Trilhos Serranos

A PETISCADA -1 

Nestas últimas, penúltimas e antepenúltimas crónicas cirandámos pelo último quartel do século XIX. Falei da poesia popular, de autor anónimo, métrica e rima descuidadas, temas vários por si tratados, nomeadamente o ano em que ele assentou praça (1871) ao serviço de D. Luís, como soldado. Claro que, poetando ele daquela maneira (a sua obra excluída estaria, seguramente, de entrar nos manuais escolares, ainda que escola fizesse no auditório português popular e nele perdurasse até hoje, como referi, sobretudo na zona alentejana) e ao situar-se neste ano de 1871, lembrei-me logo das «Conferências do Casino», de Antero de Quental, dos seus sonetos, textos sociais, de literatura pura, que ele cantou e a mim me encanta. Depois falei do tabelião (Antero, poeta e escritor de renome, outro escrivão anónimo de província)  que, passada uma década (certamente filho da mesma escola coimbrã) assentou arraiais nesta vilória de Castro Daire, para daqui, no desempenho do seu ofício, viajar até aos Açores, dali para Tabuaço e, depois, retornar a esta santa terrinha.

ANTÓNIO JOSÉ LOUREIRO DE ALMEIDA

Na crónica anterior sobre o "PELOURINHO DE CASTRO DAIRE" aludi ao tabelião Inocêncio Teixeira do Amaral, em cujo escritório, em 1863, foi feita a escritura de compra das três casas contíguas ao adro da Igreja pertencentes a António José Monteiro Lemos,  José o Ferreira Simões e João da Cunha,  para se arranjar espaço suficiente com vista à construção do Hospital da Misericórdia. O negócio, devidamente autorizado pelo Rei, foi feito tendo  o primeiro morador recebido 72$00, o segundo 60$000 e o terceiro 55$000. Refiro isto tudo, circunstanciadamente, no meu livro «Misericórdia de Castro Daire» , editado em 2000, nas páginas 38-39.


PRIMEIRO

Tal como se vê em livros, roteiros e folhetos turísticos sobre a história de Castro Daire tem-se considerado pelourinho municipal  o  cruzeiro de calvário que se encontra no Bairro do Castelo, aquele que, em data não apurada rigorosamente por mim (mas que presumo ter sido na década 50 do século XX, baseado em informações idóneas e na minha própria memória que me lembro tê-lo visto lá, numa das minhas deslocações à vila, com os meus 12 ou 13 anos de idade) foi deslocado para ali do sítio onde originariamente se encontrava, que era no «cimo de vila» entre as capelas de São Sebastião e da Senhora da Lapa, ambas vizinhas do solar brasonado dos Mendonças. 

TUDO O QUE VEM À REDE É PEIXE

Há anos que cirando por trilhos e veredas serranas, que visito aldeias e povoados, falando com toda a gente à procura de documentos orais  e escritos, papéis velhos, manuscritos ou impressos. E foi nessa minha romagem pelo concelho que, em 1995, me chegou às mãos um maço de folhas, formato 34x22,5 cm, nas quais, de alto a baixo, estão manuscritas, em duas colunas, umas tantas décimas populares, isto é, composições poéticas constituídas por um mote (quatro versos) glosado em estâncias de dez versos, rematando cada uma delas com um verso do mote. Composições ainda muito em uso nos meios populares alentejanos (procedi a alguma recolha delas quando estive em Castro Verde) mas não tanto por estas bandas do Montemuro. As últimas que conheci por cá, e delas já fiz uso algures nos meus escritos, são atribuídas ao Mestre Zé Aveleira, (de Cetos) já falecido há muito.

O QUE SOMOS

Ainda pequenino -  quanto tempo já la vai? - agarrado à mão do meu pai, com toda a vida pela frente (que longe estava a velhice! )  era isto que eu ouvia - que chatice, que ameaça feia - na proclamada homilia do cura da minha aldeia, ou na boca do pregador encomendado em dia de sermão e missa cantada, num domingo ou num feriado.


 PELA RUA ABAIXO, 2

Junto ao quelho e estrada, a casa de duas irmãs padeiras. Uma ficou para tia solteira e outra foi a mãe do Padre António Silva, que, inteligente, a deixou, depois, às suas criadas.

PELA RUA ABAIXO, 1

Nascido em  10 de Março de 1907CARLOS EMÍLIO MENDONÇA OLIVA, um dos herdeiros do solar brasonado do cimo de vila, frente à capela de São Sebastião, emigrou para o Brasil com 19 anos de idade. Na década de sessenta do século XX, depois ter visitado pela última vez a terra natal, escreveu um conjunto de QUADRAS nas quais deposita relevante informação histórica sobre CASTRO DAIRE, o seu concelho de origem, poesia sobre a qual tenho vindo a discorrer nestas minhas crónicas. Esta é a nona, uma espécie de decalque do trabalho que me chegou às mãos através do Dr. Jorge Ferreira Pinto, seguro de que eu não deixaria de reflectir sobre  as informações escritas e legadas.

BANDA FILARMÓNICA

Em 2005, no meu livro «CASTRO DAIRE, OS NOSSOS BOMBEIROS, A NOSSA MÚSICA» deixei a «HISTÓRIA da BANDA DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS» nas suas raízes designada por "ORQUESTRA",  «BANDA FILARMÓNICA» e «FILARMÓNICA CASTRENSE». Desse livro são as 4 fotos que ilustram esta crónica, com destaque para a de 1957, a preto e branco, pelas razões que mais adiante se entenderão.

O CRUZEIRO

«Trin...trim...trim...» é o telemóvel que toca. Atendo e tenho do outro lado a voz do Dr. Jorge Ferreira Pinto a comunicar-me que já tem mais "versalhada"  do autor anónimo, proveniente dos familiares de Lisboa. Autor  a cuja identificação eu cheguei através do verso em que ele se refere à doação do Jardim das Camélias, em Folgosa, por escritura pública. Lembra-se, amigo leitor? É ele CARLOS EMÍDIO DE MENDONÇA OLIVA.

PELOURINHO

Uma informação preciosa que se encontra na obra de CARLOS MENDONÇA é a que dá corpo à QUADRA que se refere ao CRUZEIRO que existia no cimo de vila, vizinho do SOLAR BRASONADO que o viu nascer, ali mesmo ao pé da capela de São Sebastião, atualmente levantado do LARGO DO CASTELO conhecido pelo pomposo, mas errado, nome de PELOURINHO. 

«DOIDA NÃO E NÃO»

Quando me dispus a discorrer sobre o texto que me chegou recentemente às mãos entregue pelo Dr. Jorge Ferreira Pinto, disse, logo a começar, que não se tratava de "uma peça literária, do ponto de vista da forma e da métrica" mas, sim um texto onde o nosso concelho nos aparece em "verso humilde celebrado", no qual se regista para a posteridade "informação histórica, geográfica, costumes e até, aqui e além, traços de caracter de alguma gente", aspetos sobre os quais incidiu e se inclinou a lupa o observadora de CARLOS MENDONÇA.

O VELHO CAMINH0 DA SOBREIRA

Nesta minha saga de INTERPRETAR e divulgar o «hino» escrito e cantado por CARLOS MENDONÇA, um dos herdeiros do «brasonado solar» do cimo de vila, onde atualmente funciona o «CENTRO DE INTERPRETAÇÃO DO MONTEMURO E PAIVA» (como já vimos), aquele cidadão que, cirandando pelo concelho, disse ter unicamente a sua «sombra como pagem», hesito em afirmar se eu tomei o lugar da sombra desse cavaleiro andante ou se foi ele que assumiu o papel de SANCHO  PANÇA e se tornou o «pagem» deste D. QUIXOTE, deste «cavaleiro de triste figura» que ainda não desistiu de levar longe o nome de CASTRO DAIRE (através de textos e imagens) mesmo que, aparentemente, isso pareça uma luta «contra moinhos de vento» e, como tal, garantida esteja a batalha perdida. Ou talvez não!

SÃO BENEDITO

No hino, escrito em quadras (provavelmente nos anos sessenta do século XX) que CARLOS MENDONÇA cantou sobre "CASTRO DAIRE" (este é o título que ele deu à sua composição dividida em 13 CANTOS"), vem em primeiro lugar a "magnífica Igreja Matriz, sumptuosa, bela como uma Catedral", com enfoque no seu interior, assim:

 POESIA E HISTÓRIA 

Identificado o autor do texto anónimo que, através do Dr. Jorge Ferreira Pinto, me chegou às mãos dactilografado, autor de seu nome completo  CARLOS EMÍDIO DE MENDONÇA OLIVA, necessário se impõe que diga algo mais sobre tão «ilustre cavaleiro andante» pela vila e pelas aldeias do concelho. Trata-se, tal como já publiquei no meu site trilhos serranos (versão ".com" e versão «.pt» ) do filho mais novo de ANIBAL CORREIA DE MENDONÇA (06.11.1867 a 14.09.1928) e de DONA MARIA CELESTINA DE FRIAS OLIVA (21.01.1878 - ?) que, tal como os irmãos mais velhos, emigrou para o Brasil, onde residia, à data da escritura de doação, do Jardim das Camélias, em Folgosa,   como vimos. 

POESIA E HISTÓRIA

Há dias, passando eu junto do coreto, alguém, lá do fundo, chamou por mim. Era o senhor General José Agostinho Melo Ferreira Pinto, irmão do  Dr. Jorge Melo Ferreira Pinto.  A finalidade do chamamento era felicitar-me pela autoria do livro «O HOMEM DA NAVE, DEVOTO DE DIANA», que o seu irmão, médico,  lhe oferecera pelos seus anos». 

CUJÓ E AFONSO HENRIQUES

Nós, nascidos e criados em Cujó, desde cedo aprendemos que o MANCÃO fica lá em cima, no alto, naquele outeiro, onde se cruzam o caminho que de Cujó leva às Monteiras (atualmente uma estrada asfaltada) e o velho caminho de terra batida que, de Farejinhas, passando pelo Chão do Irão acima, leva a Várzea da Serra e a Lamego.


1 - ESTACIONANDO

 Prometi voltar a esta página com uma «crónica devidamente ilustrada com fotografias» e, com ela,  dar por finda esta ROMAGEM A COMPOSTELA, começada no p.p. mês de maio epenosamente prolongada até este final de outubro. Parafraseando Aquilino Ribeiro, direi que, «esgotado o bornal e esvaziada a cabacinha, vergado sobre o bordão» prometi e cumpri, tal como fez  o senhor Vereador do Pelouro do Trânsito do Município de Castro Daire, Leonel Marques Ferreira, face ao problema que lhe coloquei sobre a falta de um espaço na vila de Castro Daire para estacionamento de motociclos.   

Com efeito, no seguimento do e-mail que me remeteu em 11-08-2016, a dar-me conhecimento de que «em reunião ordinária» desse dia o Executivo Municipal tinha deliberado criar um espaço destinado ao estacionamento para motociclos, ele, no dia 16/08/2016 17:47, remeteu-me novo e-mail informando-me da localização do espaço que foi escolhido pela  sua  «centralidade e fácil acesso». Assim:


QUANDO A GRATIDÃO TEM CONTEÚDO

Lourenço Marques. Era Dezembro de 1973. Eu tinha ido ao cinema com a minha mulher, Mafalda, e ao regressarmos a casa tropeçamos num embrulho colocado na soleira da porta. Estranhámos o facto, mas vimos imediatamente que entre os liços que apertavam o volume estava um «cartão de visita» de pessoa amiga. Lemos o «cartão», cujo «fac-simile» e conteúdo aqui reproduzo:

FONTE DOS PEIXES - MONOGRAMA

Pare, olhe e veja.


Neste minha saga de «mostrar» Castro Daire ao mundo, na  condição de munícipe assumido que se preza da sua terra,  seja através do meu site «trilhos-serranos», seja no Youtube e aqui mesmo no Facebook,  sem subsídios nem avenças municipais, nem ensejos de pendurar uma medalha de mérito  ao peito, cerimónia tão vulgar e corriqueira hoje em dia, por estas bandas (o que, aliás só reforça a minha independência face aos poderes instituídos, a quem jamais verguei a cerviz) prossigo hoje com alguns conjuntos de fotos relativas ao passado histórico da nossa vila, certo de que a generalidade dos castrenses jamais parou, olhou e viu o que está à frente dos olhos de toda a gente.

PEDRAS QUE FALAM

Nas minhas deambulações feitas, durante anos, pelas ruas, ruelas, quelhos e becos da vila de Castro Daire, mirando, fotografando e filmando janelas, portas e paredes (incluindo muros de socalco), dialogando com as pedras que me falam do nosso passado histórico (mais do que muitas pessoas que se julgam muito sabedoras) aquelas pedras que, depois de eu muito insistir, me confirmaram ser verosímil a tradição registada em 1666 no Hagiológio Lusitano, de António Cardoso, a tradição que dizia ter D. Dinis autorizado a construção da igreja com as pedras do velho "crasto", (não confundir aqui "crasto" com "castelo"), assunto que já tratei amplamente no "Notícias de Castro Daire" e no meu site "trilhos-serranos" versão ".com", em crónicas com o título "Castro Daire, teve ou não teve castelo?", trago hoje, à vista do leitor amigo que se interessa pela HISTÓRIA LOCAL, algumas DATAS que fui encontrando dispersas por torças de portas, janelas e muros de socalco.


NA CORDA BAMBA

1 - A SENTENÇA 

 Com a expressão palavra lavrada na escritura notarial que fui desenterrar dos meus arquivos, físicos e mentais, terminei a crónica anterior. Vamos, pois, continuar a lavrar o passado,  lembrando que, muito antes de digitalizar e comentar esse documento, já eu tinha deixado nesta minha página (trilhos-serranos) vários aspetos do processo histórico «COLONIZAÇÃO/DESCOLONIZAÇÃO»,  essa CORDA BAMBA onde tanta gente esperançosa de melhor vida se viu a balouçar, seja nos tempos da formação do Império, seja nos tempos da sua queda. Nos tempos da conquista do território e no tempo da sua perda. E mal me ficaria omitir nesta minha lavra, os registos que a mim dizem respeito, uma página de vida pessoal, de sonho, de realização e de desgosto, na sequência da escritura manuscrita em que fui interveniente voluntário. Em que eu e a minha mulher, portanto, sujeitos e objectos, nos confessamos:


NA CORDA  BAMBA 

Volvidos que somos à cerimónia a decorrer na sede do Montepio, em Lourenço Marques, no longínquo ano de 1975, vemos e ouvimos que o notário, sempre na mesma toada,  circunspecto e solene, mostrava quanto valia como peça que era indispensável à máquina político-administrativa e judicial num Estado que tinha a sua segurança no pilar da burocracia e os seus agentes, com porta aberta nas Repartições de Finanças, Bairros Fiscais, Esquadras de Polícia,  Tribunais, Cadeias, Julgados de Comarca etc. etc. Num Estado que usava todos os Códigos do Direito Civil, Penal, Administrativo, todos os artigos, parágrafos únicos e vírgulas que lhe davam corpo para defesa e salvaguarda dos seus interesses institucionais, mas, como se verá, omissos ficaram na escritura manuscrita em defesa dos interesses dos cidadãos que a esse Direito se submetiam, cidadãos que, de um dia para o outro, contrariamente à sua vontade, se poderiam ver, como viram, a balouçar na corda bamba das políticas e decisões desse mesmo Estado pela voz dos seus representantes maiores. Foi o caso da DESCOLONIZAÇÃO, processo a que não puderam escapar milhares de cidadãos que, sem serem ouvidos nem achados, foram impelidos a embarcar nela, a aceitá-la, sem apelo nem agravo. Continuemos, pois, a ouvir o notário:


NA CORDA BAMBA 

Costa oriental de África. Janeiro de 1975. Era um daqueles dias abafadiços e quentes que caíam naturalmente sobre a cidade de Lourenço Marques, cidade que pouca gente sonharia vê-la batizada em breve com nome de Maputo. 



MORGADO DE SANTO ANTÓNIO

Já vimos na «Escriptura de Esponsais e Dote para Casamento» de  D. Maria Amália Benedita das Neves, concelho de Sanfins, com António de Freitas Pinto e Sousa que este noivo, da sua parte, entrou no dote com o «vínculo e morgado de Santo Antonio, instituído na villa de Crasto de Ayre de que elle he administrador».

Já historiei, em livro próprio,  o «VÍNCULO E MORGADO SANTO ANTÓNIO» cuja posse e administração não foram pacíficas no seu percurso histórico, apesar do seu instituidor ter deixado bem clara a «ordem sucessória» do legítimo administrador e herdeiro.

Todavia os meus amigos, amantes da HISTÓRIA, não ficarão a perder nada se eu aqui repuser o essencial dessa instituição, essa e todas as que viriam a cair na alçada das leis reformadoras do liberalismo pela pena de Mouzinho da Silveira. Ele, Mouzinho, saberia bem porquê. Vamos a isso.

 

ESCRIPTURA DE ESPONSAIS DE DOTE PARA CASAMENTO

Ela, de Iphone na mão, último modelo tecnológico de comunicação à distância sem fios, olhos fixos nos algarismos digitais visíveis no écran, polegar delicadamente curvado em V, «plen...plen...plen...» dedilha o número que pretende contactar. Os telefones de manivela e de disco com números rodados à força do dedo, são peças de museu.

Um velho amigo do meu pai, JOSÉ AUGUSTO DA SILVA FREITAS, natural de Vila Seca, antigo funcionário na Câmara Municipal de Castro Daire, meu amigo se tornou quando associou o nome do autor das crónicas publicadas no "NOTÍCIAS DE CASTRO DAIRE" àquele seu amigo de Cujó, SALVADOR DE CARVALHO.

Residindo em Coimbra, todas as vezes que, em férias ou afazeres vários, vinha à sua terra natal, tinha a gentileza de me procurar a fim trocarmos conhecimentos sobre a HISTÓRIA LOCAL. 

 Não nos vendo há bastante tempo, no pretérito dia 05 telefonei-lhe para Coimbra, a saber dele. Foi a primeira vez que nos ouvimos pelo telefone. Atendeu-me um ancião de 91 anos de idade e, dadas as boas noites, fiquei surpreendido pelo facto de ele, em menos de nada, identificar a minha pessoa. Face ao espanto que revelei, ele retorquiu: «então não sabe que eu tenho ouvido de músico? Assim tivesse ainda a vista que, infelizmente, já não tenho». Lamentei.

 

Aos 77 anos de vida sei haver muitas pessoas que nunca se interrogaram a si próprias sobre a sua forma  de pensar e a agir, o porquê de serem como são e se podiam ser pessoas diferentes. Nunca é, pois, demais tomar o lugar do arqueólogo, reticular o campo arqueológico das mentalidades, descobrir e refletir sobre os moldes encontrados que resistiram à erosão do tempo e trazer à superfície do quotidiano por nós vivido, os artefactos que nos informam do passado e nos ajudam a entender quem somos e de onde viemos. Quem foram os oleiros que aqueceram o formo, quais os que moldavam o barro e que beneficiavam com a obra produzida.  Alguns dos artefactos encontrados, nesse  campo arqueológico; são bem os escopros que ainda hoje, tempo da Internet, twiter e Facebook, riscam o pensar e agir de tanta gente adulta, culta e inculta. Não é, pois, demais insistir nesta matéria, acompanhados pela pena tabeliónica de profissionais encartados, com formação universitária e ao serviço de El' Rei.

TESTAMENTO DE JOÃO PEREIRA DE MORAIS 

Deixemos as terras quentes do Alentejo, onde andámos na companhia do tabelião JOÃO ANTÓNIO FIGUEIRA,  concelho de CASTRO VERDE e subimos às terras frias do norte, concelho de CASTRO DAIRE, mais propriamente à aldeia de CUJÓ a fim de revermos o testamento de JOÃO PEREIRA DE MORAIS, que já publiquei, há anos, no meu site trilhos serranos,  mas que vem a talhe de foice repescá-lo para aqui na sequência dos registos que tenho vindo a fazer, visando fazer luz sobre assuntos que sei, sem dúvida alguma, serem, para muita gente, matéria tão escura quanto eram as noites nas aldeias portuguesas na época em que foram lavrados. Assim:

SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL

Hoje tão falada e analisada por intelectuais, políticos, sociólogos e tantos mais, não resisto a transcrever para aqui em texto plantado no jornal "A União" que se publicava em Castro Daire, em 1912. Isto a propósito de um empreendimento que o autor propunha para as Termas do Carvalhal. Assinando somente com as iniciais "J.S." eis o seu ponto de vista, mais amplamente desenvolvido no meu site actual. Ora vejam:

 

Mas José Francisco Lampreia não legou aos seus familiares apenas este documento. A República tinha 4 anos de idade e o lavrador, solteiro, presumo que jovem, precavia-se com documentos em defesa dos teres e haveres herdados. Ele sabia que, na Revolução de 1820, os ventos da História tinham desapossado os donos de muitas das suas propriedades e foros, alguns dos quais lhe vieram à herança graças a Cesário Francisco Lampreia de Brito que alguns adquiriu em «hasta pública», na qualidade de  «BENS NACIONAIS» postos à venda nas listas para o efeito elaboradas e publicadas nos termos da lei. Assim o dizem as três «cartas régias» assinadas por D. Carlos.

 O companhêro e companhêra ainda tém fôlego para prosseguirmos, ou já sufocaram? Respirem fundo. Nã há pressa nenhuma. Lembrem-se que estamos no Alentejo, em São Marcos de Ataboêra, concelho de Castro Verde e decorre o ano de 1867. E, por aqui, nã ter pressa é uma atitude inteligente e nã um sintoma de preguiça. Lêmbrem-se que, nos meados do século XIX,  nã há telenovelas, Internet, Facebook, telemóveis e e toda a «manicaria»  diabólica que conhecemos em 2016. Lêmbrem-se de que estamos na companhia do tabelião João António Figuêra, bota canelêra,  pêna de pato na mão, e da menina Perpetua Joaquina Carlado, grande saia rodada, apertada na cintura,  com o testamento quase lavrado.


Uma brisa daquelas que tão meigamente acaricia o rosto de quem atravessa searas e montados alentejanos (oh! como me lembro disso, quando por ali andava à caça ou em passeio com a família!) trouxe até às narinas do tabelião o cheiro identificador de uma numerosa vara de «patas pretas» «ron...ron...ron...» cada porco, de per si,  a encher a morca de bolotas que, prodigamente, sobreiros e azinheiras atiravam à terra  impelidos por aquela ciência natural e oculta de se verem reproduzidos em redor, ao mesmo tempo que aliviavam o peso da frondosa copa.

 

Decorre o mês de março de 1867. É o dia oito. Ele amanheceu limpo e luminoso, permitindo à vista humana, num raio de 50 quilómetros, lobrigar, a olho nu, todos os povos e montes que pintalgam de branco a paisagem alentejana. É só subir ao outeiro mais alto.

Montado no seu cavalo, um árabe de pura raça, ajaezado de acordo com o estatuto social e profissional que possuía, o Escrivão do Juízo Ordinário e Tabelião de Notas no Julgado de Castro Verde, João António Figueira, saiu cedo de casa e dirige-se à aldeia de São Marcos de Ataboeira, respondendo ao chamado de Perpetua Joaquina Carlado, a fim de escrever o seu testamento. Avisado de véspera o criado preparou a montada a tempo e mal o dono meteu a biqueira da bota caneleira no estribo, foi num ai que se viu sentado sobre a sela, mãos firmes a segurar a rédea e..."vamos lá, ó compadre, que se faz tarde!"

Veja só, passados todos estes anos (estamos em 2016 e pergunto, há quanto tempo não nos vemos?) cá estou eu a dirigir-me a si em "carta aberta" publicada nesta minha página que, há tantos anos , mantenho aberta na web.

Por quê só agora? Eu lhe explico: não é  para dirimir-me do pecado de nunca lhe ter agradecido a amável e inteligente dedicatória que lavrou na testada do livro que teve a gentileza de me oferecer, mas para agradecer-lhe, isso sim, algumas informações históricas que nesse livro deixou sobre o concelho que administrou durante vários mandatos que exerceu como Presidente da Câmara.

 

O Executivo Municipal, por proposta fundamentada do senhor Vereador do Pelouro do Trânsito, LEONEL MARQUES FERREIRA, na sua reunião ordinária do dia 11-08-2016, deliberou criar um espaço destinado ao estacionamento de «ciclomotores, motociclos e velocípedes» num local privilegiado pela «centralidade e fácil acesso». Cito:



Para poupar os meus neurónios fui ao GOOGLE e eis o que copiei sobre FRUSTRAÇÃO E FRUSTRADOS. Tudo a propósito de todos os fabianos que anonimamente, sem nome nem rosto (ou mesmo com nome e rosto) se acomodam, anos seguidos, nas ESQUINAS da vila de Castro Daire a lamuriarem-se contra a gestão municipal. Não perco o meu tempo a ler tais lamúrias, ainda que pessoa amiga me diga que algumas dessas lamúrias estão cheias de conteúdo e de oportunidade. E não leio, porque me recuso a "gastar fósforo" inutilmente. A minha bitola crítica, com nome e rosto públicos, visa resultados públicos de interesse colectivo (veja-se o caso do parqueamento para MOTAS deliberado recentemente pelo Executivo Municipal, ao lado das QUATRO ESQUINAS) e renega a projecção pura e simples de "egos" frustrados e frustrantes, por inúteis que eles são. É que a CIDADANIA exige nome e rosto, exige credibilidade, exige comportamentos que conjuguem LIBERDADE/RESPONSABILIDADE cívicas. Tão só. Mas, vamos ao GOOGLE:


I - RODANDO

 1 -  Decorre o mês de agosto. E, como bem se lembram aqueles que me seguem nesta minha página, no dia 24 de maio p.p., (repito, maio p.p. ) após o pagamento de uma multa de  €60 euros no Posto da GNR local, por alegadamente ter a mota de que sou proprietário «estacionada na praça de táxis», redigi e dirigi, devidamente ilustrada com fotografias,  uma exposição de protesto ao Exmo. Senhor Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana, em Lisboa, via e-mail, texto que, igualmente, e pela mesma via, remeti, de imediato, ao Exmo. Vereador do Pelouro do Trânsito do Município, senhoLeonel Marques Ferreira.

 

O FACEBOOK É UMA LIÇÃO


Nesta minha avidez de conhecer e divulgar o mundo, não só apoiado em matéria de "fastigímia" humana, mas também dos actos menos "faustos" para a generalidade das pessoas, não resisto a contar aqui alguns que não o sendo para o comum dos mortais, "faustos" foram para os protagonistas intervenientes nas narrativas que relatam.


Com o título em epígrafe, assinado pelo Dr. JOAQUIM DUARTE, cidadão que não tenho o prazer de conhecer (ou se conheço, não estou, de momento, a associar o nome à pessoa) foi publicado no último número do "Notícias de Castro Daire", de 10 de julho do corrente ano, um pequeno-grande e honesto "comentário" alusivo ao que se vai passando no nosso concelho, terras e gentes.

A MÍSTICA DO FUTEBOL E DOS NÚMEROS

No meu livro "Mosteiro da Ermida" publicado em 2001, acerca das misteriosas SIGLAS inscritas nas pedras daquela igreja, concelho de Castro Daire, discorri sobre o significado aquela que aparentemente, tem a forma de um 9.

Creio não ser despropósito revisitar esse texto, pois nele podemos encontrar alguma explicação para ser o EDER a arrumar, de vez, a "mala-pata" que os portugueses tinham com os franceses no domínio do futebol. Ora vejam o que escrevi nesse livro:

O FACEBOOK É UMA LIÇÃO - PISCA-PISCA

Quando me criei, em Cujó, não havia energia elétrica. Mal caía a noite, fosse em trabalho ou fosse para divertimento num qualquer serão, todos nós, os habitantes, novos e velhos, rompíamos os tamancos a dar pontapés no escuro. Não sei se devo a essa realidade o facto de, ainda hoje, ter horror ao ESCURO. Só me sinto bem em lugares bem iluminados e, de certo modo, acompanhado de pessoas que resplandeçam alguma luz.

 

O texto que deixei nesta página relativo à multa de €60 euros que tive de pagar recentemente por presumivelmente ter infringido  o« artº tal e tantos» do Código da Estrada, levou a que me aconselhassem a recorrer para a Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), conselhos que me recusei a satisfazer por dever de princípio que, qual «chip» de identificação, me foi introduzido sob a pele e faz parte da minha personalidade e do meu carácter.

 

A LOUCURA

Não sabeis, mas neste ano de 2016, em hora e dia não fixado, entrou na órbita terrestre uma sonda vinda de planeta não identificado, perdido no espaço sideral. Repercutidos de onda em onda, de estrela em estrela, de planeta em planeta, cometa em cometa, todos os meteoritos que vagueiam  sem destino no espaço infinito, a cada um deles chegaram marcantes e sonoros sinais. E apesar da lonjura, os cientistas siderais intrigados, usando ciência certa, física e matemática ignoradas por nós, construíram uma sonda, enviaram-na em direção à Terra e, terminada a viagem, ali anda ela em missão de espionagem.

 

DESABAFO

Solitário, sentado à mesa, espero a refeição da noite. Cumpro a obrigação de me alimentar, para manter a carcaça viva, andante e pensante.

Ali ao lado, meia dúzia de amigos, bebericando o seu copo de vinho, picando a moela com o palito, falam alto, discutem, bebem, copo sucede a copo e, em cada gargalhada avinhada, eu confirmo a felicidade rural que via nos homens dos meus tempos de criança, encostados aos balcões das tavernas, tampos salpicados de rodas vermelhas, desenhadas pelos copos virados ao contrário, código que o taberneiro entendia como "encher de novo", pois a rodada continuava.

Solitário, neste meu comportamento urbano (digamos que quase bisonho) atento a todos àqueles jeitos e trejeitos, neste minha posição de espectador, das coisas, dos tempos e das gentes, vejo-os virados de costas para a TV, alheios totalmente ao noticiário, às informações, às intervenções inflamadas dos políticos, uns a contradizerem outros, a propagandearem as formas diferentes de resolverem a crise, o desemprego e a fome já entrada em alguns lares do país.

QUIJÓ - 1946

Há dias, através de um manuscrito relacionado com foros,  fiz eco público do modo como se escrevia e dizia na minha juventude o nome da minha terra natal: QUIJÓ=CUJÓ.



ERÓTICO ROMÂNICO

Como já deixei anunciado nesta página, na crónica anterior  (ERMIDA DO PAIVA VIII), fui convidado pela Divisão do Turismo do Município de Castro Daire  para ir dizer umas palavrinhas sobre a ERMIDA DO PAIVA relacionadas com a comemoração do dia  «Internacional de Monumentos e Sítios».

 

SÍMBOLOS DE JUSTIÇA E MUNICIPALIDADE

Estes dois pelourinhos aparecem referidos por aí em tudo quanto é livro, folheto ou roteiro turístico ligados ao concelho de Castro Daire. Ambos classificados como «monumentos nacionais» por decreto nº 23.122 de 11-10-1933, o de Castro Daire é localizado «no Bairro do Castelo» e o segundo, em «fragmentos» localizado em Alva.

Há muito que, sem avença ou remunerações municipais,  ando na pista destes «monumentos nacionais», suspeitando das afirmações feitas e divulgadas por pessoas de respeito e por mim são consideradas sérias. O monumento situado no «Bairro do Castelo» não apresenta configuração e estrutura de «pelourinho», mas, tão só, de um simples cruzeiro que, «erradamente», alguém de boa fé e pouco prevenido, promoveu ao símbolo da justiça e municipalidade. Se todos os concelhos tinham um, Castro Daire, também deveria ter. Eu próprio, mal chegado a Castro Daire, fazendo fé nos investigadores que me precederam, cheguei a fazer eco dessa «classificação» numa crónica que escrevi no Boletim Municipal.

As leituras, pesquisas e investigações posteriores, porém, não tardaram a levantar as suspeitas de que algo estava errado, tanto no que dizia respeito ao «pelourinho de Castro Daire», como ao «pelourinho de Alva». 

SETENTA E SETE = 77

Tantos anos! Tantos quilómetros de «blá...blá...blá...», em prosa e versos dispersos pelos jornais e pelos  livros...eu pouco atreito a comemorar aniversários (tão pouco lembrá-los)  era o que faltava passar esta capicua em silêncio - 77 - quem é que a repete?-  correndo, embora, o risco de alguns "amigos" me acusarem de já pender para o   gá...gá... apetece-me discorrer sobre o significado que os entendidos na matéria atribuem ao número SETE.

 

ARTESÃO DAS LETRAS

Como bem me lembro daquela expressão de Ramalho Ortigão que deu título à lição "Mãos que prestam, mãos que não prestam". Iniciava eu os meus estudos de liceu.  E essa lição fez-me remontar aos tempos de menino e ver a minha mãe a fiar, a transformar a rocada de lã ou  de linho em fio, à custa de muita saliva, à de força saber e jeito a rodar o fuso entre os dedos, aquele objeto oblongo, para mim um pião suspenso por um fio a rodar, sempre a rodar, cada vez mais barrigudo, mais atraente, graças ao jeito, torce que torce, dos dedos médio e polegar. 

«ERMIDA E BUGALHÃO - UM PATRIMÓNIO A EXPLORAR»

1 - Recentemente fui contactado pessoalmente  pela Drª Cristina Gomes e pelo  Dr. Daniel Albuquerque, ambos a trabalharem no sector do Turismo, na Câmara Municipal de Castro Daire,  no sentido de eu dar a minha colaboração  na tarefa que agendaram para o dia 18 do corrente mês,  relacionada com o âmbito das «Comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios».

 RABAÇOSA, TURISMO RURAL

RABAÇOSA. Rio Paiva. Mões. Castro Daire. É isso mesmo. Ali, na antiga quinta da Rabaçosa, que dorme aconchegada ao rio Paiva, está prestes a abrir portas um empreendimento virado para o turismo rural, o turismo ecológico, o turismo histórico e cultural.

 

«AS FRAGILIDADES DO NÓ CEGO» -  um livro do Padre Costa Pinto

26-02-2013 16:42:36

Em 1996, estava eu e mais a família de férias no Parque de Campismo da Penha, arredores de Guimarães, acabava de sair do teleférico que liga a cidade ao Santuário, aquela descida e subida acentuadas, quando soube, por telefone e pela boca da minha esposa, que o meu pai tinha falecido.

 

 

Pombal-1OPERAÇÃO MARQUÊS

Tenho vindo a postar alguns textos com o título em epígrafe. Estou seguro de que nem todos os amigos tem feito as devidas e necessárias correlações políticas, económicas e culturais que subjazem à sua escolha. Entendi, por isso, aditar algumas linhas, bem a propósito da ONDA AMARELA que atravessa o país sobre EDUCAÇÃO.
É sabido que o MARQUÊS DE POMBAL,  empenhado em arejar a Universidade de Coimbra, procedeu à REFORMA DO ENSINO, valorizando as ciências exactas em detrimento da TEOLOGIA, CÂNONES E LEIS. Mas eis que, D. Maria, aconselhada pelos defensores da "velha ordem",  imprimiu a VIRADEIRA e...era uma vez uma REFORMA.

 

EPITAPHIUM VITAE

A expressão latina "pedibus calcantibus"  foi usada frequentemente por Aquilino Ribeiro nas suas obras com o fim de mostrar ao leitor a forma e a dificuldade do caminheiro serrano romper as distâncias através de trilhos, carreiros e atalhos até chegar aos destinos visados: uma romaria, uma feira, uma aldeia, uma vila, um negócio inadiável.

 

UTOPIA

Ontem, com o título em epígrafe, recebi surpreendentemente do meu ex-professor e Mestre Dr. Francisco Cristóvão Ricardo, o texto que se segue:

 

ERÓTICO NA ARTE ROMÂNICA

Quando, em 24 de Abril último, publiquei a crónica sobre a ERMIDA DO PAIVA VI,  ilustrada com uma fotografia mostrando o seu enquadramento paisagístico, aludindo a Pinheiro e Vila Seca lá ao fundo, dado tratar-se de uma vista EXTERIOR, um "amigo", à laia de "comentário", adicionou-lhe uma foto com uma vista do INTERIOR, mas sem qualquer legenda que elucidasse de que imagem se tratava e de quando era datada, mesmo que se inferisse, facilmente, tratar-se do mesmo tempo visto por dentro.

AS CRENÇAS

Referindo-me à "MEDICINA CIENTÍFICA" e "VETERINÁRIA"  aplicadas em Cujó, numa relação estreita entre "terra, homens e animais", naqueles tempos situados no meio do SÉCULO XX,  divaguei para outras aldeias e afirmei que as pessoas, para sobreviverem nestes meios adversos de clima e riqueza/pobreza, se especializavam em certos ramos de saber e daí o surgimento dos "endireitas", das "benzedeiras", das mulheres "bentas", das "bruxas" e dos "entendidos" nisto ou naquilo, prontos a porem o seu saber à disposição de quem os procurasse. Subjazia ali um sentimento de pertença à mesma tribo, da mesma família, o espírito de entreajuda, a pontos de se tratarem todos por "tios" ou "tias" mesmo sabendo que o seu ramo familiar direto era outro. 

 

VETERINÁRIA

Não se pense que o nosso "veterinário doméstico", ( o senhor Esteves, se a memória me não atraiçoa)  como referi no apontamento anterior, tratava os animais às cegas.

 

 VETERINÁRIO CASEIRO

Falei no papel desempenhado pelo meu pai Salvador de Carvalho no que respeita aos primeiros socorros disponíveis em Cujó, nos meados do século XX.

 

CUJÓ 

Paralelamente à prática de rezas, atalhes e benzeduras, conhecimento e uso de plantas em chás e curativos de superfície, em simultâneo com outros recursos pouco ortodoxos no âmbito da saúde, a população de Cujó passou a ter à sua disposição, sobretudo a partir da década de trinta, com caracter permanente, os instrumentos da medicina curativa científica, ao nível dos primeiros socorros, na casa e na pessoa de Salvador de Carvalho, regressado da vida militar, em 1927.

 

DA FÁBULA À HISTÓRIA


Há embustes, alguns dos quais com eco na RTP, que me causam uma incomodativa urticária. Sobre um deles já escrevi extenso texto publicado, há uns anos, no meu velho site «www.trilhos-serranos.com» e refere-se ao Programa da RTP2, feito em Castro Daire por José Hermano Saraiva. É só ir ler. Mas recordo aqui e agora que, estando ele junto a uma árvore - a Carvalha do Presépio - que não tinha mais de 10 anos de vida, dirigiu-se ao telespectador e disse: «estou aqui, junto de um monumento que tem cerca de mil anos de idade». Ignorava que árvore a que aludia tinha caído com um vendaval em 1987 e no seu lugar tinha-se plantado outra, que era aquela a televisão mostrava.

PARA CÁ DO MARÃO...MANDAM OS QUE CÁ ESTÃO »

Independentemente das reflexões que outros autores tenham feito sobre tão carismática e badalada expressão - «para cá do Marão, mandam os que cá estão» -  entendemos ser oportuno discorrer sobre ela no livro cujo protagonista nasceu no concelho de Santa Marta de Penaguião. E não cometeremos nenhum erro de lesa-pátria, se dissermos que foi nesse reduto geográfico, como vermos já a seguir,  que ela teve a sua origem.

CUJÓ - A ORIGEM DOS «FRANCESES» - 2

No artigo anterior, no sentido de lançar alguma luz histórica (não estórica) sobre a provável ascendências dos moradores de Cujó conhecidos pela alcunha de «franceses», citando G. da Costa, disse que, no último quartel do século XVIII, mais precisamente em Abril de 1774, «faleceu em Cujó Manuel Monteiro de Carvalho, sepultado na capela local e que seu contemopâneo, na paróquia,  era o «cirurgião licenciado António Pereira de Morais, casado com Ana Morais, de Cujó, que ainda vivia em 1785 e baptizou um neto em 1789».

 

CUJÓ - A ORIGEM DOS «FRANCESES» - 1

O historiador quando escalpeliza os testamentos não o faz conduzido pela mão da necrodulia, mas antes ciente de que é através deles que mais seguramente penetra nas profundezas da mente humana, no pensamento escatológico de uma época, do pensar, sentir e agir dos testadores que, às portas da morte, procuram dar sossego às suas almas e comprar o céu espiritual do outro mundo a troco dos bens materiais de que se gozaram neste e não podem levar consigo. Tudo através dos testamenteiros, advogados e tabeliães.

 

 

PEDAGOGIA

De há uns anos a esta parte, tornou-se moda, em Portugal, mergulhar na Idade Média em diversas localidades do país com a realização das já famigeradas  "Feiras Medievais", atempadamente divulgadas, quer através de cartazes e rádios locais,  quer através de órgãos de comunicação social de mais ampla difusão. 

Há muitos anos, estava tal moda somente no seu estado embrionário, corri à cidade de Viseu, ao Largo da Sé, onde tinha lugar um desses eventos.

Passei-me por ali com muito gosto, apesar de fazer isso mais numa postura de aprendizagem do que numa postura de entretenimento, ainda que, em simultâneo, pudesse fazer, como fiz, as duas coisas.

 

PEDAGOGIA

 A não ser um ou outro espírito vesgo e provinciano, qual o Português de lei que não se regozija com a “Expo’98”, acontecimento que decorre em Lisboa 500 anos depois da chegada de Vasco da Gama à Índia? Qual o professor que, ciente, embora, dos desmandos que os nossos navegadores, incluindo Vasco da Gama, praticaram sobre os íncolas (cala-te boca, não fales nisso!) se não orgulha do momento áureo que os nossos indígenas maiores registaram nas páginas da História Universal?  Pois é. Foi devido a este espírito patriótico, universalista e humanista que eu e os meus alunos do 6ºE, aproveitando o momento que passa,  desembarcámos noCais do Oriente desejosos de conhecer a Europa e o mundo, ávidos por saborear os grandes  cozinhados lusos, condimentados com gindungo e pimenta que baste.

Já lá vão uns anos. No Café que frequentava, todos os dias depois do almoço, a fazer horas para retorno ao trabalho, numa roda de colegas professores e de amigos relacionados com a educação, falávamos de tudo. Havia entre nós, um colega do Ensino Primário, com carreira firmada no Escotismo, da base ao topo, católico praticante. E por isso também vinham à baila as questões religiosas, as práticas da Igreja ao longo da História, o seu poderio político, religioso e económico, as suas reformas no fio do tempo e até o papel desempenhado por S. Francisco, contra o fausto, etc. etc. E longe estava eu de adivinhar que, muitos anos depois, um PAPA, tomando o nome Francisco, viria a dar respaldo a muitos desses meus reparos.

ESTRANHA FORMA DE VER

É isso. No dia em que a Igreja põe mais dois santos nos altares, dá-me para filosofar. 
Quem não se lembra daquele vagabundo do porto de Piréu, felicíssimo por tudo o que via em redor ser seu? 
Era um louco. 

PEDAGOGIA

Aquele dia, a memória não o perde, foi na vila Castro Verde como bem prova a fotografia. Ao lado esquerdo, coisa linda, uma criança, que naquelas ruas salta, que naquelas ruas pincha, junta-se à malta e pede uma trincha, quer entar na festa, ignorando o significado dela. quer borrar a parede de tinta, no vazio que dela resta.. A mãe está por perto, o pai não está afastado, atento. Ela orienta o trabalho, ele produz este documento. 


NA ROTA DO ROMÂNICO

A Ermida do Paiva, no concelho de Castro Daire, é um templo cristão construído em estilo românico, dado a conhecer ao mundo por Arão de Lacerda, em 1919, no seu livro "O Templo das Siglas".

Eu, em 2001, longe de adivinhar o interesse que o estilo românico, patente em muitas igrejas medievais, viria a  despertar nestes últimos anos, culminando em visitas de estudo integradas no programa ROTA DO ROMÂNICO,  com placas de sinalização nas estradas das freguesias e concelhos que dão acesso a tais monumentos e que aderiram a tal programa, em 2001, dizia eu, longe de adivinhar isso tudo, simplesmente levado pelo império do saber, conhecer e divulgar a HISTÓRIA LOCAL, de identificar o nosso  património histórico, material, imaterial, natural ou construído, levei a cabo uma investigação sobre aquele templo medieval e o resultado dela foi a publicação do livro "Mosteiro da Ermida" (há muito esgotado) onde mostrei aquilo que Arão de Lacerda, condicionado pela sua postura canónica, silenciou e jamais poderia ter mostrado.

 

 CRIATIVIDADE VIVA

Que felicidade a minha viver  num tempo em que, tão asinha, a criatividade e o pensamento surgem em meu redor como  escalracho em terreno lavrado: ele  é o poeta, ele é o escritor, ele é o historiador a deixarem-me deslumbrado com tanto labor, com tão variegado saber nestas  cousas de contar, de ler, de escrever e, de forma lesta, divulgar e vender o que presta e o que não presta.



De há uns tempos a esta parte
Surgiu uma vaga de poetas
E escritores dispostos a renovar a arte
De comunicar com as letras.

 

 CASTRO DAIRE

Disse no apontamento anterior que o livro de Arão de Lacerda «O Templo das Siglas»  fez escola entre os estudiosos da Ermida do Paiva, aqueles para quem esse trabalho se tornou a pedra angular de uma porta aberta aos saberes e às interrogações posteriores sobre tal monumento.

Não fora o artigo online publicado na Revista da Faculdade de Letras de Universidade do Porto, assinado por três docentes (identificados nos apontamentos precedentes) longe estava eu de pensar que voltaria a ocupar-me com a Ermida do Paiva, depois do meu livro "Mosteiro da Ermida", editado em 2001,  na peugada de Aarão de Lacerda que revelou o monumento ao mundo estudioso com o seu livro "O Templo das Siglas".

 

O "ÁS"

Numa sociedade de tabus, onde é pecado falar de sexo, mamas e cus, foi assim mesmo que, levantada a pino, torre sem sino, do chão erguida, no meio da penedia espalhada a esmo na serra da Nave, um dia, descobri  um penedo e ledo corri a observá-lo. 



ABRIL
Liberdade, igualdade, fraternidade
Bandeira de esperança de muitas cores
Qu'é dela?
Que foi feito dessa primavera
Desse jardim de mil aromas, mil flores
Que murcharam, mirraram, morreram
Em quarenta anos apenas?
Onde estão as minhas Tróias, as minhas Helenas?

 

 

SOBE, SOBE, BALÃO SOBE...

 

CASTRO DAIRE


Voltando à questão suscitada pelo artigo online publicado na Revista da Faculdade de Letras do Porto, com o título "Ermida do Paiva, reflexões e problemáticas», assinado pelos docentes Lúcia Maria ROSAS, Maria Leonor BOTELHO e Nuno RESENDE, a fim de ficar tudo muito explicadinho, assim ao modo do ENSINO BÁSICO, devo colar aqui mais duas fotos insertas nos ANEXOS do meu livro "Mosteiro da Ermida" , editado em 2001.
Reportam-se estas fotos à pedra alojada no painel-sul da capela-mor com uma inscrição gravada alusiva ao óbito do Padre Roberto, a quem, alegadamente, se atribui a fundação do ERMITÉRIO.


 

Na minha abordagem anterior sobre a «Ermida do Paiva» e a inscrição pintada a ocre no tímpano da porta lateral-sul, por mim fotografada e incluída nos ANEXOS do meu livro «Mosteiro da Ermida» editado em 2001, para que não restem dúvidas da seriedade que ponho nestas coisas da investigação e divulgação do nosso património histórico,  aqui 3- Ermida-Alves-1 - pp.236 - Red-reponho as duas fotografias referidas: a primeira, com rigoroso respeito pelo original fotografado, com a «data bastante delida»; a segunda, respeitando rigorosamente os sinais existentes e VISÍVEIS, com decalque meu, por forma a melhor se proceder à sua leitura, v.g. «E.MCC2II», sendo que o «2», precedido do duplo «CC», tem o valor de 50, tal como o diz Viterbo no Elucidário e também Alexandre Alves no artigo que deixou no livro «Castro Daire», editado em 1986, pp- 236. Vejamos:

 

MÁ LÍNGUA

Já foi há muito tempo.
Um dia
Na compra do jornal
A empregada
Que mal sabia
A gramática
Disse-me "obrigado"
Em vez de "obrigada"
Como lhe cabia.
Era a prática
No seu a dia a dia
E assim fora ensinada.

 

CASTRO DAIRE

Aprendi com o Historiador Oliveira Marques, no seu livro  «Guia do Estudante de História Medieval Portuguesa» aquilo que para aqui transpus em fotografia, não fosse alguém suspeitar da seriedade dos trabalhos que tenho levado a cabo na investigação da História Local, como parecem fazer alguns investigadores que vão fazendo currículo académico como HISTORIADORES lá pela Universidade do Porto.


Ai amigo

Tenho andado perdido

Na poesia medieval,

Nas cantigas de amigo

De escárnio e maldizer.

Ai amigo,

Tenho andado perdido

Na poesia medieval

Nas cantigas de amigo

De escárnio e maldizer.


Pastorinho, monte acima, monte abaixo, nunca esqueci o passarinho empoleirado nos raminhos da urgueira: era o cartaxo. Equilibrado, a pouca altura do chão, naquela sua maneira, naquela sua postura, naquele seu trinado desconcertado natural «...chriu...chriu...chriu...» o cartaxo diferente era da cotovia.

Ai amigo

Tenho andado perdido

Nas poesias medievais.

E como nunca é demais

Beber as influências provençais

É por lá que tenho andado.

MÁ LÍNGUA

Era uma vez...
Foi há muito, muito tempo quando eu, um artolas da gramática sabedor ensinava Português nas escolas, tal qual mandava o programa, nos cursos diurnos e noturnos. Certo dia, o assunto da lição, tinha de ser, lá recaiu sobre os sinais de acentuação:  o "acento agudo", o "acento grave", o "til" e o "circunflexo". Quatro apenas, quatro somente. Como e onde cada um deles caía ou cobria a letra. Tão simples como complexo era para quem na Língua se inicia e a escrever aprende que escrever não é nenhuma treta..

MASSANGANO-MOÇAMBIQUE

Sobre este tema sigo a CRONOLOGIA de que disponho graças ao laborioso trabalho de M. Simões Alberto e Francisco A. Toscano, deixada no livro «O Oriente Africano Português", editado em 1942, em Beja, nas oficinas da Minerva Comercial de Carlos Marques & cª Ldª. É uma CRONOLOGIA dos acontecimentos históricos que tiveram lugar em Moçambique, com o rigor de quem manuseou os documentos citados.

 DEVOTO DE DIANA (5)

Ora, eu que, depois de Aquilino Ribeiro ter mandado CAIR O PANO em o "Tombo no Inferno", desafiei o leitor/espectador a acompanhar-me neste proscénio, nesta cavadela de enxada feita num cantinho de terra que escapou ao bico da relha do experimentado homem da rabiça, vejo chegada a hora de, por minha conta,  mandar CAIR O PANO, definitivamente. E cai. Mas não sem primeiro eu estar convencido de que, se essa peça, por ventura, um dia voltar a subir ao palco nacional, não dispensará esta minha ADENDA. Precisará mesmo dela.

 DEVOTO DE DIANA (4)

Na linha do que deixei escrito no primeiro texto, onde aludi a questão da REGIONALIZAÇÃO e ao pecado secular da CENTRALIZAÇÃO que despovoa grande parte do território português, na esperança de que os meus amigos facebokianos se interessem pelo assunto e pelo LIVRO aqui reitero que urge educar, descentralizar, regionalizar, defender a coesão territorial e social. É preciso que cada um de nós ajude a manter de pé este Portugal periférico. É tempo de esvaziar o sentido a expressão queirosiana: "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem". Eu faço a minha parte. 

 DEVOTO DE DIANA (3)

Já deixei claro que, neste meu livro, em muitos passos, fui acompanhado por Aquilino Ribeiro, o meu escritor de eleição.  Várias foram as suas obras que me fizeram passear por cidades, vilas, aldeias, montes e serras do Portugal bárbaro do seu e do meu tempo, cujos habitantes, analfabetos, o não liam, mas que lhe serviam de matéria plástica para a sua escrita e pensamento. É ele próprio que o diz. Com ele estive na imponente Catedral de Córdova, com ele estive noutros monumentos nacionais citadinos e, com ele, acabei por fixar-me numa aldeia sem localização geográfica, pois mais não é que a designação de uma terra que integra uma sua peça de teatro: "Tombo no Inferno".

 DEVOTO DE DIANA (2)

Disse na postagem anterior que a opção por um editor e por uma tipografia sediados em  CASTRO DAIRE/VISEU se deveu ao pensamento regionalista e descentralizador que há muito perfilho, em pensamento e obras. Isso poderá ver-se nos livros já editados e órgãos de comunicação em que tenho colaborado desde que ando por aqui, por estas terras de fraguedos, de matos e de semeadura,  a fazer da palavra relha e a lançar sementes, não  já no agro, mas nas mentes.

 DEVOTO DE DIANA (1)

O meu novo livro "O HOMEM DA NAVE, DEVOTO DE DIANA", editado pela PCPUBLIARTE, ( Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. ) com sede em CASTRO DAIRE, empresa gerida por LINO MENEZES, homem ligado ao teatro (ator e encenador que foi das "GIESTAS DO MONTEMURO"), entrado na tipografia em novembro de 2015, acaba de sair do prelo. 

São 135 páginas de formato 15x21 e 63 fotografias (sépia) relativas aos assuntos tratados. Vai ser posto à venda na próxima segunda-feira, dia 4 do corrente, e um dos meios de aquisição pode ser pelo correio eletrónico acima referido. É só contactar a firma.

 

COMÉRCIO TRADICIONAL

Relacionadas com os «posts» que tenho vindo a publicar sobre o COMÉRCIO TRADICIONAL, para além dos «COMENTÁRIOS» e «GOSTOS» colocados neste meu «mural», subscritos pelos respectivos «amigos», chegaram-me algumas mensagens particulares a perguntar se eu estava envolvido nalguma campanha eleitoral para as próximas eleições autárquicas. Afirmo, categoricamente, aqui e agora, que não e acrescento: deixei, há muito tempo, as lides políticas locais por entender que era mais útil à minha terra fora do APARELHO PARTIDÁRIO, (PS) do que dentro dele, isto é, por entender que devia fazer o que nunca nenhum munícipe fizera anteriormente, ou seja, investigar, publicar e divulgar a história do concelho. Com essa atitude, exclui-me, antecipadamente, de poder vir a integrar a lista dos condecorados no «DIA DO AUTARCA» tão justamente instituído para homenagear alguns daqueles políticos que prestaram relevantes serviços à causa pública. 

CACIFO DE FURÃO

Os meus dois filhos cresceram rodeados do carinho e dos afetos que lhes eram devidos pelos pais. Mas também cresceram a ver os progenitores, ora agarrados aos livros, ora a corrigir os testes dos alunos, ora a restaurar velharias, quaisquer que elas fossem: desde uma seitoira (foice) que gastou os dentes a segar erva e centeio, ou um podão, cujo fio se tornou rombo a cortar silvados à beira de um caminho ou de leiras de semeadura.


Pessoa amiga, sabendo-me ligado uns anos a Moçambique, sempre interessado no tema COLONIZAÇÃO/GUERRA COLONIAL/DESCOLONIZACÃO e vendo o que eu escrevi sobre OS PRAZOS DA ZAMBÉZIA e suas DONAS (na página PICADAS DE TETE) e bem assim o que deixei escrito nesta minha página sobre o CONDE DE FERREIRA, referindo-me à primeira escola primária implantada na vila de Castro Daire, com o seu título e data da sua morte, 1866, teve a gentileza de comprar e oferecer-me o livro de José Capela, com o título «Conde de Ferreira & Cª, Traficantes de escravos», portanto,  ligado ao comércio negreiro, do qual ele foi um protagonista histórico. Tenho andado a lê-lo e a cotejar o seu conteúdo com matéria conexa que deu corpo à minha licenciatura em HISTÓRIA. Ontem à tarde não fiz outra coisa.


Nos fins de fevereiro, p.p. chegou-me à velha caixa do correio mais um livro de Manuel Lima Bastos. Mais um que ele  teve a gentileza de me oferecer e enviar com a costumada e amável dedicatória. Li-o com a avidez e o prazer com que li todos os anteriores. Desta vez tem o título «Mestre Aquilino, Caçador e a Gaitinha do Capador». 

Mais um, o oitavo, carpinteirado, apaixonada, paciente e sabiamente com a matéria-prima extraída dos soutos e carvalhedos plantados pelo Mestre Aquilino Ribeiro, o nosso (de ambos) escritor de eleição. E o que posso eu acrescentar mais ao que já disse sobre este louvável e incansável labor de Lima Bastos? O que me falta dizer para corroborar nesta sua tarefa de divulgação da obra e do nome deste escritor beirão que pôs em letra redonda a vida dos meus avós, dos meus pais e a minha própria vida?

 

Sem rádio, sem televisão, sem boletim meteorológico informativo, o serrano adulto dos anos 50 do século XX, servia-se do saber de experiência feito para adivinhar o tempo do dia seguinte. E se era um daqueles que tinha aprendido a ler fora da escola, a complementar essa sapiência, botava mão ao "Borda d'Água" ou ao "Seringador" para ver as mudanças de Lua e certificar-se  da melhor altura do ano para sementeiras, plantio ou enxerto de árvores.

O meu padrinho de batismo era agricultor e negociante da gado. Chamavam-no João Caixeiro, mesmo que de apelido registado fosse Camelo. Casado com uma irmã de minha mãe, Maria Leonor, era um santo homem, baixinho, de bigodinho, estou mesmo  a vê-lo. Comprava e vendia vitelos e, por obrigação da tradição, vá-se lá saber as razões da dita, cada compra obrigava  a "beber a cabrita", modo de fechar, sem mais regateio, o negócio entre as partes, com ou sem "rachador" pelo meio.

«NO MINÉRIO TRABALHAVA, TRABALHAVA...»

Nestas minhas andanças nos trilhos serranos, digo, nos trilhos da vida, dei por mim nas Minas da Queiriga, concelho de Vila Nova de paiva.

O meu primo Manuel Carvalho Soares, sabendo-me interessado em tudo o que respeita à História e à vida, levou-me até lá, até aquele outeiro esventrado, esburacado, de portas abertas, abandonado. Aquele outeiro que, em meados do século XX, foi um formigueiro humano de trabalho e de sonhos.