Trilhos Serranos

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segunda, 07 dezembro 2020 14:16

FAREJINHAS - EX-PARQUE «JAE»

Escrito por 

CORTE DE ÁRVORES

NEM PENSAR

Os meus “posts” anteriores atestam a prioridade e o valor que dei à leitura e comentários que me mereceram os livros de Delfim Ferreira da Silva, da Moita, concelho de Castro Daire, com o título «PAIXÕES, SENTIMENTOS E VERDADES» e o livro de José F. Colaço Guerreiro, do concelho de de Castro Verde, com o título “DESCANTES”, seguidos do livro da «DÉCIMA SECÇÃO DE CONSERVAÇÃO DA DIRECÇÃO DE ESTRADAS DO DISTRITO DE VISEU». de 1929 A 1940, sendo chefe da Conservação Mário Rodrigues dos Santos. Todos eles lidos e COMENTADOS com prazer, neste meu exercício de cidadania, em prol da informação, da CULTURA e BEM COMUM. Feito isso, retormo ao tema que ficou suspenso ligado ao DERRUBE das árvores no ex-PARQUE JAE no alto de Farejinhas. Assim:

 Como as minhas intervenções públicas, escritas e faladas, pensadas ou improvisadas, são sempre feitas de BOA FÉ, ainda que tenha idade para não ser ingénuo, dou como verdadeiro e, também, de BOA FÉ, o esclarecimento feito pelo EXECUTIVO MUNICIPAL de Castro Daire na sua página do FACEBOOK, acerca do abate das árvores no “PARQUE JAE” no alto de Farejinhas, junto ao Restaurante Paris.

Mas como não prescindo de documentos, escritos, fotográficos e fílmicos, para neles apoiar os argumentos contra as opiniões que, diferentemente das minhas, por via de regra, exprimem interesses pessoais de amizade, compadrio ou ideário político clientelar, aqui estou a reproduzir o que foi dito e é público, seja escrito ou seja em imagem., para que conste.

PRIMEIRA PARTE

Município de Castro Daire

TEXTO-CÂMARAQV.PPUCA - Cópia27 de novembro às 14:41

CORTE DE ÁRVORES NO ALTO DE FAREJINHAS – ESCLARECIMENTO

 Relativamente ao corte de árvores que aconteceu no Parque do Alto de Farejinhas importa serem prestados alguns esclarecimentos por forma a dissipar qualquer dúvida sobre a responsabilidade dessa intervenção.

A tutela daquele Parque é da responsabilidade da IP – Infraestruturas de Portugal, pelo que a intervenção do corte de árvores que lá aconteceu foi da sua única e exclusiva responsabilidade.

O Município de Castro Daire não teve qualquer notificação ou informação prévia dessa pretensão por parte da IP, pelo que foi surpreendido pelo sucedido quando tomou conhecimento desse facto e, lamentavelmente, nesse momento, já nada havia a fazer, porque o abate já tinha sido efetuado.

Sendo este local uma das entradas da Vila de Castro Daire, sede do concelho, sempre foi intenção deste Executivo Municipal a requalificação daquele espaço. Neste sentido, os serviços do Município tinham já elaborado um projeto para a sua requalificação. Pretendia-se efetuar uma intervenção similar à que foi levada a cabo no Parque com Água em Vila Pouca, também esta uma das entradas da Vila.

As imagens que partilhamos com o presente esclarecimento revelam a intervenção idealizada para aquele espaço, que tinha por base todo o parque verde ali existente.

Adicionalmente, o Município de Castro Daire informa que efetuou um pedido de esclarecimento junto das Infraestruturas de Portugal sobre o propósito desta intervenção”.

SEGUNDA PARTE

Claro que houve quem duvidasse do que ficou dito e mostrado, devido ao incompreensível SILÊNCIO que se arrastou durante a após o derrube do PARQUE e também a incoerência do EXECUTIVO  dizer agora publicamente, ter em mãos um projeto de requalificação para um espaço que alega estar fora da sua tutela. Houve mesmo quem dissesse, com ironia bastante, que, a ser assim, era “fazer um filho em mulher alheia”.

PARQUE FAREJINHAS.EDZE também houve alguns amigos meus, pessoas que tenho em boa conta, que vieram interpelar o meu DESCONFORTO sobre tal abate, depois de eu publicar a foto que captei do GOOGLE EARTH (que aqui reponho) arengando que as árvores estavam a causar perigo eminente aos moradores. E veio até à colação o perigo que corriam os clientes do RESTAURANTE PARIS face a tal ameaça.

A foto mostra que não é assim e eu espondi lá no Facebook, ao meu amigo interpelante, mas se calhar seria bom conhecer o ELO de ligação que une o RESTAURANTE ao PARQUE. E feito ligeiro estudo, ou linear raciocínio, logo se conclui que não foi o PARQUE que nasceu à sombra do RESTAURANTE, mas o RESTAURANTE que nasceu, com proveito, à sombra do PARQUE. Inverter a situação, só numa “cantoria à desgarrada” cantada ao ritmo da FADO BEIRÃO, de que muito gosto, como sabem muito bem os amigos que essa arte muito bem executam quando são rogados para festanças, incluindo as que o EXECUTIVO MUNICIPAL  leva a cabo.

Agora é chorar sobre o leite derramado. Mas isso não obsta a que o HISTORIADOR se desinteresse pela DOCUMENTAÇÃO FÍLMICA/FOTOGRÁFICA disponível e pública, capaz de ilustrar objetivamente o sucedido, sem interferência da subjtividade expressa nas opiniões que visam DESCULPABILIZAR os responsáveis locais e nacionais que condenaram à morte uma boa quantidade de árvores cheias de vida e saúde. As imagens, tal como o «algodão não enganam».

1a-IDENTIFICADO-2 NUNO MAIAAlém da foto que captei do GOOGLE EARTH, junto mais estas, retiradas do vídeo que corre no Youtube, sob a autoria de  NUNOMFMAIA, que, e em 2017, talvez sem pensar nisso, deixou para a posteridade, DOCUMENTOS que não voltarão a ser vistos por qualquer DRONE sofisticado e telecomandado que sobrevoe o espaço. Os créditos devidos aqui lhe ficam com o desejo de que esse vídeo, enquanto documento, seja mais visto, pois tendo sido alojado em 2017 conta com um reduzido número de VISUALIZAÇÕES. Merece, efetivamente, ser mais visto, apreciado  e comentado.

1b-PARQUE-1É isso. Eu costume dizer que os meus VÍDEOS são DOCUMENTOS, não OPINIÕES. Também estas imagens, retiradas desse vídeo a navegar no Youtube, são DOCUMENTOS irrepetíveis. Por isso me dei ao trabalho de “captá-las” e fixá-las aqui, antes que desapareçam, pois experimentado estou de saber como estas coisas DIGITAIS, às vezes, procedem como os “ANINCÚS”, ora aparecem e fazem luz, ora desaparecem e deixam tudo às escuras.

No que a mim toca, depois destas minhas deambulações pelo ar com os pés no chão, dei-me por satisfeito com o ESCLARECIMENTO do EXECUTIVO MUNICIPAL e aguardo CEDROSZIMBROS E BUXOS - Cópiapacientemente não só as razões que levaram as INFRAESTRURAS DE PORTUGAL a fazer uma LIMPEZA GERAL naquele ESPAÇO sem disso darem conhecimento ao PODER  LOCAl, mas também ansioso por ir lá fazer um vídeo louvando a REQUALIFICAÇÃO pensada e feita em benefício do BEM COMUM, pois era isso mesmo que pensavam os antigos e diligentes CANTONEIROS e seus superiores hierárquicos como já vimos e aqui se repõe o retalho do livro onde se registaram as determinações e relatórios entre os anos de 1929 e 1940. Um deles é existência de viveiros, a identificação das espécies ali cultivadas e o respetivo número de árvores e plantas, vertidos aqui em grelha para melhor leitura:

ESTRADA Nº 7-1ª (ANTIGA Nº 7 DE S. PEDRO DO SUL À REGUA

VIVEIROS

ESPÉCIES

NÚMERO

KM 17

CEDROS

ZIMBROS

ROSEIRAS

500

300

100

KM 23

CEDROS

ZIMBROS

BUXOS

100

70

40

KM 36

BUXHOS

AUSTRÁLIAS

ROSEIRAS

?

?

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Quer dizer, os responsáveis pelas ESTRADAS DE PORTUGAL, à época, década de 30 do século XX, tinham uma filosofia “arbórea” e «arbustiva» em benefício de transeunte. Sabido isto, vejam e perguntem qual é a FILOSOFIA das atuais responsáveis pelas INFRAESTRUTURAS DE PORTUGAL.



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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.