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quarta, 25 maio 2022 12:16

ÚLTIMO LIVRO «PEGADAS MINHAS»

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Devido à falta de papel que se tem notado no país, facto de que se queixaram todas as tipografias (por notícias veiculadas nas televisões, rádios e jornais) foi difícil o parto do meu último livro “Pegadas Minhas”, que jazia no prelo há um par de meses. Mas, graças aos esforços da ÉDEN GRÁFICO S.A. DE VISEU no sentido de satisfazer os compromissos assumidos e simpatia da senhora D. Cristina Costa e do senhor João Pousa, a primeira, chamando a si as responsabilidades burocráticas e o segundo a função de compositor gráfico (em teletrabalho e tudo), aos dois se deve ele já estar à venda na PAPELARIA MONTEMURO, em Castro Daire.

CAPA PEGADAS

Deve-se este livro à iniciativa expressa do meu filho mais velho, NURO, e aceitação tácita do mais novo VALTER. Entenderam eles (e bem) que eu devia reunir e deixar em mais um LIVRO alguns dos meus textos dispersos nos jornais, revistas, no site “trilhos serranos” e Facebook, uns publicados há muitos anos, outros mais recentemente. Que seria de bom siso juntá-los numa só obra e evitar que se perdessem no “mare magnum” dos “media”, tão vorazes na ultrapassagem e/ou apagamento de ideias, quão voláteis no acompanhamento dos apressados tempos das novas tecnologias e o treino do POLEGAR a rolar textos e imagens no visor dos smartephones, iPads e computadores.

Na testada, sob pena de me mostrar ingrato para quem tão generosamente acarinhou os meus escritos há muitos anos, transcrevo alguns textos de académicos, de intelectuais  e políticos de reconhecido mérito público, nomeadamente do DOUTOR AMADEU CARVALHO HOMEM, PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA, assim:

“(…) Acresce, ao mérito de todos estes predicados, mais uma nota que se regista com o maior entusiasmo: é que o Dr. Abílio de Carvalho consegue ainda erguer-se à craveira de bom escritor.

A excelente obra «Castro Daire - Indústria, Técnica e Cultura»   passa a ser, aos meus olhos de profano, um clássico incontornável  para o estudo da região». (in «Gazeta da Beira», nº 249 de 07.10.95. - cf. ADENDA no fim livro.

E do falecido Dr. FERNANDO AMARAL, de Lamego, EX-PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA, assim:

“Ela é reveladora dum perfil que se respeita e venera pela coragem duma sinceridade rara a esmaltar um carácter notável e uma inteligência lúcida. A límpida manifestação da sua verdade, inspirada pelos ditames duma consciência esclarecida, vertical, independente de preconceitos, não aceitando o colete das tradições, antes se abre ao apelo instante da liberdade, constitui um dos mais belos testemunhos que enriquecem o espaço da minha sensibilidade». In Carta remetida ao autor, sobre a INTRODUÇÃO do livro «Lendas de Cá, Coisas do Além», Lamego, Março de 2004 (cf. ADENDA, no fim deste livro).

Junto-lhe as palavras do Almirante Gouveia e Melo, sobre as «pessoas que se julgam importantes», assim:  

«Quem se julga importante tem de ler aquela placas no cemitério de gente muito importante e que já ninguém se lembra delas. Nós somos circunstanciais». (in «Primeira Pessoa» RTP, setembro, 2021

E como que, fazendo jus à atitude dos meus filhos, remato a testada com o seguinte texto da minha autoria, assim:

“Quem, no mundo, vive obcecado por MUITO TER, só isso pode deixar ao mundo do seu SER”.(Fareja,2022)

Deixando, assim,  claro que a iniciativa dos meus filhos, não olhando às DESPESAS que a publicação de um livro acarreta, preferiram que o pai lhes deixasse por HERANÇA mais um pouco do meu SER, sem se importarem com TER mais uns tantos EUROS nas suas contas bancárias.

Sintonizados com a forma de SER e ESTAR dos pais, pondo em prática os valores que lhes foram transmitidos desde crianças - entre o SER e o TER - creio ser recíproco o orgulho do seu e do meu PROCEDIMENTOS, quiçá dignos de aqui serem lembrados, a todos nós que «somos circunstanciais».

E o livro fecha, não propriamente por acaso, com o texto que transcrevo, escrito e publicado por mim no meu site trilhos serranos, no ano de 2016:

TRINITÁ, O CAWBOI INSOLENTE

 O FACEBOOK É UMA LIÇÃO

ORA ENTÃO DIGA LÁ AO QUE VEM

«Calado, deitado no sofá, mãos cilhadas na nuca, cotovelos afastados à semelhança da proa e da ré de um barco rabelo atracado, desgrenhado o cabelo, queixo ferrado no peito, ao jeito de Trinitá, o cawboi insolente, perna cruzada, tornozelo com tornozelo, estendido na padiola puxada para cá e para lá pelo seu cavalo, um regalo, ouço a voz amiga do psiquiatra, aquele médico (um tanto ou quanto quadrado) que há anos me trata das maleitas da mente, aquele que entra em nós e como nós sente, aquele que tudo faz para me tirar das nuvens, para me fazer descer do céu à terra e, na terra pensar e agir como toda a gente: diga!?

 Digo o quê? Diga ao que vem, o que você sente, a razão por que não sai daqui, noite e dia a fazer-me companhia, olhos espetados em mim, nessa sua obsessão doentia de não fazer mais nada, de vir aqui mostrar que existe, fotografia sobre fotografia, deitado, de pé, de frente, de lado, e fazer deste sofá mais seu do que meu, pois já só a si tenho por cliente. Digo o que me vai na mente? Sim! De que me serve dizê-lo? Para se rir de mim? Mas digo: é tudo uma confusão. Um turbilhão de relâmpagos na escuridão assalta-me a cada momento e nada entendo do que penso, do que escrevo e do que digo, zzzzzzzzzzzz,.. ....zzzzzzz, são rasgos de luz, em xis, em zzz, na vertical, na perpendicular, em cruz, de todas as formas e feitios... zzzz ..em todas as direcções...zzzzz..são rios de ideias sem destino e sem tino...zzzzz....zzzzzz.... Olhe, sou como o Alísio, pensei num poema e «fizio». Devo estar louco. Dorme pouco? Nada. Noites seguidas neste estado, nem a dormir, nem acordado, perdido nesta trovoada, neste ribombar do mundo, um tolo no meio da ponte, sedento à procura de uma fonte, de poesia, de literatura, de Camões, Bocage, Antero, poetas que eu quero e que as agências de rating atual remetem para o lixo, querem algo sem entendimento, prolixo, a dizer tudo e a dizer nada, assim como eu...ai de mim coitado. Toma xanax ou mezinha que o valha? Sim e, quando calha, tudo a dobrar, mas nada produz efeito. Levanto-me, retorno ao leito e dou comigo a magicar, a dedilhar o teclado, nada sai escorreito. A escrever, quer você dizer? Qual escrever, qual nada! isto não é escrever, nem rabiscar, nem poetar, nem prosar, nem versejar, pois não alinhavo um pensamento, uma frase, um verso, com princípio, meio e fim. Nada tem sentido, nada que em mim preste, sentado ou na cama. Será delírio? Como se chama? Abílio, vossemecê bem sabe? Pois sei, mas é um teste e verifico que ainda se lembra do seu nome. Receita minha: não é grave o mal que o consome, podia ser pior. Ponha-se lá de pé! Olhe cá para mim! Está-me a ver? Deixe essa mania de escrever. Basta-lhe saber quem é. Com que então, Trinitá, o cawboi insolente! Nada mau. Tau...tau...tau...tau. Disso não se esqueça. E Apareça, apareça!”

E finalmente os dois agradecimentos, tal qual se seguem:

AGRADECIMENTOS

1 - Agradeço a prontidão e gentileza que me foram dispensadas pela senhora D. Cristina Costa e senhor João Pousa todas as vezes que, nas condições de teletrabalho, tive de contactá-los durante a gestação deste livro que refletem o esmero e honram a chancela tipográfica da EDEN GRÁFICO S.A. DE VISEU.

Foi a firma que me apresentou o ORÇAMENTO mais favorável, nas condições materiais e qualidade que fiz a mais duas firmas do ramo. É um comportamento profissional/comercial que levo à conta de incentivo à produção e divulgação de conhecimento e cultura, donde releva, também, a prontidão do compromisso assumido.

2 - Agradeço a todos os meus leitores a complacência com as eventuais GRALHAS e DEFICIÊNCIAS que venham a encontrar no miolo da obra, esperançado que, encontrando-as, sendo da minha responsabilidade, elas não me retirem o mérito reconhecido de eu saber pôr, em letra redonda, o pensamento e a palavra, de conhecer as elementares regras gramaticais da LÍNGUA MATERNA.

CAPA BENGLAMENINO - Cópia

E foi minha opção declarada que a obra fosse impressa de harmonia com o NOVO ACORDO ORTOGRÁFICO, pois “todo o mundo é feito de mudança”, inclusive a ferramenta verbal através da qual nos comunicamos e entendemos.

 

***

NOTA: já à venda na PAPELARIA MONTEMURO, em Castro Daire, eis a minha última “PEGADA. E é bem significativa, na badana de entrada, aquela foto que se apresenta de perfil, braço estendido e bengala apontada ao infinito desconhecido. Tal como significativa é,  na ADENDA final, para começo de «CURRICULUM VITAE», a foto daquele menino com cerca de um ano de idade, sentado numa  cadeira, olhar em frente e cara de poucos amigos. Elas mostram a verdade e a distância de uma vida a separá-las.

E, dito e visto isto, ao aproximarem-se os meus 83 anos de idade, vou seguir o conselho do autêntico ou fictício especialista do divã, aquele que ganha a vida a ouvir muito e a falar pouco: “deixe essa mania de escrever, basta-lhe saber quem é…».

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.