Trilhos Serranos

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segunda, 26 outubro 2015 10:37

AS PEÇAS DO LEGO

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AS PEDRAS DO LEGO (2)

É imperioso que retome o meu texto AS PEDRAS DO LEGO aqui alojado no dia 13-10-2015. Nele disse que: 

"(...) mal saídas das urnas, expostas sobre a mesa, o Presidente da República, que detesta a cor vermelha, estendeu a mão e ... zás, de uma assentada, pô-las fora de jogo. Estas não encaixam. Tem sido assim há quarenta anos e assim vai continuar a ser. E logo atrás de si, batendo palmas, foi a turbamulta de alguns politólogos, jornalistas, observadores, ólogos, istas e mais doutores. Pois. Essas não encaixam. Nunca encaixaram. Entoam os sábios em coro frenético".

E espremeram a esponja até à última gota. Todos (como eu os entendo) gastaram o verbo a sublinhar as fronteiras das "várias esquerdas", aquelas que historicamente nunca se entenderam e davam mostras de se ENTENDEREM. Coisa nova, para mentes velhas. Coisa movediça, para neurónios cristalizados. Nem tudo estava perdido. Faziam-se apostas. O Presidente da República, seguindo a tradição, indigitaria o cabeça da lista ou coligação vencedora. Nem podia ser de outra maneira. Acertaram. Ele assim fez. Houve foguetório. Mas, incauto, levado pelos pensamentos mais profundos, replicou em voz grossa e ameaçadora o fantasma do medo acenado em campanha por Pedro e Paulo. Procurou dividir os deputados, naquela expressão subtil de "apelo à sua consciência". Uma trindade em frangalhos, aparentemente forte, cimentaria outra trindade, aparentemente frágil. E a Democracia, seguindo os PASSOS formais estabelecidos na Constituição, ainda abre algumas PORTAS de esperança. Era a eleição do Presidente da Assembleia da  República. Realizou-se o acto solene em conformidade com a Lei Máxima da República: o voto secreto em urna por cada um dos deputados. Um estrondo: 108 votos para o candidato da Direita e 120 para o candidato da ESQUERDA. Aqui d'el Rei! Quebrou-se a tradição. Em quarenta anos de história democrática, a segunda figura do Estado sempre saiu da bancada do partido mais votado. Barafustou-se. Arregimentaram-se hostes de comentadores e sábios constitucionais pró e contra. Assim era de facto. Mas a tradição também dizia que a ESQUERDA nunca mostrara vontade de união e desta vez estava disposta a fazê-lo. E a saga prossegue. Indigitado o primeiro ministro, formar-se-á o Governo e o Governo será chumbado no Parlamento. Mas... O Titanic ainda flutua. A orquestra continua a tocar como se nada tivesse acontecido. O PSD/CDS, depois de quatro anos a ostracizar o PS, ameaçando que com ele teríamos novamente o Comunismo à porta, voltaríamos aos tempos do PREC, Marco António até evocou a data de aniversário que se aproxima, procura agora, através da mesma boca, sublinhar os pontos comuns existentes entre os programas do PSD e do PS. Falinhas mansas. Como eu os entendo. Dividir para reinar. 
Esperemos!

Abílio/outubro/2015

















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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.