Trilhos Serranos

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quinta, 31 outubro 2019 08:51

O FACEBOOK É UMA LIÇÃO (oitava edição)

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REFLEXÕES

Em 31 de outubro de 2013 publiquei no meu mural do FACEBOOK  O texto que se segue. Hoje 31 de outubro de 2019, a zelosa EQUIPA DA EMPRESA trouxe ãs MEMÓRIAS essa relíquia e resolvi transplantá-la para este meu espaço, se é que já não anda por aí perdida entre outras.

FACEBOOK 8

O facebook é uma lição. Já vou na oitava reflexão sobre este espaço de encontro. E o número "8" representa o que permanece em equilíbrio: A Justiça ! Então sejamos justos. Parece que não sou o único a reflectir sobre o que nele se aprende. Gordo, magro ou assim-assim, espaço de pensadores, de copiadores, de beijinhos e abraços, pensamentos elaborados, coisas banais, é para mim ponto assente que este espaço é, efectivamente, uma lição, é o reflexo do país que temos e da gente que somos. De clero, de nobreza e de povo. Gente educada e gente rasca. Séculos de monarquia e de vassalagem, povo de joelhos em frente do monarca ou do clérigo, a pedir favores e perdão, a pagar foros em espécie ou em "metal sonante", a cultura da vénia e da subserviência, da cunha e do favor, está tão enraizada nos comportamentos dos portugueses, está tão presente no Facebook, que basta navegar pelas páginas abertas deste grande livro e constatar que se qualquer facefookiano, com um certo estatuto social ou profissional, der um peido, logo é seguido por um exército de "amigos", reais ou virtuais, de cerviz vergada e pituitária afinada, a cantar hosanas ao traque dado. Ao som segue-se o tom das conveniências, do bem parecer, do mostrar a existência, pois não podendo ser-se um "privilegiado", um "rico-homem", um "cavaleiro-fidalgo", gozar da sua companhia é já de si um "privilégio". E aí é que se mostram os acólitos, os soldados inebriados com o perfume de marca que se escapou da tripa rota do adulado general, ou cónego, ou bispo, "dão o cu e cinco tostões" para integrarem a companhia.
O Facebook é uma lição. Clero, Nobreza e Povo. A República pôs fim à Monarquia? Lá isso pôs. Foram-se os reis vieram os presidentes, mas da cúpula à base, manteve-se o pensamento piramidal, o comportamento da obediência e, tal como no tempo dos reis, não falta na República quem cultive a vassalagem. E há vassalos, pois ensina o velho ditado que "viver não custa, o que custa é saber viver".

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.