Trilhos Serranos

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quinta, 28 junho 2018 18:31

A BONINA

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I

Gosto das margaridas

Aquelas flores 

(Uns amores

branquinhos)

Silvestres

Que à beira dos caminhos

Sempre atrevidas

A esmo,

Ou em linha,

Desafiam os poetas

E até,

Mesmo

O labrego

Patego

Que, descuidado,

Passa e as pisa

Sem dar por isso.

II

Nas aldeias serranas

Às vezes crescem,

Ondulando à brisa,

Mesmo à beira

De um caminho

Ou de uma eira

Onde se malhou pão

Que à cantoria 

Deu  calor, som e vida.

São quase humanas

E de pé,  deitadas,

Ou pisadas,

As formas delicadas

Que têm

Despertam desejos

Aos poetas que, mais que pétalas,

(Dentes em sorriso)

Outras belezas veem.

III

E eu, poeta que sou,

Que a beleza vejo por dentro

E por fora,

Páro, vejo, olho

E escolho

Não seguir adiante,

Não ir embora.

Uma que seja

Apetece-me afagá-la

Recostá-la

E num só instante,

Com carinho

Esta margarida,

Como quem beija

Fazê-la sentir gente,

Ali mesmo, à beira

Da eira

Ou do caminho.

E deitada, ela

Na posição de ver o céu,

E eu o céu, nos lhos dela

De corpos enleados

Olhos fechados

Deixarmos a terra

E somente estrelas

Vermos eu e ela.

Eternamente.

BONINA

 

Abílio/Junho/2018

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.