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quinta, 14 dezembro 2017 19:57

MARCOS DE CIDADANIA E PROMISCUIDADE DE POLÍTICOS E INSTITUIÇÕES

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HISTÓRIA VIVA

Hoje, a SIC NOTÍCIAS, no seu programa "OPINIÃO PÚBLICA", debateu o caso "RARÍSSIMAS" e os apoios financeiros dados pelo Estado a outras "IPSS". Vieram à baila as MIsericórdias e as Mutualidades, cujos dirigentes, em algumas delas, são uma espécie de monarquias familiares e/ou políticas.

Estamos em 2017, mas foi isso mesmo que eu demonstrei em 2005, no meu livro sobre os BOMBEIROS DE CASTRO DAIRE. E fi-lo depois de ter sido membro eleito da sua DIRECÇÃO e de ter investigado e publicado o livro sobre a MISERICÓRDIA DE CASTRO DAIRE, da qual não era e me recusei a ser "irmão", por não me identificar com todos os preceitos estipulados no seu COMPROMISSO. 

Tinha por isso conhecimento histórico, social e cívico sobejo para dizer, sem receio de ser desmentido, que "as instituições locais, como a Misericórdia e os Bombeiros não são assim tão "santas", nem tão "humanitárias", como vulgarmente são conhecidas". 

Na "OPINIÃO PÚBLICA" da SIC um telespectador aludiu desconfortado à forma como era constituída a Direcção de uma Associação Mutualista de Coimbra, envolvendo pai, filha e mais familiares. E outro, referindo-se a uma IPSS e aprovação de contas, disse que o TOC dessa instituição é membro da Assembleia Geral.

E, dito isto, eis a razão do título que dei a este apontamento: decorria o ano de 1859 (mil oitocentos e cinquenta e nove), ano em que (leram bem) uma COMISSÃO (formada por cinco membros) encarregada de reformular o Compromisso da Santa Casa de Misericórdia de Lamego, escreveu o seguinte:

"Nos nossos dias já temos visto eleições feitas unicamente pelas MESAS sem que a elas concorra um único irmão, sendo, em tais casos, possível a qualquer ambicioso, ou menos digno, fazer-se eleger, adaptando o princípio da ampla liberdade de eleição. Uma lei ou disposição qualquer para se seguir e adoptar não basta só que seja boa em teoria, é preciso, além disso, que se conforme com o estado de civilização e desenvolvimento da sociedade, à qual se quer aplicar. De outra sorte podem leis boas produzir tristes e fatais resultados" (pp. 76)

É conhecida a promiscuidade dos políticos (nacionais ou locais) com as instituições de solidariedade social ou de voluntariado. É um axioma, e como tal não precisa demonstração. E eu constatei que as preocupações deixadas em letra redonda por estes ilustres cidadãos de Lamego, em 1859, ainda tinham lugar em Castro Daire mais de cem anos depois. 

Deixando de fora a arregimentação de "sócios" e de "votos" em momentos de eleições (tanto nos Bombeiros como na Misericórdia) realizado o acto eleitoral acabava-se o "associativismo" e as contas são aprovadas pelos próprios ÓRGÃO SOCIAIS, a coberto de uma ASSEMBLEIA GERAL. A foto que se segue, refere-se à APROVAÇÃO DE CONTAS dos BOMBEIROS DE CASTRO DAIRE no ano de 2004. Contem os elementos da Assembleia e tirem as vossas conclusões. 

EU NÃO ME CALO...


Foto de Abílio Pereira de Carvalho.









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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.