Trilhos Serranos

Está em... Início Poesia INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - INTELIGÊNCIA HUMANA (6)
quarta, 14 janeiro 2026 13:32

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - INTELIGÊNCIA HUMANA (6)

Escrito por 

ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES

Já não é surpresa para os meus seguidores/leitores que, por moto próprio ou com  a ajuda de terceiros, recorro à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL e, numa cumplice interação, divulgo, saberes, sensibilidades, emoções e conhecimentos. Desta feita, o meu filho mais velho -  NURO - depois de ter lido o longo texto que a INTELIGÊNCIA ARTIIFICAL  produziu, mostrando as semelhanças e as diferenças existentes entre mim e Aquilino Ribeiro, (cf. crónicas anteriores) resolveu surpreender-me com as FOTOS que ilustram o poema que se segue. Ao vê-las,  numa toada rítmica vicentina, jorrou a versalhada que se seque. Assim:

 DIÁLOGO IMPOSSÍVEL

aquilino e eu-1Quem és tu, que m’apareces assim

No caminho

Encostado a uma bengala,

Com’a mim?

 

Olhe que não, olhe que não

Ó Aquilino.

Não é bengala, nem bengalão.

É um báculo. E até regala

Dizê-lo, pois então,

De clérigo, de bispo,

De que tanto falou

Em português escorreito

Nos livros que deixou.

E tudo isso

P’ra meu proveito.

 

Báculo seja, pois

Mas nós os dois

Nunca nos cruzámos no caminho

Que me lembre?

 

Pois não, ó Aquilino,

Em nossa vida não.

Mas nestas lides minhas

Eu li o «Malhadinhas»

Fixei nomes de filhos, pais e mães

Tanta, tanta, gente

E também ferrei o dente

Na «Casa Grande de Romarigães».

 

Pois, pois

Eu escrevi isso

Bem me lembra.

Mas insisto:

Eu perguntei somente

Quem és tu que apareces assim

Encostado a uma bengala

Ou báculo com’ a mim?

Tanta delonga para quê?

 

aquilino e eu-2Ó mestre, então não vê

Que eu li, reli e tresli

Toda a obra sua

De Sernancelhe, à Lapa, à Rua

E atento estive ao que vi e ouvi?

Que imaginação!

Que criatividade!

A sua. E que admiração

A minha pelo seu trabalho.

 

Sim, sim, mas insisto.

Quem és tu,

Afinal?

Diz-me, tem dó,

Antes que eu te mande p’ró…

 

Espere!

Não precisa de recorrer

Ao palavrão

Ao vernáculo beirão

Tanto a seu jeito

Mas já que assim quer

Aí vai

Assumindo eu o defeito:

A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

(Coisa sem igual

Nunca imaginada pelo meu pai)

Sabendo tudo isto

Sem a magia de Simão (*)

Nem o milagre de Cristo

Qual génio do Aladino

Mudando a realidade

Sem olhar à nossa idade

Neste mundo de ilusões

Juntou aqui dois beirões:

Abílio e o Aquilino.

 

 AdegaEnfim, um hino

À INTELIGÊNCIA HUMANA

E ambas, mãe e filha

Qual aragem

Na alcantilada serra

Ou na planura da savana,

Reciprocamente interagem

E por linhas direitas e tortas

(Onde há luz tudo brilha),

Dão vida às coisas mortas.

Abílio/2026

 

(*) Alusão a SIMÃO MAGO que, entre os gentios, competia com Cristo. Cf. Bíblia. 

 

 

Ler 413 vezes
Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.