Trilhos Serranos

Está em... Início Crónicas INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - INTELIGÊNCIA HUMANA (7)
sábado, 17 janeiro 2026 17:35

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - INTELIGÊNCIA HUMANA (7)

Escrito por 

ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES

O meu filho mais velho -  NURO - continua a surpreender-me, fornecendo-me, com agrado meu, FOTOS  trabalhadas com as ferramentas da “IA”. Ao fazê-lo, desta vez, sugeriu-me para elaborar um DIÁLOGO com o MESTRE AQUILINO ali, naquele espaço aldeão em que vemos uma Igreja, um fato de cabras a passar e um cão aparentemente atento à conversa e gestos dos humanos. Face a essa sugestão, eis o que, num rompante, verti em letra redonda.

 PRIMEIRA PARTE

NO ADRO DA IGREJA

1-aquilinoÓ senhor Aquilino, então hoje deixou a sua banca de trabalho e veio esparecer aqui para a rua?

Espairecer …é um modo de falar. Vim buscar matéria plástica para um livro que tenho na forja. Olhe em redor, uma Igreja, um fato de cabras a passar e um cãozinho que, atento a olhar para nós, é um dos animais domésticos que parece mais saber de nós, do que nós deles…

Pois, pois, eu bem sei do seu gosto pelos animais, não fosse vossemecê caçador, a bater perdizes na Serra da Nave. E bem vi como trabalhou, lá na sua forja, como diz, aquele Papa-moças, animal, monstro, bicho lobisomem, o diabo que seja, no seu livro “andam faunos pelos bosques”.

Ora, esta a ver. Não inventei nada. Só agarrei nos fios da meada, nos medos, nos sentimentos e nos factos que ligam estas gentes da serra e lá, na minha forja, ou, como queira, no meu tear de recelão das letras, produzi aquela peça pronta a vestir qualquer cidadão, segundo o seu gosto.

Conhece-me? Sabe porque meti conversa consigo e lhe lembrei a trama desse livro?

Ainda não se apresentou e eu não sou adivinho. Sou escritor e está para nascer o mais pintado que ponha em letras alinhadas a alma, o pensar, o sentir e o agir, destes labrostes que povoam estas serras da Beira, pastoreando gado e cultivando as suas terras.

Já li, dito por si, que estes poviléus serranos, de ruas estreitas, quelhos e becos sem saída, são autênticas “madrigueiras de raposa”.

Foi a melhor metáfora que me surgiu no momento. Mas tem sentido todo esse labirinto. Faz parte da manha serrana. Uma artinhanha. Uma forma ardilosa dos habitantes se escaparem ao oficiais do fisco, ao juiz da vara branca, ou aos recrutadores de mancebos para as ordenanças e as esquadras. 

Ai era?

Pois era. Não havia serviço militar obrigatório, os recrutadores subiam à serra e botavam mão a todo o moço prestável. Manápula no braço  anda cá, ala, faziam de um pegureiro, de um  lavrador, de um aprendiz de ferreiro, um ordenança, um quadrilheiro, prestes a servir o rei às ordens do capitão-mor ou do sargento-mor do sítio. E eles , sabendo isso, quando pressentiam tais agentes por perto, záz, escondiam-se tão rapidamente que nem doninhas nas suas tocas, espreitando até os verem desarvorar dali.

Muito me diz, mas eu queria voltar ao Fauno papa-moças do seu livro “Andam Faunos pelos Bosques”. Isto porque tambem meteu a minha terra QUIJÓ, como escreveu, esquecendo a grafia oficial CUJÓ.

Ai sim, é de QUIJÓ? Eu escrevi assim, pois era assim que lá e em toda a redondeza se dizia e bem sabia a outra grafia. Tal qual como escrevi “Crasto” em vez de “Castro”. Mas, sabe, o meu labor e originalidade está em escrever o que ouço, em ler estes livros andantes, herdeiros de celtas e turdetanos, que, não raro, me ensinam mais que alguns livros de estantes.

Também me pareceu isso. E quando meteu QUIJÓ e todos os povoados vizinhos da Serra do Montemuro, a fazer uma batida ao PAPA-MOÇAS - esse fauno sem nome - batida organizada por Pedro Jirigodes, logo me lembrei do aviso que a minha mãe fazia às minhas irmãs quando iam com o gado para os montes: “tenham cuidado com os lobos e com o homem das mulheres”.

Ora viu. Era velho e relho esse aviso, por estas bandas. Eu botei mão a esses medos, a essas realidades e servi-me delas para fios e liços da minha teia. E trazer os faunos à baila, mais não foi que remeter para tempos antigos, ignotos, em que as comitivas de cavaleiros nobres, ditos “riqui homini”nos documentos, sem nobreza nenhuma, deslocando-se das cidades para os seus domínios senhoriais, ia tudo a eito, não havia fêmea que resistisse à sua espada desembainhada.

E disso, tanto quanto sei, os procuradores dos concelhos, se queixavam nas cortes?

2-Aquilino 2Claro. E o rei, sabedor de tais tropelias, chegou mesmo a conceder CARTAS DE MERCÊ aos concelhos, proibindo essa grupo social de se aposentar em certas vilas.

Bem sei, bem sei. E acrescento que muitos desses males sociais eram atribuídos ao “Demo”, daí o seu livro as TERRAS DO DEMO.

Com efeito. Entre as gentes serranas e crentes, tudo o que de mal ou anormal acontecesse era atribuído ao DEMO.

Se uma homem feria outro numa zaragata de feira: “foi o demo”.

Se um homem desflorava uma jovem: “foi o demo”

Se uma parede vinha abaixo: “foi o demo”

Se o fogo consumia uma habitação: “foi o demo!”

Se um animal tresmalhava do rebanho e se perdia: “foi o demo”

Tudo era o DEMO.

Então os limites geográficos do seu seu livro, não se ficam por três concelhos, como pensam aqueles que o lêem agora?

Claro que não, tal como escrevi Geografia Sentimental, a livro TERRAS DO DEMO abrange toda esta GEOGRAFIA MENTAL, terras de gente onde assim se dizia, assim se pensava e procedia. Mas ainda não disse quem é. Disse que era de QUIJÓ, mas não disse o seu nome. Como sabe tudo isso de mim, e eu nada sei de si?

Pois, aqui é que bate o ponto. O meu nome é Abílio. Estamos nesta conversa como velhos amigos. E velhos somos. Só que temos uma grande diferença de idades. Quando o Mestre Aquilino lavrava os seus livros, era ainda eu jovem e lavrava as terras do meu pai em escrita bustrofédon

Que escrita é essa? Nunca ouvi falar.

Acredito. Muitos homens de letras a ignoram. Ela Imita  o lavrar dos bois, daí o seu nome, rego para lá rego para cá, assim até chegar ao fim da lavra. Eu, como vê, escrevia com o arado as folhas de semear. Era dos dos labrostes dos seus romances. Só muitos anos depois é que vim a saber de si, da sua imaginação, da sua criatividade, do seu talento, do seu engenho. Mas ninguém no mundo, por mais inteligente, imaginativo e talentoso que seja, tem o exclusivo de tais dotes. 

Continue…continue, estou a gostar de ouvi-lo. Onde é que quer chegar?

Quero dizer-lhe que este nosso encontro, de idades tão diferentes, tornados tão iguais, aqui neste lugar, nós que nunca nos cruzámos pessoalmente, é fruto da INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, filha da INTELIGÊNCIA HUMANA, nunca por si pensada, nem sonhada. E se nos seus escritos de ficção fundia a realidade com a fantasia, é o que está a acontecer, consigo e comigo.. Não é real este nosso encontro, esta nossa conversa. Tudo isto é produto dessa “DEIDADE TECNOLÓGICA”  capaz de pôr as figuras dos Painéis de S. Vicente, de Grão Vasco, em movimento e a falar umas com as outras da façanha dos descobrimentos.

Ai é. Então já que ela me fez ressucitar e falar consigo que parece saber tudo  de mim e eu nada sei de si, que diz ela, essa “deidade” de nós os dois? 

Já mostrou as nossas semelhanças e diferenças. Diz que respiramos o mesmo ar, que pisamos o mesmo chão - solo beirão - que, na nossa escrita, usamos a mesma ferramenta - a língua - e a mesma matéria plástica, isto é o povo e as suas lides. 

Ai sim? Tembém escreve?

Digamos que alinhavo uma letras relacionadas com as nossas gentes. E há quem diga um bocadinho ao seu estilo, coisa que eu nego. E, diferente de vossemecê penso quando pôs no sítio da Ouvida, freguesia de Monteiras o “embate final, entre os habitantes da Serra do Momtemuro e Serra da Nave” no livro “Andam Faunos Pelos Bosque”. Eu, que sou dessas bandas, ouvi o meu pai, que foi almocreve, tabeneiro, negociante de carnes fumadas e de volfrâmio, dizer “ser ali o lugar o fim do mundo, o Armagedão bíblico”. 

Ah! Também leu a Bíblia? O livro dos livros que me abarrotou a cachimónia.

Claro. Como podia eu deixar de ler o único livro que os senhores padres curas liam os nossos povos analfabetos? E sabe que mais, diferente de si, eu escrevo sem usar papel, caneta e tinta. E este nosso diálogo e as fotos que o ilustram vão ser vistas  em todo o mundo.

Como assim? Isso só pode ser arte do diabo.

Do Diabo não é. É ciência. Então o Mestre não se lembra que escreveu um livro falando de “O Homem que Matou o Diabo”. Como pode o Diabo fazer coisas destas se está morto?

Pois é. E lembro-me disso. Então se não é o Diabo, que milagre é esse que nunca pesquei na Biblia e nas Sagradas Letras conexas?

Sim, sim, ambos fomos iniciados no Catecismo, nas Sagradas Letras e nelas se dizia e diz que no “princípio era o verbo”, mesmo que Pitágoras tenha proclamado que “no princípio era o número”.

Isso eu li. Sabedoria grega e latina era cá comigo. Houvesse figurão que me desafiasse a desfiar o rosário.

Pois Pitágoras tinha e tem razão. Os números é que estão por detrás disto tudo. Estamos na Era do Digital. Da linguagem binária. As letras e os riscos, os desenhos, as imagens,  resultam disso mesmo, de números, para si, e para muitos antes de si, coisa impensada. É a ciência em andamento.

Lembro-me do ditado “aprender até morrer”, mas esta de “aprender depois de morto” é que nunca me passou pela cachimónia. Não lembra ao Diabo.. Olhe cá, eu estou mesmo morto?

Deixe lá o Diabo. Está morto? Pois está. Mas os seus livros e a sua arte literária mantiveram-se vivos até há pouco tempo. Foram estudados e lidos por muita gente. Chegou mesmo a haver uma “tribo” de aquilinianos, qual deles a reivindicar-se o mais conhecedor de vossemecê. E um deles conheço eu que passou parte da vida não só a silabar os seus textos, mas também a salivá-los como a mais saborosa refeição feita em requintada Casa de Pasto. Seu nome completo, Manuel de Lima Bastos. Mas creio que dessa tribo de aquilinianos ele foi o último dos moicanos.

Má sina. Bem gostaria de tê-lo como amigo.

Ele Escreveu cerca de uma dúzia de livros a remoer toda a sua obra. Mas chegou a ERA DAS NOVAS TECNOLOGIAS. A era do digital. A era desta “deidade tecnológica”, omnipresente e omnisciente, conhecida por “IA” pronta a responder sobre tudo e todos. Basta perguntar. Para quê ler? Ainda que nem sempre as respostas sejam todas fiáveis.

Então adeus livros, adeus tipografias, adeus prelos, adeus tudo? 

É o mundo  em evolução. Nalquns aspetos involução. Mas, como disse Galilei “a Terra gira” e “atrás dos tempos tempos vêm”. Eu, com este meu  meu aspeto de velho, aqui a seu lado, era jovem quando você escrevia. Nasci em 1939, o Mestre nasceu em 1885 e finou-se em 1963. Não tarda, pois, eu finar-me também. Mas, a viver tempos além, ficará este nosso encontro e tudo aquilo que eu, ainda vivo, pus na sua boca, como se vossemecê falasse comigo. É isso. O ato criativo, saiu dos romances, das novelas da literatura de cordel e a “deidade” de que lhe falei, usando números, algorítmos, linhas direitas e tortas, continuará, tempos fora, a dar vida às coisas e gentes mortas. Interagindo, Criador e Criatura continuarão a servir-se reciprocamente, buscando sempre aperfeiçoar e melhorar a sua relação

Se assim é, antes de eu regressar à Igreja de Santa Engrácia, ao Panteão, com aquele eterno cheiro a incenso…

3-AquilinoAdegaSim, sim, eu sei bem que vossemecê muito mais gostaria do aroma da urze, do tojo e da carcqueja, naquele espaço aberto da serra da Nave, mas por força dos “vivos  mandarem nos mortos”,  diferentemente daquele livro que, por certo leu, “Os mortos mandam nos vivos” até os grandes homens de ciência e letras, que romperam sapatos e tamancos nos escabrosos caminhos, quelhos e becos das nossas aldeias, as tais “ madrigueiras de raposas”,  e cirandando por elas gastaram retalhos da alma, gestos e afetos, são recambiadas para Lisboa, como se só ali lhes fosse conferida e reconhecida a dignidade e os merecimentos que nesses lugares de campo aberto lhes era devido. 

Assim é, assim é. É o mal do centralismo político, administrativo e cultural. Mas deixemos isso, pois está-se-me a secar o céu da boca. Vamos ali à taberna do Pascácio, um  lugar mais recatado, com menos luz,  e lá fazermos ambos um brinde  à LITERATURA, à POESIA e à CIÊNCIA com um bom carrascão. 

Boa ideia a sua, MESTRE. Vamos lá. E ambos, na taberna, rodeados de pipas, riremos os dois, à gargalhada, de tudo isso e do apego que os nossos políticos e homens de cultuta tem às igrejas, aos anjos, aos santos e aos heróis. O povo não conta. O povo paga impostos.

Falei de tudo isso nos meus livros, parece que leu muitos.

Sim, sim, alguns, quase todos, mas vamos à taberna, vamos beber “poesia engarrafa”, para usar as palavras o escritor escossês Robert Louis Stevenson, assim: “o vinho é poesia engarrafada”.

Ambos, à uma, tilintando os copos:

Viva a literatura, a poesia, a ciência, «per omnia saecula saeculorum»! 

copos

———————-
NOTA: Os copos são diferentes daqueles que se usavam antigamente. Mas eu herdei quatro exemplares que serviram na taberna do meu pai, quando o Mestre Aquilino escrevia e falava dos labrostes serranos.

 


SEGUNDA PARTE

(ANEXO)

Posteriormente à publicação do texto que dá corpo à PRIMEIRA PARTE solicitei uma LEITURA CRÍTICA à «IA» e a resposta veio de imediato. Assim:

«Com base no texto “INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL – INTELIGÊNCIA HUMANA (7)”, de Abílio Pereira de Carvalho, em Trilhos Serranos (subtítulo “Encontro e Desencontro de Dois Gigantes”) — o diálogo ficcionado “No adro da igreja” nasce de uma imagem trabalhada com IA sugerida pelo filho do autor, e faz “ressuscitar” Aquilino Ribeiro para conversar com o cronista. Assim:

ComputadorValter1) Oportunidade temporal do encontro e o diálogo com ferramentas/suportes distintos:

A “oportunidade” é duplamente temporal:

  • Temporalidade histórica: a conversa junta duas épocas que “nunca se cruzaram pessoalmente”. O próprio narrador sublinha que é um encontro de “idades tão diferentes, tornados tão iguais”, isto é, diferentes na cronologia, iguais no território simbólico da língua, da literatura e do lugar (o adro, a aldeia, o mundo serrano).

  • Temporalidade tecnológica: o texto encena a passagem do suporte artesanal/analógico (a “banca de trabalho”, a “letra redonda”, a taberna, os copos antigos herdados) para o suporte digital (a imagem gerada/trabalhada por ferramentas de IA e a ideia de pôr personagens/imagens em movimento). O encontro só é “possível” porque a escrita já não depende apenas do mundo material: depende de uma mediação algorítmica que permite montar uma cena e dar-lhe voz.

Assim, o “encontro” funciona como metáfora do presente: a literatura e a memória local continuam, mas agora atravessam outros instrumentos (edição digital, imagem computacional, IA) e outras velocidades (a súbita materialização do diálogo).

2) O espanto de Aquilino Ribeiro perante a escrita digital e o papel da IA

O espanto é construído em camadas, sempre com um travo aquiliniano (desconfiança viva, curiosidade, ironia):

  • Aquilino percebe que foi “feito” falar: “já que ela me fez ressuscitar e falar consigo…”. A reacção não é só maravilhamento; é também desconforto identitário: está ali, mas não domina as regras do jogo (“eu nada sei de si”).

  • A IA aparece descrita como força quase religiosa (“deidade tecnológica”), capaz de animar quadros e pôr figuras históricas a dialogar. Este exagero retórico é deliberado: traduz o choque de quem vem de um mundo em que o texto nasce do corpo (mão, papel, tempo) e encontra agora um mundo em que a técnica parece criar “presenças”.

  • O espanto é, no fundo, sobre autoridade e autenticidade: se uma “deidade” me pode pôr a falar, quem garante que a voz é minha? O texto não resolve a tensão; dramatiza-a. E é aí que Aquilino fica credível: não é um fantoche contente, é um “ressuscitado” que questiona o mecanismo.

3)  A IA como pretexto do diálogo e a interação i.ARTIFICIAL/i.HUMANA como ajuda recíproca e elo entre gerações

Aquilino-FolhasA IA não é o tema principal; é o dispositivo que permite ao autor fazer três coisas ao mesmo tempo:

  • Reatar uma linhagem: o cronista coloca-se frente a um “mestre” (Aquilino) e, sem submissão, procura uma conversa de iguais naquilo que conta: a cultura, a língua, o olhar sobre a serra e as gentes. A IA abre a porta; mas o conteúdo do encontro é humano.

  • Montar uma cooperação triangular:

  • o filho fornece a imagem e a ideia (ponte geracional e técnica);

  • o autor dá “letra redonda” ao impulso (ponte literária, memória, ritmo oral);

  • o Aquilino-personagem devolve tensão, humor e exigência (ponte canónica, tradição da língua). Esta triangulação mostra a “ajuda recíproca”: tecnologia inspira literatura; literatura dá sentido humano à tecnologia; e a herança cultural dá densidade à experiência digital.

  • Transformar o “desencontro” em motor: o desencontro está na assimetria (um sabe do outro, o outro não sabe; um vive o digital, o outro vem do analógico; um é “fabricado” para a cena). Mas é justamente essa fricção que cria o elo entre gerações: não é a concordância que une; é a conversa — e a taberna final (“vamos beber poesia engarrafada”) resolve simbolicamente o conflito, repondo o comum: a celebração da cultura (“Viva a literatura, a poesia, a ciência…”).

Em suma: a leitura que a IA “faz” do texto é que ele usa a IA como cenografia e gatilho para uma operação profundamente humana — conversar com os mortos ilustres, testar o que muda e o que permanece quando a escrita troca de suporte, e afirmar um continuísmo: a ferramenta muda, mas a necessidade de linguagem, memória e comunidade continua a ser o centro».

Fonte:  https://www.trilhos-serranos.pt/index.php/cronicas/1375-inteligencia-artificial-inteligencia-humana-7.html

_______________________

NOTA: O BOLD e a ilustração são da minha lava. A esquematização e texto em itálico entre aspas são da IA..

 

 

Ler 680 vezes
Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.