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quinta, 27 junho 2019 16:14

LÍNGUA PORTUGUESA

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O FACEBOOK É UMA LIÇÃO

LÍNGUA PORTUGUESA

Como que antecipando-me ao dia atribuído à LÍNGUA PORTUGUESA (hoje mesmo) no dia 25, pelas 13h00, publiquei no meu site "trilhos serranos.pt", com porta aberta aqui, no Facebook os topónimos QUIJO (CUJÓ) e CRASTO (CASTRO) dizendo que era assim que o POVO pronunciava na minha juventude e também assim escrevia, algumas vezes, em documentos, como demonstrei.

 

Não pertenço a nenhuma das "alas dos namorados" que, agarradas às suas armaduras, elmos e espadas eruditas, lutam contra ou a favor do ACORDO ORTOGRÁFICO em vigor.
Mas disse que alguns encaram a nossa Língua como um "artefato fossilizado" em vez de a encararem em "constante movimento", como nos ensina a "Pedra Filosofal" de António Gedeão. Inferindo-se, claramente, desta minha postura que admito com naturalidade a sua EVOLUÇÃO e não penso que ela se tenha tornado uma "vaca sagrada", nem atingido o grau máximo de perfeição, ponto final, parágrafo.
Afigura-se, pois, estéril, a discussão em torno de uma "COISA" que, seguramente, hoje é diferente do que foi ontem e amanhã será diferente do que é hoje, contra todos os ventos e marés trazidas pelos tempos e pelo labor de todos os BEM PENSANTES sobre a matéria. Lembro-me de ter lido algures, em livros da especialidade, que a guerra entre LINGUISTAS e GRAMÁTICOS é uma guerra sem fim. Os últimos a querê-la morta, cristalizada e os primeiros a querê-la viva, sempre a mexer.

Pois, nem de propósito, acabo de ler o artigo de "opinião" de José Ribeiro e Castro, no Publico on-lin, e dele transcrevo o excerto que se segue, sublinhando que antes da LINGUA ser NORMALIZADA pelos eruditos, REIS que sejam, ela é um instrumento usada pelo POVO e o POVO, por estas bandas, dizia QUIJÓ e CRASTO, antes das palavras, serem mudadas, para CUJÓ e CASTRO, mesmo que eu saiba que a grafia destes dois nomes, em documentos diferentes e no mesmo documento, alternaram ao longo dos tempos. Ora vejam o excerto de Ribeiro e Castro:

"Apesar de ser rei e soberano absoluto, D. Afonso II, em 27 de Junho de 1214, escreveu um texto que não é um Decreto. Ele obviamente não disse: “Decreto hoje fazer esta língua. E fica feita.” Não, D. Afonso II escreveu apenas o seu testamento; limitou-se a usar uma língua que obviamente já existia e já era usada pelo seu povo, antes de ele a usar também. O simbolismo deste momento e desse marco é que é a primeira vez que isso foi feito. Nunca antes dele, um Rei, um Estado, um soberano usara a nossa língua, escrevera oficialmente a nossa língua".

Abílio/junho/2014

NOTA: publicado no FACEBOOK na data referida e transposto hoje para aqui, por ter vindo ao capítulo MEMÓRIAS.

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.