Trilhos Serranos

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segunda, 29 fevereiro 2016 11:06

MENINA QUE ESTÁ À JANELA

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MENINA QUE ESTÁS À JANELA

Ela postava-se à janela de manhã cedo e dali não saía todo o dia, chovessem raios ou coriscos. Ela não tinha medo, nem receio dos riscos que corria de ser fulminada por eles e, às vezes, de janela escancarada, sobre o peitoril debruçada, mostrava os níveos seios e, o que era melhor, as zonas pintadas do corpo que a paleta do pintor ali deixara na puberdade

 

Um escândalo para o povo, para a generalidade das pessoas do bairro. Mas nós, carriças com catarro, ao vermos aquelas coisas boas, aquele fruto proibido, ela era um anjo do céu caído, um anjo daqueles que um deus provocador ali pousara com a finalidade (que crueldade, estou hoje em crer!) de que na Terra, cada pecador ainda novo, na inocência e na potência da juventude, sem clemência, ardesse no inferno, mesmo antes de morrer. E ardia mesmo. Quem é que resistia ao fogo depois de ver as marcas daquela paleta? Complete o poema, leitor, acerte na rima...e verá que valeu a pena.

Abílio/fevereiro/2016

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Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.