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quarta, 29 maio 2019 21:43

LIVRO ABERTO E ILUSTRADO (f)

Escrito por 

A VERDADE É COMO O AZEITE VEM SEMPRE AO DE CIMA

BOMBEIROS - Prós e Contras - 6

O respeito pela CULTURA, pelo jornal, pelos leitores, por todos os meus discípulos a quem ensinei História e Português; por todos os Mestres que contribuíram para a minha ascensão profissional e de cidadania.

 

  1 - «A fogueira era o sítio certo para o livro. Quando o Presidente da Direcção fala, este tem sempre o apoio de mais seis ilustres companheiros da Direcção. Mais nada».

                                                                                   (A Direcção, in «NCD», de 10-05-2006)


 2 - «(...) Será legítimo queimar livros (...) por motivo  das opções políticas pessoais do seuautor, ou seja por que outro motivo for?(...) Deveremos reescrever toda a História da Cultura? A ser assim, quem escaparia, o que nos restaria?»

                                                                                   (M. A. Pina ,  in «J.N.» de 15-05-2006.

ABÍLIO - VOGALO respeito por todas as pessoas «idóneas, sérias, gradas e cultas» que, sem cunhas nem alvíssaras, se pronunciaram sobre a minha pessoa e trabalhos de investigação; por todos os cidadãos que ascenderam aos valores civilizacionais do século XXI e repudiam os valores medievais dos autos-de-fé: tenebrosa queima de pessoas e livros; por respeito a esses todos, recuso o papel de cantador ao desafio que, com alarvices, petarolas, isto e aquilo, se torna o campeão da cantoria, na análise do avinhado arraial de labrostes que delira a ouvi-lo. Mas isto não me obriga a deixar sem nome os «ilustres companheiros» que, orgulhosamente, exibem, no cérebro, as medalhas de «mérito cívico, cultural e moral» que têm «ilustrado» as páginas este jornal. Por agora, deixo apenas dos «7 magníficos» que, a coberto da referência institucional - a Direcção - insistem em não associar os seus nomes às aleivosias e patranhas que, recorrentemente, berram contra o meu livro e a minha pessoa no sentido de desvirtuar a obra e difamar o autor. São eles António da Conceição Pinto, (da Farmácia Gastão Fonseca) Dimas D. T. Pinto (electricista reformadoAntónio Vaz (da Escola de Condução Castrense) que, à falta de argumentos sérios contra o livro, não podendo queimá-lo, insistem em querer queimar o autor nas chamas insinuações atentatórias do meu currículo e do meu bom nome. Eles desautorizam professores universitários, jornalistas, figuras culturais e políticas conhecidas e de renome. Pensam por elas, falam por elas. Insinuam que elas, por cunha, se prestam a vender a sua opinião, com Dr. João para aqui, Dr. João para ali, como se ele tivesse algo a ver com algo.

Impõe-se, por isso e em prol da verdade, que ele esclareça o seu papel nisto tudo. É o Director do jornal. Enfim, eles são o que são. São o que mostram. São, lamentavelmente, a Direcção dos Bombeiros. E a sua atitude cívica, ética e moral parece não ferir o estatuto editorial deste jornal, já que, não obstante o seu Director ter discorrido, a latere sobre o papel do historiador, do fazer e do escrever a história, tudo aqui tem corrido em roda livre. E tudo pela comichão que resultou de ter aparecido um HOMEM (Abílio de Cujó, o Abílio de Fareja,  para os mais chegados!) que, conhecendo o significado tradicional do dito indígena «cães de vila, cães de fila»HOMEM aldeão, mas também assumido lobo ibérico em vias de extinção, antes da morte e sem arreganho, teve a coragem de pôr no livro e aqui (online) com toda a probidade e isenção, as «glórias» e as «sombras» da Associação, afirmando, baseado em documentos, que nas «instituições locais se envolvem pessoas bem intencionadas, solidárias, empenhadas no Bem Comum, mas também pessoas tão dispostas a servi-las como a servirem-se». Todas. Axioma que nenhuma pessoa avisada, atenta à realidade histórica, sociológica e política, se nega a aceitar.

O «presidente falou...mais nada» -disse ele. Mas contra a sua vontade, o livro fugiu à fogueira. Contra a sua vontade, o livro foi posto à venda. Dizem que «nada tem a ver com os Bombeiros» e que «há muitas pessoas ofendidas». Mas nunca disseram onde é que o autor faltou à verdade, nem quem são as pessoas ofendidas. Por prova pública, já todos sabemos que não sabem «escrever». Veja, porém, o leitor, depois de analisar as transcrições que se seguem, se eles sabem «ler». Veja se isto respeita à «Associação dos Bombeiros», ao «Clube de Caça e Pesca» ou à “NASA”:

A - BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS:

QUARTEL«Como as coisas correm lentas em Castro Daire! Estamos em Novembro de 1914 e só passado um ano, isto é, em Outubro de 1915, é que nos confrontamos novamente com os trabalhos da organização dos Bombeiros Voluntários. Para melhor entendimento, eis, na íntegra, o que ficou registado no jornal «O Castrense» periódico republicano que caminhava a par de «A União», acima referido:

«A Comissão encarregada de organizar a Corporação dos Bombeiros Voluntários, nesta vila, vai distribuir  a seguinte circular:

«Os signatários agregados em comissão, vêm solicitar o valioso auxílio de V. Exa. para uma obra humanitária que se propuseram levar a cabo,  a conveniente organização de uma Corporação de Bombeiros Voluntários, nesta vila.

Desnecessário é apontar a V. Exª as grandes vantagens que advirão para esta terra da realização de tão importante melhoramento.

Conquanto os nossos conterrâneos estejam sempre dispostos para todos os trabalhos e sacrifícios, quando se trata da extinção de incêndios, é certo que a falta de preparação técnica e de material bastante lhes não permitem prestar serviços cujo valor esteja em relação aproximada com o seu desinteresse e humanitarismo.

A União de 15-11-1914-Bombeiros - CópiaPara que tal não continue, dispusemo-nos a angariar os fundos necessários para se organizar convenientemente a futura corporação, construindo uma casa própria, comprando o material preciso paras os serviços da corporação e mandando vir a esta terra um técnico que instrua os voluntários já inscritos.

Temos já auxílios valiosos que no entanto são ainda insuficientes.

Confiamos porém em que as almas bem formadas e amigas do progresso desta terra,  entre as quais se encontra V. Exª. nos darão o apoio necessários para que seja dentro em breve um facto o que hoje é somente um desejo.

Agradecendo antecipadamente o concurso de V. Exª., subscrevemo-nos com toda a consideração. Atºs. Vendª. Obgdº. Castro Daire, 25-5-915.

Pio Cerdeira d'Oliveira Figueiredo, José Mário d'Oliveira Baptista, António Fernandes Poças, Amadeu Rebelo d'Oliveira Figueiredo, José Duarte d'Almeida. (cf. pp. 29-31 do livro)

B - ACTA DE 17 DE FEVEREIRO DE 1994:

 A Direcção, constituída por Dr. Gastão Ribeiro da Fonseca (presidente), António Augusto Pinto de Oliveira (vice-presidente), Eurico Manuel Almeida Moita (1º secretário), Celestino Pinto Ferreira (2º secretário), Manuel Jorge Araújo e Gama (tesoureiro), deixou exarado em acta o seguinte:

«Foi deliberado, por unanimidade, efectuar os pagamentos que a seguir se indicam, quando as disponibilidades desta Associação o permitirem, a saber: Seguro da viatura Iveco no montante de oitenta e cinco mil escudos, à Fidelidade S.A; Facturas nºs 2161 e 2162 a Valdemar Soares Gouveia, respectivamente de setenta e quatro mil, duzentos e oitenta escudos e centro e trinta e cinco mil, cento e setenta  e um escudos; factura nº 1 a Mário Pinto Monteiro, de cinco mil setecentos e quarenta e dois escudos (relativamente a esta, o tesoureiro e 1º secretário declinam toda e qualquer responsabilidade no seu pagamento por virtude de se tratar de documento que não preenche os requisitos legais); factura nº 4776, à MACODAIRE, de cinco mil duzentos e sete escudos e cinquenta centavos; factura nº 415, à Livraria Montemuro, de oitenta e oito escudos; venda  dinheiro nº 2545 à Farmácia Gastão Fonseca, de mil cento e quarenta escudos; factura nº 500/98 à Extincar, de treze mil quatrocentos escudos; facturas nºs 32.027 e 32.028, à Garagem Lopes, no total de  quarenta e oito mil seiscentos e oitenta e nove escudos; a António Augusto Pinto de Oliveira, as facturas, 1053, oito mil e cinquenta escudos; 1059, duzentos mil, quatrocentos e noventa e sete escudos; 1060, seis mil trinta escudos;5480, noventa e cinco mil novecentos e noventa escudos; 5497, cento e vinte e quatro mil, cento e vinte e cinco escudos; 1071, seis mil quinhentos e vinte escudos; 1072, vinte e um mil cento e cinquenta e oito escudos; 1063, setenta e nove mil seiscentos vinte e quatro escudos; 5521, cem mil novecentos trinta e sete escudos; 5544, cento e onze mil e trinta e seis escudos; 5561, cento e cinco mil e duzentos escudos; a Valdemar Soares Gouveia, factura nº 2228, vinte e dois mil cento e setenta e nove escudos; 2324, onze mil e dois escudos; a Fernando Ribeiro Parente. Factura nº 3226, oito mil duzentos noventa um escudos; 3227, vinte e seis mil setecentos e sessenta e quatro escudos; 3272,  setenta e oito mil trezentos e cinco escudos; 3367,  quarenta e oito mil, quatrocentos e dezoito escudos; 3376,  trinta e dois mil trezentos e quatro escudos; a Peças Castrense, venda a dinheiro nº 1110, quatro mil novecentos escudos; factura nº 338, trinta e quatro mil, cento e cinquenta e três escudos; a Lina Maria N. Ferreira, factura nº 961, vinte e sete mil e duzentos escudos; a Cruz & Coimbra; factura nº 996, vinte e um mil seiscentos e trinta e quatro escudos; a Varanda & Filhos, Lda. Factura nº 1008, cem mil quinhentos e vinte e seis escudos; a Paviléctrica, factura nº 83, mil duzentos e dezassete escudos; a Foto Ideal, factura nº  92, quatro mil escudos; a Mira Paiva, factura nº 12614, seis mil cento e noventa e quatro escudos; a Iecopal, Lda. Factura 00736 de duzentos e vinte e dois mil setecentos e quarenta escudos;; a Super Castrense, factura 042, a quantia de  sessenta e nove mil cento e quarenta escudos (relativamente a este pagamento, tanto o tesoureiro como o 1º secretário declinam toda e qualquer responsabilidade, visto tratar-se de fornecimentos efectuados anteriormente à sua eleição para a direcção desta Associação e, ainda, por virtude de os elementos de escrita do estabelecimento fornecedor se mostrarem algo confusos).

Foi ainda deliberado pagar a última prestação Pefiprensa da importância de duzentos mil escudos, bem como a Cruz & Coimbra, Lda, também a última prestação no valor de cem mil escudos e referente a pagamentos já anteriormente autorizados».».(cf. p. 142-144)

BAR - CópiaPertenci, de facto, à Direcção, mas nunca facturei um cêntimo dos orçamentos anuais da Associação e as  razões da minha saída estão bem explicadas no livro. Relacionam-se com a forma adoptada na exploração do bar, que foi aberto por proposta minha, e também com o leilão do fumeiro que, com a minha discordância, alguns directores fizeram entre si, nos fundos do quartel. Há disso uma testemunha presencial que, em prol da verdade, poderá esclarecer este ponto. É uma questão tempo. Anos? Meses? Dias? Há sempre tempo para assumir a cidadania. Nestas coisas da verdade e dos valores não se podem servir dois senhores. Não se pode ser Saruman e Gandalf ao mesmo tempo. As verdades reveladas incomodam sempre, mas o historiador tem boa consciência do trabalho que fez. Seguindo rigorosamente as fontes revelou  as decisões, os factos e os protagonistas que dão corpo à História da Instituição. Assim, tal e qual:

C - RECONHECIMENTOS/AGRADECIMENTOS:

«Em 5 de Maio de 1992, a Direcção, de acordo com os Estatutos, deliberou, por unanimidade, proclamar como SÓCIOS HONORÁRIOS, as pessoas e entidades infra referidas, pelas razões que se indicam:

1 - PROFESSOR AUGUSTO SOARES DOS SANTOS, residente em Castro Daire, por, sempre  que solicitado, executar gratuitamente trabalhos de desenho para a Associação e pela magnífica pintura, a título de oferta, feita na sala de assembleias da sede da Associação.

 2  - BRIGADEIRO JOSÉ AGOSTINHO FERREIRA PINTO, natural desta vila e Comandante do Corpo de Tropas Páraquedistas de Tancos, por ao longo de vários anos ter ofertado diverso vestuário (fardamentos) para o Corpo de Bombeiros e, por seu intermédio, ter oferecido uma viatura Berlliet, destinada a auto-tanque médio, à Associação.

 3  - ALCINDO PEREIRA FERREIRA, residente nesta vila, por sempre que solicitado, prestar, gratuitamente, na área da electrónica, diversos serviços à Associação e ter contribuído para que a sede da Associação fosse dotada, sem qualquer dispêndio, com uma antena parabólica e uma aparelhagem de alta fidelidade.

 4 -  RÁDIO LIMITE-CASTRO DAIRE, por sempre que solicitada, divulgar, gratuitamente, as várias iniciativas da Associação com vista à angariação de fundos e ao magnífico trabalho prestado na organização e divulgação do Cortejo de Oferendas a ter lugar em 28-06-1992.

 Os respectivos diplomas serão entregues no decorrer da sessão solene no dia 28 de Junho de 1992, quando da inauguração das instalações».

D - ACTA DA ASSEMBLEIA GERAL DE 18-12-1994:

Ratificação da proclamação de sócios a saber:

1 - SÓCIOS HONORÁRIOS .

Dr. César da Costa Santos, Dª Maria Adelina de Almeida Machado; Dª Maria José Guerra; Raul Pereira Amaral; António Ferreira Monteiro; Prof. Augusto Soares dos Santos; Brigadeiro José Agostinho de Melo Ferreira Pinto; Alcindo Pereira Ferreira e Rádio Limite.

IMG 20782 - SÓCIOS BENEMÉRITOS:

José de Almeida Marques; Dr. Gastão Ribeiro  da Fonseca; Drª Maria Augusta Rodrigues de Oliveira; Dª Otília Martins e Manuel Mendes».

E - MEDALHAS DE OURO

«Em 27 de maio de 1983, «a Direcção deliberou que fossem condecorados com a medalha de ouro da Liga dos Bombeiros Portugueses, as seguintes individualidades:

 1 - PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL, Dr. César da Costa Santos,  pela sua colaboração dada aos Bombeiros ao longo dos seus mandatos como Presidente da Câmara.

2  - Dª  FERNANDA FARINHA, pela ajuda e apoio que, ao longo dos anos, vem dando aos Bombeiros Voluntários,

3  - JOSÉ MÁRIO CLEMENTE DA COSTA,  pela sua colaboração e oferta de um chacis de uma viatura nos tempos difíceis da Associação e quando esta não possuía nenhuma.

4 - AGOSTINHO GRALHEIRO, pela ajuda aos Bombeiros e pela oferta do carroçamento da viatura oferecida pelo Senhor José Mário.(cf. páginas 403-405 do livro)

Mais transcrições para quê? São documentos e registos assim que dão corpo às  514 páginas do meu livro «Castro Daire, Os Nossos Bombeiros, A Nossa Música». Ora, tendo esta «Direcção» dado provas públicas de não saber «escrever», nem «ler», será que sabe «contar» quando tiver de meter nos cofres da Associação 10.000 contos (avaliação sua), quantia resultante da venda do livro «alternativo» e das «centenas» de cartas que dizem ter recebido a apoiar os elememtos que a constituem? ? A História é uma coisa séria. Por isso, à boa maneira de Aquilino Ribeiro, independentemente dos protagonistas, com ou sem nome, falarei ao sabor  dos factos e da verdade neles contida, mesmo sabendo que, procedendo assim, «arrepelo a ira e espírito de facção de chauvinistas, zoilos, discípulos de Pangloss, patriotas encartados e de quantos se nutrem da fressura sagrada dos anhos que o Poder imola em suas aras».

Cf. «Notícias de Castro Daire» de 24-05-2006

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PS: texto integral publicado na dada supra no jornal e no meu anterior site.

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.