Trilhos Serranos

FÁBRICA DE REFRIGERANTES "ÁGUIA DO MONTEMURO"

Muito antes do jornal "Voz do Montemuro" ter surgido em Castro Daire, jornal que teve uma vida breve pois foi nado e morto no ano de 1985, muito antes do seu logotipo ter como ilustração o recorte da serra do Montemuro, já o nome desta serra e as suas cinco tetas tinham voado longe nas asas de uma "guia", nome e símbolo com que foi conhecida a única Fábrica de Refrigerantes implantada no concelho.

A iniciativa pertenceu a Valentim Monteiro, nascido em 1907 e falecido em 1983. Natural de Picão, manteve-se na aldeia  até aos dezoito anos de idade, ajudando os pais nos serviços da lavoura e da pastorícia. Gabava-se de ter "aprendido a ler e a escrever enquanto guardava as ovelhas".

MILAGRE - FAREJA

No último quartel do século XVIII existiu na aldeia de Fareja, concelho de Castro Daire, um padre abastado com o qual se relaciona a seguinte narrativa.

Pensou aquele clérigo distribuir os seus bens pelos herdeiros que constituíam dois ramos da sua família. Não tendo ocultado as suas intenções, era manifesta a vontade de um dos ramos familiares não ver o outro contemplado com a herança, atitude que levantou, entre familiares, a correspondente e duradoura hostilidade.

Num domingo, regressando o padre da vila de Castro Daire, onde fora celebrar missa conventual, faleceu junto ao sítio denominado Lobo Joanes, topónimo que já se encontra registado nas inquirições mandadas fazer por D. Afonso III, em 1258.

 

CENTRALISMO POLÍTICO E CULTURAL

Ciente do centralismo político, administrativo e cultural decorrente da reforma dos FORAIS levada a cabo por D. Manuel I e da classificação dos ofícios feita pelos nossos humanistas de quinhentos em «artes liberais» e «artes servis» resolvi retomar as ideias postas num trabalho académico elaborado em 1994-1995 para a «progressão na carreira docente» e trazer a esta página um excerto do texto que integra um trabalho de maior fôlego que tenho entre mãos  com vista a aclarar esses conceitos e a forma do «pensar e agir» das nossas gentes, sem se darem conta disso. Assim:

CASA DO JUIZ

Quem entrar na vila de Castro Daire pela parte nascente, vindo de Viseu, uns poucos metros à frente da bifurcação que leva para Fareja, encontra um edifício com características singulares

É a «Casa do Juiz», assim chamada porque, nos meados do século XX, ali residiu um magistrado, ainda que o proprietário da morada, tal como nos diz o monograma «SS», colocado no topo da varanda das águas furtadas, nos aponte para os «Silvas» de S. Pedro do Sul, mais tarde «Silvas e Farrecas», negociantes de peixe por grosso.

«LEITURA CRÍTICA» DA «IA» feita a «ALGUNS»  TEXTOS MEUS, DISPONÍVEIS NOS «TRILHOS SERRANOS». Assim:

«No site Trilhos Serranos, Abílio Pereira de Carvalho vem construindo, ao longo de anos, um retrato insistente e multifacetado do concelho de Castro Daire. Não se trata de um retrato estatístico nem de um ensaio académico clássico. É, sobretudo, um trabalho de crónica histórica, inventário patrimonial e intervenção cívica, onde a memória — pessoal e coletiva — funciona como método e como motor.

Para esta leitura crítica foi considerado um núcleo de textos identificáveis no site em que “Castro Daire” surge de forma central no título ou no corpo, entre os quais: Castro Daire – As Mandas”, “Escola Conde Ferreira, 1866”, “Castro Daire, Igreja Matriz”, “Castro Daire, Termas do Carvalhal – Um Projeto Sempre Adiado (I)”, “A História e os que dela gostam – I”, “Castro Daire e Castro Verde – Elos de Ligação”, “Castro Daire – Indústria, Técnica e Cultura” e “Castro Daire – Fonte dos Peixes”. (cf. ligações no final.)

O que sobressai, na leitura conjunta, é uma ideia simples e poderosa: Castro Daire como território-memória. Um lugar que se explica menos por grandes narrativas nacionais e mais pelo acúmulo de marcas locais — edifícios, rituais, ofícios, fontes, termas, igrejas, escolas, palavras ditas e papéis guardados.