Trilhos Serranos

Está em... Início Crónicas FACEBOOK 5
domingo, 01 outubro 2017 08:49

FACEBOOK 5

Escrito por 





Abílio Pereira de Carvalho 
1 de Outubro de 2013 · 


FACEBOOK 5 (publicado no Facebook no dia 1/10/3013

Dá licença senhor Doutor. Entre, o sofá livre está. O que o traz por cá, não o esperava tão cedo. Nem eu, mas de há uns dias para cá ando borrado de medo. A minha caixa de correio está atafulhada de pedidos, muitos pedidos, de conhecidos e desconhecidos, todos a pedirem entrada no meu rol de amigos. Eu, que nunca fui de indecisões, sem saber fico, se digo sim, se digo não à revoada.

 

A uns, analisados os perfis (será real o que neles se diz ou somente virtual) dou entrada com mensagem de boas vindas, "já que o deseja e pede, a casa é sua, bom proveito". Alguns agradecem, gentilmente, parece que são mesmo gente, outros surdos, quedos e calados devem ser máquinas automáticas, computadores avariados, sem memória para respostas prontas de marca humana, de amizade. Outros ficam em lista de espera, à espera que eles preencham o contorno vazio da figura humana disponível, pois é minha opção e gosto (com rara excepção) dar somente entrada a gente com nome e rosto. Excepção para aqueles que conheço, cuja profissão lhes impõe recatar a cara, e então, coisa rara, em vez dela, aceito que ponham um cão, uma flor ou um leão. Ao meu jeito, sem abdicar do princípio, esses pormenores respeito e se me pedem para entrar, e vierem por bem, bom proveito. Mas que entrem a descoberto, não gosto de encapuzados, não gosto do chico-esperto, que se faz amigo e, volta e meia, se põe a bisbilhotar a casa alheia. Mas esse tem os dias contados. E mais uma regra, à maneira medieval, sendo eu o hospitaleiro, nesta realidade virtual, não permito ofensa, nem ataque aos que no meu mosteiro, por isto ou aquilo, pedem entrada, pedem asilo. Pois, isto dito, já dizia o meu pai que o "respeitinho é muito bonito". De resto não queria chegar à atitude radical que já tomei uma vez, como também fez recentemente, por motivo diferente, um amigo meu ao bloquear a entrada de um o"amigo" seu que, montado num cavalo sem peias, entrou a espadeirar a torto e direito, esquecido do jeito que é ser decente com toda a gente, em todo o lado, mesmo que dessincronizado no plano do pensamento e das ideias.  

Então, não pára? Já vi que hoje vem com a corda toda, trás as pilhas carregadas. É isso, é. Foi das eleições. Se quiser levanto-me, fico de pé, mas embora é que não vou ainda. Não disse tudo e a coisa tá linda, tá. Não são só os pedidos de amigos, sinto e vejo que estou a ser seguido. Leio isso no visor "seguido por..." e vem o número de seguidores. Fico pasmado. Seguidores ou perseguidores? De quando em vez, não tem hora marcada, nem dia, uma mensagem fugidia a dizer-me "está a ser seguido por..." e vem o nome fictício ou real, do fantasma que me segue. Sempre assim foi, desde o começo, mas não esta avalanche, assim de repente, e se bem digo e meço o tempo, parece-me que tudo começou com o vídeo e a fotografia do avião que nesta eleição dos autárquicos órgãos, (disse eleição, ou erecção?) - disse bem continue - coloquei no Facebook e não bastando isso, vejo e ouço o papalvo look, look, look, a apontar para o ar a lembrar-me a popular expressão "ó patego olha o balão", só que desta vez não foi balão, foi um avião com uma cauda de dragão a apelar o voto. Foi assim este ano, eu o anoto, este ano de eleições, ano de 2013, e toda a gente que se preze e me conhece, como home de chamar as coisas pelo nome, olhando para cima, vê o avião (plural aviões) e mirando-me de cima a baixo, encontra a rima que só não escrevo por relaxo. Avião, aviões, avião, aviões, eleição, eleições, mas parece-me exagerado crucificarem o Aveleira, por isso. Mais certo seria ele mudar de companhia, de conselheiros e de conselheira, aquela que, a seu jeito, adornada dos predicados da humildade e da sabedoria, tudo sabia, só não conhecia o sujeito com quem se metia. E este nem sequer a mandou para a outra banda, expressão lampeira que, anda e desanda, dia a dia, a semana inteira, na boca do povo. De resto nem foi caso novo isto das avionetas traçarem os ares de Castro Daire, sendo errado atribuir ao avião (plural aviões) o desaire, a perda das eleições pelo PSD. Basta ver que, em 2011, por estes lados, na Feira de Ouvida, uma avioneta distribuiu rebuçados em voos rasantes e toda a gente, em corrida, ia apanhá-los, num instante. Feira da Ouvida, freguesia de Monteiras, onde, o Américo, do PSD, já se vê, usando as mesmas voadoras maneiras, ganhou por larga margem de votos, daí poder dizer-se, de bom siso, por estes sítios ignotos, que vitórias e derrotas nas eleições, não se devem a aviões. Nisto, como em tudo, andará bem avisado aquele que ouça o povo: "vale mais só, do que mal acompanhado".
Então não pára, não se cala? olhe o tempo. Sim, senhor doutor, é o momento. E o remédio? Não leva receita. O farmacêutico já sabe. Veja se é genérico ou de marca. Andam para aí uns boatos a dizerem que eles vendem os mais caros pelos mais baratos. Veja o preço e apareça. Ai, apareço apareço.

Ler 87 vezes
Abílio Pereira de Carvalho

Abílio Pereira de Carvalho nasceu a 10 de Junho de 1939 na freguesia de S. Joaninho (povoação de Cujó que se tornou freguesia independente em 1949), concelho de Castro Daire, distrito de Viseu. Aos 20 anos de idade embarcou para Moçambique, donde regressou em 1976. Ler mais.