Trilhos Serranos

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terça, 28 maio 2019 08:08

LIVRO ABERTO E ILUSTRADO (d)

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A VERDADE É COMO O AZEITE VEM SEMPRE AO DE CIMA

 

 

BOMBEIROS - Prós e Contras - 4

24-11-2006 13:26:08

Novembro. Dezembro. Janeiro. Fevereiro. Março. Tanto tempo! Por isso, embora desse o caso como encerrado na minha última crónica, mais por consideração aos meus leitores do que aos meus opositores, não posso deixar de esclarecer, em linguagem sã, linear e escorreita, o arrazoado que, em defesa do indefensável, eles trouxeram às colunas deste jornal. Depois, deixo ao público e aos sócios que ajuízem da seriedade (ou falta dela) com que foi tratado um assunto que envolvia cerca de 8.000 contos a favor da Associação dos Bombeiros e que os dirigentes, supostamente defensores dos seus interesses, fizeram o contrário, como é público e notório.

 

 ABÍLIO - Cópia1 - Dizem que «estão contra» e que «vender gato por lebre é crime». Pois é. E esse negócio consiste em sonegar a verdade, consiste em afirmar que o livro «nada tem a ver com a Associação», sem dizer que as actas e os documentos que lhe serviram de fundamento são falsos ou apócrifos. Que estão nos arquivos dos Bombeiros por engano, que são dossiês secretos da NASA e que nada têm a ver com a instituição. Vender «gato por lebre» é isso e, também, afirmar que «estão contra» sem dizerem quais os elementos que deviam ser expurgados da obra para ela, não sendo lebre nem gato, corresponder ao seu conceito de história e aos seus doridos estados de alma.


2 - Lamentam que o autor não lhes tivesse mostrado «o trabalho que estava a desenvolver até para discutir pontos de vista em relação ao livro». Estão cheios de razão. Não mostrei. Só falei com os documentos. Ao dizerem isso, estes senhores não deixam só a ideia de quererem fazer «censura prévia», mas também o desejo do livro ser feito ao jeito conveniente, biografia faustosa, cartaz de romaria, com muitas grinaldas, cores e fitas. Imbecilidade minha. Esqueci-me de imitar os credenciados investigadores da História de Portugal que foram perguntar a Afonso Henriques se ficava bem dizer que ele lutou contra a mãe, D. Teresa; que foram perguntar a D. João II se ficava bem dizer que ele tinha apunhalado o seu cunhado, Duque de Viseu; que foram perguntar a D. Afonso IV se ficava bem dizer que ele ordenou a morte Inês de Castro; e assim por diante, até hoje. Não. Eles não fizeram isso e eu também não. Não fui fazer-lhes vénia nem pedir-lhes a bênção. E a realidade factológica escrita nos documentos disponíveis cercearam-me todas as hipóteses de fazer o «Flos Sanctorum»  que eles esperavam. 

3 - Dizem que se eu tivesse falado com eles questionar-me-iam sobre a transcrição que fizeram relativa ao candidato do PS à presidência da Câmara, nas últimas eleições autárquicas. E perguntam o que é que este senhor «tem a ver com a história dos nossos Bombeiros e da nossa Banda de Música», para responderem  de seguida: «Nada. Este senhor nunca fez parte dos órgãos sociais desta Associação».

MESA-APROVAÇÃO DE CONTAS - Cópia«Xeque-mate»: pensaram eles. Ora bem, já referi anteriormente que o senhor Presidente da Direcção tinha dito à «Rádio Lafões» que este capítulo não tinha nada a ver com a Associação. Que não entendia. E, pelos vistos, agora, coadjuvado pelos seus pares, continua a não entender. E não entenderam todos que este livro tem, não por acaso, o título «CASTRO DAIRE, OS NOSSOS BOMBEIROS, A NOSSA MÚSICA». Título que imprime e impõe, desde logo, uma relação estreita entre as três entidades referidas. Não é um livro sobre «os órgãos sociais da Associação», sobre as pessoas que os integraram ou não. Também, mas não só. É um livro onde se rejeita cabalmente a ideia e a prática de que a Associação é somente formada pelos órgãos sociais, pelos bombeiros e pelo quartel.  O resto são números e quotas. De quando em quando, peditórios e cortejos. É um livro que, escalpelizando a par e passo a História da Associação, não podia deixar de relacioná-la com o poder autárquico, com políticos e subsídios municipais, como ficou demonstrado no excomungado capítulo. Nele se vê o fim da dinastia formada por gerentes de uma cor política antes do 25 de Abril e começo de outra dinastia formada por elementos ligados ao PS, depois. Daí eu ter escrito com inteira justificação: «e já que este livro sai a público em ano de eleições autárquicas não é despiciendo deixar nas suas páginas os nomes e alguns traços curriculares dos candidatos do PS e do PSD que encabeçam as listas para o Executivo Municipal, agora que são feitos 31 anos de Democracia e apagados que estão os fogos lançados em Abril de 1974».

 E referi, comentando, os «traços curriculares» de Fernando Carneiro (por ele tornados públicos no seu manifesto de campanha) e de Eulália Teixeira. Mas, dizem eles, este senhor não tem nada a ver com isto. Não é sócio dos Bombeiros, não é cidadão de Castro Daire, não era candidato a presidente a Câmara, representante cimeiro local dos «bombeiros e protecção civil». E por ser assim, também não tem algo a ver com os Bombeiros, com a Câmara e com o concelho, a posição que ele tomou, na reunião do Executivo Municipal, realizada no 09-02-2006, onde, por maioria, foi decidido o preço e a venda do livro. Mas ele, discordando, disse «que se associa à tomada de posição dos Bombeiros Voluntários, pois o livro não diz bem de quem desinteressada e empenhadamente deu o seu trabalho em prol da Associação». Diz que o livro não «diz bem» etc. etc. Urge, pois, perguntar: como é que ele sabia? Como é que fez tal afirmação na reunião em que a editora decidiu pôr a obra à venda? Está visto, ele não tinha nada a ver com os Bombeiros, não recebeu «grátis», e antes de estar à venda como muitos outros,  uma obra cuja receita se destinava a beneficiar a instituição; não só recebeu o livro à borla, não o leu, não tem de pagá-lo. Ele agiu somente iluminado pelo espírito santo de orelha e tanto bastou para estar em consonância com a Direcção da Associação. Estão afinados pelo mesmo diapasão, mas ele não é protagonista da História. Dizem que «estão contra», que eu não digo bem, mas fogem, como o diabo da cruz, a dizer o que «digo mal». 

ASSEMBLEIA - Cópia4 - Neste seu arrazoado dizem eles que o «Presidente da Direcção dos Bombeiros é acusado pelo autor do livro de ser autoritarista, fascista, fundamentalista, Ayatola, legionário e tudo o que existe de antidemocrático neste País que vai para trinta anos de Democracia».

Bem! Que eles, na ânsia de «venderem gato por lebre», tenham feito tudo para deturpar o conteúdo e o valor do livro, que tenham tacitamente negado a autenticidade das actas e mais documentos, ao dizerem isto, numa atávica apetência para a fulanização, mais não fazem do que continuar na mesma tabuada. Só que o autor não deixa passar coisa tão grosseira e dá alvíssaras a quem encontrar nos textos que escreveu uma frase com «sujeito, verbo e complementos» onde tal diga. O «verbo ser» pede «predicativo» (na velha gramática dito «predicativo do sujeito) e eu desafio-os a transcreverem uma frase minha onde tais «predicativos» eu tenha colado a tal «sujeito». Usei sim predicativo quando afirmei que «o presidente da Direcção é uma pessoa séria» e, portanto, devia depositar nos cofres da Associação o montante correspondente aos livros que DEU. Mas sobre isto, disseram nada.  Por isso insisto: tendo o presidente desta Direcção usado o cargo que ocupa para, à revelia da intenção e do contrato do autor, DAR aos amigalhaços «médicos, advogados e enfermeiros», como disse à «Rádio Lafões» (lá referiu 30 exemplares, mas somem-se mais, mais...e amis...) um bem destinado à Associação, enquanto não fizer prova pública de que tornou «o seu a seu dono», é dinheiro que ficará a dever à Associação que dirige. Ele e os seus pares. Passei muitas, muitas horas a trabalhar com o objectivo de beneficiar uma instituição pública e não para satisfazer o ego dos seus ”donos”,  ou a curiosidade dos seus amigos. Paguem primeiro e critiquem depois. É uma questão de consciência e, segundo o meu código moral e critério de honestidade, ainda que eu nada tenha a ver (nunca tive nem terei) com os aspectos comerciais do livro, sempre direi que quem não saldar essa conta entra no rol de «mau pagador». Fica, pois, ao julgamento público. E eu sei bem que o tempo histórico não se limita ao tempo de um consulado, de um reinado ou de um império. Ao tempo de uma vida. Os homens passam e as instituições e a informação prevalecem.

E quanto aos predicativos, cada um chama a si os que entende. Mas referir o termo «legionário» que eu nem sequer escrevi nos meus textos, só pode encontrar  justificação na psicanálise: ele é o eco de slogans distantes, tempos de revolução, jovens a gritar «abaixo os fascistas, fora com os legionários, viva o Pêcêpê... Pêcêpê... o povo unido jamais será vencido». Qual unido, qual carapuça! Nem unido, nem reunido, ao ponto de eu ainda estar à espera do abaixo-assinado de protesto que me seria mandado, como se lê na «Gazeta da Beira»ao ponto de nas reuniões para as eleições dos órgãos sociais e a aprovação de contas, aparecerem somente meia dúzia de sócios como bem mostra a foto relativa à aprovação de contas do ano 2004, que aqui se anexa, não vá eu ser desmentido. Factos são factos. História é história. 

5 - E prosseguindo na sua retórica destacam o agradecimento que fiz ao senhor Presidente da Direcção, transcrevendo: «iguais agradecimentos vão para o actual Presidente da Direcção, António da Conceição Pinto, que sem quaisquer reservas, me pôs à disposição os arquivos da instituição».

Outra vez a fulanização e, aqui, com acentuada dose de egocentrismo, para não destoar do que disse  à «Rádio Lafões», onde afirmou ser tratado no livro «como um herói»! Não. Não foi. É que, de facto, eu agradeci a várias pessoas v.g. ao presidente da Câmara, João Matias, aos senhores Ernesto de Oliveira, Manuel Araújo e Gama, Dr. Aurélio Loureiro, Alexandre Pinto, Leonel Ferreira e também a ele, António da Conceição Pinto. Fiz, tão só, o que fazem outros autores nas suas obras. De centenas, destaco duas apenas: «História da Maçonaria em Portugal» e «Eleições e Caciquismo». A primeira, do historiador Oliveira Marques e a segunda de Pedro Tavares de Almeida. Mas esta atitude de gratidão, tão vulgar entre historiadores, é «receita» que António da Conceição Pinto não decifra. Sei, todavia, porque é que eles transcreveram as minhas palavras. Foi para terem pé e dizerem que  «o Presidente da Direcção, como se pode constatar passou de Bestial a «Besta» e atribuírem-me, assim, afirmações que não fiz. É outra classificação da sua lavra. Só a eles pertence explicá-la. 

Bombeiros-26 - E voltemos ao «crime de vender gato por lebre». O livro está à venda na Câmara, no Museu e nas papelarias de Castro Daire, excepto, como é óbvio (e por escusa), na papelaria do cunhado do presidente da Direcção. Eu não vendo nem recebo um cêntimo da obra vendida. Reiterei o objectivo de cedência dos «direitos de autor» para benefício da Associação e, portanto, é a editora que vende o livro, que arrecada a receita e que lhe dá «os fins convenientes». Ponto final.

Por mais que deturpem, estando o livro à venda, à disposição de toda a gente, difícil tarefa têm eles em contrariar a verdade a todo o tempo. Já não há volta a dar-lhe. E a obra é volumosa demais para me obrigarem a mastigá-la e a engoli-la como consta ter sucedido nesta vila, em tempos idos, no estabelecimento de um certo Senhor vilão, onde um humilde aldeão foi obrigado, por outro certo Senhor vilão, a mastigar e a engolir uma carta, onde dizia da sua justiça. Corre tal feito na coscuvilhice vilã, por isso, sem prova documental escrita, sosseguem os descendentes e amigos dos Senhores seus protagonistas, que eu nunca os identificarei num livro meu de História. Não misturo as duas coisas. Mas sempre digo que nenhum deles era de CUJÓ ou de FAREJA

7 -  Dizem que houve pessoas que «até me escreveram» e outras me «telefonaram» a mostrarem o seu «desagrado» com o livro. Como é que eles invocam isso se eu não escrevi uma letra sobre tal matéria? Digam-nos quem são essas pessoas. Transcrevam o que elas escreveram e/ou disseram, pois, assim, ficaremos todos a saber a identificação dos ver os  “amigos” dos Bombeiros a quem as verdades publicadas incomodam e mal dispõem. Que se doem dos calos! Aquelas pessoas que, em boa moral, por razão da sua atitude, juntamente com a Direcção, deviam ressarcir a Associação do montante em euros que o livro renderia mais rapidamente e sem mediadores. 

8 -  A finalizar dizem: «exigimos mais respeito ao fazer um livro de história dos nossos Bombeiros e da nossa Banda». Exigência ridícula, vinda de quem vem! É preciso descaramento pedir respeito pela história quem dá provas sobejas de ignorar claramente o que ela é. De não fazer a mínima ideia da metodologia de investigação ligada às ciências sociais. Os mesmos que não vêem que foi por respeito à instituição, à sua história e à verdade contida nos documentos, que o livro é o que é. E em vez de aproveitarem as, as lacunas e os erros cometidos, persistem em somar aos aspectos negativos da história da instituição mais procedimentos negativos. Camões tinha razão: «um fraco rei faz fraca a forte gente». E desafio o mais credenciado historiador a dizer que houve falta de probidade na investigação. Que foram omitidos ou desvalorizados os aspectos positivos documentados. Desafio-os a dizerem,  com base em documentos, que não foi em 1878 que foram fundados os Bombeiros Municipais e que, em 1915,não foram fundados os Bombeiros Voluntários, para referir apenas estes dois marcos que contrariam o saber feito.  

É que, sabido isto, continuar a propalar que «esta Instituição no passado dia 02 de Março completou 128 anos», sem dizer que isso se refere aos «Bombeiros Municipais» e não aos «Bombeiros Voluntários» como está na frontaria do quartel é, isso sim, «vender gato por lebre». É propagandear o que a documentação não legitima. Nisto e em tudo o resto, não procede assim o historiador. Este, acompanhado das indispensáveis conselheiras - heurística e hermenêutica -  entra nos arquivos, investiga, detecta, lê, valida as fontes, coteja, associa, cruza dados, pondera, transcreve, analisa, percebe, critica, comenta, explica, infere, conclui e escreve. Não inventa factos, decisões e protagonistas. Isso só na ficção, coisa que este livro não é aos olhos dos entendidos. 

Também no  «Noticias de Castro Daire» de 24-03-2006 (continua)

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PS: professor de HISTÓRIA, investigador da HISTÓRIA e HISTORIADOR assumido, com obra publicada e reconhecida publicamente por ACADÉMICOS CREDENCIAOS, não sou dado a “tirar esqueletos do armário”. Se me dei ao trabalho de transcrever estes textos “adormecidos” no meu velho SITE «trilhos-serranos»,  foi porque um jovem, de se nome Fernando Costa, num comentário feito no FACEBOOK, disse ignorar a POLÉMICA havida em torno da minha OBRA PUBLICADA. Depois e, na sequência, eu vim a saber que o famigerado livro, que esteve à venda nos espaços acima referidos e também no Museu Municipal, já não está lá. Mas isso terá de explicar o actual detentor de PELOURO DA CULTURA., Dr. PEDRO PONTES. É que, como ele devia saber, o facto de eu ter feito esse livro “pro bono” em benefício de uma ASSOCIAÇÃO HUMANITÁRIA, não perdi os “direitos de paternidade” da obra. E assim sendo, não seria descabido que o departamento jurídico do Município se debruçasse sobre o “Código dos Direitos de Autor e Direitos Conexos”. (actualizado), pois certo é que um bom pai, nunca abandona o «filho» e quer saber do seu paradeiro, nem que seja para exercer o seu «direito de  preferência» na aquisição do «stok» não vendido.

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.