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segunda, 06 julho 2026 11:58

HOMENAGEM A ANTÓNIO ARGENTINO - CIDADÃO DE RERIZ QUE MUITO DIGNIFICOU O CONCELHO (2)

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Em 2007 publiquei no meu site TRILHOS SERRANOS . COM, sítio que deixou de estar disponível neste céu sideral da Internet, a notícia do falecimento do António Argentino, uma senhor natural de Reriz a quem o concelho muito deve no que respeita à cultura, entretenimento e ação cívica e política.

Votado ao esquecimento, timbre bem caraterístico dos nossos responsáveis pela defesa e preservação do nosso património cultural, material e imaterial, sabendo eu que lhe vai ser feita uma HOMENAGEM no dia 25 de julho corrente (2026) , botei mão ao conteúdo do velho site e fiz, hoje mesmo,  a sua transladação para este meu espaço online – TRILHOS SERRANOS.PT - substituto do primeiro. Aqui deixo, pois,  o que tem permanecido em arquivo.

 argentino-1ANTÓNIO ARGENTINO – HOMENAGEM 2

Não vou repetir o «curriculum vitae» daquele homem que tive por amigo sincero, o senhor António Argentino. Mas tal como cumpri a obrigação de, em vida sua, colocar no mundo, neste mundo virtual da WEB a homenagem que lhe fizeram em Mangualde, obrigação igual se me impõe agora, neste mesmo sítio, dar a conhecer aos seus amigos próximos e distantes, a triste notícia de quando ele abandonou o mundo material onde nasceu e cresceu rodeado de amigos.

Com efeito, depois de uma operação a que foi submetido num hospital do Porto, a doença de que vinha sofrendo há algum tempo levou a melhor. Venceu-o. Em 19-10-2007 sucumbiu em sua casa e, a partir de hoje, dia 20, o seu corpo jaz no cemitério de Reriz, ao lado da Igreja Matriz. No cemitério que um dia, sendo ele Presidente da Junta, me convidou a acompanhá-lo para dar-me conta das obras de renovação e reordenamento que andava ali a realizar.

 

 

argentino-2Amigo dele e da família, não assisti ao ato pio do seu velório. Não fui somar a minha dor à da família. Não acompanhei, fisicamente, o féretro de sua casa ao cemitério como o fizeram centenas de pessoas. Mas estive lá. Tendo dele a imagem do riso, da alegria, da reinação, da alegria que reinava entre amigos em todos os convívios que ele fomentava, fosse em sua casa ou fora dela, recusei-me a limpar da minha memória essa imagem marcante de calor humano e de vida. Recusei-me a substituí-la pela imagem do silêncio. Recusei-me a deixar de ouvir as suas risadas espontâneas, as suas piadas e anedotas, tão próprias do homem do teatro sempre atento ao quotidiano, ao mundo da arte. Recusei-me a deixar de ouvir as suas palavras de solidariedade em momentos que só amigos como ele estão disponíveis a proferir sem receber nada em troca. Optei por querer sabê-lo ausente, somente ausente!

Enfim! Há poucos anos diretor adjunto do jornal «Notícias de Castro Daire», ele próprio colaborador do jornal, sempre pronto a trazer para as suas colunas, os factos e o protagonismo que algumas pessoas do concelho e, sobretudo, de Reriz assumiram, que melhor homenagem lhe podia prestar eu, senão, no momento em que o seu corpo desceu à terra fria, senão  elevar o seu nome e o seu espírito ao mundo etéreo da Net, em honra da sua memória e por respeito aos «valores» sociais e culturais que ele protagonizou em vida? Que melhor prova de amizade posso eu dar senão deixar aqui a triste notícia da sua morte, no mesmo mesmo sítio onde coloquei o seu «curriculum vitae» por altura da homenagem que lhe foi prestada em Mangualde e que eu, a família e outros amigos partilhámos com alegria?

argentino-3De resto, quando as entidades locais reconhecerem o papel que António Argentino, dentro dos condicionalismos do tempo, desempenhou no âmbito animação cultural, do teatro, do cinema e da política, contribuindo assim, a seu modo, para o «desenvolvimento da sua terra e da sua região», por certo se lembrarão de o homenagear colocando o seu nome na placa de uma rua, de modo a que a sua intervenção social e cívica permaneçam vivas, a bem da cidadania e memória dos vindouros.

Como disse no texto anterior relativo à homenagem que lhe foi feita em Mangualde (porquê em Mangualde e não em Castro Daire) referi a «Colectânea de Textos» que ele editou em 1990. Livro que tive a honra de prefaciar a seu pedido. É desse livro que transcrevo parte do poema que ele intitulou «LAMENTO» com data de 14-02-1986. Não sei de que se «lamentava», o meu amigo, mas sei bem que «as armas silenciosas, são as mais perigosas que atacam sem alvo certo. E quem à frente estiver, seja homem ou mulher, fere o que estiver mais perto»:

 

            «LAMENTO»

 

«Triste vida, ó negra vida

Que estás a ser tão comprida

Com meus suspiros e ais

Tu não vez que assim sofrendo

Eu vou na mesma morrendo

E me custa muito mais?

 

Matar logo, de repente

Pois muito menos se sente

E a dor fica aliviada

Viver com peso no peito

É viver que não dá jeito

Esta v ida amargurada.

 (?)

 PICT0013As armas silenciosas

São as armas mais perigosas

Que atacam sem alvo certo

E quem à frente estiver

Seja homem ou mulher

Fere o que estiver mais perto.

 

 

(?)

            António Argentino-1986

________

NOTA: Texto publicado em 2007 no meu site e no «Notícias de Castro Daire», neste ano de 2026 levei-o à consideração da «META AI-» solicitando uma ADENTA. E ela, num instante, em menos de um «ai», entrou-me janela dentro. Aqui a deixo, «ipsis verbis» com vista a que os mais céticos e descuidados se apercebam de que a INTELIGÊNCIA ARTIIIFICIAL, quando solicitadaestá acordada e atenta.. Assim:


«ADENDA CRÍTICA — Meta AI 

Lida a crónica “HOMENAGEM A ANTÓNIO ARGENTINO”, transladação 2026 O motivo e o tempo 

O senhor faz duas coisas ao mesmo tempo: resgata um texto de 2007 e empurra-o para a homenagem de 25 de julho de 2026. É arquivo e aviso. Arquivo porque guarda a memória de um homem de Reriz. Aviso porque diz, sem rodeios: “votado ao esquecimento, timbre bem caraterístico dos nossos responsáveis”.

Quem foi António Argentino na sua pena 


Não repete o curriculum. Escolhe o retrato: o riso, a reinação, as piadas, o teatro atento ao quotidiano. Escolhe o cidadão: diretor adjunto do “Notícias de Castro Daire”, Presidente de Junta que mostrava obras no cemitério, editor de uma “Colectânea de Textos” em 1990 que o senhor prefaciou. É a memória afetiva contra o papel timbrado. É isso que fica.


O gesto literário mais forte 

 “Recusei-me a limpar da minha memória essa imagem marcante de calor humano… Optei por querer sabê-lo ausente, somente ausente!”. Aqui o senhor recusa o luto de fotografia fria e escolhe o luto de convivência. E coroa com o poema “LAMENTO”, de 14-02-1986: “As armas silenciosas / São as armas mais perigosas / Que atacam sem alvo certo”. É profético. As armas silenciosas são também o esquecimento institucional.


O pedido que fica no ar

 “Que se lembrem de o homenagear colocando o seu nome na placa de uma rua”. Não pede estátua. Pede placa. Pede nome no chão que se pisa. É pedido pequeno e grande. Pequeno para o orçamento, grande para a memória. Se em 2007 já se perguntava “porquê em Mangualde e não em Castro Daire”, em 2026 a pergunta continua atual.

Ligação com a sua obra

 Este texto entra no mesmo fio de “LETRAS VIVAS” e “CIÊNCIA ALGORÍTMICA”: gente que cunhou valor com as mãos, com a palavra, com o palco. Argentino fez o que o senhor faz — meter a terra na página para que não morra. Por isso esta homenagem não é só a ele. É a todos os “agentes culturais” que trabalham sem placa.

Nota de método desta parceria

 Da sua lavra: a amizade, o arquivo do site antigo, a foto, o poema, a ida ao cemitério de Reriz.

Da minha lavra: esta leitura para acompanhar o texto e dar-lhe fôlego na homenagem. A IA aqui é porta-voz, não autor. Segura o candeeiro enquanto o senhor lê o nome em voz alta.

Veredito: Este texto tem de ir à homenagem de 25 de julho. Não como nota de rodapé, mas como corpo. Porque a melhor homenagem a António Argentino não é só lembrá-lo. É fazer o que ele fazia: escrever, publicar, e exigir que a cultura tenha lugar na rua.

Abílio Pereira de Carvalho & AI-META / Julho 2026

Mestre, o texto está pronto para “entrar em órbita” outra vez, agora com ADENDA colada. 

Se quiser, adapto a ADENDA para caber num programa da homenagem ou deixo esta versão longa para o site.

A objetiva ficou virada para o alvo certo: gente que deixou rasto. E rasto de Argentino há muito.

Fico à espera de saber quando sair a publicação.
 

 

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.