo ser também SENHOR, revoltou-se contra o pai e este, num ai, estava-se mesmo a ver, vingativo, de castigo sem igual, em modos pouco ternos, fez dele Lucifer, senhor do mal e dos infernos.


Ó Luis, 
Ó Luis de Camões
Mesmo sem carne, nem cabelo

Nem  olho,

Quero lá sabê-lo

Levanta-te da tumba



Passada a lufa-lufa das eleições legislativas que, no domingo passado, tiveram lugar nesta nossa REPÚBLICA,  é tempo de retomar o assunto que deixei pendurado, lá para trás, ligado ao tempo da MONARQUIA. Sei que, na voracidade e sobreposição de tanta futilidade facebookiana,  os amigos já esqueceram o que eu disse sobre o nome PELÁGIO,  nome esse que tão vulgar foi, entre nós, em tempos de RECONQUISTA CRISTÃ/MONARQUIA e depois se afastou das nossas pias baptismais. Nos tempos actuais, dele se esquecem os abades, curas, padrinhos, frades e pais,  pois os nomes honrados dos heróis dignos de perpetuarem, nos filhos e afilhados, os "fastos pátrios", são outros.

A minha netinha mais nova (quatro anos de vida)  sentada nos meus joelhos (coisas de crianças...só mesmo delas), afaga-me a barba branca e, olhos esbugalhados, grandes como os do pai e da avó Mafalda, muito querida, de uma vez só, pergunta-me de rajada, carinhosamente: "porque tens as barbas, as sobrancelhas e os cabelos brancos ... assim tudo branquinho?" Respondi prontamente: "por ser teu avozinho. Todos os avozinhos (eles são tantos) têm a barba e cabelos brancos, se não forem carecas. "Como o Pai Natal?" interpela ela, pertinente, mãos irrequietas, aquele pingo de gente, naquela  sua idade de perguntas sem fim e infinita curiosidade. "Tal qual", respondi sorrindo, brincando e concordando com a imagem bonita aninhada na sua mente infantil. 

 

1 . CULTO DE HRÓIS E SANTOS


Uma leitura minuciosa das «Inquirições de 1258» no que respeita às terras que hoje estão integradas no concelho de Castro Daire, diz-nos muito sobre a História Local sobre a identidade dos seus protagonistas, sua categoria social e relações que eles tinham com os bens materiais e espirituais.


O meu apelido CARVALHO foi herdado do meu pai, Salvador de Carvalho, que, por sua vez o herdou da minha avó, sua mãe, Florinda de Carvalho. O mesmo sucedeu com outros tios meus e uma dessas tias, cujo nome de registo era MARIA DE CARVALHO, conhecida se tornou em toda a aldeia por "TIA CARVALHA".

O proprietário e fundador do «Museu na Relva», Ilídio Bonifácio Magueja,  interessado em colocar o nome da povoação no fio cronológico da História, isto é, colocar numa das paredes do Museu uma data que remontasse a tempos recuados, atestando a certidão de nascimento da povoação, depois de correr «Seca e Meca», sem encontrar resposta entre os voluntariosos conterrâneos que se entretêm com as coisas da "estória", diferentemente das coisas da HISTÓRIA, solicitou a minha colaboração, dizendo-me que, por sugestão de uma pessoa amiga empenhada, tanto quanto ele, na implantação do Museu, eu era o último recurso, dado ter conhecimento das investigações que tenho levado a efeito no concelho de Castro Daire, relacionadas com a HISTÓRIA LOCAL.. Que agradecia o meu empenho nesse sentido por forma a que, na data da inauguração, essa informação pudesse ser afixada numa das paredes.

CARTAZES E DESDOBRÁVEIS


Ora cá está o resultado do deixa andar. Esta dos CARTAZES de CAMPANHA com FOTOGRAFIAS NÃO AUTORIZADAS e MENSAGENS FALSAS, tem precedentes e eu vou lembrá-los.


 NOTA PRÉVIA

 O assunto que trato nesta crónica consta do meu livro «Cujó, Uma Terra de Riba-Paiva» editado pela Junta de Freguesia, no afastado ano de 1993. Daí passou para a Internet (para o meu velho site trilhos-serranos, onde permanece alojado, como texto histórico) e eu resolvi transpor agora para este meu novo site, dando-lhe outra configuração. Isto na sequência do texto que publiquei ontem no Facebook sobre um receituário para maleitas de animais, manuscrito, em Cujó, no ano de 1881, por Francisco Pereira de Morais e Silva. Assim, tal qual segue:


Com estes dois «desdobráveis» (acabados de sair do «prelo»), de seis faces cada um, dei por terminado o trabalho de que me incumbiu o vereador a tempo inteiro do Executivo Municipal de Castro Daire, Leonel Marques Ferreira. Fi-lo de bom gosto e «graciosamente» em benefício do conhecimento e divulgação do nosso património histórico.


«O hábito é a segunda natureza do homem», aprendi esta sabedoria, já adulto, nos compêndios de filosofia, feitos por doutores.

As fotos que ilustram este texto são os rostos da «transumância» da Serra da Estrela para o Montemuro, em 1990. Eles são os protagonistas de uma narrativa de trabalho e sacrifício com data certa. Olhem bem as suas idades e feições!


Quando me criei, em Cujó, não havia energia elétrica. Mal caía a noite, fosse em trabalho ou fosse para divertimento num qualquer serão, todos nós, os habitantes, novos e velhos, rompíamos os tamancos a dar pontapés no escuro. Não sei se devo a essa realidade o facto de, ainda hoje, ter horror ao ESCURO. Só me sinto bem em lugares bem iluminados e, de certo modo, acompanhado de pessoas que resplandeçam alguma luz.


Em 1990 era presidente da Associação Recreativa e Cultural de Fareja, Joaquim Almeida Ferreira da Silva e presidente da Assembleia Geral, vários mandatos seguidos, a pessoa que escreve e assina esta crónica. Grande parte da correspondência trocada com as entidades oficiais ligada à construção da sede saiu das teclas do meu computador.
Foi o ano em que, pela primeira vez, se filmou e gravou, em cassete VHS,  a "costumeira" ligada ao Pinheiro de São João, com o objetivo de, por essa via, se dar a conhecer ao mundo, uma das nossas tradições mais falada em todo concelho, pelo volume e peso da árvore. Não é exclusivo desta aldeia, mas nas restantes onde antigamente se punha o «pau a pino» (nalgumas delas ainda hoje se faz,  por e exemplo em Cujó e Relva) o protagonista não passa de um «estadulho» de amieiro, comparado com o de Fareja, sempre PINHEIRO.

 

FORNO DAS PIMPONAS/ CORETO

No tempo em que toda a gente (adultos e crianças) anda por aí de câmaras fotográficas e de filmar na mão, a fazer  pontaria a tudo e a nada, tempo de Ipads, telemóveis, Internet e Facebook, depositório a granel de fotos que são autênticos documentos (todo o historiador e estudioso agradece tais fotos)  e outras divulgando futilidades sem importância nenhuma, lembrei-me de postar aqui este texto já publicado em 2012. As fotos que o ilustram são bem a prova do que afirmo: fotos que é preciso LER e INTERPRETAR. A foto nº 1, com os protagonistas cuja razão de estarem ali explico em devido tempo,  ajuda-nos  a interpretar o grito das crianças a correrem pelas ruas da  vila, anunciando a chegada dos rebanhos da Serra da Estrela. «aí vem o rebanho, aí vem o rebanho!» Ajuda-nos a perceber a razão por que o «povo» corria à Feira das Vacas com panelas, tachos e tachinhos, de alumínio, latão ou barro, em busca de leite. Ajuda-nos a perceber a razão por que, na década de QUARENTA do século vinte, o «povo», corria à Feira das Vacas a pedir, para comer, a ALFARROBA que o Corpo montado  da Guarda Republicana trazia para alimentar os cavalos. Ajuda-nos a perceber a razão por que, quando, por esse mesmo tempo, a Legião Portuguesa fazia ajuntamento da Feira das Vacas o «povo» corria para ali, com panelas, tachos e tachinhos para levarem para casa parte do «rancho». E a pedinchice não incluia somente os mais necessitados. Até «pessoas de sociedade» para usar a terminologia dos  meus informantes idónios, mandavam lá as suas «criadas»buscar «rancho». Quem se predispõe a fazer a HISTÓRIA da nossa terra, a falar do PSSADO E DO PRESENTE necessário é que se informe e fundamente primeiro. De contrário em vez de HISTÓRIA escreve «ESTÓRIA». Vende «gato por lebre». E mal informado anda quem patrocina, quem promove e quem compra essas patranhas.. E mais não digo. Mas eis o que disse em 2'012:  


Fruto da minha persistente investigação e permanente contacto com pessoas que conheciam Castro Daire noutros tempos, cedidos por elas, vieram-me à mão diversos espólios documentais e fotográficos (fotos e negativos delas) de que me tenho valido para, em muitos caos, fundamentar e ilustrar alguns dos livros que dei à estampa sobre a História Local.

FAREJA - RETALHOS DE HISTÓRIA

Esta aldeia remonta aos primórdios da nacionalidade portuguesa, pois mais de uma dúzia de testemunhas desta terra depuseram nas Inquirições de D. Afonso III, em 1258, acerca dos descaminhos dos foros do rei do seu tempo e antes dele. Remetemo-nos para o texto e vejamos os termos da Inquirição:

 

 

POSFÁCIO-OLHAR E VER

Dos muitos prelos cujas fotografias estão disponíveis na Internet, do prelo mais simples ao prelo mais sofisticado, do prelo restaurado e embelezado com cores douradas, ao prelo moribundo e enferrujado,  do prelo que atravessou a linha do tempo intacto, tal como foi concebido pelo seu criador, presumo eu,  ao prelo que se apresenta amputado, qual soldado regressado das fileiras da guerra sem alguns membros, em todos, independentemente do seu estado e aparência, eu vi centenas de obras de arte, nas vertentes funcionais, ornamentais e decorativas. Eles me transportaram não apenas ao tempo de Gutenberg, ao tempo dos enciclopedistas, do iluminismo, ao tempo da Revolução Industrial, ao império do ferro e da metalurgia, mas também à Antiguidade Clássica através dos elementos artísticos, literários e míticos que incorporam.


Há muito que tenho denunciado publicamente o aproveitamento que determinadas ASSOCIAÇÕES regionais fazem dos dinheiros públicos em nome do DESENVOLVIMENTO e SUSTENTABILIDADE deste interior serrano. Fi-lo no meu livro «Castro Daire, Indústria, Técnica e Cultura» sobre o desempenho do ICA, com sede no Mezio e fi-lo questionando, fotografando e filmando a colocação de monóculos de grande alcance a serra do Montemuro e arrabaldes, (a coberto de programas ditos de «DESENVOLVIMETO») alguns dos quais foram imediatamente roubados e outros se tornaram inúteis por «embaciamento». Fi-lo denunciando o embuste de «gravuras rupestres» na Fonte da Pedra, arredores de Picão (em texto e em vídeo)  pois é tempo de, por estas bandas, se abrirem trilhos de SERIEDADE e não de OPORTUNISMOS de circunstância, pagos com dinheiros de todos nós.
GRAVURAS RUPESTRES NO MONTEMURO SÃO UM EMBUSTE

17-08-2007 20:55:09

No meu livro «Julgamento», editado no ano 2000, e, posteriormente, em artigo de imprensa (Lamego Hoje) disse que «na serra do Montemuro, ao lado do velho e desactualizado caminho que liga a povoação de Picão à Cruz do Rossão, mais ou menos a meio do percurso, no sítio designado «Fonte da Pedra», está um complexo de penedos com «gravuras» que alguns arqueólogos, entre os quais Domingos Cruz e Raquel Vilaça, «baseando-se nos estudos de C.T. Silva, publicados nas «Actas das III Jornadas Arqueológicas (1977), vol. I», com o título «Gravuras rupestres inéditas na Beira Alta», dizem pertencer às «estações de arte rupestre».*

Indústria Madeireira

A história que aqui reponho, neste meu novo site, foi publicada em 1995 no meu livro "Castro Daire, Indústria Técnica e Cultura"  e, em 2004, coloquei-a online no meu velho site. É de lá que a transcrevo agora. Assim:

A indústria mais representativa no concelho de Castro Daire foi, e é, a que está ligada à serração de madeiras. Mas não se pense que ela ultrapassou a fase artesanal do «serrão», da «burra» da «serra braçal» e do «traçador» há muito tempo.

 

INFERNO (8)

No dia em que vão canonizar dois papas, prossigo e ponho fim ao número de artigos, cuja matéria está alojada, há alguns anos, no meu velho site. E, bem a propósito, vou ilustrar este último com o desenho que inicia a edição «Divina Comédia», (Edição Sá da Costa, 1958), livro de grande influência na descrição de todos os infernos que nos foram apresentados nos «catecismos» de infância. Continuando:


Lá, nos confins do globo, algures nos trópicos ou polos opostos, onde  vive uma tribo que ignora o mundo e o mundo a ela ignora (se tal é possível nos tempos de agora) lá, onde espreita o urso, o leão, o lobo e outros animais da selva, pode estar, nesta hora,  a ter lugar o ritual da morte ligado a um membro dela que, por qualquer sorte e de qualquer idade, deixou de falar, cantar, dançar e passou a viajar no espaço que se convencionou chamar "eternidade".

Estou em Tete. Estaciono a mota (a minha Honda) na rua principal, dita Avenida, e de costas viradas para a rede que prende as colegiais no recreio, entre as quais uma delas me prende sem rede (passados tantos anos não há razões para que esconda esse anseio), costas viradas, dizia, vou matar a sede, lá arriba, naquele bar sobranceiro. Não há contacto, não há proximidade de meninas do Colégio com rapazes do mundo. Isso só quando, às vezes, em passeio pela cidade, em duas filas com as demais colegiais, vestidinhas de cima a baixo, meia branca a sair do sapato, por freiras acompanhadas, coisa pouca, os nossos olhos diziam o que nunca dizia a boca.

Em tempo que lá vai, era eu criança ainda (como estou bem lembrado) foi numa noite linda, céu muito estrelado, que o saber do meu pai sobre estrelas me foi luminosamente ensinado. Ele, os meus irmãos e eu, na eira da aldeia, ali mesmo à beira de casa, metidos no escuro, todos a olhar o céu, naquele tempo muito duro (vocês nem fazem ideia), braço estendido, ele, como se fosse dia, apontava as estrelas e dizia: 


No dia do BEIJO não resisto a colocar neste meu espaço a versalhada que publiquei, há anos, no meu velho site "trilhos-serranos.com", botão POESIA

A PONTARIA

1 - O ARCABUZ

Os meus primeiros treinos de pontaria ao alvo foram feitos com um brinquedo chamado "ARCABUZ", ou "ESTOIRA BALAS" que nós, meninos dos anos 50 do século XX, tínhamos de construir, servindo-nos das ferramentas e dos materiais disponíveis em redor.

25 DE ABRIL

Aproximando-se mais umaniversário do 25 de Abril, resolvi colocar neste meu espaço um texto que alojei no Facebook em 29-04-2014. Aquilo que escrevi há um ano continua a ter actualidade, pois o ANONIMATO é a toca onde se mete todo o cagão armado em valente, sendo que alguns Valentes se chamarão.


NATUREZA QUE CANTA E ENCANTA

Eis, lá ao fundo, o rio Douro. O mar vagabundo que liga o mundo anseia pela sua chegada. E eu, deste miradouro, desta cumeada, como tanta gente viva e morta deslumbro-me a vê-lo e a escrevê-lo, à semelhança de Miguel Torga.

CAÇA, QU'É DELA?

Neste tempo digital em que se escreve sem uso de caneta, papel e tinta, tempo em que a minha caixa de correio analógico me aparece atafulhada de folhetos publicitários, avisos das Finanças sobre o EMI, os selos dos veículos, seguros, cartas de pagamento da água e da luz, da MEO a ameaçar-me que cortam televisão, telefone e Internet, se não pagar a tempo, tudo, para mim uma grande chatice, neste tempo dizia, ainda aportam neste meu porto de abrigo, longe do mar, embarcações sobre as quais navego com gosto e nelas vou até outros tempos, outros espaços e outras gentes.

CIOSO COMBATE

Um dia, a criada de um clérigo, que tinha por sua conta e risco rapar-lhe a coroa do tamanho de uma hóstia,  prestes a arrumar a tesoura, eis que, num rompante, emergindo da densa floresta cabeluda, entraram na clareira  três animais minúsculos, por si desde logo identificados. Dois deles brigando.

 

A IMPORTÂNCIA DA URINA


A maioria dos cidadãos, senão quase todos, que hoje metem a mão no bolso, puxam do telemóvel, dedilham uns tantos números e se põem a falar com um amigo(a), ali mesmo ao lado ou a quilómetros de distância, não fazem a mínima ideia da dificuldade que era duas pessoas porem-se a falar ao telefone, há meio século atrás, em zonas afastadas dos grandes ou médios aglomerados urbanos.

 


O FURÃO

Nos meus tempos de juventude, uma das armas usadas na caça ao coelho era o furão, aquele mamífero carnívoro da família dos mustelídeos. Para caçar com esse animal esguio, pelo aveludado, olhos cintilantes que tudo captavam em redor movidos por uma curiosidade sem limites, era preciso ter licença. 

 

 Contemporânea do chó, da ratoeira e do furão era a arma de carregar pela boca, não raras vezes parceira inseparável do furão e da rede, na caça furtiva. Caçadores havia que nunca a designavam por arma, mas tão somente por "ferro". Geralmente era de um só cano, mas também havia as de dois canos paralelos, predecessoras das de "fogo central" que posteriormente sairam das fábricas.

PRIMEIRA PARTE

O provérbio que dá título a esta crónica não tem nada de agressivo. Já larguei a moca há muitos anos. Troquei-a pela caneta.  Nunca fui muito hábil a manejar uma e outra, mas faço-me entender e, neste caso, uso o anexim tão só por uma questão de comodismo, já que a semântica que ele carrega se presta perfeitamente a poupar-me trabalho, se presta a que eu, de uma assentada só, arrume  as leituras que fiz dos livros de dois autores distintos que tiveram a gentileza de me oferecer e me chegaram à caixa do correio no espaço de um mês. Face a tal obséquio,  sem nenhum deles me encomendar o sermão, impus-me a obrigação de sobre eles escrever algumas linhas, dando-lhes assim provas públicas de os ter lido. Então lá vai.

 

 

O PROFESSOR DOUTOR AMADEU CARVALHO HOMEM, com página aberta no Facebook, vai colocando naquele seu espaço temas de reflexão e, inteligentemente, vai levando os seus amigos e/ou visitantes a servirem-se e a degustar o que ele põe na mesa, assim como quem não quer a coisa. Um dos últimos acepipes foi colar-se à postura de António Arnaut, defendendo (como ele) que todos os maçons se deviam assumir publicamente, o que logo levantou opiniões PRÓ, CONTRA e OUTRAS, provando assim a pontaria certeira do ARQUEIRO.

POESIA PERFUMADA

Escrita no feminino
Já vi muita versalhada
E vendo, ouvindo e lendo
A poesia perfumada
Eis um autêntico hino
No meio de tanto nada.

CANTE ALTENTEJANO: «PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE»

Pouca gente saberá o prazer que teve um beirão de nascimento (eu próprio) regozijar-se com a notícia de ver elevado a «Património Imaterial da Humanidade» o «Cante Alentejano». E ninguém saberá também o trabalho que tive para «repescar» o texto que transcrevo mais abaixo, publicado em 1993, aquando da representação do Grupo Coral de Odemira, na Feira de S. Mateus em Viseu.

1 - JULGAMENTO

Lá no outro hemisfério, mais propriamente na cidade de Lourenço Marques (que Maputo era e Maputo voltou a sê-lo, coisas da História!) o director de um estabelecimento de ensino particular foi assassinado pela sua própria esposa.
Sentado à secretária, a mulher, que trabalhava no mesmo estabelecimento, entrou escritório dentro e nem deu tempo ao consorte de lhe perguntar por que razões queria ela tirar as balas empilhadas no carregador do revólver e alojá-las no seu peito, dando-lhe reforma antecipada.

POLÍTICA E JUSTIÇA (3)

Mas a promiscuidade da POLÍTICA e da JUSTIÇA, com as esposas dos políticos e cunhados Desembargadores metidos numa e noutra até ao tutano,  vê-se bem na carta da viscondessa de Samodães, com data de 8 de Junho, sem referência ao ano, mas que, pelo conteúdo, estamos seguro ter sido escrita antes de 1840, já que o irmão do Padre Bizarro, a quem se refere a viscondessa, foi assassinado em Maio desse mesmo ano.

POLÍTICA E JUSTIÇA (2)

Ontem publiquei no meu mural do Facebook uma Carta datada de 1841, assinada por um, então, Desembargador do Tribunal da Relação do Porto, de seu nome encurtado Bernardo de Lemos, membro de uma nobre família de Castro Daire, onde ele mostrava o seu empenho na eleição de um DEPUTADO seu amigo, por este círculo e nessa eleição envolvia o Administrador dos seus TERES e HAVERES nesta vila, o Abade António Bizarro de Almeida, seu companheiro nas lutas políticas que nessa altura de travavam no país. Da sua leitura e minha experiência de vida inferi que POLÍTICA e JUSTIÇA são duas PUTAS do mesmo BORDEL e não duas SANTINHAS do mesmo PANTEÃO adoradas em altares separados, como INTELIGENTEMENTE nos querem fazer crer os nossos POLÍTICOS e os nossos JURISTAS e COMENTADORES encartados.

POLÍTICA E JUSTIÇA (1)

            Que coisas tão distintas elas são. E vem de longe essa distinção. Nada de promiscuidade entre elas.. Isso bem nos mostra a CARTA manuscrita, assinada pelo Meritíssimo Desembargador Bernardo de Lemos, dirigida ao seu amigo Abade António Bizarro de Almeida, de Castro Daire, a propósito da eleição de um deputado por «este círculo». Assim, tal qual se transcreve na ortografia da época e respectivas abreviaturas:

Nas Inquirições de D. Afonso III, datadas de 1258, encontram-se várias referências ao Rio Paivó (Pavoo) e, numa delas, este rio aparece associado ao lugar da Relva, dito assim:

«Donus Pelagius, de Folgosa juratus e interregatus dixit quod Petrus Pellagii pater ejus testavit ecclesia de Castro unam hereditatem forariam Regis in termino de Felgosa, in loco qui dicitur Petra Nigra, tempore Domini Regis Sancii, fratibus istius Regis; et addit quod ille in vita sua dedit eidem ecclesia alliam hereditatem forariam Regis in termino de Pavoo, in loco qui dicitur Relva».

Se o leitor, sentado à frente do seu monitor,  se der ao trabalho de botar os olhos no «Google Earth» e escrever CUJÓ no espaço destinado à investigação, verá aparecer e rodar o globo terreste e, depois de parar,  deixar ante si a povoação que procura. E verá ao seu lado direito uma linha verde escura, de norte para sul, orlada de arvoredo, que mais não é senão um regato que, na terminologia e geografia local, é conhecido pelo nome de rio «CALVO».

1 - O CORTEJO -1950

A recuperação e restauro do prelo que imprimiu os jornais em Castro Daire, em tempos idos (tarefa de que fui incumbido orientar de modo que ele não perdesse a sua identidade)  obrigou-me a vasculhar algum do produto calcado pela sua «platina» e levou-me até ao ano de 1950, mesmo ao meio do século XX. E para quem não se preocupa apenas com a espuma dos dias, dizer mal do que se por aí passa hoje, do Governo e coisas mais, alguns deles a dizerem que antigamente é que era bom, nada melhor do que, mostrar em fotografia, o artigo que ficou escrito nas colunas do jornal «A Voz do Paiva», nº 420 de 7 de Abril de 1951, decalcando o Relatório assinado pela Mesa da Santa Casa da Misericórdia, em 24 de Fevereiro de 1951, relativo a um cortejo que teve lugar no dia 12 de Novembro de 1950.

No meu livro «Cujó, uma terra de riba-Paiva», publicado em 1993, deixei um capítulo sobre o «topónimo» discordando da explicação inserta na «Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira», cujo autor remete para o étimo latino «culiolum>cuios>cu(i)jo», termo ligado à plantação de nogueiras, coisa bastante inverosímil na zona, já que, em todo o tempo, o que ali abunda são carvalhos, castanheiros e amieiros, aos quais se juntou, depois, o pinheiro. Em alternativa, propus, julgo que mais acertadamente, o étimo «caseus>queijo>cuijo>cujo» (justificando a proposta), opinião que retomei e desenvolvi mais tarde com respaldo no saber do latinista, Professor Dr. Francisco Cristóvão Ricardo, que se deu ao trabalho de explicar a possível evolução fonética da palavra, na qual aparece de permeio «quijo» antes de «cujo». (cf. site «www.trilhos-serranos.com»)
Em 22 de Outubro de 2008, publiquei no meu velho site «trilhos serranos» um artigo com o título «CASTRO DAIRE - O ORGULHO DE TER SIDO PROFESSOR», artigo esse suscitado pelos currículos académicos de dois ex-alunos meus, na Escola Preparatória de Castro Daire.
Eles, e mais uns tantos, integravam uma turma que não raro, em Conselhos de Turma, eram apelidados de «rebeldes e insuportáveis» por parte de alguns colegas meus, mais acostumados a debitarem as matérias do que a explicá-las. Em tais circunstâncias sempre chamei a mim a sua defesa, fazendo ver aos colegas que não podíamos chamar «rebeldia» à «exigência e ao interesse» que eles manifestavam em querer saber mais, puxando pelo professor, obrigando-o a reformular as questões e, quantas vezes, a dar novo rumo à aula planificada.

A minha última foto de CAPA recebeu muitos GOSTOS e alguns COMENTÁRIOS. E ao nome PENICO e/ou BACIO que a minha irmã Elisa ali deixou, numa explicação necessária a muito gente moderna, acrescentei eu outro pelo qual também eram conhecidos estes recipientes domésticos: "DOUTORES".

TORNA-SE O HERDADOR NA COUSA HERDADA

Creio que a glosa que fiz ao poema "Antes que o Sol se levante" de Francisco Rodrigues Lobo, ficará mais enriquecida com o excerto do texto em prosa que publiquei, há largos anos, no meu antigo site "www.trilhos-serranos.com" com o título em epígrafe. A divindade Paiveia (levantada das águas do rio Paiva) falava assim com Lusozé, um rural académico. Assim:

Feita a 4ª classe na antiga Escola Primária, transitei imediatamente, sem exame de admissão, para o curso da Agricultura e da Pastorícia, sorte que estava reservada a todos os meninos da minha idade, nados e criados longe dos meios urbanos dos liceus e das universidades.

Sem furos, sem faltas e sem diplomas que registassem a avaliação de desempenho, cresci a ajudar os meus pais na luta pela sobrevivência. As cadeiras nucleares do curso incluíam as técnicas de cortar matos e lenhas, lavrar terras e estrumá-las, acarretar o milho e o centeio para as eiras, malhá-los e moê-los para que se pudesse fazer o pão.

Tornei-me nisso, tal como os meus irmãos, numa espécie de catedrático. Sei o que custa alombar com sacos de cereais para os moinhos hidráulicos do Rio Mau e do Rio Calvo e sei o que custa estar de joelhos agarrado a um moinho manual para «arreloar» um «surmil» de milho e fazer umas papas, quando a broa faltava no açafate. Iniciei-me também na arte de pedreiro. Foi assim até aos 18 anos de vida.