Trilhos Serranos

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sexta, 15 julho 2016 19:13

ODE À FOME

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Nunca me tinha lembrado

Mas tinha que ser um dia

No cumprimento deste meu fado

Escrever em poesia

Uma impensável ode à fome

E nela cantar a barriga vazia

A felicidade de quem não come.


E seja criança, mulher ou home

Eu o digo sem ironia

Ter fome é ter alegria

Ter fome é ter saúde

Por isso em ode canto a fome

Neste meu verso sublime e rude.


Descoberta esta verdade

Mesmo sem engenho e arte

Cantarei por todo o lado

Partout, everywere, por toda a parte

Que a fome dá felicidade

Em Mercúrio, Vénus, Terra e Marte.


Barriga cheia é pecado

De luxúria. É incurável doença.

De barriga cheia não se pensa

O engenho e arte não se apura

E por caminhos errados anda

Quem a fome e a miséria não canta

Quem não canta da fome a fartura.

imageAbílio/2016

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.