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domingo, 12 novembro 2017 12:56

PULMÃO VERDE A PRESERVAR

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HISTÓRIA VIVA

Entre VILA POUCA, BALTAR e FAREJA , num espaço onde outrora cabia o "maninho" (um pedaço de terrenos assim chamado pelos moradores de Fareja) e também o penedo da "Vezeira", já desfeito em esteios, ao qual se ligava a lenda da Moura Encantada que escrevi e publiquei, ainda em vida de Joaquim Soares, mais conhecido por Joaquim Bolota (meu tio) que ma contou crente de ser uma narrativa autêntica, nesse espaço.

FOGOS-RES1

Mas, dizia eu, existe ali um PULMÃO VERDE constituído, em grande parte, por leiras e pinhais cujos donos deixaram, há anos, de andar por ali a apascentar os gados, a cortar as lenhas e estrumes. A última fotografia que lá tirei foi há muitos anos, à "tia" Larentina, do fundo do povo, mais conhecida por Cavaquinha, a fazer uma carrada de lenha no seu "landô", um carro de duas cabeçalhas e de uma só vaca, que também se usava por aqui.

Desde 1986 que me passeio por esse espaço. Eu e a minha esposa (quando era viva) fazíamos dos caminhos, carreiros e veredas que o cruzavam, em todas as direções, os nossos trilhos de passeio em contato com a natureza. Num desses passeios cruzámos com aqueles castanheiros centenários de que fiz vídeo e pus no mundo, alojados no Youtube. É só ver. É só entrar no site e escrever "FAREJA CASTANHEIROS".FOTO2

Mas o que me leva hoje a falar desse espaço, não é o saudosismo dos tempos idos. Não. Não é isso, ainda que, para falar de PRESENTE, tenha de falar do PASSADO e dizer que, durante esses nossos passeios, víamos sempre gente por ali. Umas pessoas com os seu gados, outras de enxadinha ao ombro, a "verificar os marcos" (assim nos diziam) como se os "marcos" tivessem pernas e se deslocassem para o lado, alargando umas propriedades e estreitando outras.

FOTO-2Falecida que foi a minha esposa mantive durante algum tempo o hábito de cirandar por ali, tirando fotos e fazendo vídeos. Mas há uns tempos que anos e os joelhos, acusando fadiga, me desaconselham a passeata.

Todavia, dado o INFERNO que incendiou o país, neste ano de 2017, não resisti e resolvi fazer o trajeto que vai do ECOCENTRO DE CASTRO DAIRE, sito nos arredores de Vila Pouca, até Fareja, de mota. Ignorando o estado da picada, arrisquei e fiz vídeo que alojei de imediato no Youtube, com porta aberta neste meu espaço. É só ver. Aquilo impressiona. Aquilo é BOSQUE contínuo e se nele pega o fogo, vai tudo a eito. Se tal tragédia acontecesse não haveria Bombeiros Voluntários, Profissionais, Especiais, Proteção Civil, organizada ou não, que lhe acudisse. O alerta de PREVENÇÃO aqui fica juntamente com uma pergunta dirigida à AUTARQUIA, de membros eleitos, novinhos em folha: quando é que aquele troço de terra batida é coberto de alcatrão, facilitando a ligação entre estes dois pontos e uma rápida circulação em caso de EMERGÊNCIA? Vejam a foto através do GOOGLE.

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.