Trilhos Serranos

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sexta, 24 abril 2020 08:50

ABRIL

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ABRIL

Palestras, manifestações

Águas separadas dia a dia

Nas ruas, nas instituições

Questiona-se a democracia.

 

CRAVOS.1.2.3.4 - Ele é a corrupção

Ele é o compadrio

Ele é a partidocracia

Ele é o clientelismo

(Vestido sempre de "ismo")

Ele é a Justiça e a prescrição

De crimes grandes, a grandes

E por onde quer que andes

No o país, de fio a pavio,

Ele é a Saúde

Ele é a Educação

Ele é o gordo rio

Que corre sem açude

A estancar a podridão

Será que foi tudo em vão?

E tanto ano passado

Com encanto e desencanto

Eu, nem surdo, nem mudo

Depois de ver tudo

Muito bem explicado

Por gente entendida,

Muito ilustrada,

CRAVOS.1.2.3.4 - Encavalitado no meu verso

Simples, verso que vale nada

Nele berro em rouca voz

Quarenta anos após

E setenta e quatro de vida:

Falado, cantado, comemorado

Em cerimónia aveludada e solene

Mesa muito floreada

Tudo muito engravatado

Ou gritado em popular repertório,

Por multidão embandeirada,

Desse Abril histórico

Prenhe de mudança

A rebentar de esperança

Com tanta virtude e defeito

Só entendeu o significado

Perene

Quem o viveu de facto

E ufano da paixão

Vivida de verdade

Nunca tirou do peito

A Liberdade, a igualdade, a fraternidade

Plantadas no fundo do coração.

Abílio/Abril de 2014

NOTA:  publicano no mural do Facebook no dia 24-04-2014

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.