Trilhos Serranos

Está em... Início Crónicas AUTÁRQUICAS DE 2017
quarta, 27 setembro 2017 17:19

AUTÁRQUICAS DE 2017

Escrito por 

FACEBOOK 4 (O FACEBOOK É UMA LIÇÃO)

Ora façam o favor de ler o que eu escrevi, em setembro de 2011, sobre o FACEBOOK:

«Pegando nas palavras de Chico Buarque para quem a «solidão é quando nos perdemos nós mesmos e procuramos em vão pela nossa alma», nesta minha postura solitária, mas também solidária (ao contrário de outros que pediram para serem meus amigos, mas nunca mais apareceram, apesar de eu saber que, silenciosamente, me entram porta dentro e bisbilhotam todos os cantos da minha casa) continuo a navegar e a divagar no Facebook, onde todos os dias aprendo algo de novo sobre o ser humano, desde o que ele tem de mais sublime ao mais sórdido, da mais apreciada sabedoria e bom senso, à mais rasa e rasca banalidade.

 

1-PSD-PPPor isso, e porque assim é, sinto-me tentado a alterar a letra daquela velha e significativa canção coimbrã, que tão saudosos deixa estudantes, professores e outras pessoas que por lá passaram. Esses e não só. Eu tive um colega licenciado na Universidade de Braga que me manifestava frequentemente o seu desconforto por não ter feito o curso em Coimbra. Não é, seguramente, o meu caso, nunca pensei nisso, mas sempre pensei, isso sim, em nunca contribuir na vida, para o desprestígio dos estabelecimentos liceais que me formaram, da Universidade que me diplomou, dos professores com quem aprendi, dos companheiros e colegas de carteira, a par de tudo fazer que pudesse honrar e dignificar a minha profissão, o meu local de trabalho, a minha terra, os meus pais e familiares, e, nunca, por nunca, desiludir os amigos.

 2PS-rEDMas que grande relambório para dizer que essa canção coimbrã diz mesmo muito a muitos que lá aprenderam, estudaram e ensinaram (lá e depois de lá) e, talvez por isso, é que me vem a tentação de lhe trocar a letra e cantar «o Facebook é uma lição». 

Todos dias aprendo algo de novo e aprecio sobremaneira os despiques entre académicos (uns confessadamente, outros presumo que o sejam) travados em torno de uma ideia, às vezes bem oportuna, bem generosa, bem humana e bem lançada, bem académica, mas logo seguida, comentada, deturpada e enroupada com argumentos contrários, cheios de raiva, de ódio, de discordância, de marcante carga ideológica, de realizações e frustrações profissionais, sociais ou políticas, vazadas nesta ampla ágora livre e democrática dos nossos tempos, ágora que, para além de me fazer lembrar, como já disse noutra crónica, o confessionário, onde cada crente vai depor os seus pecados, ou um sofá de psicólogo ou psiquiatra, onde todos nós expomos o que nos vai na alma, faz-me também lembrar, um palco de romaria ou de feira, onde ecoam 3-Paulo - rEDas genuínas e espontâneas cantigas à desgarrada, tão apreciadas por feirantes, romeiros, semianalfabetos, mas com malícia e manha bastantes injetadas nos calos do corpo e da alma para descodificarem as brejeirices, as palavras de duplo sentido, usadas pelos cantadores que, no palco se opõem, divertem e fazem rir o POVÃO. E eu, que ao POVÃO pertenço, ainda rio com as criações de sabor vicentino.

Podia lembrar-me antes de tertúlias académicas, era uma analogia de maior elevação, mais prestígio social, mas como sou um rural assumido, e quero continuar a aprender e a divertir-me por estas bandas do Montemuro: «peço desculpa ao senhor Dr. por me ter atendido hoje». As listas de consultas são cada vez mais longas. Mas por hoje chega. Não digo mais. Fico-me por aqui. Já desabafei. Afinal qual foi o antidepressivo que me receitou, contra a solidão? Está aí na receita. A farmácia avia-o. Obrigado. Quando é a próxima consulta? Apareça quando quiser. Aparecerei».

POST SCRIPTUM:

Quem me acompanha, a par e passo, nesta minha página sabe que este texto foi publicado, pela primeira vez, em 26 de Setembro de 2013 e repescado ontem de tarde, por força da equipa do Facebook o trazer ao «CAPÍTULO DAS MEMÓRIAS».

4-PSE, sendo assim, os meus amigos perguntarão a razão por que o reponho hoje novamente ilustrado com partes dos folhetos de propaganda política dos candidatos que disputam o PODER LOCAL AUTÁRQUICO, em Castro Daire. Não fora eles colocarem nessa propaganda um endereço a «remeter» para esta «ágora democrática» (ou talvez nem tanto para alguns deles) e eu não estaria aqui a perder o meu tempo. Só que, pretendendo eu usar esses endereços para, como cidadão castrense, que ainda não deu aposentação à sua cidadania, dar a minha opinião, constatei que num só deles tive entrada, pois no outro, certamente por «azelhice» minha, ou «esperteza» deles, não consegui meter « «bedelho». O endereço  está ali só para eles «botarem sermão», pois não se encontra lá espaço aberto para escrever uma VÍRGULA. As fotos que deixo acima são esclarecedoras. Quem assim procede, ainda está a tempo de «simplificar a PÁGINA, por forma a permitir que todos os «azelhas» como eu possam ali entrar e dar um contributo singelo, mas honesto a esta nossa DEMOCRACIA, que se quer sem CLIENTELISMO, COMPADRIO, NEPOTISMO, AMIGUISMO e outros «ismos» que que até já chegaram à TVi, via ESTRADA REAL. 

Ler 247 vezes
Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.