Trilhos Serranos

Está em... Início Poesia JANELA DE GUILHOTINA
quinta, 01 agosto 2013 01:11

JANELA DE GUILHOTINA

Escrito por 
Semelhantemente
À lâmina que caía
Solta e decapitava gente
Em França
De guilhotina se dizia
Esta janela
Pela forma como ela
Se fechava e abria.
Assim o aprendi em criança.

II

Ó piedosos olhos que passais
Parai, olhai, pensai em mim
Que estou aqui
Pele empolada, desbotada
Abandonada, sem uso,
Eu, que vi, convivi
E testemunhei o fim
Do tear, da roca e do fuso,
Que aqueibei frio e vento
Dando saúde e vida
Aos donos da moradia
Levantada neste morro
Do velho «crasto»,
Como ele me vou
E se de guilhotina sou
Sem guilhotina morro
Não tardando que de mim
Nem rosto, nem resto, nem rasto.
Ler 267 vezes
Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.