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domingo, 10 março 2019 17:29

O FACEBOOK É UMA LIÇÃO - O MUNDO PORTUGUÊS

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MUNDO PORTUGUÊS

No último “post” que aqui deixei com o título em epígrafe, transferido do meu site “trilhos-serranos” pelo facilitismo que isso me dá de poder incorporar no texto algumas imagens mais, reportei-me a uma peça fundida em bronze ligada, seguramente, à “ ESPOSIÇÃO DO MUNDO PORTUGUÊS” que teve lugar em Lisboa, em 1940.

 Sobre ela disse que tinha 16 cm de diâmetro (que não era um cinzeiro), que era fundida em bronze e o seu estado apresentável na fotografia se devia a um ligeiro trabalho de restauro feito por mim.

TORRE-APosteriormente à publicação desse texto, amplamente ilustrado com a imagem completa, logo seguida de respigos separados dos restantes elementos nelas incorporados, (devidamente explicados) pessoa amiga teve a gentileza de me remeter, pelo correio, uma peça semelhante, mas com elementos diferentes, isto é, com todos os brasões dos territórios que constituíram o antigo IMPÉRIO PORTUGUÊS, a saber: ao centro o ESCUDO NACIONAL E A CRUZ DE CRISTO. Em seu redor, rodando no sentido dos ponteiros de um relógio, os brasões de S.TOMÉ E PRÍNCIPE, ANGOLA, MOÇAMBIQUE, ÍNDIA, MACAU, TIMOR, CABO VERDE, e GUINÉ.

Possuidor destes dois “medalhões”, ambos ligados à HISTÓRIA PÁTRIA (um, por compra e, outro, por gentil oferta) no sentido de valorizar essas duas peças, quer como “icons” simbólicos de tempos idos, quer pela forma como “aportaram” a este meu “cais” da vida, resolvi dar-lhes o destaque merecido (diferente de serem guardados numa qualquer gaveta ocultas do estudo e da vista humana) e investir nelas o meu gosto pela museologia, por forma a dar vida e contexto aos objetos, conforme escrevi, na crónica “MILHO, VINHO, LUZ E VIDA”, em 28 de novembro de 2018, a lembrar:

Os objetos com que lidamos, comprados ou herdados, os espaços por onde andamos, são seguramente extensão de nós próprios, das nossas vidas, da vida dos nossos antepassados e mesmo da mente humana que os congeminou e pôs ao nosso dispor, para trabalho ou distração. Muitos ficam guardados e conservados em museus, mantendo, dessa forma, o passado vivo. Outros tantos acabam nas montureiras de lixo ou aterros sanitários, onde encontram sepultura definitiva. Ainda que, mesmo assim, muitos deles persistam na memória, já que esta os preserva para aquém da matéria desaparecida”.

MEDALHÕES-AVai daí, porque assim penso e assim ajo, deixei-me, por algum tempo, das costumadas leituras, deixei-me de estar com os olhos pespegados no “ecran” do Ipad e do monitor do computador e pus-me a congeminar o seu enquadramento numa “moldura” que,  à semelhança do que já havia feito com a TORRE DE BELÉM,  as dignificasse, bem como o espaço da casa que não destoasse do conteúdo nelas incorporado, desde que se tornaram “gente” saídas da mente dos artistas e do “ventre” de fogo, que, por fundição, as puseram no mundo.

E melhor lugar não podia ser esse, senão a ombreira direita da porta que dá entrada para a biblioteca, de resto a emparceirar com a que enquadra a “TORRE DE BELÉM”, (foto acima) esse icon dos DESCOBRIMENTOS, evento sem o qual não existiria a formação do IMPÉRIO PORTUGUÊS, nem esse outro MUNDO glorificado pelo regime político vigente na EXPOSIÇÃO de 1940?

Pensado assim, sem ferramentas e arte técnica caseiras para manufaturar as “molduras”, compatíveis com este meu ensejo, não era essa a dificuldade que ia inviabilizar a ideia. Logo me lembrei do amigo que foi protagonista do meu vídeo “CASTRO DAIRE - ENGENHO E ARTE DE PAULO ALMEIDA” que, nos princípios deste ano, alojei no Youtube, destacando as “obras de arte” que ele concebe e executa, manipulando a nova tecnologia que, a preceito, introduziu na sua oficina ligada, exatamente, ao corte e recorte de madeira e acrílico.

Algumas peças da sua produção, por saírem defeituosas ou não ficarem ao agrado do artista, bem como todos os “recortes negativos” das obras feitas, assumem o estatuto de “refugo” e, logo a seguir, tomam o caminho das lareiras para nelas servirem de excelentes acendalhas.

Sabido isto, e valorizando o ditado “quem tem amigos não morre na forca”, dirigi-me à oficina de Paulo Almeida e, chegado ali, foi só escolher e livrar do FOGO as peças que me faltavam para enquadrarem aquelas que filhas do FOGO eram, por fundição.

O produto final está á vista. Postas ali, à entrada da Biblioteca, são como que um incentivo às minhas netas Mafalda e Marta, e ao neto Guilherme,  a «descobrirem» o mundo inteiro, inclusive rodando o GLOBO TERESTRE iluminado que ali toma assento, no qual poderão seguir, com os dedos, o trajeto que o avô seguiu até Moçambique (Lourenço Marques)  e, ali chegado, até à cidade de Tete, terra de juventude, de calores e de amores.

 

3-GLOBO-

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.