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quinta, 24 janeiro 2019 11:27

RITUAIS HUMANOS

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RITUAIS E PRAXES
O FACEBOOK É UMA LIÇÃO

No dia 10 do corrente coloquei no meu site "trilhos-serranos.pt" algumas reflexões sobre o topónimo "Castro Daire" e ali refiro que, os Lusitanos, segundo Estrabão, comiam essencialmente «cabritos e sacrificam a ARES um bode" e bode ou porco parece ser o quadrúpede esculpido na ARA votiva encontrada na antiga ponte Pedrinha, quando, em1877/78, foi demolida para dar lugar à que actualmente existe.

 MOITA-PENEDOE de sacrifícios de animais nos falam, também, os textos inscritos nos penedos de Lamas de Moledo (Castro Daire) e no Penedo de Fráguas (Sabugal), terras da Lusitânia, nos quais comummente se aceita referirem a imolação de uma ovelha de um porco e um touro, ritual de sacrifício que os eruditos designam por «suovetaurilium».

E disse mais: animais sacrificados aos deuses, às divindades, em tempos pagãos, dirão uns. Mas outros lembrar-se-ão de Isac, filho de Abraão, estendido sobre a ARA e o pai, fogo numa mão e o cutelo na outra, disposto a sacrificá-lo. (Génesis, 22:12,13) 

DELFIMSacrifício após sacrifício, numa relação estreita entre homens, animais e deuses, a história está recheada de rituais semelhantes, nas mais diversas culturas e civilizações. 

Acabo de ver na RTP, no espaço "SEXTA ÀS NOVE" a explicação da tragédia ocorrida na praia do Meco, vitimando 6 alunos da Universidade Lusófona. Vítimas de um "RITUAL DE PRAXE", um ritual académico que deveria pôr a pensar GENTE ADULTA com o estatuto de "GENTE UNIVERSITÁRIA". Fui universitário, mas por força da IDADE ADULTA com que pus os pés na instituição que me formou, não passei por essas REFINADAS PALERMICES e, refletindo sobre elas, nunca as entendi. 

pRAXE-SANGUE-2Mas os exemplos que têm vindo a público, todos eles com forte dose de RITUAL SELVAGEM, parece-me começar a entendê-los. E bem gostaria que alguém me explicasse, ACADEMICAMENTE, se tais RITUAIS mais não são do que os elos da cadeia de sacrifícios, reais e/ou simbólicos do PASSADO, cadeia de sacrifícios que mete hierarquia, poder, mando, submissão, animais, deuses, homens, pão e vinho, e, agora, se calhar droga. Não os entendi até hoje e creio ser difícil que me façam entendê-los. Podem chamar-me retrógrado, sem espírito académico, pois então, ultrapassado, mas professor castrado, NÃO. Onde é que eu ouvi isto?

NOTA: publicado no Facebook em 24 de janeiro de 2014, migrado, hoje mesmo para este meu espaço.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.