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sábado, 18 abril 2020 12:17

HUMANOS

Escrito por 
 Abílio Pereira de Carvalho

18 de abril de 2017 · 

A RTP1 transmitiu ontem, dia 17 de abril, com início às 22 horas e términos cerca da 1 da manhã, o longo documentário HUMANOS. Muito longo, dirão alguns! E eu, que, levado pelo impulso humano, me ferrei a vê-lo e a gravá-lo na box, pergunto-me como podia ele ser mais curto se, em tão pouco tempo, a equipa de realização meteu quase o MUNDO INTEIRO? É isso. O mundo físico, humano, racional, emocional, "sapiens", "demens" e "degradandis".

HUMANOS Só não está lá quem não é HUMANO, pois "humano" não é somente desfazermo-nos em lágrimas, junto à campa de familiares e amigos e "desumanos" nos mostramos quotidianamente, sobrepondo interesses comezinhos e egoistas ao sofrimento e marginalidade do nosso semelhante, seja ele quem for. Ser humano não é dizê-lo. É sê-lo.

Eu não sou adivinho. Nem tenho os poderes de lobrigar com antecedência a programação da RTP. Mas nesta minha página tenho deixado testemunhos bastantes do enfoque HUMANO que tenho posto na minha investigação, no meu olhar o mundo, o meu semelhante, a pontos de sublinhar que tenho por preocupação "FAZER HISTÓRIA COM GENTE DENTRO". Os trabalhos mais recentes (um em texto, outro em vídeo) reportam-se ao DELFIM (fotógrafo) e à D. CATARINA PITADAS, aquela senhora que, vivendo pobremente, escrevia as cartas a toda a gente e assumia a dignidade e o sigilo de uma NOTÁRIA. Ela reservava para si os SEGREDOS de meio mundo. Ambos a viverem ali, no Largo da Feira das Galinhas, em tugúrio sem água canalizada e saneamento básico.

Porque para eles olhei e sobre eles escrevi, tal como fiz com o MANEL DA CAPUCHA, com o ZECA CARNEIRO, o ZAPA e o MATEUS, eu não podia ficar indiferente a este documentário "HUMANOS".

HUMANOSPor ele passa, ao vivo, a definição da CORAGEM e do MEDO, do AMOR e do ÓDIO, do PERDÃO e da VINGANÇA, da FOME e da ABUNDÂNCIA, da LIBERDADE e da falta dela. Do CONSUMISMO e da SOBRIEDADE. Tudo. O ser HUMANO no seu todo, nas suas circunstâncias e mil nuances.

Não há biblioteca onde caiba tanto conhecimento, sapiência, emoção e razão. Não pode haver professor ou professora que possa ignorar este documentário, se tiver orgulho na sua profissão. Aposentado que estou, do muito que li, aprendi e ensinei, verifiquei quanto ignorante sou, face aos depoimentos feitos por todas aquelas pessoas, a rir ou a chorar, desde idosos a jovens, crentes e não crentes, a interrogarem-se sobre o seu papel no mundo. Que peugada lhes está reservada deixar nele, enquanto vivos. Gente de todas as etnias, cores e religião.

Não. Eu não podia deixar de fazer este registo. Ainda estou vivo. Ainda existe em mim uma réstia de HUMANIDADE.

A foto ilustrativa foi retirada desse documentário. Um excelente serviço público de divulgação, informação, formação, arte e criatividade. Bem haja RTP1.

HUMANOS 2

Voltando ao documentário "HUMANOS", transmitido no dia 17 de abril de 2017, às 22 horas, pela RTP 1, um retalho que eu não deixaria de reproduzir em vídeo (data venia) é aquele em que um jovem negro discorre sobre a FELICIDADE. 

E para ele, que teve uma juventude carenciada, sem dinheiro, quando entrou para a Universidade, ao receber uma BOLSA DE ESTUDO, apressou-se a adquirir uma MOTA. Ele o diz, mas se não dissesse, nós veríamos isso no seu ROSTO, nos seus GESTOS,JEITOS E TREJEITOS. Novinha em folha, o primeiro a montá-la, a sentir-lhe o som e o odor, meteu-a no quarto e, sim, isso sim, foram para si momentos de "FELIICIDADE".

Copiei esse RETALHO, fiz dele vídeo que alojei no Youtube para poder associá-lo a um texto e um vídeo que escrevi e fiz há anos, versando sobre o mesmo assunto: uma mota: a MINHA PRIMEIRA MOTA. Vou anexar os links no fim deste texto e deixar aos "humanos" que me lêem e vêem o que de "humano" há nas duas situações vividas por duas pessoas de raça diferente, idade diferente, em espaços diferentes. Para mim, eis a vantagem de estar uns anos à frente, do documentário "HUMANOS", e, tal como aquele jovem negro, juventude carenciada e sem dinheiro, com o ordenado do primeiro emprego, comprar uma MOTA e, como ele, ter usufruído a mesma emoção, a mesma felicidade, sentido os mesmos sons e odores do veículo que sentia meu e só meu. Sentimentos e emoções que me povoam os sonhos e a vida. Mais palavras para quê? Ora vejam os vídeos. 

FELICIDADE in "HUMANOS"

 https://www.youtube.com/watch?v=qyghLaOhy-E

ONDA DE GOZO

 https://youtu.be/NN7Ubvao4jc

 

NOTA:  Estes textos foram postados no meu mural do Facebook em 18 e 19 de abril de 2017. Vieram ao capítulo das MEMÓRIAS. Num instante, migraram para este espaço, onde, por lapso meu, os deixei ausentes, nesse dia e ano. E vieram mesmo em tempo oportuno. Neste abril de 2020.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.