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quarta, 16 agosto 2017 17:03

CASTRO DAIRE - GENTE DA TERRA (c)

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HISTÓRIA VIVA

Em 1986 dei à estampa o meu primeiro livro, em Castro Daire, envolvendo a biografia do Padre  Jesuíta Sebastião  Vieira, natural desta terra. Morreu no Japão ao serviço da fé, como bem podia ter sucedido ao serviço da política ou da cultura. Título: «O Vinculo de Sebastião Vieira», tal qual se vê na foto mais abaixo.

Vieira-1 - CópiaSendo natural do concelho e esta terra mais lhe não deva do que ter-lhe servido de berço. o facto de cá ter nascido e de ter cá instituído um VINCULO (para bem da sua alma) na capela de São Sebastião, nesta vila, era obrigação minha trazê-lo às páginas da HISTÓRIA LOCAL e, por isso, a consciência me ditou que falasse ou escrevesse sobre ele.  Foi o que, então, fiz.

E o livro, marcando a minha postura face à história, abre com a seguinte afirmação de Soares  Lusitano, escrita no século XVII:  «Aquilo que me move não é nem a novidade, nem a autoridade do que é antigo, mas a verdade das coisas».

Alguns anos mais tarde, passado que foi o «JUBILEU 2000» altura em que os clérigos Vieira-2 - Cópiaresponsáveis pela Paróquia de Castro Daire, como refiro no meu livro «Mosteiro da Ermida», editado em 2000, publicaram um desdobrável com a imagem do rosto de Sebastião Vieira,  existente numa tela guardada num museu do Japão, eles, clérigos, lembraram, por essa via, o serviço desse missionário naquele território, e bem assim, depois disso,  a escultura, em bronze, alusiva à mesma pessoa e obra (foto ao lado), da autoria de Manuel Vaz, promovida pelo Padre Carlos Caria, inaugurada em 2005. Na sequência, neste ano de 2017,  provinda de mão generosa, seguramente dotada de postura agregadora de vontades e valores, espírito genuinamente ecuménico,  tendo ainda o Padre Sebastião Vieira em lembrança, de mão generosa, dizia, recebi um medalhão em bronze com a figura desse Jesuíta, concebida por um artista da terra.

Quem é ele? Respondo: José Luís Fernandes Loureiro, meu colega de profissão na área de Educação Visual. Filho de quem? Respondo:  de José Loureiro (o ferreiro de cimo de vila) de quem já falei quando abordei a arte do «ferro forjado». «Filho de Peixe...sabe..

O medalhão é o produto final de várias fases técnicas ligadas à arte de fundição, mas aqui e agora interessa-me somente dar a conhecer ao mundo que em Castro Daire também há artistas ainda que não busquem nome público, pois devo dizer que só por insistência minha é que esta crónica foi escrita.

Mas mal andaria eu se, como acima disse, não ignorasse a figura de Sebastião Vieira, ignorasse agora os artistas que produziram obra com a sua imagem.

Vieira-3 - Cópia

Neste medalhão verifica-se claramente que o artista não busca protagonismo público, ainda que tenha boas razões para o fazer, bem ao contrário de outras pessoas que por cá conheço. As suas iniciais «JL» (quase invisíveis no canto inferior esquerdo, sob a curva do cotovelo da figura) reduzidas a essa dimensão, levá-lo-ia a pensar que escapariam à lupa de quem está treinado a espiolhar documentos, assinaturas e abreviaturas, com vista a deixar para os vindouros as referências pessoais que a história impõe  e a que o historiador está obrigado, sobretudo se tem por lema «fazer história com gente dentro». Nada mais fiz do que isso. e notícia aqui fica.

Só acrescento que a ave que esvoaça sobre a imagem de Sebastião Vieira, de bico apontado ao «cristograma»  «IHS» (Iesus Hominum Salvator», é um «grou», ave que, nos países orientais,  carrega em si algo de mágico e místico, de esperança e de fidelidade, ave de especial beleza a inundar todo o meio envolvente. Andou bem, pois, o artista na escolha que fez, materializando em bronze, o voo de todos estes conceitos, ideias e valores.

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.