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quinta, 17 junho 2021 17:08

APAGÃO

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APAGÃO

Sempre que nuvens negras de saudade

Pairam sobre a minha alma solitária e fria

Ela do triste estado se alivia

Transformando em versos a tempestade.

 

Às vezes são versos sem metro, sem rima,

Talvez nem sejam poesia.

Mas que importa?

Quero lá saber se escrevo letra morta

Sem sentido nem norte,

Coisa indigna de se ler?

Mas esse é o meu fadário,

Escrever dia após dia

E no papel,

Meu secretário,

Pôr a granel

As emoções escondidas

Que no breu da minha sorte

Relâmpago espiritual alumia.

 

Escrevo o que sinto,

O que sonho,

O que imagino,

O que vejo e vivo,

O que documento.

 

Protesto, barafusto, não calo

E neste bisonho comportamento,

Tão pouco me ralo

Com o juízo alheio,

Com o desfavor da musas,

Da arte e do talento.

 

Choro, canto e rio.

Caldeio sentimentos, pensamentos,

Ideias claras e confusas.

Perco da meada o fio.

 

Mas escrevo sempre.

Escrevo um livro que pagino

E, depois de paginá-lo,

Só dou tempo ao tempo

Para, a todo o tempo, rasgá-lo.

Abílio/1997

NOTA: publicado no FACEBOOK em 26-08-2012

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.