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terça, 03 julho 2018 15:30

CASTRO DAIRE EM «O CASTRENSE»

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 «O CASTRENSE» LIDO  POR MIM...

É notório este meu gosto pelo saber e divulgar saber. Uma das minhas fontes tem sido a imprensa local. Já escrevi um livro sobre ela a propósito do restauro do velho PRELO saido da «Fundição de Massarelos», no Porto, em 1855. Está no Museu Municipal. Peça única, em termos museológicos, os nossos vereadores da Cultura, são o que são. «E não se fala mais nisso»

1-Fonte Correio1 - ABASTECIMENTO DE ÁGUA - 1917

Fui um defensor público, em texto e vídeo, da Fonte da Lavandeira, focando a sua exploração pela CÂMARA MUNICIPAL em 1919 devido a uma grande seca. Historiei amplamente tudo isso no meu livro “Implantação da República em Castro Daire” e em textos e vídeos subsequentes. Veja-se aqui o que se passava em 1917. Só a FONTE DO CORREIO pingava e os problemas de educação e reparos que isso suscitava. Bem, mas “não se fala mais nisso”, como costuma dizer o povo.

2-Ponte Tejo

 

2 - PONTE SOBRE O TEJO EM 1919

Decorria o ano de 1919. Lá pela capital da República, os alfacinhas sonhavam com uma ponte sobre o Tejo e disso deu notícia o jornal “O Castrense” com o sentido de HUMOR que punha na publicidade dos artigos expostos nos estabelecimentos comerciais da vila. Não resisti a fotografar a notícia e, consequentemente, a publicidade ao CALÇADO,  vendido no estabelecimento do senhor ANTÓNIO RIBEIRO SEIXAS, o único CALÇADO RESISTENTE, BOM E BARATO, capaz de resistir à travessia da ponte. Só lido, amigos, só lido. E eu vos dou esse prazer. Ora leiam:

 

 

 

3 - OSSADAS HUMANAS

Vejam a simplificação das coisas, como eram e como são. Encontradas as ossadas humanas no espaço que pertenceu à Casa Brasonada das Carrancas, devidamente identificada, na pessoa do Dr, Bernardino Lacerda, leva-se tudo para o cemitério e, segue-se o dito popular: “não se fala mais nisso”.3-Esqueleto

Só que o historiador, com o seu quê de detetive, sabendo que durante a Revolução Liberal de 1820, e tempos subsequentes, miguelistas e liberais eram expeditos a dar passaporte aos seus adversários para o outro mundo, como exemplificam os casos por mim historiados do assassinato do Padre Bizarro, nos arredores de Folgosa e os esqueletos encontrados na loja da égua do Abade da Ermida (não falo no romance “Mário” de Silva Gaio, que retrata, como ninguém, esse período conturbado da família portuguesa) bem posso alvitrar a hipótese de mais um LIBERAL ter voado para o Céu nessa altura e ali mesmo enterrado, naquele pedaço de horta. Para os MIGUELISTAS tanto valia. Os LIBERIAS eram inimigos da fé e, como tal,  não mereciam chão sagrado. Até na loja de uma cavalgadura, sob o seu estrume, estariam bem. Mas «não se fala mais nisso».

 

 

4-Candeiros4 - ILUMINAÇÃO PÚBLICA

Em Castro Daire (vila) a iluminação elétrica só chegou em 1934. Até então o recurso eram os candeeiros do género daquele que se tornou muito conhecido no filme onde Vasco Santana trava um diálogo com um desses protagonistas noturno e lhe pede lume para acender um cigarro. Nesta vila serrana em,,,, era o que diz a notícia. Mas «não se fala mais nisso»

 

 

5 - ARBORIZAÇÃO DA OUVIDA5-Ouvida-Árvores

Quem se interroga acerca da idade das velhas carvalhas que durante anos e anos tem dado sobra aos romeiros e feirantes que junto à Senhora da Ouvida, freguesia de Monteiras, ali, onde todos os anos se faz a feira, bem pode ter nesta notícia a informação de que precisava. E “não se fala mais nisso”.

 

 

6 - TIPOGRAFIA

6-Tipografia-2A imprensa local nem sempre teve bons dias. Em 1922 a tipografia esteve quase a fechar portas. O conhecido tipógrafo, Manuel Rebelo Riça,  que refiro no livro que acerca disso escrevi “pro bono” e foi editado pelo Executivo Municipal, tem a sua venda limitada ao espaço do Museu Municipal. Nem às livrarias chegou. E mesmo ali, mesmo que esteja à vista no expositor, parece ser uma figura envergonhada da sua existência. Ele retrata bem o “estalão” dos nossos Vereadores da Cultura e demais membros do Executivo Municipal. Mas, “não se fala mais nisso”.

 

 

7 - JULGAMENTO7-Estrumeiras-1

No ano 2000 dei à estampa o meu primeiro e único ROMANCE HISTÓRICO, com o título em epígrafe. “Histórico”, porque está fundamentado em “documentos históricos transcritos” (com fonte citada e tudo) e “romance” porque esses dados históricos foram cerzidos com fios de ficção literária como convinha ao enredo. As referências abonatórias feitas à obra e autor constam no meu “curriculum vitae” público. É só consultar o GOOGLE.

Nesse meu livro (esgotado e fora do mercado), cuja ação situei no último quartel do século XIX, com incursões no passado mais longínquo e no futuro mais próximo, conhecedor da realidade histórica do concelho e arredores, no que respeitava à coabitação dos animais com os humanos, conhecedor do saneamento básico inexistente nas cidades, vilas e aldeias de Portugal inteiro, com posturas municipais a autorizar os despejos domésticos pela janela fora, depois das 10 da noite, com o aviso “água vai” três vezes, conhecedor disso tudo, escrevi que, nas aldeias do concelho e na vila de Castro Daire, “os porcos eram agentes de limpeza”, aparentemente um paradoxo gritante. Podia lá ser que os “porcos fossem agentes de limpeza”? Mas era verdade. Sem saneamento básico, os despejos eram atirados para as ruas e os PORCOS, que, nas pocilgas, ou a passearem-se livremente pela vila, juntamente com galinhas, perus e outros animais de pelo e pena, tratavam de comer os dejetos e os restos. O texto que se segue mostra bem que em 1925, a sede do concelho não diferia muito de qualquer aldeia serrana, nos anos 50 do século XX..

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.