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quinta, 03 dezembro 2020 16:32

DR. JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO

Escrito por 

«DESCANTES»

É incontornável. Já o escrevi algures e volto aqui a fazê-lo. Sempre que me lembro do começo da minha amizade com o DR. JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO, dou por mim, há muitos anos, naquele cruzamento de ruas, em Castro Verde, onde, numa das esquinas, ficava a oficina do alfaiate TERLICA, nosso amigo comum, homem vivido e conversador, com quem, na sua loja e fora dela, com a tesoura em descanso (e às vezes não), trocávamos impressões interessantíssimas sobre as encruzilhadas da vida. Caminhos andados e os caminhos almejados do porvir.

 PRIMEIRA PARTE

castro-carvão - CópiaFoi ali, pois, naquele cruzamento, que nos cruzámos pela primeia vez. Eu, um professor de HISTÓRIA a rondar os 40 e mais anos de idade e ele um jovem licenciado em DIREITO, acabadinho de deixar a Universidade, a rondar os 20. Ele, nado e criado no Alentejo, e eu, beirão de nascença, ali chegado por força da profissão e casado com a colega de ofício, MAFALDA DE BRITO MATOS LANÇA CARVALHO, nascida no Monte das Fontainhas, arredores de Almeirim, concelho de Castro Verde, filha de GUERREIRO COLAÇO PARREIRA LANÇA e de AUGUSTA DE BRITO MATOS LANÇA, casal que, incentivado pela política do ESTADO NOVO relativa aos COLONATOS planeados para Moçambique, venderam o MONTE e ala para o ULTRAMAR em busca da TERRA PROMETIDA. Mas isto são contas de outro rosário.

esboço - CópiaOra, não tendo eu propensão para estudos genealógicos e também porque, em Castro Verde, nos meus contactos pessoais e estudos feitos, tenha verificado haver “COLAÇOS e GUERREIROS” cabonde, nunca aproximei os nomes, nem nunca curei de saber se o nome GUERREIRO COLAÇO do meu sogro e os apelidos COLAÇO GUERREIRO do meu amigo, remetiam para um elo ancestral de parentesco, porventura diluído ao longo do tempo, digamos que pontas afastadas da frança de uma árvore de tronco comum, quiçá, um “quercus suber” ramificado vezes sem conta, disseminado e perdido no frondoso e extenso montado alentejano.

Certo, certo é que ambos - homo sapiens, sapiens - ele e eu, ali, naquela esquina, em Castro Verde, sem algo de comum que não fosse, porventura, ele, no Alentejo, a usufruir a sombra do “quercus suber” desde criança, e eu, na Beira Alta, a sombra do “quercus robur”, ali, naquela esquina, dizia, nos conhecemos e expusemos arejadamente o entusiasmo e os interesses comuns que nos animavam. Sintonizados estávamos ambos na investigação e divulgação da história, da cultura e dos usos e costumes locais.

DR.BRASÃO - CópiaJovem entusiasta, de poucas carnes, com uma barbicha e um bigode meio envergonhados a taparem-lhe o rosto, de falas mansas, sorriso franco, eloquente, de trato educado e afetivo, perguntava, informava, voltava a perguntar e a informar e incentivava-me a fazer, no campo da HISTÓRIA E DA CULTURA, o que não estava feito e disso sentia falta. E eu, recém-chegado, desconhecedor, em absoluto, do meio (não obstante ter casado com uma cidadã alentejana, lá longe em terra africana) mais falta me fazia a mim, interessado que estava no profícuo exercício da minha função docente e alertado que estava pela própria HISTÓRIA que bom caminho seria não me ficar pelos conteúdos históricos compendiados e entrelaçá-los, onde tal pudesse ser, com os conteúdos da HISTÓRIA LOCAL.

 

Retornado de Lourenço Marques, onde também era docente, com idade e traquejo bastantes no relacionamento social adquirido naquela terra cosmopolita, habitada pelas mais “desvairadas gentes”, (tive amigos e alunos de todas as idades, cores, etnias, religiões e culturas) arrisquei desenhar (certo ou errado) o perfil psicológico daquele jovem, simultaneamente tímido e temerário. De ego expansivo, arqueiro sem medo, incapaz de se reter escondido, mudo e quedo, atrás das ameias e seteitas do seu castelo arremessando setas no espaço vazio, os seus gestos, esforço e pontaria tinham de ter alvo e sentido. Aquelas barbichas e bigode no rosto, meio envergonhadas comparativamente com a forte cabeleira que lhe envolvia a caixa craniana, escondiam e mostravam um mundo de ideias e de iniciativas a perder de vista, qual torre de menagem, prestes a explodirem e a saírem da clareira fechada onde “bailhavam” os incansáveis e irrequietos neurónios da imaginação e da criatividade. As suas preocupações davam substância ao aforismo popular: “nem só de pão vive o homem”.

  

SEGUNDA PARTE

 

Era isso. Na minha frente tinha um jovem promissor, no princípio de carreira profissional (advogado, notário e conservador de registos) e, a par do seu “ganha pão”, disposto estava a deixar a sua pegada na área da investigação, da história, da cultura e da comunicação.

DR.ARDINA - CópiaDa minha parte, seria, de boa mente, seu companheiro de viagem até onde mo permitisse a passada. Pois eu, em terra estranha e terra minha, só tinha a ganhar com o seu companheirismo, com a sua amizade e aceitação dos humildes préstimos de um recém-chegado de África, com o rótulo de RETORNADO, rótulo com o carimbo da atmosfera semântica, social e política coladas a todos aqueles que, por força da DESCOLONIZAÇÃO forçados foram a deixar a TERRA PROMETIDA de além-mar e voltarem às berças donde partiram um em busca de melhor sorte.

Foi assim, pois, uma amizade à primeira vista. Sintonizados na mesma onda hertziana, aceites e definidos os objetivos, havia que passar à prática. E não tardou que ele aparecesse com a ideia de fundar um BOLETIM em cujas páginas seriam publicados os resultados da investigação realizada pelo conjunto de colaboradores contactados, uns académicos e outros não. Assim o pensou e assim o fez. E, sob a sua iniciativa e égide, nasceu o “CASTRA CASTRORUM”.

BASÍLICAOra, tendo isso acontecido no ano de 1980, visto a estes anos de distância, com a lucidez e/ou senilidade da idade (estamos no ano 2020 e eu conto 81 invernos), neste nosso tempo em que escrevemos sem uso do papel, da caneta e da tinta, lembrando que tudo tinha de ser escrito à mão, matraqueado à máquina em papel de cera, a fim de poder ser policopiado posteriormente naquelas “rotativas” que viraram peças de MUSEU, até parece que remontamos aos primórdios da escrita, às tabuinhas de argila da Mesopotâmia. As fotografias impressas eram autênticos “borrões” e os textos, por defeito de impressão, eram mais “delidos” que “lidos”. E não fora o pioneirismo e valor da iniciativa, o seu aspeto gráfico envergonharia, à partida e ainda hoje, qualquer discípulo de Gutemberg.

Ora, lembrar tudo isso, todas essas tarefas e iniciativos tantos anos depois (apesar de ser dever do historiador fazê-lo) mais não visa do que enaltecer e valorizar a iniciativa e sublinhar as dificuldades de levar a terceiros as IDEIAS e os CONHECIMENTOS inéditos ou adormecidos. Então, como hoje e sempre, o importante estava em valorizar mais o conteúdo do que a forma e mostrar, no concreto, que “quem não tem cão, caça com gato”.

Na altura, se bem recordo, o amigo José Guerreiro, sugeriu-me para, nas minhas veredas de investigação, seguir aquela que me levasse ao “CANTE ALENTEJANO, AO BALDÃO, CANTES E DESCANTES”, algo tradicional e popular que urgia investigar, divulgar, dar corpo nas páginas da HISTÓRIA, pois, ainda que tudo vivo, sofria de alguma letargia, senão mesmo esquecimento. Não se sabia se abafado pelos poderes políticos decorrentes da centralidade cultural e institucional, se pelas mutações sociais históricas, se pelo consequente desinteresse das próprias populações face às pressões da modernidade e da migração.

C.Verde1Fosse como fosse, eu encontraria ali um alfobre de conteúdos a recolher e a divulgar, quer fosse do ponto de vista melódico, quer fosse do ponto de vista da crítica e picardias contidas nas letras estudadas ou repentistas, inventadas e cantadas e/ou contadas no momento de convívio em taverna ou em espaço aberto de feira e de trabalho.

Não. A música não era a minha praia e não segui o alvitre. A par da leitura dos manuscritos existentes nos arquivos do concelho, voltei-me, de imediato, para a recolha de DÉCIMAS, também elas de conteúdo histórico-social assinalável, vivas e cheias de força na literatura oral periférica, excluídas, todavia, das antologias literárias e compêndios escolares. Perguntei o por quê dessa omissão a um ex-professor meu da HISTÓRIA DA LITERATURA e, e ele foi elucidativo. Se eu estava colocado na periferia e tinha vocação para a investigação, era um privilegiado. Portugal, à semelhança de outros países desenvolvidos,  não tinha sofrido as mutações repentinas  resultadas da Revolução Industrial e, afora o esforço manifesto de um centralismo político, cultural e institucional, no campo, nas nossas aldeias e vilas de província,  preservavam-se as raízes da velha cepa portuguesa. Seguisse em frente e, nessa campo arqueológico, não faltariam artefactos materiais e imateriais dignos de levantamento, de estudo, de preservação e vitalização de uma identidade cada vez mais diluída na roda dos tempos. 

TERCEIRA PARTE

 

E foi assim que, acompanhado (ou não) pelo meu colega professor SERRANO (entretanto falecido) de gravador e cassete a tiracolo, me pus a visitar aldeias e tavernas levando a cabo a tarefa. Feita a recolha, DÉCIMAS passadas a escrito, deixei na Câmara Municipal de Castro Verde uma pasta com material bastante desse tipo de poesia, cuja estrutura é uma QUADRA a servir de MOTE desenvolvido em QUATRO DÉCIMAS, cada uma delas rematada com um verso do mote dado.

E lá ficou a obra devidamente identificada e desenvolvida a partir do irónico e inteligente mote: “a instrução não é precisa/a instrução não convém/a instrução embrutece/a quem muita instrução tem”.

RÁDIOObras erradamente chamadas DÉCIMAS ALENTEJANAS, pois, aqui, em CASTRO DAIRE, recolhi iguais composições, quer no seu aspeto formal, (as mesmas estrofes e o mesmo esquema rimático) quer no conteúdo crítico. Na Serra do Montemuro, nos meados do século XX, esse tipo de poesia teve no MESTRE ZÉ AVELEIRA o seu último cultor.

E essa opção minha de me “baldar” à pesquisa sugerida, digo para desgosto meu, a posteriori, privou-me de estudar diretamente e ao vivo o que vim a conhecer como produto de outros investigadores e estudiosos, nomeadamente o BALDÃO que vejo e ouço agora tratado em letra, em imagem e áudio, difundido no Youtube por esse meu amigo e por outros que se interessaram (ainda bem) por esse retalho de cultura popular.

Mas se isso me deixa pesaroso, eis que me vejo compensado com a notícia que me chega da publicação de um livro com o título “DESCANTES” cujo autor é exatamente o DR. JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO, aquele aquele jovem advogado, que conheci, com aspeto franzino, simultaneamente tímido e temerário.

Não sabia ele nem eu que as novas tecnologias viriam a servir-lhe de asas para mais longos e ilimitados voos.

Não vou assestar o meu telescópio no firmamento estelar do  FACEBOOK onde, naturalmente, não faltam estrelas com  luz sua  a alumiar a paisagem alentejana com enfoque em Castro Verde.

Mas era impensável que eu não referisse o trabalho do DR JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO como radialista aos microfones da RÁDIO CASTRENSE. Foi ali que (ouçam bem!) há cerca de 30 anos (1989)  ele pôs no ar o PROGRAMA PATRIMÓNIO, que no ar se mantém. No tempos de mudanças tão aceleradas, é prescio fôlego.

Pastora5Programa semanal das quintas feiras, ele dura....dura....dura...e por tanto durar, eu, para não me desviar da minha forma de ver e de sentir, um tanto ou quanto à laia de pintor impressionista (pois exclusivamente pelas minhas impressões me guio) digo que ele virou oceano onde desaguam todas as “ribêras” em cujas margens e leito se movem e fluem as expressões e impressões culturais que escaparam ao meu desinteresse de então, que não à minha sensibilidade. Sobre o “CANTE” que, em 2014, viria a ser considerado pela UNESCO “PATRIMÓNIO CULTURAL IMATERIAL DA HUMANIDADE”, deixei um texto no  CAMPANIÇO escrito em 1993, portanto, uns anos antes desse merecido reconhecimento. Sobre o BALDÃO, muito ouvido e divulgado ultimamente, à vezes, para meu espanto, não distingo se é “choro” se é “canto”. (excluindo, claro, as picardias e os chistes vicentinos que inesperados/esperados fazem rir adultos e meninos em redondo, de pé ou assentados.

Mas faço questão de justificar aqui essa minha indecisão, entre “choro” e “canto”. No meu livro “Lendas de Cá Coisas do Além” editado em 2004 (esgotado, com ilustrações da MAFALDA), situando-me em   Mouramorta (no Montemuro) e referindo o nome da rua “chandeira” que levava à presumível sepultura da moura, topónimo que tem a mesma raiz de “chanto”, a que Virerbo atribui o significado de “alarido, prantos entrecortados com soluços, gemidos e vivas lágrimas”, exemplificando com extrato da Crónica de D. Pedro, assim: “muitos dias duraram os mouros chorando aquele grande, em tanto que não havia lugar em que cada dia se não fizessem novos chantos”. (Viterbo, vol. II:94) Ora, pois, seja «choro» ou «canto». Sempre em frente,  «rompe e rasga, siga a rusga»

 

EPÍLOGO

 

1A-CAPA-LIVRO-REDZRecebi o livro no dia 3 de dezembro por correio tradicional, com uma amistosa dedicatória do AUTOR. Obra feita com “Impressão e Acabamento da Papelmunde”, com ilustrações de Joaquim Rosa e chancela da “EDITORA NARRATIVA”, eis no mundo um produto de investigação servido pelas novas tecnologias de comunicação, tão diferentes dos tempos que lá vão. Mas, indiferente ao tempo que passou, sempre o mesmo cidadão e a mesma vontade e desejo de, pela investigação, se chegar às raízes culturais, desaparecidas, secas, meio esquecidas e, com estudos, se sedimentar uma identidade que  vem de longe.  Uma memória colectiva.

E assim eu, com o livro em mãos, não dispondo ainda de «conversor» de textos, imagens e sons analógicos para formato «digital», apesar dos avanços tecnológicos, quedei-me a perguntar, que jeito me fazia agora um equipamento desses, para me poupar a vista, quase cansada de tanto ler. Um texto digitalizado, feito livro, revertido em imagem e som no meu velho leitor de cassetes VHS. Pois. Ainda bem que o conservei no sítio e não o remeti para o sótão das velharias. E num livro que "fala" de "descantes", as letras têm forçosamente de se tranformar em imagens, sons e movimento, indo de encontro aos meus desejos e pensamento. Como fazer? 

1-mãoUm pouco mais comprido, o livro parecia não caber de través na abertura do velho leitor. Mas, dando asas ao pensamento, abertas as cancelas da imaginação, afastadas as leis da métrica e da ciência técnica, aproximei-me do aparelho e zás... vais lá para dentro e logo se vê. E vi e ouvi.

No ecrã da televisão apareceu-me, a capa e o mais que se vê. E eu, sentado no sofá, poupando a vista, como quem lê, vi a aragem que faz ondular as searas alentejanas em tempo delas, virar vento de maré e, passada a livro, passada a filme, com o título “DESCANTES” atravessou a planura, subiu à serra do Montemuro e eu, cá nesta lonjura e com esta idade, sentado,  deixo-me ir enrolado na fita, seguro, e,  em cada página, em cada fotograma, vejo uma vela dos mil moinhos levantados do chão, em cada outeiro alentejano, de través, da praia, da costa à raia, onde o zeloso “moleiro”, sempre atendo e diligente, vai moendo, grão a grão, esse outro pão de que vive a gente.

2-TELEV-1 - Cópia - CópiaÉ mesmo isso. Eu não sou capaz de olhar para este livro (capa, miolo, ilustrações e conteúdo, tudo) sem ver nele um filme de longa-metragem sobre Alentejo que conheci, cujo chão pisei, ouvi e cheirei. A sua orografia, a sua vegetação, a sua fauna, as suas gentes, a sua flora. Vim-me embora, mas comigo veio aquela paisagem ondulante de trigais (em cada onda uma moda) o cheiro a pão, horizontes sem fim, de cidades, vilas e montes, montados, hortas e poços, com noras ou sem elas, balde e cocharro livres e à mão do passante sedento. Caçador, feirante ou romeiro. Amoreiras e romazeiras. Sim, para mim este livro "DESCANTES" volveu filme, e na minha televisão, vejo a viola campaniça, tudo, e o realizador teve o bom gosto de lhe colar uma banda sonora de marca,  o cante nas suas diversas modalidades, masculino, feminino, aquele que, nascendo no campo, "quem canta seus males espanta", sendo ele menino, quem diria? entoado noite adiante vindo de uma taberna mesmo à berma da sua moradia, foi “a cantiga de embalar” com que noite, após noite, ele adormecia.

E intercalo aqui uma nota de rodapé: vem de longe, o cante como arte, o cante alegre, o cante de agrado e amoroso, o cante lamento, o cante sofredor, o cante mendicante, neste país de pedintes, de subserviências, de vénias e beija-mão ao rei e ao papa. E canta hoje tanta gente subsídio-dependente. Exemplo vivo dessa relação de governantes e governados, de poder e submissão,  é a arreigada cantoria anual das JANEIRAS feita nos palácios e residências de governantes. 

Editado, neste ano de 2020, pela “Narrativa”, sem recurso aos tipos de Gutemberg  (outros são os tempos), com o louvável patrocínio do PODER LOCAL, nesta minha narrativa, sem receio de “corromper” o título e conteúdo rolante do livro/filme, colorido, sonante e consoante, para não fugir ao contexto geográfico, natural  e humano em que viajo, atrevo-me a escrever, em léxico agrícola muito vulgar no Alentejo, que, na campo das novas tecnologias ao serviço da comunicação, o autor/realizador se tornou um latifundiário.

3-TELEV-1 - Cópia - Cópia 2Liberto de capas, ei-lo em campo aberto, sem asseiros, lavrador antigo, gesto largo de braço e mão pródiga, a semear tudo quanto é foto, vídeo e áudio, de flora e fauna, de passeio, rua, moradia, telhado, chaminé, muro caído e de pé, esquina, praça, beco, rotunda, quelho ou quelha, pessoa nova ou velha, praça, castelo, décima, moda, modinha, igreja, ermida levantada ou caída, cantos e recantos, sei lá se alguns “descantos” e “desencantos” humanos nessa sua extensiva e duradoura lavoura radiofónica, facebookiana e escrita. Vida dura sem ponta de fadiga. Mãos na rabiça, sempre incita a parelha “eh macho” e prepara a terra para a semeadura, limpando-a do escalracho.

Certo é que, em terras transtaganas do baixo Alentejo, parece não haver chão que não tenha a pegada deste meu amigo, conhecido por DR. JOSÉ FRANCISCO COLAÇO GUERREIRO, nado e criado no concelho de CASTRO VERDE, a mesma autarquia de onde era natural GUERREIRO COLAÇO PARREIRA LANÇA, pai da minha mulher MAFALDA DE BRITO MATOS LANÇA CARVALHO (falecida em 1997) aqui justamente lembrada no remate desta crónica de CANTE e de VIDA, pelo marido assinada que, quiçá, fazendo «história com gente dentro», à falta de melhor expressão e verbo, tem em mente o "chanto" mouro de Viterbo, justamente, pela pegada que, também ela, natural dessa terra de “descante”, cá e lá, sem dar na vista, deixou como docente, como mãe e como artista.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.