Trilhos Serranos

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sexta, 28 fevereiro 2020 09:33

EUTANÁSIA

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EUTANÁSIA

TEXTO PUBLICADO NO FACEBBOK em 20.02.2020

Passei a tarde no PARLAMENTO a ouvir o debate sobre a despenalização da EUTANÁSIA e/ou MORTE MEDICAMENTE ASSISTIDA. Pacientemente. E durante todo ese tempo ouvi muita vez a expressão CUIDADOS PALIATIVOS. E todas as vezes que era proferida, vinha-me à mente o texto que escrevi e publiquei em 16 de março de 2016 no meu site TRILHOS SERRANOS, do qual transcrevo para aqui o que julgo a propósito. Referia-me aos LARES por este país em fora, em tempos que o programa televisivo “SEXTA ÀS NOVE”, de Sandra Felgueiras, et alli, era coisa do porvir. É o seguinte:


Parlamento-1“(...) Ali, fechadas, onde o instinto da liberdade inscrito no código genético de todo o ser vivente, acicatado pelos anos, assume foros de revolta, pois em cada residente, curvado, derreado pelos invernos e tratos, existe o selvagem "homo eretus" das florestas, existe o "homo sapiens" pronto a escapar-se na primeira oportunidade e a retomar a primitiva liberdade perdida. Só que, à vista destes sinais, detectadas tais intenções pelo caçador ou pelo cabo de ordens de serviço, as portas do covil são fechadas a sete chaves e os soporíferos são misericordiosamente diluídos nas refeições. E a colmeia fica em paz. Não se ouve um zumbido de abelha. As abelhas em zombies se tornaram e deambulam pelos espaços livres, pelos parlamento-2favos abertos, olhares vagos, vítreos, perdidos em alvos incertos. Seres sonâmbulos não conhecem ninguém, nem por alguém são conhecidas. Depois, para sossego e conforto dos demais residentes, se necessário for, as presas rebeldes são postas em cadeirões e sofás, onde, sentadas, num estado dormente por força dos fármacos, a cabecear no vazio, "sim, senhor...sim, senhor...sim, senhor"...gozam o único movimento que lhes resta dos lestos gestos do ancestral "homo habilis". É isso. Estes prisioneiros, frutos que são do avançado estádIo civilizacional da humanidade, nenhum deles se dá conta do tempo e do espaço em que adormece para sempre. Um número que se risca da estatística dos vivos. Uma vaga em aberto. É o viver e o morrer na civilizada comunidade urbana do século XXI, rodeada, não por lobos, mas por profissionais domesticados à feição da sociedade criada. Enfim, um aspecto apenas do preço das políticas levadas a cabo, ao longo da história, pelo "homo demens", pelo "homo degradandis". O responsável pela existência dos pequenos, médios e grandes aglomerados populacionais, onde a caça é outra. O cidadão que legisla sobre a organização e administração do território, inclusive venatório, sem distinguir um gaio de uma poupa. O "homo urbanus" que, literato ou não, considera o "homo rusticus" provinciano e primitivo só porque este, a viva voz ou em letra redonda (em vídeo, revistas, jornais, livros e Facebook) alardeia o seu apego à natureza e defende uma relação equilibrada e sadia entre TERRA GENTE e ANIMAIS.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.