ENCONTRO E DESENCONTRO DE DOIS GIGANTES
Já não é surpresa para os meus seguidores/leitores que, por moto próprio ou com a ajuda de terceiros, recorro à INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL e, numa cumplice interação, divulgo, saberes, sensibilidades, emoções e conhecimentos. Desta feita, o meu filho mais velho - NURO - depois de ter lido o longo texto que a INTELIGÊNCIA ARTIIFICAL produziu, mostrando as semelhanças e as diferenças existentes entre mim e Aquilino Ribeiro, (cf. crónicas anteriores) resolveu surpreender-me com as FOTOS que ilustram o poema que se segue. Ao vê-las, numa toada rítmica vicentina, jorrou a versalhada que se seque. Assim:
DIÁLOGO IMPOSSÍVEL
Quem és tu, que m’apareces assim
No caminho
Encostado a uma bengala,
Com’a mim?
Olhe que não, olhe que não
Ó Aquilino.
Não é bengala, nem bengalão.
É um báculo. E até regala
Dizê-lo, pois então,
De clérigo, de bispo,
De que tanto falou
Em português escorreito
Nos livros que deixou.
E tudo isso
P’ra meu proveito.
Báculo seja, pois
Mas nós os dois
Nunca nos cruzámos no caminho
Que me lembre?
Pois não, ó Aquilino,
Em nossa vida não.
Mas nestas lides minhas
Eu li o «Malhadinhas»
Fixei nomes de filhos, pais e mães
Tanta, tanta, gente
E também ferrei o dente
Na «Casa Grande de Romarigães».
Pois, pois
Eu escrevi isso
Bem me lembra.
Mas insisto:
Eu perguntei somente
Quem és tu que apareces assim
Encostado a uma bengala
Ou báculo com’ a mim?
Tanta delonga para quê?
Ó mestre, então não vê
Que eu li, reli e tresli
Toda a obra sua
De Sernancelhe, à Lapa, à Rua
E atento estive ao que vi e ouvi?
Que imaginação!
Que criatividade!
A sua. E que admiração
A minha pelo seu trabalho.
Sim, sim, mas insisto.
Quem és tu,
Afinal?
Diz-me, tem dó,
Antes que eu te mande p’ró…
Espere!
Não precisa de recorrer
Ao palavrão
Ao vernáculo beirão
Tanto a seu jeito
Mas já que assim quer
Aí vai
Assumindo eu o defeito:
A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
(Coisa sem igual
Nunca imaginada pelo meu pai)
Sabendo tudo isto
Sem a magia de Simão (*)
Nem o milagre de Cristo
Qual génio do Aladino
Mudando a realidade
Sem olhar à nossa idade
Neste mundo de ilusões
Juntou aqui dois beirões:
O Abílio e o Aquilino.
Enfim, um hino
À INTELIGÊNCIA HUMANA
E ambas, mãe e filha
Qual aragem
Na alcantilada serra
Ou na planura da savana,
Reciprocamente interagem
E por linhas direitas e tortas
(Onde há luz tudo brilha),
Dão vida às coisas mortas.
Abílio/2026
(*) Alusão a SIMÃO MAGO que, entre os gentios, competia com Cristo. Cf. Bíblia.