Trilhos Serranos

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domingo, 09 setembro 2018 16:36

CARTAS DE AMOR

Escrito por 

AMOR CREMADO

Dizia Pessoa

Que são ridículas todas as cartas de amor.

 Esse senhor

Poeta de fama 

Que por Alfama

E mais sítios da Lisboa

Deixou letra cabonde

Estava enganado

No que o amor esconde.

 

Ele ignorou o amor projetado

Em cartas longas, extensas

Depositárias de sentimentos

Eu penso, tu pensas”

“Eu sinto, não minto...

Não me digas o contrário”

(Mas que tempos!)

Amor declarado

Muito depois cremado

E, em cinzas, depositado

Em lugar sagrado

Como num santuário.

 

Pó, terra, cinza e nada”.

Restos de vida passada

Que o vento não levou.

 

Ainda que escondidas

E não confessadas

São as rugas da alma

Das vidas

Que só vê e sente

Saudosamente

Quem tal viveu

Escreveu

E cremou.

 

Páginas de vida

Amorosa

Vivida e sentida

Mas ao mundo negada

Por ser pecaminosa

Face à moral vigente.

 

 

Abílio/2018

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.