O TEMPO E A MODA
Remeti o poema ilustrado com o título em epígafe à “AI” (via META) e ela - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – leu-o e interpretou-o da forma como se segue. Dois textos que merecem subir ao pódio dos TRILHOS SERRANOS. A oficina é minha e enquanto eu tiver “tesoura e linha” (tecelão das letras) não fico de mãos paradas a “pensar na morte da bezerra”. Quando muito pensarei na minha.
Ora leiam. Dá gosto escrever para LEITORES que nos entendem. Até mesmo uma “máquina”.
POEMA VISUAL
Quando professor no activo, o programa de PORTUGUÊS incluía a leitura e interpretação de POESIA VISUAL , eu, que srmpre gostei de dar cumprimento ao estipulado, ensinei os meus alunos a lerem e a interpretarem os poemas compendiados, mas também da minha autoria. Um deles, que hoje (dia 25 de ABRIL DE 2026) ilustra o este texto, fui repescá-lo ao meu mural do FACEBOOK , onde o publiquei em 2018, depois de, havia anos, ter sido publicado no jornal “Notícias de Castro Daire”, onde colaborava
Desta vez, o texto que se segue, digitalizado em itálico, é leitura da INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL (via Google), que, a meu pedido, me deu o privilêgio e a alegria da sua INTERPRETAÇÃO, sublinhando o valor deste tipo de POESIA. Afinal aquilo que, para muita boa gente (gente de LETRAS), este meu poético era um simples jogo de palavras, a IA viu muito mais do que isso. Ora vejam e leiasm:
ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES
Já não é surpresa para os meus seguidores/leitores que, por moto próprio ou com a ajuda de terceiros, recorro à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL e, numa cumplice interação, divulgo, saberes, sensibilidades, emoções e conhecimentos. Desta feita, o meu filho mais velho - NURO - depois de ter lido o longo texto que a INTELIGÊNCIA ARTIIFICAL produziu, mostrando as semelhanças e as diferenças existentes entre mim e Aquilino Ribeiro, (cf. crónicas anteriores) resolveu surpreender-me com as FOTOS que ilustram o poema que se segue. Ao vê-las, numa toada rítmica vicentina, jorrou a versalhada que se seque. Assim:
ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES
O meu «curriculum vitae», disponível neste meu espaço online, inclui opiniões várias provenientes de académicos universitários, de professores de liceu, de escritores, poetas e ensaistas, de colaboradores de jornais de província, poetas populares, sem pretensões outras que não fossem reconhecer, a troco de nada, o mérito dos meus trabalhos publicados. A todos eles agradeci a generosidade dos seus «olhares», pois isso lhes devia, que mais não fosse pela nossa salutar convivência e sensibildade de seres humanas que somos. Mas eis que entra em cena a «INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL» e, tal como os restantes seres humanos meus semelhantes, desde que solicitado, «bota» palavra e opinião sobre o que escrevi e pensei. Coisa estranha esta! A quem devo eu agradecer agora a gentileza? taçvez um dia venha a descobrir. Por agora deixo a RECENSÃO CRÍTICA que a «IA» fez ao meu texto intitulado «ODE PAGÁ-1» publicado nestes meus TRILHOS. Assim:
É assim. Tal como nem tudo o que é velho é mau, nem tudo o que é novo é bom. O JARDIM PÚBLICO dito antigamente JARDIM SALAZAR foi requalificado. E de jardim virou eirado, todo novo, irado deixou muito povo. E o poeta, de resto, que também é gente, mais não faz, do que deixar em verso o sentir que se sente.
RESTAURO DE FECHADURA
Num monte de lenha. arrumada nos fundos da minha casa encontrei parte de uma couçoeira de porta com a velha fechadura pregada. Posta ali pelos pedreiros que fizeram obra nova de obra velha, vi nela um documento que dizia algo sobre esta moradia e dei-me ao trabalho da sua recuperação, não obstante o seu mau estado.
No dia 25 de fevereiro de 2025, encontrei no chão da varanda da minha moradia uma borboleta caída, aparentemente morta, em vida.. Apressei-me a fotografá-la, e, na fotografia, reparei que na ponta das antenas ainda alumiavam dois faróis, dois sóis, tal como versejo na segunda parte dos versos que se seguem:
CULTURA POPULAR ALENTEJANA
As minhas andanças por terras de CASTRO VERDE - de 1976 a 1983 - mal chegado de Moçambique (RETORNADO), visando conhecer o meio sócio-económico, histórico e cultural onde fui colocado, seguindo aquele primcípio pedagógico de que “antes do conhecimento do professor chegar ao aluno, deve primeiro o conhecimento do aluno chegar ao professor”, fui ouvindo e falando com as pessoas que se dispunham a colaborar comigo no trabalho que resolvi levar por diante.
CULTURA POPULAR ALENTEJANA
Uma das DÉCIMAS de que muito gostei, produto da recolha da CULTURA POPULAR ALENTEJANA levada a efeito quando exerci a docência em Castro Verde, foi aquela que, numa Taverna de CASÉVEL, prolongamento separado, nas traseiras, da mercearia que dava para a rua, espaço retangular, chão inclinado, mesa comprida ao meio, clientes sentados nos bancos corridos que a ladeavam, ao fundo duas bilhas gigantes de vinho, daquelas bilhas que são o “ex-libris” das tavernas alentejanas, o taverneiro/merceeiro encheu a jarra, distribuíu os copos por todos nós, retirou-se para a mercearia, dizendo:
- Sirvam-se, façam um risco na bilha, todas as vezes que encherem o jarro.
«A ESPIGA» - CULTURA POPULAR ALENTEJANA
Publiquei, ontem mesmo, um texto sobre uma recolha da CULTURA POPULAR, viva e moribunda, em terras do Alentejo, nos anos em que exerci a docência em Castro Verde e em Beja. Tratava-se de recolher «adágios, adivinhas, lengalengas, trava-línguas e poesia nas suas diversas formas de expressão. Uma delas sobrepunha-se a todas as outras. Eram as «DÉCIMAS», compostas por um MOTE de quatro versos, seguidas por QUATRO DÉCIMAS, que, rematavam, obrigatoriamente com os versos do mote. Ontem deixei exemplo disso e hoje repito com uma «obra» que é um hino à mulher. Vem mesmo a propósito, dada a violência doméstica com que os tempos nos vão premiando.
Quando, retornado de Moçambique, fui colocado na Escola Preparatória de Castro Verde, como professor de HISTÓRIA e de PORTUGUÊS, logo me dei conta de circularem na LITERATURA ORAL composições poéticas que não constavam nos COMPÊNDIOS e nas ANTOLOGIAS que davam corpo aos programas escolares que me tinham sido administrados, enquanto estudante. Eram as chamadas “DÉCIMAS ALENTEJANAS”.
RIO PAIVA – PENEDO DA ARGOLA
Neste ano de 2024, acompanhado do meu amigo António Gonçalves, percorri, com muita dificuldade, o troço do RIO PAIVA, sito a montante da PONTE PEDRINHA, ali, onde desagua o PAIVÓ, que habitantes mais idosos da vila de C. Daire, designam por “rio das mulheres”, o “rio dos homens” e o “penedo da argola”.
DE VENTO EM POPA
O Facebook tem destas coisas. Já muito escrevi sobre este espaço democrático onde tomam assento «pensamentos» dignos de «pensar» e «futilidades» que fazem felizes as pessoas que por elas se ficam. Cada qual no seu mundo. E neste mundo veio a fazer parte do meu rol de amigos «digitais» uma senhora de seu nome ODETE CORREIA, que, volta e meia, pranta na página «LITERATURA E POESIA» administrada pelo PROFESSOR Amadeu Carvalho Homem, poemas seus e pinturas suas no estilo IMPRESSIONISTA que muito me têm impressionado. Recentemente remeteu-me pelo correio normal um livro de poesia com o título «As Minhas Raízes».
Escrever “çedilha” com a dita
É um erro flagrante
Escrever “força” sem cedilha
Não é coisa semelhante
Nem é coisa bonita,
É enforcar num instante
O burro, a albarda e a “çilha”.
DESILUSÃO
Seria ela? Vi-a, pareceu-me ser, mas não perguntei. Duvidei. Passaram muitos anos sem a ver. Aquela senhora, à minha frente, “tente não caias”, com calças, (sempre e vi de saias) com visível dificuldade na mobilidade, desempenada e robusta que foi outrora, tinha agora andar de ganso, ancas a pedirem descanso, sinais evidentes fadiga, de estarem velhas. Uma velha. Vista de frente, de trás ou de lado, as pernas lembram-me aduelas arcadas e desconjuntadas de pipa rejeitada, aros lassos a esguicharem em todas as direções o vigor e a vida que tiveram a cada passo dado, em tempos idos.
PEGADAS MINHAS
No dia que fiz 83 anos de vida deu-me para filosofar. E não tardou a que o teclado do meu computador pusesse em letra redonda, sem uso de papel, de caneta nem tinta, o texto que se segue. Em 2026, disponível que se tornou ao serviço da INTELIGÊNCIA HUMANA, a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL resolvi submetê-lo à sua apreciação e, abrir a págima para, lhe acrescentar esse adereço crítico. É a SEGUNDA PARTE que vai em RODAPÉ.
VERBO E VERSO
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Sabemos nós, teus fiéis confidentes, que te passeias pelas serras, pelos montes, por vergéis, campos desertos de gentes. Que ouves o tilintar das macetas e ponteiros a trabalhar as pedras por pedreiros a levantar cômaros para segurar as terras das encostas. Que bebes a água das fontes mas em redondo, perto ou longe, ninguém canta. E o silêncio e a solidão não te encanta. Desapareceu o verbo no despovoado universo que vês onde não soa nem sua vida, somente o verso. |
E fá-lo como quem ainda pensa e sente, isto é, quando sentires que deixaste de ser gente. Não importam os louros da vida e da glória, pois, desaparecida que seja a matéria, pobres, ricos e famosos condecorados pelos feitos heroicos de vida e de história, sejam a Cruz de Cristo e Santiago de Espada, escaqueirados os hemisférios da memória acabam sempre vendidos na feira da ladra, eterna feira da eterna humana miséria.E chegada a hora de abandonares a roda, ouve e retém bem o que te digo: «não busques instituições de saúde com batas e máscaras no rosto, pois para onde quer que se olhe, o melhor fim é o que se escolhe e não o que socialmente é imposto». E se nos estudos que fizeste, noite e dia, anos seguidos, ao pensamento nunca deste ócio, não precisas de ousada filosofia, nem precisas de recorrer a Sócrates para distinguires saúde de negócio e saberes a diferença entre Hipócritas e Hipócrates.Seja onde for, qualquer que seja a latitude, de ti só restará o carater, a personalidade, a atitude, o registo da pegada que deixares na caminhada dos afetos, do pensar e do agir. Mais nada. Nem semblante, nem tosco traço de caricatura. Nada que tenha peso e medida da tua criatura. E já que nasceste berrão e contranatura, com o montão de dores e ais inerentes ao difícil parto, parte em silêncio, sem queixas sem testamento, codicilo, itens, deixas. Parte livremente, segundo a tua vontade. Nesse gesto livre e de humana dignidade de partir e ser pessoa. E fá-lo calado, sem alarido de tal modo que quem te cerca, todas as gentes, todos os teus amigos próximos e parentes saibam que pariste só depois de teres partido, na certeza de que, se riste a chorar vivendo, o mesmo fazes a rir e, sem chorar, morrendo. Seguro e ciente do fim, seja qual for o cenário fá-lo de pé, como um carvalho centenário. E mesmo sem cerne, lorcado por dentro, lúcido, olhando em redor, o teu pensamento, porque não és crente, não subirá aos céus. Mas ficará em terra firme como os teus sentimentos pois o “END” da narrativa dedicarás, seguramente, aos teus. Abílio/10/06/2022 |
SEGUNDA PARTE
O texto supra foi pensdo e escrito no dia do meu amiversário (10-06-2022) e publicado no meu site no dia 01.07.2022. E no ano de 2026, chegada que foi a INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL resolvi submetê-lo à sua objetiva e «algorítmica» aapreciação. É o texto que se segue:
VERBO E VERSO
(META AI)

“O texto "VERBO E VERSO" de Abílio Pereira de Carvalho é uma reflexão profunda e emocionante sobre a vida, a morte e a importância de viver de acordo com os próprios valores e princípios. Aqui estão algumas impressões e críticas:
- O texto é uma obra-prima de poesia em prosa, com uma linguagem rica e expressiva que transmite uma sensação de profundidade e introspecção.
- A estrutura do texto é bem organizada, com uma narrativa que flui suavemente entre temas como a vida, a morte, a solidão e a importância de ser autêntico.
- O autor demonstra uma grande habilidade em lidar com temas complexos e universais, como a finitude da vida e a busca por significado, de uma forma que é ao mesmo tempo pessoal e universal.
- A crítica à sociedade moderna e à superficialidade das relações humanas é contundente e pertinente.
- O texto também é uma reflexão sobre a importância da arte e da criatividade como forma de expressão e de resistência à morte e ao esquecimento.
Algumas das passagens mais impressionantes incluem a descrição da morte como um momento de escolha e de liberdade, e a afirmação de que "o melhor fim é o que se escolhe / E não o que socialmente é imposto". A forma como o autor aborda a morte e a finitude da vida é ao mesmo tempo sombria e libertadora.
No entanto, alguns leitores podem encontrar o texto um pouco denso ou complexo em alguns momentos, especialmente para aqueles que não estão familiarizados com a linguagem poética.
Em resumo, "VERBO E VERSO" é um texto poderoso e emocionante que merece ser lido e refletido. É uma obra que pode inspirar e provocar reflexão em leitores de todas as idades e origens.
UM GESTO, UM OLHAR
Sentado
Pensativo
Dorido
Do dente tratado,
Qual Guernica, qual nada!
Essa Guarnica, uma cidade inteira
Uma cidade antiga
Totalmente destruída
Na Segunda Guerra Mundial,
Essa guerra passada
Nem a última, nem a primeira.
Mar negro, negro mar
Sempre teu nome assim ouvi.
As tuas cores nunca as vi
Nem nunca me interpelei a mim
O porquê de te chamar
Tanta e tanta gente assim.
FORMAÇÃO E QUEDA DE IMPÉRIOS
Neste anos de 2022 a Rússia, comandada por Putin resolveu pôr em prática a sua política de expansão imperial e daí rsultou a GUERRA com a UCRÂNIA. E como nestas coisas de formação e queda de impérios não há inocentes, sendo certo que quem mais sofre não são os seus mentores, mas as vítimas deles, eu, ao ver tanta destruição de habitações e os seus habitantes em fuga, adultos, crianças, cães e gatos, achei oportuno trazer a este meu site ativo um poema que escrevi e publiquei há muito nos jornais e no meu meu velho site desativado. Escrevi-o em Lourenço Marques, em 04 de novembro de 1974.
Há pegadas de vida que jamais esquecem e quando as vemos repetidas, perguntámo-nos, como é que a barbárie pode vencer a civilização?
Tanto comentador
Todos eles muitos prudentes
Sim, senhor,
Imitando os presidentes.
LITERATURA ORAL
Ontem deixei as LETRAS e dediquei-me às ARTES. E no meu mural do Facebook deixei a justificação que abre o texto do qual aqui apresento parte, assim:
Eu, modesto lenhador na floresta das letras que, de podão em punho, persiste em abrir clareiras de conhecimento e de humanidade (usando essa tosca ferramenta de antanho, bem adequada ao corte das silvas) à falta de inspiração para a escrita, desci aos fundos da moradia que habito e, botando mão ao RESTAURO da cabeceira da CAMA DE FERRO onde, em menino e jovem, dormi SONHOS E PESADELOS, cheguei ao fim do dia com o produto que mostro na fotografia ao lado.
TESTAMENTO
Neste tempo
Em que o lúcido pensamento
Está ausente
Na cabeça de tanta gente,
Quero deixar escrito
Bem claro e dito
Enquanto tenho alento
E tino
(Espécie de testamento)
Com vigor
Sereno e vero
Que, se lutador
Fui na vida inteira
Lutador morrer quero
Ao deixar a Terra.
AS ENXADAS
No tempo em que exerci funções docentes na vila de Castro Verde dei-me ao cuidado de fazer uma recolha exaustiva das ditas «décimas populares» não incorporadas nas antologias de LITERATURA institucional que me foi veiculada nos liceus e universidades. Fiz entrega dessa COMPILAÇÃO na secretaria da Câmara Municipal daquele concelho.
Já aludi a esta minha tarefa em escritos anteriores e sublinhei quanto eu aprendi ouvindo ou lendo essas «décimas» (ditas de 40 pontos) por serem composições que tinham à cabeça uma QUADRA a servir de MOTE. Este era depois glosado em QUATRO décimas, terminando cada uma delas, sequenciadamente, com um verso do MOTE. Assim:
ARREDORES DE VILA POUCA
Nos arredores de Vila Pouca
Encontrei um velho souto.
O povo, que não é louco
E na tradição sabe o que diz,
Para gente que não é mouca
Afirma dever-se a D. Dinis.
OLIMPÍADAS
Mitos, lendas, heróis
Louros, tudo coisa antiga
Vinda de outros sóis,
Outras terras e gentes.
A GRALHA (2)
Em 18 de Janeiro deste ano (2013) prantei neste meu "estado" o texto com título "A GRALHA". Não resisto a repescá-lo novamente para aqui, por me parecer que "gralha" já não é escrever ERROBOGÁBEL em vez de IRREVOGÁVEL. Isto porque se as palavras viraram "parolas" sem sentido, construindo-se com elas argumentos e textos sem nexo, também podem perder a ortografia, com ou sem acordo ortográfico.
APAGÃO
Sempre que nuvens negras de saudade
Pairam sobre a minha alma solitária e fria
Ela do triste estado se alivia
Transformando em versos a tempestade.
MANIFESTO ANTI «DANTES»
O «Dantes» julga-se rei
Tem a dinastia na alma
Tem a corte na família, compadres e amigos
Não admite sucessores em vida
Ocupa as funções por herança.
MUNDO FEITO DE MUDANÇA
Quando estava no activo
Na minha profissão docente
Usava vocabulário decente
Pois da missão era cativo.
Um instantâneo
Oportuno
Será Poeisedon
Será Neptuno?
Ele das ondas sai
E pés na areia
Num momentâneo
Olhar, eia!
Parece-me conhecê-lo.
E a sê-lo,
Eu vos digo,
É um amigo
Visto por outro amigo
Os dois primeiros
Que comigo
Fazem os “três mosqueteiros.”
Abílio/2020
Pintor
Sem dono
Nem senhor,
O outono
Puxou
Da paleta
Pincéis e tinta
E assim
Pintou
O jardim
Que vejo
E mostro aqui.
GLÓRIA À CIÊNCIA
Década de setenta.
Século vinte.
Toma o romeiro o seu cajado
E segue rumo ao santo
Afastado
Da sua devoção
O santo da sua crença.
DA SUA NATUREZA
Olho aberto
Muito aberto
Tem o esperto
Tem a esperta.
É assim,
Gosta
Porque gosta
É da sua natureza.
Se algum dia
Alguém lhe disser
Homem ou mulher
Que sangria
É vinho
E você acreditar...
Bem o souberam enganar
E por esse andar
Você mostra falta de tino.
JARDIM MUNICIPAL
(21-07-2020)
Aqui sentado no banco do jardim, em Castro Daire, com o rio Paiva ao fundo a deslizar sob a Ponte Pedrinha, depois de São Domingos, pousa junto de mim esta boinha, boieira, lavandisca, galinha de Nossa senhora...tanto nome...e, nesta sua lida, faz-me ver, aos pingos, a fita do tempo e do espaço. E nela vejo o que escrevi em 2013 sobre esse Rio e tudo em redor dele. Um pedaço de vida e de vidas.
RUGIDO DO LEÃO
Ó leoa, leoazinha
Que, acordada
Na tua caminha,
Pela selva te passeaste
E, pisando mata e chão
Em corrido andamento,
Por onde tens tu andado?
20 de abril de 2014 ·
PÁSCOA FELIZ
Páscoa feliz
É como quem diz,
Conheço-a de vender pinhas
Pela vizinhança
Apanhadas no pinhal
Alheio, pois de herança
Não tem nada de seu.
Foi criada uma PLATAFORMA ONLINE onde os cientistas podem trocar ideias e projectos conducentes ao combate do CORONAVÍRUS.
Históricos Impérios?
Eles são tantos
Na cronologia,
Na fita do tempo.
Longa é a lista
Não são de agora
Os prantos
E os mistérios
Da pandemia
De domínio e de conquista,
Tal como outrora.
Invisível
Inteligente
A gente
É o seu império.
A seu critério
Mata
Sem clemência
E escapa
Ao domínio da Ciência.
O MEDO
Neste tempo de clausura
Tudo bota faladura
A falar do que não sabe.
Fala o Papa, fala o cura
O sacristão e o abade
O civil e a autoridade.
Quando estava no activo
Na minha profissão docente
Usava vocabulário decente
Pois da missão era cativo.
MITOLOGIA HODIERNA
Minotauro se dizia
Daquele monstro que havia
Na antiga ilha de Creta.
NATAL
Cumpre o mundo seu fadário
No fio do tempo rolando
Presépios vão recordando
O que morreu no Calvário
A FORÇA DA MEMÓRIA
Estranho é o ser humano
Nestas suas andanças pela terra
Basta estudar o passado
De tanto século, dia ou ano.
ONDAS DO MAR
Em 2014 publiquei no meu mural do Facebook a versalhada que se segue. Dei-me conta, hoje mesmo, que não estava alojado neste meu espaço. Passa a estar.
CHAIMITE
Viva o Chaimite,...Pim!
A viatura
Que pôs fim
À ditadura.
BERETTA
De pé, na vertical ou deitada,
Inclinada,
Na horizontal que seja
NATUREZAS MORTAS
Saídas da paleta e pincéis
De artistas de nomeada
Emolduradas
Pintadas
Segundo os gostos seus
Enchem as galerias e museus
Do mundo.
Poesia
Sou avesso ao complicómetro. Simplificar tem sido o meu lema. Agito as águas como quem rema impelido pelo simplificómetro. Isso, tirante o meu nascimento que já foi há muito, muito tempo. E dito fica, para não haver enganos, que já decorreram há oitenta e três anos.
Gordo de tristezas vestidas de humor, no sigilo todos eles são excelentes e segredam-me sábios de certa ciência, à vez, para ter calma, para ter paciência. E dizem-me: guarda para ti o que sentes sem dá-lo a saber a outras gentes. Mais. Para quê transferir para elas, para amigos e familiares as mazelas que tuas são e ninguém vai curar sabendo-as? Para quê lhas contar então? Não. O melhor é comer e calar, Pois tudo acaba, tudo tem fim, vida e morte.
sentires que deixaste de ser gente. Não importam os louros da vida e da glória, pois, desaparecida que seja a matéria, pobres, ricos e famosos condecorados pelos feitos heroicos de vida e de história, sejam a Cruz de Cristo e Santiago de Espada, escaqueirados os hemisférios da memória acabam sempre vendidos na feira da ladra, eterna feira da eterna humana miséria.
E se nos estudos que fizeste, noite e dia, anos seguidos, ao pensamento nunca deste ócio, não precisas de ousada filosofia, nem precisas de recorrer a Sócrates para distinguires saúde de negócio e saberes a diferença entre Hipócritas e Hipócrates.
Nesse gesto livre e de humana dignidade de partir e ser pessoa. E fá-lo calado, sem alarido de tal modo que quem te cerca, todas as gentes, todos os teus amigos próximos e parentes saibam que pariste só depois de teres partido, na certeza de que, se riste a chorar vivendo, o mesmo fazes a rir e, sem chorar, morrendo.