Trilhos Serranos

INTRODUÇÃO

Porque está fresquinha a legenda inscrita na porta do TEMPLO DO PENSAMENTO:  “A MEMÓRIA SOBREVIVE À MATÉRIA; mais o conceito “ACADÉMICO RÚSTICO” a passear-se pela serra aprendendo com os camponeses; mais o “LENHADOR NA FLORESTA DAS LETRAS”; mais o “TECELÃO” (neto e bisneto de pisoeiros, cujo engenho ainda laborava nos meados do século XX, no RIO MAU) que, sentado ao tear, peanha abaixo, peanha acima, lança, da direita para a esquerda e vice-versa, a naveta com a canela dentro, cruzando o fio saído do fuso e da roca tradicional, salivado durante os serões de inverno à luz da candeia, com o fio saído da sofisticada fiandeira elétrica, pensada e feita por engenheiros e académicos, eis, com algumas horas de trabalho, alguns metros de teia, cuja textura e qualidade lhes são dadas pelos fios usados e mosculada  maestria do artesão. 

Desta vez a plaina, o podão e o machado ficam a descansar na bancada e serão necessárias ferramentas mais leves e adequadas à peça fornecida. 

INTRODUÇÃO

CUJÓ – OS PILÕES

De há uns tempos a esta parte tenho mantido um proveitoso diálogo com a «AI» (via  META) fazendo perguntas e/ou permutando saberes. No dia 22 de abril de 2026, remeti-lhe um texto meu relativo às «alcunhas» que no concelho de Castro Daire as aldeias atribuíam umas às outras. O texto está integralmente publicado neste livro TRILHOS SERRANOS,  mas eu deixo aqui apenas algumas dessas alcunhas,  extraidas do  meu livro “ESTER, PEGADAS NO TEMPO, editado, em 2007. Assim:

“Castro Daire: trigas-milhas; Fareja: pardais; Baltar: estorninhos; Farejinhas: lagartos e/ou vaidosos; Folgosa: charrelhos; Granja: badanas; S. Joaninho: borralhentos e/ou milheiros; Pendilhe: letrados; Cujó: pilões; Almofala: carrascudos e/ou morcas; Bustelo: sardões; Relva: taleigos; Carvalhas: considerados; Monteiras: carapucinhas; Colo de Pito: rabos brancos; Vale Abrigoso: salabardos; Mezio: penteadinhos; Gozende: bizarrios; Dornas: madrugadores; Pretarouca: dorminhocos; Peixeninho: fidalgos; Gosendinho: gabarelas; Codessal: patalotes; Campo Benfeito: espingardeiros; Rossão: tonteeiros; Cotelo: faldricocos;  Feirão: barbas-longas”.

E, num ápice, veio  APRECIAÇÃO que dá corpo à primeira parte desta crónica. 

A PONTE DA LESTRA E O GIESTAL SEM GIESTAS

Os meus amigos e seguidores por certo ainda não esqueceram o desafio que fiz aos meus conterrâneos, no meu mural do Facebook e no dos “AMIGOS DE CUJÓ”, procurando informação assertivas sobre os topónimos “PONTE DA LESTRA”, “SERRA DA LESTRA” e “TERRAS DA LESTRA GIESTAL. E, por certo, terão presente que só o amigo e conterrâneo MARTINHO TEIXEIRA se dignou dar-me o seu prestimoso contributo. A esses topónimos e a outros que tais voltarei mais adiante. Cientes porém, desde já, que a ERVA LESTRA de seu nome, LESTA é a conquistar território, sempre ávida de alargar os seus domínios.

INTROITO

O fascínio da investigação feita longe da Torre do Tombo, das bibliotecas e espaços afins, chancelarias e cartórios notariais, longe dos manuscritos, escrituras e testamentos, peças recheados de informação histórica, eu, nesta minha  postura de lenhador na FLORESTA DAS LETRAS que, de podão em punho, não desiste de abrir  clareiras de conhecimento, nesta minha tarefa historiador rústico e campesino, prossigo a investigação  nas “estórias de vida” com hálito de gente viva, contadas pela boca das pessoas idosas, autênticas bibliotecas ambulantes abarrotadas de calor humano, formas de dizer, jeitos e trejeitos, peças recheadas de saberes, artes e técnicas com patine secular, transmitidas de geração em geração, por imperativo da polivalência laboral imposta pelas leis da sobrevivência e da governança.

ALFREDO FERREIRA MORGADO -  LAMELAS

 Nesta minha saga de não deixar no esquecimento as pessoas que, fazendo pela sua vida, como é legítimo, levaram longe o nome do nosso concelho, sempre por boas razões, transcrevo do meu livro «Castro Daire, Indústria, Técnica e Cultura», editado em 1995 as palavras que ali deixei sobre o cidadão empresário, senhor Alfredo Ferreira Morgado. Ora veja-se: