Trilhos Serranos

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quarta, 23 dezembro 2015 17:47

MEMÓRIAS MINHAS -1

Escrito por 

Aldeia  de Cujó. Ano de 1955. No chão uma tampa de chapa solta. Um rapaz de 16 anos de idade ao lado.. Uma ideia. Um caco de telha partida. Um desenho feito sobre a chapa. Uma ma safra. Uma maceta de pedreiro. Uma talhadeira afiada na «Tenda  dos Ramalhos» onde se faziam também enxadas, trilhos para carros de vacas, sovinas, pregos, cravos, brochas de cabeça piramidal, ferraduras para equinos, asininos e outras bestas, testeiras e chapas para tamancos.
Mãos calejadas, tenros músculos afeitos ao cabo da enxada, caneta com que se escreve, ainda hoje, a narrativa camponesa, cada vez com menos protagonistas disponíveis, sinal de que acabou, para muitos, a escravatura e o apego milenar à terra, à pastorícia e agricultura, escravatura que começava obrigatoriamente nos verdes anos de criança e se estendia à idade corcunda e enrugada da velhice. Gerações após gerações.

ABÍLIO-1Maceta na mão esquerda, talhadeira na mão direita, gume apontado ao risco, martelada canhota certeira, tim... tim... tim...tim, vazada a chapa, o risco vai dando lugar ao recorte da figura. Tim...tim...tim, um dia, muitos dias. Os trabalhos agrícolas não dão tréguas, tim...tim. A obra de arte tem de esperar. Prioritária é a subsistência. É preciso apascentar os gados, segar fenos, cortar matos para estrume e para lenhas, preparar e semear as terras.

Primeiro o pão, depois os devaneios  do entretenimento, da arte, da criação, do pensamentoTim...enfim, à última martelada, cavalo e cavaleiro saem da chapa recordada, soltam-se, emancipam-se, tomam corpo, cheios de força e movimento. Estão prontos a subir ao topo da empena da casa e a tornarem-se conhecidos na vizinhança. Subiram. Um par inseparável a galopar contra o vento.

O fruto da inspiração, engenho e trabalho do jovem artista substituiu o velho e desconjuntado avião de madeira feito pelo seu progenitor, Salvador de Carvalho. Com a subida de um e a descida do outro foi-se o tormento noturno devido ao badanau infernal que a ventoinha da aeronave fazia dias de vendaval. Agora é diferente:

Lá no cimo da casa, o cata-vento representa um cavalo galopando a galopar sempre contra o vento. Porém, nessa constante galopada, talvez por sua sina malfadada, no mesmo sítio vai sempre ficando, resistindo às agruras do relento. Tal como o de um almocreve que passa, em árdua caminhada ao sol ardente, é digna de pena a sua  carcaça. Porém, quando cai a neve branca e fria, ele transforma-se em peça de valia, pois, engordado, assim de repente, vira um puro árabe, distinta raça. Aos ventos violentos da  invernia é besta indomável e selvagem que se encabrita, salta e rodopia. Porém, na quietude da nevada, é fera mansa bem domesticada, representando mais uma imagem deste seu mudar-se dia após dia. Os invernos passam e primaveras, verões, outonos e tempos mais e nele fingindo vou mil quimeras. Porém, mais não finjo, se o pensamento, no fatal mudar-se do cata-vento, vê o retrato fiel de homens tais cuja inexistência... mais valera.

Ensino primário concluído. Dezasseis anos de idade. Quarta classe apenas, feita aos onze. «Tens de ser engenheiro, rapaz, ir para a universidade» disse-lhe o pai, aprovando a obra realizada, acrescentando «assim eu tivesse posses, meu filho, é que ias mesmo». Tal era a ideia que o pai tinha da engenharia. Não tinha posses. O filho não se formou em engenharia. De resto, para  fazer cavalos de chapa, cavaladas ou burrices chapadas a olhos vistos nas casas, ruas, passeios, pontes e estradas, ora faz, desfaz, alarga, estreita, pára, avança, espera, não  é preciso ser engenheiro, arquitecta ou engenheira.

Fez o liceu, foi para a universidade, mas até que isso acontecesse, passaram-se anos. E se cavalo e cavaleiro, presos à sua função, não saíram dali, cavalgando aos quatro ventos, se os pontos cardeais que indicavam tinham por limite físico o horizonte visual que dali vislumbravam, o jovem artista, sabendo que Portugal ia do Minho a Timor, cavalgou distâncias, sonhos, memórias, continentes, oceanos, outras histórias imaginadas e reais.  Aquela prima-obra, exposta assim ao público, para além da sua função primária, cata-vento,  era Afonso Henriques, a combater a moirama com arte e manha, cinco reis mouros degolados, façanha sem igual,  como dizia a História de Portugal, ou, então, Carlos Magno, Rolando, Ferrabrás de Alexandria e companhia, os «Doze Pares de França», romance perdido na aldeia e lido aos serões em redor da candeia nos intervalos de estórias com bruxas e lobisomens.
Alargados os horizontes, dobrado o equador, conhecido o mundo antigo e moderno,  tornou-se, Alexandre, o Grande, o rei Artur, Lancelot, todos os cavaleiros da távola redonda, mais D. Quixote, cavaleiro andante, El Cid, o Campeador, Napoleão, conquistador,  espada na mão canhota, bandeira desfraldada, posição de ataque, avante, avante, para trás ficavam os moinhos de vento,  muita cambalhota, o trabalho de sol a sol e o mais que sobra, os calos da enxada, as alegrias e reveses das batalhas ganhas em prol da vida digna que, ao tempo em que nasceram artista e obra, era negada à maioria dos portugueses.

Passaram 50 anos. «Tens de ir a Cujó dar comida ao cavalo, Abílio, olha que ele ainda lá está», disse-me uma  vizinha da casa de meus pais, que, recentemente, se cruzou comigo na vila e se lembra ter sido eu que fiz aqueles inseparáveis companheiros de viagem. 

Fui lá e confirmei. De pé, como quem diz «aqui morro, daqui não saio», ferrugento, manchas acastanhadas, perdida a cor branca que o confundia com as nuvens-algodão das trovoadas e vessadas de Maio, lá estava o cavalo. Eia! Meio século de galopanço contra ventos e marés. Resistentes, cavaleiro e montada, assistiram ao nascimento e morte dos vizinhos. Envelhecimento e enterro dos donos da casa, os meus pais, Salvador de Carvalho e Gabrielina Pereira. Assistiram à saída da sua prole inteira a governar vida, sete ao todo, quatro rapazes e três raparigas. Viram-nos abandonar o ninho materno, um por um, até os pais ficarem sós. «Para que cria uma mãe uma ninhada de  filhos»! São as implacáveis leis da natureza alargadas a todos os progenitores. Cavalo e cavaleiro assistiram ao desabitar das casas, apodrecimento do colmo, queda das armações e telhas, ao esburacar das ABÍLIO-2paredes, espaços esventrados sem portas nem vedações. As entradas e logradouros de terra batida, outrora puídos de esperança, de movimento e labuta, escanadas, pilhas de lenha, serões ao luar, são hoje um lameiro maltratado, jardim em redor de casa abastada. Mentiroso!  Algumas portas apenas. A da loja dos porcos e da loja do gado fechadas com um cravelho de madeira em forma de cruz latina: braço vertical fixo e horizontal corrediço. À morte de tudo, sobrevive este sinal arqueológico de seriedade e confiança que havia entre vizinhos. Agora, nos meios urbanos, é só alarmes, duplas fechaduras, tudo fechado a sete chaves. E o medo vai chegando ao campo. Mas, pensando melhor, o que é que havia, então, para roubar? Paga que era a décima às Finanças, de que haveres  dispunha o pobre honesto que atraísse o pobre ladrão, para além de uma réstia de cebolas ou um naco de toucinho para adubar uma panela de  caldo? Mas havia ladrões, sempre os houve. Eram diferentes dos de hoje. Prantando-se nas encruzilhadas dos caminhos - «ou a bolsa ou a vida» -   arriscando a pele e a identidade. Podiam malhar com os ossos na cadeia comarcã. Hoje, a par dos assaltantes que entram nas dependências bancárias descobertos ou encapuzados, que se escapam em motas e carros de alta cilindrada por essa Europa fora, nós,  por força de vivermos em comunidade civilizada, num Estado de Direito, todos sabemos quem nos mete a mão na algibeira e, sem eles pedirem licença nem nós darmos permissão, levam, por via legal e sem correr quaisquer riscos, quanto querem e lhes apetece.

Deambulei pela aldeia, pelos arredores e, também, pelas casas dos meus pais, pelos espaços onde nasci e cresci, com a velhice, a tristeza e a morte a espreitarem nos buracos por onde já espreitou juventude, alegria e vida: a «casa da cozinha» por cima da «loja das cabras»; nesta loja uma legenda gravada a pico numa pedra: «ano de 1946 S.C.»; a «casa do relógio» por cima da «loja das vacas»; a «casa da costura» por cima da «loja dos porcos»; o «palheiro das vacas» por cima da «loja do gado»; o «palheiro do gado» na antiga «casa da cozinha», o «cortelho», tudo feito em pedra solta de mistura com cantaria, exemplo da arquitetura rural histórica, construções com recurso aos materiais locais -  pedra, madeira e colmo - hino à inteligência humana na luta pela sobrevivência. A maioria das portas, quando as havia,  tinham ferrolho de madeira. A «casa da varanda», com os seus dois alçados de «taipa» e  «casa de banho com sanita» destoam claramente do contexto tradicional, mas completam este aglomerado de construções, espaços de habitação, palheiros, arrumações e lojas onde, sensíveis tímpanos  registam ainda os cuidados e angústias dos adultos, as orações antes e depois das refeições, o terço à noite, a prole prostrada de joelhos, olhos fixos na estampa do Sagrado Coração de Jesus e da Virgem Maria, na «casa do relógio», a pedir que a «Roda da Sorte» se incline para o número da cautela inserida de lotaria. Não inclina. Roda a roda, mas nicles. O requerimento assinado de joelhos, mãos postas em prece, por meia dúzia de anjinhos inocentes, não mereceu deferimento. Que ingenuidade! Que disparate! Trabalhem, «quem não trabuca não manduca!». E trabalharam, grandes e pequenos para não faltar  pão no açafate.

»Deus, Pátria, Família» é o lema da casa portuguesa. Quem manda? Salazar! Ali, naquele lar, malga de caldo sobre os joelhos a servirem de mesa, viva Portugal, não havia a doença burguesa do stress, da depressão, nem droga. O que havia era a obrigação de lutar pela vida e contra ela não. O Sagrado Coração de Jesus, imagem de peito aberto, coração à mostra a sangrar, era a minha cruz, pois, não tardava a aparecer-me em sonhos, com todas as cores e contornos, logo que se apagava a luz. Retábulo de pintor extravagante, colado à concavidade do céu, obra gigante ampliada à dimensão do firmamento, lá a vejo eu a levantar-se lesta na linha do horizonte, a preencher grande área da estrelada abóbada celeste. Do coração sai um rio de sangue que tudo alaga. Sonhos horríveis! Página ilustrada da minha saga, narrativa viva que não se apaga. E face às emoções, ao gigantismo e às impressões que em mim perduram dessa visão diluviana e de todas as que, impregnadas de tal realismo, ocuparam a minha onírica galeria, comparadas, hoje em dia, ao recheio de museus e templos turísticos, às pinturas  na abóbada da Capela Sistina feitas com pincéis,  tintas e anilina, digo que toda a arte plástica terrena, por mais admirável e deslumbrante que seja, é sempre insignificante e pequena.

No dia seguinte, colchão de colmo posto ao sol: «uma vergonha, tão crescido e mijar na cama!». E na cama, angústias, inibições, choros, medos, risos, a par de saltos, algazarra, competição entre irmãos, dentada, estalada que ferve, «meninos, querem que eu vá aí», adverte o pai ou a mãe, do quarto ao lado. Abrem-se tréguas,  o tilintar das campainhas, cheiro a gado, o balir das ovelhas, o mugir das vacas e cabras, brincadeiras e maldades. Pessoas por cima, animais por baixo. Qual «Quinta das Celebridades» qual nada! O que teriam de aprender ali aqueles figurões e figuronas que recebem milhões para fingirem ser donos e donas do campo,  pessoas  amigas da terra e dos animais? Celebridades! Que riso me dá ver o espanto de algumas delas ao verem uma galinha agachar-se para saborear a galadela. Olhos esbugalhados a verem nascer uma cria, vitelo ou vitela. Que anjinhos, que atados a tirarem o leite às vacas e às cabras. Celebridades! Que esgares a mexer na bosta, que comentários pacóvios sobre o desejado fertilizante da terra e do pão, que jeito de pegar na forquilha e na enxada, que artificialismo a lidar com a terra-mãe e a falar com os animais. Uma brincadeira!  Ali, na casa dos meus pais, a interdependência de pessoas e animais, a necessidade  de convivência sob o mesmo teto anos seguidos, uma vida inteira de trabalho e de interajuda, impunha autenticidade e consideração. A troco de leite, de lã, de tração de charrua, de carros e carretas, pastos, alimentação, pastoreio, trato. Os afetos das pessoas estendiam-se ao gado, à criação e se uma rês tinha de marchar para a feira, por ser velha ou porque o impunha a amortização de uma letra no Banco, se um cabrito ou um cordeiro, bengala atirada ao pescoço pelo cabriteiro, deixavam a loja a troco de dinheiro, não era sem pena do pastorinho, às vezes com lágrimas nos olhos. Quem não via a cabra chorar à partida da cria? Que ser humano se não condoía?

A mirar aqueles espaços, alumiado pela fluorescente luz da memória, vejo as escaleiras para as duas hortas, a das couves e a da retrete, que mosquedo, que cheiro! Ao lado o enorme castanheiro, depois derrubado, onde centenas de pardais, qual couto autárquico, cada um a em busca de poleiro, se recolhem à noite e acordam de manhã, em anárquico e desconcertante chilreio. Vejo o escuro, a manta negra da noite cobrir a aldeia, vejo o raiar da aurora, as orvalhadas da manhã. Tempos de outrora, a montureira de estrume a fumegar na quintã e no buraco da parede um ninho.  Bebo a água do caneco trazida do fontanário público ou da fonte de chafurdo do Salgueirinho. A pia do cão, junto à soleira da porta, está limpa de lambida. Mas nem todos os cães que a lamberam se submeteram ao cristão jejum franciscano imposto pela regra. Não me engano. O cão preto de testa, focinho e peito brancos, com o sangue do colie escocês, ou raça vária, a correr-lhe nas veias,  inconformado com a deslavada labage diária, arranca sozinho para a serra da Lestra caçar. Eu bem o ouço lá, atrás dos caçapos, a cainhar. Pois é, há animais e pessoas insubmissas, rebeldes à domesticação, que se não calam nem acomodam aos tratos que lhe dão, olé! As paredes da cozinha, forradas com o negro verniz do fumo, ilustram séculos de uso e de humanidade. Estamos nos meados do século XX.

ABÍLIO-3Passaram 50 anos. Casas à beira de ruína. História. Vida. Afetos. Alegria. Trabalho. Lágrimas. Lágrimas de alegria, de dor, de vida e de despedida. Viseu? Mas que longe! Coimbra, onde é isso? Lisboa, é o cabo do mundo. África, terra de negros, saudades mil, adeus até à eternidade. E assim seria se não fosse o 25 de Abril. Quatro por lá andaram. Todos eles regressaram. Não eram militares em fim de comissão, contentores a abarrotar de mobílias de pau-preto, pau-rosa, umbila, peças de marfim, arte africana, peles de exóticos animais. Colonização. Guerra. Descolonização. Brancos a matarem negros, negros a matarem brancos ao despique. E os três que em Maçambique habitaram, retornaram e, como tantos, chegaram sem nada,  mas, acabados os sarilhos, a alegria, a felicidade, os beijos e abraços de pais e filhos, valeram uma vida estragada e começada, outra vez, no meio da vida. A minha em terras transtaganas. Adeus África, províncias ultramarinas... o tanas!

Dos sete herdeiros nenhum se prendeu de saudades ao lar, a pontos de o conservar e habitar, depois dos progenitores finados. Não senhor. Todos arranjaram melhor, outra arquitetura, outro gosto. Estão lá as casas que fui ver. Em jeito de despedida, dos canastros olho mais uma vez o cata-vento no seu posto. Cinquenta anos ali! E sessenta e seis se passaram depois de eu ter nascido ali. Difícil nascimento. «Nasceu ao contrário!». Era a minha mãe que o dizia, justificando o meu embrionário e juvenil espírito de rebeldia. Dobrado, peito colado aos joelhos, pés à testa unidos, cabeça entre os braços estendidos, na posição de remador de regata a tomar balanço, o meu olho que não vê, segundo alcanço, foi o primeiro a ver o mundo, mercê de grandes dores e gritaria da minha mãe e também da parteira local que com ela sofria. Enfim, não nasci segundo a lei da natureza, de cabeça, mas não digo «o dia em que nasci, moura e pereça» como diz Camões. A 66 anos de lonjura, sei que foi a minha primeira travessura e tal me dói a pensar no sofrimento que causei. Sim, mas, para além desse facto que me comove, julgo, não sei se bem se mal, que eu não queria era nascer naquele dia 10 de Junho de trinta e nove, no ano em que rebentou a 2ª Guerra Mundial.

Mas antigamente é que era bom, continuam, disfarçada ou abertamente, a dizer alguns, por aí, cegos à mudança e à realidade que os cerca. Se assim era, se assim o entendem e sentem, já que era bom viver e só facilidades, eis um criado às vossa espera. Estou pronto a indicar-vos o sítio que descrevi, onde nasci e cresci. VENDE-SE, podem passar ali umas férias regaladas, fazer ali a nova «Quinta das Celebridades» .

Nota-1: publicado no velho site em 2005 e transposto para este em 23 de Dezembro de 2015

Nota-2: Este meu vício de mostrar aos meus filhos e netos (e demais pesssoas) a VERDADE existencial da minha juventude, através da PALAVRA e da IMAGEM,  levou-me novamente até à casa dos meus pais (em 2014) e fazer o vídeo que se segue, sem comentários. Chega o «som de fundo», onde se confunde o cantar dos galos, com a voz das pessoas, o mugir das vacas e o som das campainhas. Aquele que foi e já não é.. Ora veja:

https://youtu.be/c6K0es6c3L8

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.