Trilhos Serranos

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quinta, 27 abril 2017 12:14

AR ABENÇOADO ENLATADO

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REGRESSÃO

Depois de abrir o link que me chegou à caixa do correio eletrónico enviado por um amigo da minha geração, o Dr. Manuel Lima Bastos, que, depois de queimar os neurónios na Universidade de Coimbra, passou a vida nas barras dos tribunais e a ler, tresler e a escrever sobre Aquilino Ribeiro, com o introito interrogativo «JULGAVAM QUE JÁ TINHAM VISTO TUDO?», reenviei-o para uma sobrinha minha, médica de profissão, que, me respondeu com a seguinte apreciação:

1-LATAS-2 - redz

«Há que admirar a imaginação e empreendimento de certas pessoas. E tais clientes merecem serem aliviados de algum dinheiro. Assim como assim, a regressão civilizacional que estamos a viver vai ainda mostrar-nos muito mais coisas deste género».

«Regressão civilizacional» disse ela, lá, em terras de Jessica Flecher (Angela Lansbury), senhora que todos nós conhecemos como pessoa capaz de deslindar o mais imbrincado mistério. E assim é, de facto. Então não é que, não sei se pela idade, se por me deixar arrastar nesta onda de «regressão civilizacional» (para não destoar da maralha) mal cheguei ao restaurante onde tomo as refeições para manter o cérebro a funcionar e logo exigi à empregada que substituísse a água engarrafada no Montemuro (São Cristóvão) por uma LATA DE AR2-LATA-3 - Redz ABENÇOADO de FÁTIMA (agora que vem aí o Papa) ou de LISBOA, pois, de contrário, deixaria de ser cliente daquela casa?

O dono do restaurante, ouvindo a minha exigência, aproximou-se e não levou a sério o meu pedido. Lá tive de abrir o IPAD e de lhe mostrar o fundamento do meu desejo. Ele, depois de ver a entrevista à CMTV do empreendedor ocraniano com empresa aberta em Mafra,  e bem assim a exposição das LATAS devidamente rotuladas para garantia do seu conteúdo (presumo que 3-LATAS-4 - redzfiscalizado pela ASAE) respondeu-me de pronto, com a ironia que o caracteriza:

- Esteja V.Exa. descansado, pois logo que por aqui passe o fornecedor, farei a aquisição de algumas dessas latas de modo a satisfazer os desejos dos meus clientes mais exigentes e mais esclarecidos.

Almocei sossegado e, neste meu estado «regressivo» (para não destoar da restante maralha) saí porta fora com uma expressão a bailar-me nos lábios:

- É preciso ter lata!

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.