Trilhos Serranos

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sexta, 27 novembro 2020 15:30

ATENTADO CONTRA A NATUREZA

Escrito por 

O PARQUE QUE DEIXOU DE SÊ-LO

Já escrevi vários APONTAMENTOS sobre esta ÁGORA democrática que dá pelo nome de FACEBOOK. E batizei esses meus APONTAMENTOS  com o título “O FACEBOOK É UMA LIÇÃO”, parafraseando a velha canção coimbrã, por tudo quanto nele se deposita e nos permite apreender e conhecer os interesses do ser humano.

 

Neste espaço, direi melhor, neste grande oceano desaguam todos os rios e ribeiros que deslizam pelas encostas e ravinas que formam a orografia física e humana do GLOBO TERRESTRE. Ora apressados, cheios de vigor, ansiosos de chegar ao destino, ora remansosos, sem pressa alguma, porque sentem que, para atingir a meta, têm todo o tempo do mundo.

E vemos chegar futilidades que, não interessando sequer ao MENINO JESUS, são as medalhas de ouro alcançadas pelos atletas de chegada (masculinos ou femininos) e, gloriosos, mostram ao mundo a sua existência. Aquilo que são e pensam.

Claro que a par dessas futilidades vemos chegar também intervenções de sabor académico ou de profunda reflexão intelectual, que, deslizando neste espaço, tentam mudar o curso, o caminho que os conduz à ÁGORA, onde, democraticamente, tudo se discute e onde é permitido que tudo se discuta. O FACEBOOK É UMA LIÇÃO.

CÃOE esta minha lengalenga vem a propósito de eu, mais uma vez, explicar aos meus amigos que tenho por critério aceitar na minha lista facebookiana somente aqueles que, pedindo AMIZADE, se apresentam com NOME e ROSTO. Todos os restantes são eliminados, a não ser que, tendo NOME e não ROSTO, haja para isso uma explicação plausível. Só nesse caso eu concedo dar-lhe entrada.

E conto aqui, até, um caso, para exemplo. Um dia apareceu-me um pedido de AMIZADE com um  NOME que me pareceu familiar, mas na quadrícula (atualmente um círculo) do PERFIL tinha a fotografia de um «cão pastor alemão».

Não lhe dei entrada e deixei-o em suspenso até encontrar a pessoa que eu suspeitava conhecer. Encontrámo-nos. E antes que eu dissesse algo, ele, que estava a par do meu CRITÉRIO DE SELEÇÃO, avançou de pronto: “ó professor, olhe que o cão sou eu!”

É filho de um casal amigo, pai e mãe ex-colegas meus e, ainda que situados em campos ideológicos diferentes, sempre cultivámos recíproca estima. Fui professor de um irmão seu e, naturalmente, ambos cresceram, lá em casa, a ouvirem os pais falar da minha pessoa, da nossa amizade e dos meus trabalhos publicados. Daí o seu pedido.

E ele tinha e tem boas razões (que não vêm ao caso) para não ter colocado a sua fotografia na quadrícula do PERFIL e, no seu lugar, ter optado por um “CÃO PASTOR ALEMÃO”.

TOROS-1-REDClaro que, após este “bate-papo”, foi adicionado ao rol e nele se mantém até hoje. E foi um daqueles AMIGOS que, face ao meu DESABAFO sobre o SILÊNCIO de tanto castrense, relativamente ao derrube das árvores no ALTO DE FAREJINHAS, naquele antigo PARQUE DA JAE, pelas INFRAESTRUTURAS DE PORTUGAL (organismo que substituiu os anteriores ligados às rodovias nacionais) não ficou silenciado, honrando claramente o estatuto usufruído por esse cão na matilha canina.

Derrubar aquele ARVOREDO todo, nos tempos civilizados que correm, era impensável. Um CRIME DE LESA NATUREZA que, seja qual for a explicação oficial que vier a público, contraria lapidarmente os VALORES que orientam esse organismo, expressos no seu PORTAL na Internet, a saber:

VALORES-REDVALORES

Orientam a nossa forma de atuação.

1-       Ética: atuação com respeito pelos princípios éticos, nomeadamente de transparência, boa-fé e honestidade.

2-       Segurança: atuação com respeito pela vida das pessoas e a sua integridade física, atributo que mais marca o nosso serviço. 

3-       Sustentabilidade: atuação orientada para a sustentabilidade económica, social e ambiental.

Notaram? Em termos de ÉTICA destaco “transparência, boa-fé e honestidade”. E de SUSTENTABILIDADE: “económica, social e ambiental”.

Incapaz de conciliar este ATENTADO  (ver fotos e vídeo) com os valores apregoados, perguntei-me onde estava a “transparência” (tanto quanto fui informado o Município estava a preparar um projeto de requalificação daquele espaço e foi surpreendido com este atentado) e a sustentabilidade “social e ambiental”, se, socialmente, o transeunte perdeu um espaço de lazer com a sombra e o oxigénio das árvores que, sem dó nem piedade, foram abatidas em perfeito estado de saúde como é bem visível no cerne dos toros traçados?

TOROS-2-REDSem atingir o RACIONAL (político, viário, natural, ecológico de tudo isto)  corri a fazer um DOCUMENTO em vídeo e fotografia, certo de que, nas redes sociais, onde toda a gente bota sentença e debita sabedoria, não faltariam SILÊNCIOS e/ou opiniões discordantes, concordantes e desculpabilizantes, conforme as conveniências pessoais, familiares ou partidárias. Tal é o exercício da cidadania.

Como não piso tais caminhos, por imperativo de consciência e defesa da dignidade da profissão que tive, juntei ao comentário-fílmico um desabafo escrito, ilustrado com fotografias elucidativas sobre o estado sanitário das árvores retalhadas, prontas a irem para as serrações. Assim:

SÉRGIOO MEU DESAFAFO:

Eis aqui a confessada FRUSTRAÇÃO da minha profissão de PROFESSOR. Passei anos a EDUCAR para o exercício da CIDADANIA, da salvaguarda e preservação do nosso PATRIMÓNIO HISTÓRICO, EDIFICADO, NATURAL, MATERIAL E IMATERIAL e, aos 81 anos de idade vejo-me confrontado com este acto de VANDALISMO. Onde estão os meus ex-alunos? SILÊNCIO e nada mais. TERRA DE NINGUÉM”.

COMENTÁRIO DO SÉRGIO:

É o medo Dr Abílio, ninguém se manifesta por medo. Hoje o medo grassa entre nós, como no tempo em que o senhor foi criado. Mas desse último toda a gente fala, mesmo aqueles que nada sabem ou nada leram.

Os putos d’agora chamam-lhes “chupas”, o messmo que “lambe-botas”.

Resposta minha:

“Ó SÉRGIO, vale! Estou inteiramente de acordo, pena que veja, por aqui, tão poucos SÉRGIOS. Sentia-me mais feliz como PROFESSOR APOSENTADO. A minha profissão teria valido a pena”.

E resposta dele:

Há de aparecer algum discípulo que lhe faça justiça. E como consta das escrituras “...se lá houver um justo, não destruirei a cidade...”

placa-REDAjoelhei. Dado o alarido silencioso dos meus ex-alunos e alunas, os tais (as tais)  que eu procurei educar para uma cidadania interventiva, nunca me consolou tanto, a mim, um ateu, ouvir estas palavras bíblicas. Assim mesmo, tal qual ele as escreveu.

Mas, claro, à falta desse “justo”, seria injusto da minha parte deixar aqui a ideia de que mais ninguém   COMENTOU  ou REAGIU mostrando a sua indignação contra tão flagrante atentado sobre a NATUREZA e ao arrepio da filosofia dos TEMPOS que correm.

Lembro que jamais, em tempo algum, as nossas crianças e adultos, na ESCOLA E FORA DELA, foram sensibilizadas para a PRESERVAÇÃO  E RESTAURO do nosso PARTIMÓNIO HISTÓRICO EDIFICADO, NATURAL, MATERIAL E IMATERIAL.

TRONCOaNão obstante isso, ainda que este elevado número de árvores, não se abatam com um sopro, não se viu, nem se ouviu o protesto de qualquer homem ou mulher de Farejinhas, nem das nossas autarquias, Junta de Freguesia e Câmara Municipal e vereadores da OPOSIÇÃO. Foi tudo a eito. Estou para ver os propósitos/despropósitos. Certo, certo é que os cedros foram decepados pela base. Eles duram séculos. Quem esquece os cedros do Líbano, boa madeira, e disso sabiam os navegadores fenícios. E as demais árvores. Tudo a eito. E nem sequer uma explicação do PODER LOCAL, mesmo depois de eu ter alojado na página do MUNICÍPIO, o vídeo e as fotos afins, acompanhadas de texto justificativo da BOA FÉ do meu PROTESTO de cidadão atento. E BOA FÉ, lembram-se? é um dos valores apregoados pelo I.P. de letras pintadas a branco nas árvores que estavam de pé, na hora das filmagem. Viram?

foto 666 - CópiaAssente a poeira, e não tendo havido nenhuma explicação pública, até hoje, na sua página facebookiana por parte de EXECUTIVO MUNICIPAL (incluindo os vereadores da oposição, eleitos nas listas do PARTIDO SOCIALISTA) ou em qualquer outro espaço, tire o munícipe as suas conclusões. Por mim, que estudei e ensinei o regime de propriedade vigente na IDADE MÉDIA, não estranho este Portugal FEUDAL de pequenos FEUDOS, esta MANARQUIA ELECTIVA de “reinóis de taifas, cheia de “senhores” e de “vassalos”. Uns e outros sempre poderão alegar, em seu favor, que vivemos num ESTADO DE DIREITO e que o PARQUE é TERRITÓRIO das INFRAESTRUTURAS DE PORTUGAL, daí o ZELOSO SILÊNCIO E AUSÊNCIA dos autarcas. Seja. Só que na GOVERNAÇÃO desta nossa REPÚBLICA/MONARQUIA que se diz fazer com NACIONAL-2TRANSPARÊNCIA, não há, seguramente, INOCÊNCIA nos atos praticados.

A obra feita na Estrada Nacional 2, resultante do deslocamento de terras, também foi da responsabilidade das  I.P. mas o EXECUTIVO não se escusou de ir ali posar para a objetiva, como mostra a foto, que deixo acima, retirada da página municipal. Pois...pois...

Mas como não disponho de espaço para reproduzir todos os COMENTÁRIOS à semelhança do que fiz com o SÉRGIO, levado pelo gosto dos NÚMEROS que as televisões nos vão transmitindo sobre a COVID-19 (eu ainda por aqui ando)  lembrarei apenas que, tendo o vídeo sido alojado no YOUTUBE, no dia 24 p.p., como espelho do elevado grau de CULTURA CÍVICA e ECOLÓGICA de quem mandou e deixou derrubar esse PULMÃO VERDE DE ARVOREDO, já ali existente muito antes de se ver rodeado de habitações, aqui deixo, em números, os GOSTOS e os QUEIXUMES, e VISUALIZAÇÕES, presumo, daqueles que ainda dão mostras de terem coluna vertebral. Sendo que, no dia, hoje mesmo,  em que os recolhi para ultimar este APONTAMENTO, o vídeo tinha exatamente, como se vê na foto, “666 VISUALIZAÇÕES”. Estranho número este. E se o meu amigo SÉRGIO evocou, muito oportunamente, o texto bíblico, eu faço o mesmo agora. Tal é o número bíblico da BESTA que dá a oportunidade aos meus leitores de, no contexto em discussão, o colarem onde bem lhes aprouver. Eis a grelha:

VISUALIZAÇÕES

666

GOSTOS

102

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.