Trilhos Serranos

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sábado, 21 abril 2018 09:34

INCOMPETÊNCIA

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O INCOMPETENTE

Por norma, todo o incompetente profissional, seja qual for o ramo de actividade a que se dedica (temporário ou permanente, com escritório ou sem ele) é um despeitado e revela isso na mediocridade em tudo o que diz, em tudo o que faz e não faz.

Face ao mérito de terceiros, incapaz de se tornar figura pública reconhecida, frustrado que é, sempre que, fora de uma roda de amigos, lhe cai sob os olhos um “curriculum” público com substância, logo lhe começa a formigar a pele, semelhantemente à alergia que, sazonalmente, alguns corpos e almas têm a certos elementos da natureza.

O incompetente é de incompetência tal, que nem se dá conta da sua incompetência. Dando provas públicas de despeito, de inveja e de mediocridade, impedido está de compreender o mundo dos valores que o rodeia, pois a sua bitola de avaliação está nas cunhas, compadres, amigos e clientelas políticas. 

Qualquer curriculum invulgar (mesmo que não seja brilhante) reconhecido publicamente por instituições, por académicos credenciados e por figuras de projeção pública nacional, é, para o incompetente, uma ferroada de moscardo na sua pele de galinha. Não convive bem com o mérito alheio, porque mérito não tem. 

Como ser social, vive em comunidade e “trata da sua vidinha”. Para isso lhe basta saber o “básico dos básicos”, de mistura com um cesto anedotas brejeiras populares, entornar uns copos  junto da camarilha e discussões sem fim sobre futebol, de domingo a domingo. E é nessas “súcias” de balcão, bem como no imensurável balcão do Facebook, que o incompetente se espraia e mostra o que é: digno de pena, de dó, pois mete dó e pena tudo o que faz e não faz. 

Por norma, neste tempo em que o disparate, a asneira, a arrogância e o ridículo ganharam carta de alforria, debita faladura oral ou escrita sobre assuntos que não domina: fala de história, de escultura, de arquitectura, de literatura, de música, de tudo o que lhe apetece, sem se dar conta do rasto que deixa em seu desabono (o que era o menos), mas em desabono e confusão que cria nos assuntos versados.

Não raro arma em fanfarrão. E como nesta selva humana não faltam bichos desses, o incompetente não passa de bicho incompetente. Bichinho. Faz-me lembrar aquela anedota passada na selva africana. Um elefante, na sua pachorrenta marcha de alimentação, pisou a pata de um sapo que descansava no meio da folhagem. Passou por ali um macaco e perguntou-lhe: “que estás aí a fazer, ó sapo?” E este respondeu de pronto, todo ancho: “estou aqui a segurar este elefante”.

É isso, o incompetente chega a tomar atitudes semelhantes. O seu EGO tem o tamanho do elefante e a arrogância do sapo.

Abílio/2018

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.