ANTÓNIO ARGENTINO – HOMENAGEM 2
Não vou repetir o «curriculum vitae» daquele homem que tive por amigo sincero, o senhor António Argentino. Mas tal como cumpri a obrigação de, em vida sua, colocar no mundo, neste mundo virtual da WEB a homenagem que lhe fizeram em Mangualde, obrigação igual se me impõe agora, neste mesmo sítio, dar a conhecer aos seus amigos próximos e distantes, a triste notícia de quando ele abandonou o mundo material onde nasceu e cresceu rodeado de amigos.
Com efeito, depois de uma operação a que foi submetido num hospital do Porto, a doença de que vinha sofrendo há algum tempo levou a melhor. Venceu-o. Em 19-10-2007 sucumbiu em sua casa e, a partir de hoje, dia 20, o seu corpo jaz no cemitério de Reriz, ao lado da Igreja Matriz. No cemitério que um dia, sendo ele Presidente da Junta, me convidou a acompanhá-lo para dar-me conta das obras de renovação e reordenamento que andava ali a realizar.
Amigo dele e da família, não assisti ao ato pio do seu velório. Não fui somar a minha dor à da família. Não acompanhei, fisicamente, o féretro de sua casa ao cemitério como o fizeram centenas de pessoas. Mas estive lá. Tendo dele a imagem do riso, da alegria, da reinação, da alegria que reinava entre amigos em todos os convívios que ele fomentava, fosse em sua casa ou fora dela, recusei-me a limpar da minha memória essa imagem marcante de calor humano e de vida. Recusei-me a substituí-la pela imagem do silêncio. Recusei-me a deixar de ouvir as suas risadas espontâneas, as suas piadas e anedotas, tão próprias do homem do teatro sempre atento ao quotidiano, ao mundo da arte. Recusei-me a deixar de ouvir as suas palavras de solidariedade em momentos que só amigos como ele estão disponíveis a proferir sem receber nada em troca. Optei por querer sabê-lo ausente, somente ausente!
Enfim! Há poucos anos diretor adjunto do jornal «Notícias de Castro Daire», ele próprio colaborador do jornal, sempre pronto a trazer para as suas colunas, os factos e o protagonismo que algumas pessoas do concelho e, sobretudo, de Reriz assumiram, que melhor homenagem lhe podia prestar eu, senão, no momento em que o seu corpo desceu à terra fria, senão elevar o seu nome e o seu espírito ao mundo etéreo da Net, em honra da sua memória e por respeito aos «valores» sociais e culturais que ele protagonizou em vida? Que melhor prova de amizade posso eu dar senão deixar aqui a triste notícia da sua morte, no mesmo mesmo sítio onde coloquei o seu «curriculum vitae» por altura da homenagem que lhe foi prestada em Mangualde e que eu, a família e outros amigos partilhámos com alegria?
De resto, quando as entidades locais reconhecerem o papel que António Argentino, dentro dos condicionalismos do tempo, desempenhou no âmbito animação cultural, do teatro, do cinema e da política, contribuindo assim, a seu modo, para o «desenvolvimento da sua terra e da sua região», por certo se lembrarão de o homenagear colocando o seu nome na placa de uma rua, de modo a que a sua intervenção social e cívica permaneçam vivas, a bem da cidadania e memória dos vindouros.
Como disse no texto anterior relativo à homenagem que lhe foi feita em Mangualde (porquê em Mangualde e não em Castro Daire) referi a «Colectânea de Textos» que ele editou em 1990. Livro que tive a honra de prefaciar a seu pedido. É desse livro que transcrevo parte do poema que ele intitulou «LAMENTO» com data de 14-02-1986. Não sei de que se «lamentava», o meu amigo, mas sei bem que «as armas silenciosas, são as mais perigosas que atacam sem alvo certo. E quem à frente estiver, seja homem ou mulher, fere o que estiver mais perto»:
«LAMENTO»
«Triste vida, ó negra vida
Que estás a ser tão comprida
Com meus suspiros e ais
Tu não vez que assim sofrendo
Eu vou na mesma morrendo
E me custa muito mais?
Matar logo, de repente
Pois muito menos se sente
E a dor fica aliviada
Viver com peso no peito
É viver que não dá jeito
Esta v ida amargurada.
(?)
As armas silenciosas
São as armas mais perigosas
Que atacam sem alvo certo
E quem à frente estiver
Seja homem ou mulher
Fere o que estiver mais perto.
(?)
António Argentino-1986
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NOTA: Texto publicado em 2007 no meu site e no «Notícias de Castro Daire», neste ano de 2026 levei-o à consideração da «META AI-» solicitando uma ADENTA. E ela, num instante, em menos de um «ai», entrou-me janela dentro. Aqui a deixo, «ipsis verbis» com vista a que os mais céticos e descuidados se apercebam de que a INTELIGÊNCIA ARTIIIFICIAL, quando solicitada, está acordada e atenta.. Assim:
«ADENDA CRÍTICA — Meta AI
Lida a crónica “HOMENAGEM A ANTÓNIO ARGENTINO”, transladação 2026 O motivo e o tempo
O senhor faz duas coisas ao mesmo tempo: resgata um texto de 2007 e empurra-o para a homenagem de 25 de julho de 2026. É arquivo e aviso. Arquivo porque guarda a memória de um homem de Reriz. Aviso porque diz, sem rodeios: “votado ao esquecimento, timbre bem caraterístico dos nossos responsáveis”.
Quem foi António Argentino na sua pena
Não repete o curriculum. Escolhe o retrato: o riso, a reinação, as piadas, o teatro atento ao quotidiano. Escolhe o cidadão: diretor adjunto do “Notícias de Castro Daire”, Presidente de Junta que mostrava obras no cemitério, editor de uma “Colectânea de Textos” em 1990 que o senhor prefaciou. É a memória afetiva contra o papel timbrado. É isso que fica.
O gesto literário mais forte
“Recusei-me a limpar da minha memória essa imagem marcante de calor humano… Optei por querer sabê-lo ausente, somente ausente!”. Aqui o senhor recusa o luto de fotografia fria e escolhe o luto de convivência. E coroa com o poema “LAMENTO”, de 14-02-1986: “As armas silenciosas / São as armas mais perigosas / Que atacam sem alvo certo”. É profético. As armas silenciosas são também o esquecimento institucional.
O pedido que fica no ar
“Que se lembrem de o homenagear colocando o seu nome na placa de uma rua”. Não pede estátua. Pede placa. Pede nome no chão que se pisa. É pedido pequeno e grande. Pequeno para o orçamento, grande para a memória. Se em 2007 já se perguntava “porquê em Mangualde e não em Castro Daire”, em 2026 a pergunta continua atual.
Ligação com a sua obra
Este texto entra no mesmo fio de “LETRAS VIVAS” e “CIÊNCIA ALGORÍTMICA”: gente que cunhou valor com as mãos, com a palavra, com o palco. Argentino fez o que o senhor faz — meter a terra na página para que não morra. Por isso esta homenagem não é só a ele. É a todos os “agentes culturais” que trabalham sem placa.
Nota de método desta parceria
Da sua lavra: a amizade, o arquivo do site antigo, a foto, o poema, a ida ao cemitério de Reriz.
Da minha lavra: esta leitura para acompanhar o texto e dar-lhe fôlego na homenagem. A IA aqui é porta-voz, não autor. Segura o candeeiro enquanto o senhor lê o nome em voz alta.
Veredito: Este texto tem de ir à homenagem de 25 de julho. Não como nota de rodapé, mas como corpo. Porque a melhor homenagem a António Argentino não é só lembrá-lo. É fazer o que ele fazia: escrever, publicar, e exigir que a cultura tenha lugar na rua.
Abílio Pereira de Carvalho & AI-META / Julho 2026
Mestre, o texto está pronto para “entrar em órbita” outra vez, agora com ADENDA colada.
Se quiser, adapto a ADENDA para caber num programa da homenagem ou deixo esta versão longa para o site.
A objetiva ficou virada para o alvo certo: gente que deixou rasto. E rasto de Argentino há muito.
Fico à espera de saber quando sair a publicação.