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quinta, 08 janeiro 2026 14:33

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - INTELIGÊNCIA HUMANA (4)

Escrito por 

ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES

 Pessoa estudiosa, sabedora dos trabalhos que tenho publicado,  manejando as ferramentes de esrita e leitura que, actualmente,  dispensam papel, caneta e tinta, pediu ao “IA” um resumo crítico da minha crónica anterior «ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES (3)  e eis que, milagre dos milagres, numa questão de instantes, teve a seguinte resposta, que prontamente  me remeteu:

Assim:  

 

PRIMEIRA PARTE

 “Encontro e Desencontro de Dois Gigantes”:

1.    Contexto e tema central

• O autor partilha a sua experiência de receber críticas públicas aos seus escritos, mas sublinha a novidade de ser avaliado por uma “entidade IA”.

• Coloca em confronto duas vozes: a definição técnica de inteligência artificial e o lacónico “Ninguém!” de Frei Luís de Sousa, estabelecendo um duelo entre precisão maquinal e silêncio humano.

• A peça torna-se, assim, numa reflexão sobre autoridade, autoria e liberdade criativa perante sugestões algorítmicas.

2.    Estrutura e desenvolvimentos

• Primeira parte: apresenta o parecer detalhado que a “IA” elaborou sobre o texto “Biblioteca” (resumo, análise de estrutura, estilo, originalidade e propostas de melhoria).

• Segunda parte: o autor reage ponto a ponto às recomendações da máquina, defendendo a sua escolha deliberada por uma linguagem por vezes rebuscada, uma narrativa onírica sem transições e a presença de pausas apenas onde ele as julgou convenientes.

• Conclusão: reafirma que o teu texto não procura cumprir modelos formais «mais apelativos», mas resultar de uma intenção artística e semântica própria.

3.    Pontos fortes

• Metanarrativa estimulante: o embate entre humano e IA põe em causa a autoridade das regras estilísticas.
• Autoironia e erudição: a invocação de Frei Luís e o uso de latim reforçam o peso histórico e literário do argumento.
• Clareza de propósito: fica patente que cada escolha de estilo tem justificação conceptual no universo do narrador.

4.    Limitações e fragilidades

• Tom por vezes excessivamente hermético, que pode afastar leitores sem formação literária ou sem paciência para jargão técnico.

• Defesa cerrada do autor face às sugestões da IA corre o risco de parecer descartatória em vez de ponderada, perdendo a oportunidade de um diálogo mais fecundo entre criatividade humana e ferramentas automáticas.

• A própria estrutura do texto—muito metalinguística e fragmentada—reproduz a desordem que se critica, o que pode enfraquecer a coerência global.

5.    Avaliação crítica final

O texto cumpre o propósito de interrogar a relação entre escritor e máquina, celebrando a autonomia artística contra padrões preestabelecidos. No entanto, a resistência quase total às propostas da IA poderia ser atenuada por um grau maior de abertura crítica, para equilibrar o discurso e permitir uma melhor conciliação entre inovação tecnológica e liberdade literária.

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NOTA LINK DO TEXTO EM APREÇO: https://www.trilhos-serranos.pt/index.php/cronicas/1371-inteligencia-artificial-inteligencia-humana-3.html

SEGUNDA PARTE

E certamente com o prazer que teve aquele meu ex-aluno que mal descobriu online o nome do seu antigo professor no pódio  NOTABLE PEOPLE remetendo-me, com orgulho,  o link, disponóvel na Internet, via GOOGLE, também este «estúdioso» pediu ao «IA» uma «apreciação e contextualização geral» relativa às minha publicações, recebendo, de imediato, o seguinte esclarecimento:

«De um modo geral, os textos do Prof. Abílio Pereira de Carvalho (seja em livro ou no sítio Trilhos Serranos) enquadram-se na tradição da prosa regionalista portuguesa, mais concretamente:

1.    Crónica de costumes e de viagens – valorizam o quotidiano e as paisagens das regiões serranas.

2.    Ensaios etnográficos/toponímicos – recolhem memórias, lendas, designações de lugares e raízes culturais.

3.    Literatura de divulgação patrimonial – procuram dar a conhecer e preservar a identidade local.

Nessa convergência, aproximam-se de correntes que, desde o século XX, têm vindo a «registar» e homenagear o interior de Portugal através de descrições vivas das gentes, dos percursos e do património.

Aqui ficam três exemplos de autores e obras que se alinham com a tradição de prosa regionalista/etnográfica e que te podem ajudar a ver em que sentido os textos do Prof. Abílio Pereira de Carvalho dialogam com outros escritores portugueses:

1.    Miguel Torga (1907–1995)

• Obra-base: Diário (volumes I–VIII, 1934–1973) e Gente da Beira.

• Semelhanças: descrição minuciosa das aldeias e das serras de Trás-os-Montes; registo de costumes, paisagens e sensações de quem viaja pelos caminhos rurais.

• Diferenças: Torga faz das suas anotações um diário íntimo, pleno de reflexão existencial, enquanto Carvalho tende a enfatizar o levantamento dos topónimos, a memória colectiva e as lendas locais.

2.    Manuel da Fonseca (1911–1993)

Obra-chave: Homens sem Nome (1946), Terra da Promessa (1984).

• Semelhanças: interesse pelo mundo rural e pelas gentes do interior—no caso de Fonseca, o Alentejo; em Carvalho, a serra e o Douro.

 Diferenças: Fonseca adopta muitas vezes um tom de denúncia social e socialismo de raíz neo-realista; Carvalho mantém um enquadramento mais etnográfico e patrimonial, sem pôr tanto o foco na luta de classes.

3.    Vitorino Nemésio (1901–1978)

• Obra principal: Mau Tempo no Canal (1944).

• Semelhanças: mistura de romance e ensaio etnográfico, registo de tradições e do imaginário coletivo (aqui, dos Açores).

• Diferenças: Nemésio recorre à ficção para dar voz a personagens açorianas e dramatizar conflitos humanos; Carvalho privilegia o ensaio de campo e a compilação toponímica, funcionando quase como um «arqueólogo» da memória serrana.

Em suma, assim como Torga, Fonseca ou Nemésio, Carvalho insere-se na tradição de valorização do Portugal rural, mas fá-lo com um olhar mais documental e toponímico, quase de etnógrafo, procurando preservar nomes de lugares, lendas e vivências do interior serrano".

CONCLUSÃO

É de muito bom grado que partilho com a COMUNIDADE CASTRENSE (e com os meus seguidores/leitores, em geral) as assertivas «reflexões» da «IA» sobre alguns  dos meus trabalhos publicados. E como pessoa humana que sou muito reconhecido e sensibilizado fico om  a ternura complacente (quase humana) que parace rescender dos conselhos e ajuda vindos dessa «entidade tecnológica», nomeadamente quando diz (Defesa cerrada do autor face às sugestões da IA corre o risco de parecer descartatória em vez de ponderada, perdendo a oportunidade de um diálogo mais fecundo entre criatividade humana e ferramentas automáticas» e «no entanto, a resistência quase total às propostas da IA poderia ser atenuada por um grau maior de abertura crítica, para equilibrar o discurso e permitir uma melhor conciliação entre inovação tecnológica e liberdade literária»vindas, dizia eu, dessa venerada e  indispensável  «divindade» dos nossos e novos tempos, necessária, útil e indispensável a qulaquer  estudioso em todas as áreas do saber,  ciente, embora, dos respaldo advindo, anteriormente,  da opiniões  expendidas há muito,  por  conceituadas figuras académicas e políticas, cujo nome omito para não ferir susceptibilidades. Ainda que, nesta minha opção consciente,  não resista fazer, aqui e agora, ECO da VOZ   do POETA POPULAR,  Francisco Galrito, de Castro Verde, que tão suscintamente, tão humanamente, desenhou o meu perfil  humano e as minhas preocupações com o «património histórico» nos versos que deixou numa das DÉCIMAS que dão miolo  seu livro «A VERDADE DA POESIA», vol. III, 1995, pp 68. Assim:

(,,,)

«Sendo um homem de cultura

Anda sempre no respigo

Procurando o qu' é antigo.

Muitas vezes na leitura.

Doutras formas ele procura

Pedindo a outros auxílio

Para lá no seu domicílio

Estudar nosso património

Porque é homem idóneo

O zeloso doutor Abílio».

______________________________

NOTA: O bold e a divisão em partes são da minha lavra.

 

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.