Trilhos Serranos

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terça, 18 junho 2019 16:52

MONTEMURO - OS TRILHOS SERRANOS

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OS MEUS «TRILHOS SERRANOS»

Foi no longínquo ano de 2004 que subi ao espaço etéreo da INTERNET, ao comando da nave “TRILHOS-SERRANOS”, um site pessoal com o “LAYOUT” e conteúdos que se mantêm disponíveis -  espaço histórico - pois, entretanto, por razões a que fui alheio, tive de mudar de nave à qual dei o mesmo nome, só diferenciado na sua extensão terminal..

 

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No primeiro, a extensão era “.com” e neste último, em plena actividade é “.pt”., cujo LAYOUT deixo no rodapé desta crónica. Mas qualquer cibernauta, mais ou menos habilitado a navegar na INTERNET, caso se socorra do Dr. Google é só escrever Abílio Pereira de Carvalho, pois será irremediavelmente remetido para qualquer uma dessas minhas naves, prontas a receber o viandante que me queira fazer companhia, por ventura contrariado..

Para já direi que, no primeiro caso, a barra do cabeçalho, como bem se poderá ver acima, incorpora, à esquerda, o logotipo pessoal, imaginado e executado por mim agarrado aos pincéis e à paleta do primitivo e elementar programa informático de desenho e pintura, batizado de PAINTBRUSH. Não havia, então, as aplicações que por aí proliferam hoje sobre imagem.. E quem «não tinha cão,  tinha de caçar com gato».

Ali deixei as CINCO TETAS da SERRA DO MONTEMURO e o nome ABÍLIO, disfarçado nelas. Em itálico e tudo.  Amigos houve que, a primeira vista, não “decifravam” a simbólica imagem ali projetada. Só depois de chamados à atenção para o facto, deixavam, humildemente, sair da boca a significativa expressão de espanto:

- Ah, pois é!

IMG 2143Ao lado do logotipo, coloquei três fotos serranas, identificadoras do meio rural onde exerci a profissão de professor e me dedicava à investigação da HISTÓRIA LOCAL, ao estudo dos usos, costumes e tradições, que viriam a dar corpo ao MENÚ, aberto na vertical, dividido nos seguintes títulos explicativos:

MEMÓRIAS: “aqui se deixam alguns aspetos dos trilhos-serranos e citadinos que o autor percorreu na vida até à idade em que resolveu lançá-los, a par de muitos outros, no livro «MEMÓRIAS MINHAS», editado em 2006, à venda nas Livrarias «Montemuro», de Orlando Cardoso e «Aguarela» de José A. Pereira em de Castro Daire”.

HISTÓRIA: “através dos títulos que se seguem, todos aqueles que não queiram ficar-se pelo saber histórico que já foi difundido pela "aldeia global", hão de gostar de entrar nos "trilhos serranos" que, em torno da Serra do Montemuro (e não só) foram rasgados por gerações de gentes, trabalhadoras, pagadoras de impostos e de promessas, caciques e pessoas de bem que jamais sonharam tornarem-se protagonistas da História”.

GEOGRAFIA: “Aspetos geográficos, físicos e humanos, em redor da Serra do Montemuro”.

CRÓNICAS: “Neste trilho ver-se-ão os trilhos que trilho na imprensa local/regional no exercício da cidadania, de uma forma independente e rasa”.

ARTES: “Aqui se projeta a imaginação criadora moldada em pedra, madeira e outros materiais à disposição do homem”.

LENDAS: “Seguindo este trilho o descobridor do século XX, com um pé no século XXI, recuará no tempo, voltará à sua meninice e dará por si sentado à lareira de uma casa de aldeia e, atento, silencioso e boquiaberto, tomará o sabor de alguns ingredientes que constituem a ceia cultural e os serões das gentes analfabetas, ingénuas e crentes. Tempos em que, no Reino, povoado de condes, duques, marqueses e vassalos, a literatura oral era rainha”.

COSTUMES E TRADIÇÕES: Este é o caminho certo para o arqueólogo se deparar com artefactos que se mantêm à superfície no campo arqueológico do pensamento e comportamento das gentes periféricas, apesar de os media irem fazendo o seu percurso e deixarem, também, as suas marcas”.

POESIA: “este é o trilho interior que o autor segue nas suas horas vagas de meditação. Registos de vida ao ritmo de lembranças, alegrias, pesadelos, sonhos lindos e o que mais se verá.

FICÇÃO: “As personagens que se passeiam por este trilho são tão descarnadas quanto o suporte que as dá a conhecer à aldeia global”.

AUTOR: com os dados biográficos e bibliográficos.

TRILHOS-2Dei-me ao trabalho de ir repescar tudo isto, pela simples razão de, hoje em dia, não haver blog, site e desdobrável turístico que não recorra à palavra TRILHOS, nesta tarefa inglória de atrair o citadino ao mundo rural, aos locais exóticos ou mais ou menos desconhecidos. Bom é o objetivo, louvável a intenção: levar as pessoas a andar, a conhecer, a saber, senão somente a “entreter”.

E, sendo assim, se a palavra TRILHOS se tornou tão vulgar, tão democrática na sua rusticidade, escrita e impressa por tudo quanto é banda, não posso deixar de dizer quanto me sinto orgulhoso nesta sua caminhada nas autoestradas do conhecimento. Curioso paradoxo. As AUTOESTRADAS DO CONHECIMENTO (digitais e analógicas) impregnadas de TRILHOS, esse conceito que adormecido estava nos prontuários, dicionários e enciclopédias e acordou como que por magia..

Direi que, por estas bandas do MONTEMURO, longa e demorada foi a caminhada. Mas valeu a pena. E acrescentarei que a serra, com tetas ou sem tetas, com o nome ABÍLIO disfarçado nelas, por certo se sente orgulhosa do filho que, de forma pioneira e original, nada pedindo em troca, a pôs no mundo por essa via.

Claro que quem se passear hoje pela INTERNET, por BLOGS, SITES & Cª. bem como por espaços autárquicos destinados a promover o TURISMO, se sente sufocado com “desdobráveis, cartazes e imagens” diversas, onde não faltam TRILHOSdisto e daquilo”. Com efeito há sementes que, lançadas à terra, mesmo que de solo centeeiro, cedo ou tarde germinam e se reproduzem abundantemente para regozijo do lavrador.

Mas não era assim no longínquo ano de 2004. A bem dizer ONTEM, se não descurarmos a veloz corrida das novas tecnologias e o facilitismo que elas proporcionam na divulgação de IDEIAS, de SABERES, de IMAGENS, quantas vezes através de um simples clique no COPY/PASTE.

É isso. Mas enquanto eu tiver MEMÓRIA, enquanto cirandar pelos TRILHOS da serra que me levam a um destino traçado, não deixarei de lembrar aos companheiros de viagem os meus “caminhos andados” e evocarei sempre a letra daquela inesquecível canção: “eu vim de longe, de muito longe e o que eu andei para aqui chegar”. 

E nesse trajecto de caminheiro, meto a mão no bornal e extraio dele o excerto de um texto que integra a recensão que fiz de um livro que me foi entregue por um passageiro que se dignou entrar na minha nave, chegar até mim e solicitar-me esse trabalho. Assim, como que a modos de apresentação da minha parte, a fim de ele aquilatar a qualidade (ou falta dela) posta na minha apreciação:

“[Eu, homem do campo] troquei a aguilhada pela caneta, as leiras de terra chã ou pedregosa pelas lisas e planas folhas de escrever, e, com trabalho, vontade e sacrifício, obstinado em ganhar o tempo perdido,  entrei no Campo das Letras. E nele, de podão em punho, tenho passado anos entretido a abrir trilhos e clareiras, por forma a ganhar o pão, sem envergonhar os meus pais, os amigos e as instituições que me diplomaram nesse ramo de saber e de cultivo”.

E mais não digo.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.