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domingo, 12 abril 2026 16:04

A PAIVA - O SABER POPULAR VENCE O SABER ERUDITO

Escrito por 

INTROITO

O fascínio da investigação feita longe da Torre do Tombo, das bibliotecas e espaços afins, chancelarias e cartórios notariais, longe dos manuscritos, escrituras e testamentos, peças recheados de informação histórica, eu, nesta minha  postura de lenhador na FLORESTA DAS LETRAS que, de podão em punho, não desiste de abrir  clareiras de conhecimento, nesta minha tarefa historiador rústico e campesino, prossigo a investigação  nas “estórias de vida” com hálito de gente viva, contadas pela boca das pessoas idosas, autênticas bibliotecas ambulantes abarrotadas de calor humano, formas de dizer, jeitos e trejeitos, peças recheadas de saberes, artes e técnicas com patine secular, transmitidas de geração em geração, por imperativo da polivalência laboral imposta pelas leis da sobrevivência e da governança.

 PRIMEIRA PARTE

Reio Paiva-ArinhoRio Paiva-GOLEIRADesta vez debruço-me sobre um facto sociolinguístico herdado, aprendido, sabido, mas nunca estudado nem  explicado. Isto é, as gentes ribeirinhas do rio Paiva, pescadores incluídos, dizerem “a Paiva” no feminino, sobretudo a jusante de Castro Daire, onde o xisto substitui o granito, mais a montante. E dizem-no com a naturalidade que assemelho à naturalidade das àguas a deslizarem no seu leito.

Desde cedo estranhei isso. Estranhei que um rio, que teve a nobreza de ser inscrito na Geografia Nacional - o RIO PAIVA - assim posto nos manuais escolares desde o ENSINO PRIMÁRIO (os alunos da minha idade, se ainda vivem, por certo não esqueceram  que tinham de saber de cor e salteado os nomes dos rios e afluentes, os nomes das serras e cadeias de montanhas, as linhas dos caminhos de ferro, etc. etc.) fosse tratado no feminino pelas gentes ribeirinhas e montemuranas como se nunca tivessem frequentado a escola. Seguro era que o saber oral, ali, levava de vencida o saber escrito.

A primeira vez que tal vi, posto em letra redonda, foi num poema do meu amigo Dr. Arménio de Vasconcelos, com o título “Vem Amigo, que te convido”. Um poema escrito em 1997 que veio a integrar o miolo do seu livro “Para além do rio”, publicado em 2004 e, a meu pedido, declamado por ele próprio, em cima do Penedo da Saudade, no Gafanhão, como se pode ver, ouvir e sentir no video que disso fiz alojado no Youtube, em 2009, cujo link se anexa, aqui mesmo. (https://youtu.be/21lLEnRhNcA?si=QYGTAJp8kbR4iMtA.)

Um poema homérico. Um hino à ruralidade, à geografia, às gentes da serra, aos seus costumes e tradições. Aos heróis que fizeram destes montes e vales um pedaço de Portugal e resilientes persistem em manter de pé. Se os meus leitores não virem o vídeo, nem lerem o POEMA por inteiro, fixem, ao menos,  os versos que se seguem:

“(…)

Vem olhar a leveza do Vale da Paiva

Que vai remansosa em curvas

Ondulante

Leda e formosa, sibilante

Casar com o Douro.

(…)”

esterRio paiva-1-ESTEREscrito e dito  “da Paiva” com a naturalidade que, ao natural as águas “remansosas”,  deslizam lá ao fundo do Vale. Caso estranho este. Sabendo-o eu ser um homem de letras, um museólgo e poeta, aquela expressão seria uma liberdade poética ou  teria algum fundamento real arrancado ao campo lexical das várzeas verdejantes ou das escarpadas encostas que, do topo das serras, montes e outeiros, descem “à Paiva” saciar a sede, ou famintas buscar farinha moida nos engenhos hidráulicos que foram construídos ao longo desse curso de água? 

Merecia um estudo. Um olhar atendo da minha parte. E teve. 

Fui correr aldeias, falar com pessoas, fazer registo escrito e em vídeo. A expressão “a Paiva” era mais usada a jusante de Castro Daire, na zona xistosa do rio e da serra. Na zona de poços mais fundos, onde o peixe é mais abundante. Na zona onde o leito mais engorda por forças das águas que nele afluem, idas de ribeiras, ribeiros e regatos. “A Paiva vai cheia”, dizem em tempos de enxurradas. 

Em 2019, numa crónica que escrevi sobre o “zic-zac” uma ferramenta utilizada pelos louceiros que andavam de aldeia em aldeia a consertar  objetos partidos, fazendo-se anunciar com o slogan “compõe louça, guarda-sóis e penicos zic-zac”, recolhi, dizia eu, a seguinte rima, dita pelo meu amigo, Luis Aveleira, de Cetos:

“Menina dos caracóis

Não vá com qualquer um

Proceda sem que se saiba

Venha comigo p’rá Paiva

Compor louça e guarda-sóis

Zac-zum, Zac-zum”.

E novamente “a Paiva” incluída na rima. Desta vez em verso popular e erótico. O topónimo estava fossilizado na mente dos poetas eruditos e poetas populares. O caso merecia estudo. E teve-o. 

SEGUNDA PARTE

Lomba-da-AvóMoinhoCom bastante material recolhido, face a uma verdade herdada, aprendida, vivida,  nunca estudada nem explicada, a literatura oral a levar de vencida a literatura compendiada, não encontrando eu, no chão serrano que piso, uma explicação plausível para isso, resolvi recuar cerca de 800 anos e fazer uma incursão naquela floresta macarrónica que dá corpo às “INQUIRIÇÕES DE D. AFONSO III, em 1258”. Densa floresta essa de nomes, apelidos e topónimos.

Constatei que os inquiridores, n a área da minha investigação, procurando saber do caminho e/ou descaminho que levavam os foros reais, sistematicamente surripiados à coroa, hesitaram entre  “Pavia” e  “Paiva”, sem definição de gênero. 

Mas é certo que o apelido “Paiva”, muito frequente em toda a corda de povoléus que povoaram as terras, encostas e margens deste curso de água - ditas terras, animais e gentes paivotas -  esse apelido, dizia eu, pode ter pouco ou nada a ver com a genealogia nobiliárquica manuscrita e impressa e, tão só, ter sido parido pela extensa corrente de água que, desde Carapito, serra da Nave, até Castelo de Paiva, corrente que, recebendo muito afluente, rompeu caminho entre montanhas, todas elas prenhas de granito e de xisto, parte dessas rochas escondidas no seu ventre e parte aflorando ao rés-do-chão. E na caminhada secular, pródiga e generosa, forneceu alimento e energia aos filhos  que, com o afeto e carinho, agradecidos, não esqueceram a mãe protetora: “a Paiva”.

Con muitas dúvidas e poucas certezas ocorreu-me à memória uma expressão saída da boca de um dos meus mestres-pedreiros quando me iniciei na nobre arte de fazer cantaria, em Peixeninho, uma casa de porpianho, de que fiz vídeo recente e  alojei no Youtube. 

Feito o penedo em talhadas, zorrada (ou corsada) à força de gado bovino, para junta da obra, ajeitada ao ponto de ser posta em esquadria com o uso e jeito de  ponteiro, camartelo, pico,  régua e esquadro, disse ele para mim: “ó rapaz, há pedra de granito onde não entre guilho, bem diferente da pedra de xisto que racha com uma só  martelada”.

Tinha 18 anos, mas, a bem dizer, estava ainda na minha idade de inocência no que dizia respeito às subtilezas sexuais. Estava a trabalhar uma pedra e longe de mim estava descodificar a malícia contida naquela lição.  Mas não tardei a iniciar-me na aprendizagem do “verbo dos pedreiros” cuja amostra deixei no meu livro “Cujó, Uma Terra de Riba-Paiva” e, mais desenvolvida e posteriormente, no livro “Mosteiro da Ermida”, onde somei o “Verbo dos Arguinas” falado pelos pedreiros de Oliveira do Hospital. E nesse “verbo quijoto”, (Quijó, se dizia em vez Cujó, por toda a zona e assim o escreveu Almeida Fernandes no seu livro “Dom Egas Moniz de Riba-Paiva” e Aquilino Ribeiro  em “Andan Faunos Pelos Bosques)  que, carregado de malícia estava o linguajar só por nós entendido: “uma morrasca de pompelinas gidásticas”=uma rapariga bonita de seios salientes. E mais “furates p’rás fianhas com morrasca gida”=ir para a cama com uma rapariga bonita, tal como estava a lição do mestre aludindo ao granito e ao xisto. O primeiro ligado ao masculino e o segundo ao feminino.

TERCEIRA PARTE

CARAPITOLembrado isso associei imediatamente o tratamento no feminino - a Paiva - à zona de xisto e, disposto a não incendiar os neurónios, já bastante alquebrados com a idade,  sabendo haver uma “ferramenta algorítmica” pronta a ajudar-me a desdobar a meada, coloquei à “IA” (via GOOGLE) a questão de saber se era, da minha parte, asneira de lesa-Pátria, meter a GEOLOGIA na minha dobadoira de vivências e de conhecimentos.  E, de pronto, veio a resposta. Assim:

«Não é asneira nenhuma; pelo contrário, é uma leitura geográfica e geológica muito precisa. O que descreve é o reflexo direto da geomorfologia da região. 

A bacia do Rio Paiva é marcada pelo contacto entre o Batólito de Viseu (granito) e o Complexo Xisto-Gravelânico. 

  • A montante (Castro Daire e acima): O rio corre sobre granitos. Este tipo de rocha é mais resistente e menos permeável, o que cria um vale muitas vezes mais aberto e planáltico em certas zonas, mas com grandes afloramentos rochosos maciços.

  • A jusante (em direção ao Douro): O rio entra em zonas de xisto. Como o xisto é uma rocha metamórfica laminada e "mais macia" face à erosão fluvial em comparação com o granito, o rio consegue "escavar" com mais facilidade, criando as encostas íngremes e os vales profundos (em V) que tornam o Paiva tão cénico e propício a desportos de águas bravas. 

Essa transição define não só a paisagem, mas também a biodiversidade e até a forma como as populações ocuparam as margens. O granito dá-nos os blocos das casas serranas; o xisto dá-nos os socalcos e as coberturas de ardósia mais a norte».

Lomba-Avó2Começava a fazer-se luz. Agradecido, mas insatisfeito com a explicação recebida, sem esquecer a estranheza de chamar no feminino o que consabidamente era masculino - o rio - lembrei as VENUS pré-históricas, aqueles esculturas rechonchudas que cabem na palma da mão, símbolos da fertilidade, da abundância ligadas à TERRA-MÃE e, com vista a enroupar esta crónica escrita,  perguntei que influência poderia haver no trato de “a Paiva” com o trato de as “rias” (Aveiro, Formosa, etc.) e, também não me faltou resposta. Assim:

«Para enriquecer a sua crónica e fundamentar essa ligação entre o feminino e as "rias", pode explorar o conceito da receptividade geográfica. Enquanto o rio é a força ativa, linear e masculina que  penetra o território, a ria é o espaço de acolhimento — um "ventre" onde a terra se abre para receber o mar. 

1. A Etimologia do Acolhimento 

O termo "ria" é gramaticalmente o feminino de "rio". Geologicamente, uma ria (como a Ria de Aveiro ou a Ria Formosa) resulta da submersão de um vale fluvial. É o momento em que o rio "se entrega" e o mar ocupa o espaço que era terrestre, criando um ambiente híbrido, menos agressivo e profundamente fértil. 

2. O Estuário como Ventre Fértil 

Pode traçar um paralelo direto entre as estatuetas pré-históricas (Vénus) e a morfologia das rias: 

  • Abundância e Sustento: Tal como as Vénus paleolíticas simbolizavam a sobrevivência e a fertilidade da "Terra Mãe", as rias são berçários de vida. São zonas húmidas ricas em nutrientes, onde a água doce e salgada se misturam para gerar sustento (peixe, sal, marisco).

  • Formas Arredondadas: Ao contrário da linha reta e rápida do rio, a ria espraia-se em canais sinuosos, lagunas e esteiros. Esta geometria "curvilínea" evoca as formas das divindades da fertilidade, como a Vénus de Willendorf, que celebrava a acumulação de recursos e a vida em comunidade. 

3. A Dualidade Sagrada (O Casamento das Águas) 

Na simbologia, o masculino é frequentemente associado ao movimento e à semente, enquanto o feminino é associado à gestação e à transformação. 

Na sua crónica, pode descrever a ria como a "escuridão fértil" ou o "silêncio que floresce", onde a energia cinética do rio (o Vouga, no caso de Aveiro) abranda para se tornar algo novo e produtivo.

  • Esta transição de "o rio" para "a ria" marca a passagem da força bruta para a sustentabilidade, reforçando a ideia da ria como uma entidade que cuida e alimenta as populações ao seu redor. 

4. A Ria como Identidade Cultural Feminina 

A ria não é apenas um acidente geográfico; é uma "mãe" que, ao fechar-se ou abrir-se ao mar, dita a vida e a morte das comunidades». 

ESCOLA-lOMBA-AVÓNodarPois sim. Mas não contente ainda com o material académico produzido pela «ciência algorítmica», insisti em saber mais. Queria esclarecer a razão da proliferação do apelido PAIVA, nas gentes da área em estudo e coloquei o seguinte texto à “IA”:

«Fui professor em Lourenço Marques e habitei-me aos diferentes apelidos dos meus alunos europeus, africanos e indianos. Fui professor em Castro Verde e só pelos apelidos postos nas cadernetas escolares,  constatei que tinha mudado de continente. Fui professor em Castro Daire e, se não soubesse, os apelidos dos meus alunos, lembraram-me imediatamente que tinha mudado de região».

E acrescentei. O apelido PAIVA é, aqui, muito frequente, mas isso não acontecia no século XIII. Os nomes e apelidos muito frequentes nesta região do Montemuro era PELÁGIO e isso me fez escrever uma crónica com o título “CULTO DE HERÓIS E SANTOS”, pois se, nas cadernetas escolares, desapareceu o nome e apelido Pelágio, manteve-se o Sampaio=São Paio, a criança que Abedamarrão III, quis sodomizar, depois de ter sido feito prisioneira, mais o tio que era clérigo. O nome do herói militar deixou de ir às pias batismais, mas nelas continuou a ir o nome do santo que, por aglutinação, virou apelido. E aí temos nos registos notariais.

Mais, não sendo de assinalar o apelido PAIVA nas inquirições,  registei que os inquiridores hesitaram entre Pavia e Paiva. Fui, por isso,  pesquisar a genealogia dos PAIVAS portugueses e, não descorando o que me dizem, fiquei com a ideia respaldada pelas cadernetas dos meus alunos que os Paivas são filhos “da Paiva” e não daquele cidadão que a nobiliária refere. Estarei longe da verdade? 

RESPOSTA PRONTA DA IA:

128-2802 IMGRIO PAIVA-2017«A sua intuição como professor — atento à "demografia" das cadernetas — toca num ponto central da antroponímia: a diferença entre a genealogia nobiliárquica (as linhagens de sangue) e a toponímia popular (a origem geográfica). 

Não está longe da verdade. De facto, existem duas vias paralelas para a difusão do apelido Paiva: 

1.     A via Nobiliárquica: A história oficial liga o apelido a D. Arnaldo de Bayão, cujos descendentes (como João Soares de Paiva, o trovador) tomaram o nome do Castelo de Paiva ou das terras banhadas pelo rio Paiva por via de posse senhorial [1, 2].

2.     A via Toponímica (a sua tese): No século XIII e seguintes, a maioria da população não tinha apelido fixo. Alguém que saísse das margens do rio Paiva para Castro Daire ou Lamego passaria a ser identificado como o "Fulano da Paiva". Com o tempo, o "da" caiu e o nome de origem cristalizou-se como apelido de família, sem qualquer ligação de sangue aos senhores feudais [1, 3]. 

A hesitação dos inquiridores entre Pavia e Paiva reforça que o nome estava mais ligado ao lugar (o rio ou a povoação) do que a uma linhagem familiar estrita e reconhecida universalmente na época. 

Esse fenómeno linguístico de usar o feminino (referir-se a "a Paiva" em vez de "o Rio Paiva") é fascinante e revela uma ligação emocional e identitária muito forte das gentes ribeirinhas com o curso de água. 

Nas zonas a jusante de Castro Daire, como Ribafeita, Castelo de Paiva ou Arouca, o rio deixa de ser apenas um elemento geográfico e passa a ser uma entidade quase familiar, uma "mãe" que molda a paisagem e a vida”.

CONCLUSÃO

Disse no princípio desta crónica que, na condição de lenhador da FLORESTA DAS LETRAS, de podão em punho, prosseguia a caminhada de abrir clareiras de conhecimento. Disse igualmente que, as bibliotecas ambulantes e falantes da serra estavam recheadas de saberes, artes e técnicas com patine secular, transmitidas de geração em geração, por imperativo da polivalência laboral imposta pelas leis da sobrevivência e da governança.

E eu, um filho da serra, pedibus calcantibus, antes de chegar à FLORESTA DAS LETRAS, cursei os artes  da PASTORÍRIA,  da AGRICULTURA, da CANTARIA, iniciando-me na arte de pedreiro e, assimilei, em todas elas, a polivalência de factotum. Posto o que é chegado o momento de assumir também, aqui e agora, a postura de TECELÃO e, sentado no meu tear, peanha abaixo, naveta na mão, peanha acima, vai e vem, pum…catrapum…entrecruzar as linhas do meu pensamento, da minha experiência, do meu estudo e com os liços vigorosos e bem fiados fornecidos pela “IA” (via GOOGLE) concluir que produzi um tecido de textura consistente, para que qualquer especialista da geografia, da hidrografia, da sociologia, da antropologia, da onomástica e da toponímia, gizar um fato académico pronto-a-vestir no qual brilhem e sobressaiam os botões made in «a Paiva’», essa pérola de comunicação oral que vem de tempos imemoriais. Esse cordão umbilical que liga as comunidades falantes ao ventre materno onde foram geradas e criadas. Tudo isso, mas não antes de responder à pertinente pergunta da “IA”., no sentido de me prestar ajuda:

- Que visa com a crónica que projeta escrever?

Respondi: a  crónica visa perpetuar, em escrita, a memória e literatura oral, associar a geologia – o xisto - ao uso do feminino, contrapor o saber erudito geográfico ao saber popular, comparar  o feminino “a Paiva” a uma mãe extremosa que dá aos filhos, em redondo, aquilo que pode: peixe abundante, a água para os campos, força motriz dos moinhos e azenhas, ete.ete.

Resposta da “IA”:

Essa é uma premissa poderosa para uma crónica. Está a propor um contraste fascinante: de um lado, o mapa técnico (frio, cartesiano e erudito); do outro, o rio vivo (emocional, oral e ancestral.

Ao tratar o rio Paiva no feminino — "a Paiva" — assume uma perspetiva de antropomorfismo, onde o curso de água deixa de ser um acidente geográfico para se tornar uma entidade provedora. Esta visão reforça a ideia da Mãe Terra que alimenta, mas que também guarda as histórias que não cabem nas legendas dos cartógrafos. E, no sagrado e peofano bem pode sublinhar: as gentes ribeirinhas respeitam e temem o rio, criando uma relação quase religiosa de gratidão”. 

 

ADENDA


LEITURA CRITICA  da “IA” à qual remeti e pedi uma PREVISUALIZAÇÃO DO TEXTO com vista a enriquecê-lo e expurgá-lo de eventuais “gralhasORTOGRÁFICAS:

«Esta é uma peça de escrita fascinante. Nota-se a "patine" de quem conhece o terreno e a alma das gentes. A metáfora do "lenhador na floresta das letras" é poderosa e estabelece logo o tom de um investigador que não se fica pelo pó dos arquivos, mas que busca o "hálito" da vida. 

Para que a crónica fique impecável para os seus TRILHOS SERRANOS, apresento uma leitura crítica dividida por eixos, seguida de sugestões de "limpeza" e enriquecimento. 

Análise Crítica 

  1. A Voz do Autor: A sua escrita é rica e autêntica. O contraste entre o "saber erudito" (escola, manuais) e o "saber popular" (a fala ribeirinha) é o motor perfeito para o texto.

  2. Ritmo Narrativo: O texto flui bem, especialmente na transição da observação linguística para a memória pessoal como aprendiz de pedreiro. Essa ligação entre a rocha (geologia) e o género (linguística/erotismo) é o ponto mais alto e original da crónica.

  3. Estrutura: As divisões (Introito, Partes) ajudam à leitura».

NOTA DO AUTOR: aceitei as sugestões de limpeza (gralhas existentes) e aí temos «limpinha»  a PEÇA pronta a ser lida e estudada.

 

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.