Trilhos Serranos

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quarta, 08 agosto 2018 13:18

ODE PAGÃ- 3

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ODE PAGÃ (3)

A FORÇA DOS ASTROS

Um mistério. Um caso sério. Escrevi isto algures, num passado próximo, em texto mais desenvolvido. Creio ter sido na “Ode Pagã”, 1 ou 2. Dei-me conta, depois, pelo número de leituras,  que não foi coisa vã e, hoje, com o mesmo sentido, aqui deixo, texto novo, neste espaço sidéreo já que, sendo sério, quanto escrevo e leio, segundo creio, dos astros se vem e se veio.

 MÃO-1É isso. Como contrariar a força dos astros que magnetizam corpos separados por quilómetros de distância e, em pensamento, em toda a circunstância, ao contrário do relâmpago que, ziguezagueante, das nuvens desce, às nuvens os faz subir, sempre que lhes lembra e lhes apetece algo de amante?

Um mistério. Um caso sério. Não é ficção. É um encontro da quinta dimensão. Os pensamentos e sentimentos atravessam o espaço silenciosamente como discos voadores e, sem ruídos, os motores, magnetizados que são, escapam aos sentidos, ao entendimento e à compreensão do comum ser vivente. Pois. E vem a interrogação: como é possível ver presente quem está ausente e, sempre que lembra e apetece o encontro, a união, num qualquer cantinho do mundo, a força de vibração invisível, faz expor o templo de Vénus, e, ali, sem mais nem menos, o pagão crente ajoelha e faz oração, naquele hábito velho e relho herdado do pai Adão, segundo os preceitos do Evangelho?

MÃO-2É isso. E naquela posição de prece, como motor que aquece preparando-se para a partida (a meta está à vista) é o nada, é o tudo, o pensamento acelera o movimento, o ritmo, a caminhada e tudo vibra a cada aceleração dada.

Por telepatia vê-se e sente-se o sinal de partida. Começa a corrida. Na pista do dia, estão ele e ela. Nada do mundo os perturba. Aumentam as batidas do coração. Muda-se a cadência da respiração e, ora abrandam em cada curva, ora aceleram em cada reta. Guinada à direita. Guinada à esquerda. Ritmo? Ora rápido, ora lento. Desfrutam intensamente o momento. A vitória não é chegar primeiro, não é chegar atrasado, é chegar ao mesmo tempo. Um jogo de travão e de acelerador. Tácita combinação. Deslizam em baixas e altas rotações. Momentos mágicos de gestos e pensamentos, alimentados por treino, mecânica e emoções. Dois em um, nada comum. O silêncio dos MÃO-3motores, magnetizados que são, em vez de ruídos, expelem gemidos e clamores de gozo ardente e de prazer tolo. Logo seguidos da paragem triunfante e do resfolgar ofegante de cansaço e de consolo. Consumado está o encontro da quinta dimensão. Meta alcançada. Baixou a bandeira axadrezada.

Mas não sem que, antes, o «urro do leão» abalasse toda a floresta, toda a savana, toda a selva. Rugido que abafou o vagido poético, soluçante, apelativo, natural, delirante e sofrido, verso homérico por ela escrito, nunca lido nem declamado, mas que da alma humana emana cheio de fulgor e vida. Um mistério. Um caso sério para estudo dos sábios que, por toda a parte, alegam saber tudo sobre pessoas, animais, literatura, poesia, pintura, vida, artes e tudo o mais. Coisas más e coisas boas.

E para saber mais, terá de ler o texto escrito à maneira de Leonardo Da Vinci, da direita para a esquerda, coisa rara, mas cara para quem sabe e gosta de estudar a HUMANIDADE.

CÓPIA-2

MASCULINO

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.